O que o luxo tem a ensinar diante de mudanças que ocorrem em alta velocidade

 

Por Carlos Magno Gibrail
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Não se discute mais a existência das mudanças, mas sim a velocidade cada vez maior em que elas ocorrem.

 

O primeiro grande desafio é a criatividade para antecipar as novidades. Se não bastasse a competência para vislumbrar o futuro, há uma enorme dose de coragem para arcar com eventuais riscos de errar ao mudar.

 

A verdade é que vale a pena, pois se a maior velocidade exige mais, ela também aumenta as chances do surgimento de novos produtos e serviços.

 

Essa pauta de velocidade de mudanças e rupturas normalmente remete aos setores tecnológicos. Amazon, Facebook, Google …. inevitavelmente marcam presença.

 

Entretanto, há um setor extremamente importante para a beleza e harmonia das coisas que está presente neste contexto de mudanças, mas não é cogitado no tema de inovações: é o segmento do luxo — talvez pela alta carga de tradição, embora essa característica não impeça o ímpeto criativo e a busca constante da novidade.

 

A ALSHOP ao se dar conta de tal contribuição chamou ao Congresso Nacional BRASILSHOP, a ser realizado no próximo dia 20, na CASA PETRA, em São Paulo, o especialista em luxo mais notório em atividade – Carlos Ferreirinha – para explicar o momento comercial e como vender novos produtos e entregar novas emoções.

 

Ferreirinha foi quem implantou definitivamente a Louis Vuitton no mercado brasileiro, pois, acreditem, antes dele a marca era totalmente desconhecida por aqui.

 

Ao sair da Louis Vuitton, criou seminários, palestras e cursos sobre o luxo em várias universidades de renome, tendo formatado na FAAP a pós-graduação em Luxo.

 

Finalmente criou e comanda a MCF Consultoria, onde são oferecidos treinamentos e consultorias dentro do setor, assim como palestras similares aquela que dará no evento ALSHOP. Cujo trailer, pelo WhatsApp, evidentemente, segue abaixo:

”O que está em jogo não é mais a Mudança e, sim, o ritmo acelerado e intenso das mudanças. Ciclos que em outrora eram de 20, 15, 10 anos… são agora imediatas, forçando a Liderança atuar de forma mais rápida e com mais convicção. Liderança “Agile”… para isso, temos que repensar o formato atual de penalizar o erro… temos que criar ambientes que permitam testar mais, mesmo que seja em ambientes protegidos e controlados, mas testar com mais velocidade, e com isso, permitir mais ao erro nessas tentativas… Testar, Errar, Testar… manter ritmo de invenção, criação, tentativas… mais acelerado. E aqui as marcas de Luxo são exímias testando novos formatos e arriscando”

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Sua Marca: dê um tempo para o seu cliente

 

 

Existem marcas que ganham relevância porque vendem aquilo que sentimos falta no nosso dia a dia: tempo para parar. Jaime Troiano e Cecília Russo falam dessa estratégia que pode ser usada por empresas, produtos e serviços para conquistar o consumidor. Em conversa com o jornalista Mílton Jung, ele chamam atenção para o fato de se investir muito em tecnologia ou ações que façam com que as pessoas não percam tempo na vida, mas às vezes o caminho pode ser o inverso: oferecer as pessoas o direito de refletir, relaxar, “descomprimir”.

 

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN.

Mundo Corporativo entrevista Marcelo Bicudo, da Epigram, sobre design sprint

 

 

“O mercado mudou, a demanda mudou, a necessidade do consumidor mudou, ao invés de você esperar um ano, dois anos para você testar este produto no mercado e eventualmente dar errado ou dar certo, você consegue em cinco dias levantar um conjunto de informações para que você tenha mais certeza daquilo que você está fazendo”. A afirmação é de Marcelo Bicudo, da Epigram Brand Union, que explicou, em entrevista ao Mundo Corporativo, da rádio CBN, como é possível fazer essa transformação aplicando o sistema conhecido por design sprint.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar, quartas-feiras, 11 horas, no site http://www.cbn.com.br e é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN. O quadro é apresentado por Milton Jung e tem a colaboração de Alessandra Dias, Douglas Matos e Debora Gonçalves.

De pegadinha milionária

 

Olá,

 

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hoje é sábado, e faltam poucas horas para eu enviar meu texto para o Mílton postar aqui no blog.

 

Poderia começar dizendo que é difícil encontrar assunto e escrever semanalmente sem cansar o leitor com meu estilo, mas eu gosto tanto de escrever, de falar e de pensar, que não sei o que seria se mim, se não pudesse rabiscar meus sentimentos nesta página imaterial onde tenho escrito há tanto tempo.

 

Essa manhã, fui dar aulas num bairro bem distante do meu, e resolvi ir de carro. Tenho usado muito transporte público, mas tem vezes que me ofereço uma dirigida pela cidade. E essa “dirigida” saiu cara!

 

Logo depois que o prefeito atual desta cidade resolveu mexer na velocidade permitida nas ruas, por tudo o que é canto, e pintar e bordar, literalmente, sem um projeto de quem realmente sabe o que está fazendo – para isso vamos às Universidades e quebramos o pescoço de tanto estudar – e sem discussões públicas, coisas que eu imagino devam ser feitas quando se mexe no cotidiano e no hábito dos habitantes que pagamos o seu salário, diga-se de passagem. Tem placas de 30 até 70 Km/hora ziguezagueando por vias, ou pela mesmíssima via, e eu nem saberia descrever o caos que é dirigir hoje nesta cidade engessada. Virou a esquina? O radar te pegou, porque o limite de velocidade mudou! Há!

 

… mas nas duas primeiras vezes que usei o carro, logo depois da doideira instalada em cada via, a cada velocidade diferente – deve ser a diversidade que agora está na crista da onda – já levei duas multas.

 

Moro na Vila Andrade, e para chegar ao meu Hortifruti favorito, preciso pegar a Guilherme Dumont Villares. Desde que eu me mudei para este bairro, o limite de velocidade para veículos nessa avenida, assim como em tantas outras vias da mesma importância, era de sessenta quilômetros por hora.

 

Saí de casa toda faceira, com minhas sacolas floridas, e lá fui eu. Não ultrapassei os sessenta por hora, cuidadosa. Fui ao Hortifruti, passei momentos deliciosos comprando minhas frutas, legumes, boa carne e outras gostosuras que não dá para ficar sem, e na volta, na mesmíssima via pela qual tinha ido, voltei.

 

Pá! Na minha cara, no primeiro quarteirão, uma placa de limite de velocidade de 50 Km. Não! logo a seguir dois enormes radares gulosos, escandalosos e vergonhosos, miram e fotografam teu carro e a placa dele. E você recebe, logo a seguir, um aviso em casa, te informando de que foi pega pelo radar. Trouxa!.

 

Quer dizer que quem vai paga para ir e voltar? Nem uma plaquinha pequeninha para avisar quem vai, que a velocidade mudou? Num percurso de não mais de seis quilômetros a gente tem que ser assaltada assim, a vias armadas?

 

Valha-me Deus!

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Escreve no Blog do Mílton Jung

Multar para arrecadar

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Rodovias e vias de São Paulo e Rio estão sendo usadas e abusadas pela indústria da multa. A Rio-Santos no trecho entre Paraty e Angra com 96 km tem 45 radares, que equivale a um radar a cada 2,2 km. Com velocidade máxima de 40 ou 60 km. E, multas de 86 a 576 reais. Em São Paulo se reduz a velocidade de grandes avenidas para 50 km e é anunciada para breve uma velocidade geral para as demais vias de 40 km.

 

O Ministério Público Federal tem agido na Rio-Santos para coibir abusos de excesso de controle e de variação de velocidade. Tem obtido sucesso momentâneo, mas não conseguiu padronizar e racionalizar o sistema de controle de tráfego. Na Assembleia Legislativa, as manifestações contra os excessos também não conseguiram aplacar a gana pelo dinheiro das multas.

 

Na capital paulista, os 11,5 milhões de habitantes também não se mexem e assimilam o que vai na cabeça de Haddad e seus auxiliares.

 

É o típico caso em que o Poder Público é causa e efeito do problema. Nas estradas é permissivo quanto à ocupação de beira de rodovia, onde são construídas casas e comércios junto as pistas. Na cidade, o automóvel antes priorizado vê seus já congestionados espaços ocupados pelas faixas de ônibus e ciclovias.

 

O cenário é preocupante, pois se usa o automóvel para arrecadar e se justifica pela vida a ser salva. Como se o motorista irresponsável possa ser constrangido pela multa.

 

Há prejuízos.Nas rodovias turísticas certamente motoristas pensarão duas vezes antes de sair para locais com radares a cada 2 km. Principalmente quando não há linhas aéreas. Nas cidades a redução do ritmo do transporte resultará em menor produção e produtividade.

 

Os aplicativos talvez sejam a solução. Nas rodovias, com clubes de compra para passagens aéreas. Nas cidades, para escolher e combinar o melhor candidato para a próxima eleição.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

 

A imagem deste post é do álbum de M.J.Ambriola, no Flickr

#MundoCorpCBN: Carlos Miranda da Flores Online e as estratégias para o comércio eletrônico

 

 

A mobilidade e a velocidade estão transformando a experiência do consumidor no ato da compra, portanto o comércio eletrônico tem de levar em consideração estas duas coisas e se adaptar a este novo cenário. A recomendação é de Carlos Miranda, CEO da Flores Online e da BR Opportunities, em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo da rádio CBN. Ele calcula que de 32 a 35% das pesquisas de compras atualmente são feitas através dos celulares e sugere que se construa estratégias para atuar neste ambiente. No programa, você vai conhecer a trajetória da Flores Online, empresa pioneira na venda de flores e presentes pela internet, e saber como tornar seu negócio atrativo para fundos de investimentos como a BR Opportunities.

 

Você pode assistir, ao vivo, ao Mundo Corporativo, quartas-feiras, 11 horas da manhã, no site http://www.cbn.com.br, e enviar perguntas para mundocorporativo@cbn.com.br e para os Twitters @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN). Participam do programa Paulo Rodolfo, Douglas Mattos e Ernesto Foschi.

Pot-pourri II: da pena de morte aos carros em alta velocidade

 

Por Mílton Ferretti Jung

 

Volto a cumprir o meu compromisso das quintas-feiras com o Mílton usando expediente que utilizei não faz muito:o pot-pourri. Ocorre que três notícias presentes na mídia nos últimos dias prenderam,especialmente,minha atenção.

 

O assassinato do menino Bernardo

 

Confesso que não sabia o que pensar da pena de morte para punir quem comete crimes hediondos. Trata-se de uma questão que divide as opiniões do povo brasileiro. A gota de água que me fez descer do muro foi o assassinato de Bernardo Boldrini,um menino de 11 anos,que morava em Três Passos-RS. Jamais imaginei que pessoas de classe alta,supostamente por ganância – pai cirurgião e dono de um mini-hospital,madrasta enfermeira,mancomunada com uma assistente social – tenham cometido crime tão torpe e cruel quanto esse. Espero que a polícia faça a sua parte,mas o jornal Zero Hora publicou nessa terça-feira,dia em que entrego o meu texto, que o exame da substância capaz de produzir a morte do garoto ou facilitar a decomposição do seu corpo,estava parado. Seja lá como for,passei a ser defensor da pena de morte,pelo menos, quando a vítima for menor de idade e fique comprovado, sem sombra de dúvida,a torpeza e crueldade do crime. Não acredito,entretanto,que esse tipo de penalização venha a ser adotado no Brasil.

 

Os malefícios da Copa do Mundo

 

Li com algum espanto que,aqui no Rio Grande do Sul,dois mil PMs (ou brigadianos,como são chamados em meu estado natal),vindos do Interior,vão reforçar a segurança,em Porto Alegre,durante a realização da Copa. A Famurs – Federação das Associações de Municípios – convocou reunião para esta quarta-feira (não sei o que ficou decidido porque entrego na terça-feira o meu texto para o blog). Não faz muito tempo,pequenos e até médios municípios gaúchos,viviam sendo assaltados por ladrões de bancos. Muitas dessas cidades se ressentiam da falta de policiamento capaz de impedir os constantes roubos. As cidadezinha nem sequer contam com guarda municipal. A diminuição da segurança é notada inclusive quando PMs trabalham como salva-vidas,na chamada Operação Golfinho,que dura o verão inteiro.A Famurs tem razão para reclamar. Afinal,estão despindo um santo para vestir outro. Ah,esta Copa do Mundo!

 

O trânsito e os seus crimes

 

Não tinha previsto escrever novamente sobre trânsito. Aliás,o que costuma acontecer nas rodovias que cortam o Rio Grande nos feriados prolongados,como o da Páscoa,por exemplo,lamentavelmente,é coisa que se repete. Refiro-me aos acidentes fatais. Na quinta-feira passada,escrevi sobre um sujeito que,pela terceira vez,foi flagrado dirigindo contramão na Freeway,sendo que na última que cometeu a irregularidade colidiu com outro veículo. Passou-se uma semana desse evento e já se tem notícia do carro de um deputado que,dirigido pelo próprio ou por um subalterno,corria a 164 km/h na BR-386,velocidade registrada pelo radar,cuja foto está na Zero Hora.A caminhonete,uma Ranger,tem quatro multas,todas por excesso de velocidade. Edson Brum,esse o nome do deputado,diz que o veículo possui multas,mas é um carro do seu gabinete e que pode ser dirigido por um motorista. Pois, que seja.O interessante é que a PRF,no caso desse feriado,não teve como saber quem era o condutor da Ranger porque o movimento na rodovia era intenso e questões de segurança precisavam ser respeitadas. E não seria desrespeito à segurança dos outros veículos correr a 164km/h?

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

A velocidade supersônica do tempo

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Parece mentira, mas já chegamos, nesta quinta-feira, ao vigésimo-quarto dia de janeiro. Estivesse eu com 18 anos, idade na qual, para um certo desgosto paterno, iniciei minha carreira no rádio, não estaria preocupado com o que me parece ser, para não exagerar, a velocidade supersônica do tempo. Janeiro de 2013 está mais perto de fevereiro do que eu gostaria. Lembro-me, ao citar este tipo de velocidade, que alguns motoristas aqui do sul, segundo levantamento do jornal gaúcho Zero Hora, estão tentando rivalizar com o tempo em matéria de correria. Não é que, na manhã do último sábado, um desses destemperados foi flagrado voando a 167 quilômetros por hora na Estrada do Mar, a RS-389.

 

Explico, para quem não conhece essa rodovia, que ela liga Torres, cidade balneária situada na divisa do Rio Grande do Sul com Santa Catarina, a Osório. Trata-se de uma estrada utilizada principalmente nos meses de verão. Possui 90 quilômetros de extensão e dá acesso as praias do litoral norte do estado. É controlada por 12 pardais que multam os motoristas que ultrapassam a velocidade máxima permitida na via, isto é, 80 km/h. Os controladores, porém, não impedem que muitos excedam esse limites. Por força disso, o número de acidente, muitos deles fatais, não sei se crescem a cada verão, mas, no mínimo, não diminuem. Apesar dos pesares, os velocistas se queixam de que os controladores de velocidade – um a cada 7,5 km – são demasiados.

 

Demasiados? Não, são é suficientes para desaconselhar os maluquinhos a romperem o limite. Ah, sim, os danados acham que esse limite de velocidade deve ser mais amplo. Na free-way passou para 110km/h, o que, para mim, é um exagero. No que diz respeito à Estrada do Mar, para que os meus leitores de outros estados percebam que não existe demasia no número de pardais, lembro mais dois que foram flagrados pelo Comando Rodoviário da Brigada Militar, no último fim de semana, além do que citei no início deste texto: os pilotos (?) de um Fiat Strada que trafegava a 145km/h, e o de um Gol, conduzido a 130km/h. Os três dirigiam no sentido Norte-Sul. Já no sentido contrário, 150 motoristas (não sei se devo os chamar de motoristas) foram detectados pelo radar fotográfico dirigindo acima do limite de 80 km/h.

 

Trato de assuntos de trânsito, neste blog, com alguma insistência. Em geral, encerro os textos lembrando que os pais são os primeiros responsáveis pela educação dos seus filhos para que se transformem em bons motoristas. O que as crianças aprendem deles necessita, porém, de um grande reforço na escola. Todos os colégios que se prezam têm de manter aulas sobre a matéria trânsito, tão importantes quanto as de matemática, português etc. Afinal, se essas preparam os alunos para as suas futuras profissões, as de trânsito, aprontam-nos para viver socialmente no tráfego.

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Velocidade máxima de 120km aumentará risco de mortes em rodovia

 

Por Milton Ferretti Jung

 

No jornal gaúcho Zero Hora, dessa segunda-feira, li e não gostei do que, por enquanto, está apenas em estudo, mas, mesmo assim, me assustou: ”Concepa estuda limite de 120 km/h na freeway”. Se é que alguém não saiba, freeway – que de “free” não tem muito – é a rodovia que une Porto Alegre a Osório e, nos fins de semana do verão, em geral, com o esparramo de veículos que se vê hoje em dia em circulação, para gáudio da indústria automobilística, torna-se congestionada. Não me lembro, mas, no jornal, há um quadradinho, no qual se vê uma foto da freeway, na época em que fazia jus ao apelido. Logo abaixo, lê-se que a fotografia é de 1973. Naquele ano, já um tanto longínquo, existia sinalização indicando que a velocidade máxima permitida na rodovia era a que a Concepa deseja reimplantar agora, isto é: 120 km/h.

 

Em novembro de 2011, o alargamento da rodovia e outras melhorias deram chance a que a velocidade máxima para veículos de pequeno porte – que ridiculamente são chamados de carros de passeio – passasse para 110 km/h. Já os pesados, podem viajar a 90. Não sou dos que mais viajam pela freeway. Neste ano, fui e voltei a Tramandaí duas vezes. Em ambas, mantive-me na velocidade máxima permitida, mas, às vezes, tirei o pé, especialmente para ser ultrapassado por quem dirigia, é fácil imaginar, muito acima dos 110 km/h. Esses, que não são poucos, não querem saber se você está pilotando dentro da velocidade permitida. Sai da frente deles ou se arrisca a ser abalroado.

 

A presidente da Fundação Thiago Gonzaga, Diza Gonzaga, tal como eu e, provavelmente, inúmeros outros, entende que o aumento da velocidade está ligado à letalidade dos acidentes. Para essa batalhadora, que perdeu um filho, vitimado em acidente de trânsito, os 10 quilômetros a mais que a Concepa pretende implantar, diminuirá a segurança das pessoas que usam a rodovia. A concessionária da freeway, por conta de pequisa por ela realizada, afirma que o número de acidentes diminuiu na estrada que liga Porto Alegre às praias do litoral. A mesma pesquisa não esconde, porém, que o número de acidentes com morte caiu de 14 para 13. A pesquisa da Concepa não me convence. Vou continuar defendendo que, sejam quais forem as melhorias que a estrada experimentou neste ano e que são prometidas para 2013, aumentar a velocidade máxima em 10 quilômetros por hora ,parece pouco, mas será uma temeridade e um risco desnecessário. Afinal, tivéssermos, por exemplo, autobahns como as da Alemanha, as velocidades máximas poderiam ser bem maiores. Estamos, porém, distantes delas.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Aqui e Agora


 

Por Julio Tannus

 

Tudo indica que experiência e maturidade não têm mais vez em nossa atualidade. O “aqui e agora” parece ser prevalente. É o que nos diz o sociólogo polonês Zygmunt Bauman. Um dos teóricos mais importantes da atualidade, Bauman dedica os seus estudos, ensaios e obras à interpretação da modernidade e da época pós-moderna. Segundo o autor, vivemos um mundo cada vez mais fragmentado pelas paixões e confusão ética e cada vez menos afeito a unidade, razão e consciência ética.

 

Em Vida Líquida, seu mais recente livro, demonstrando uma impressionante capacidade de perceber e analisar a vida social, Bauman chama a atenção para os problemas que a atual estrutura social e econômica suscita no ser humano hoje, ou seja, entre a necessidade de se adequar ao ritmo “destrutivo-criativo” dos mercados e o medo de ficar defasado, tornar-se dispensável.

 

Para o autor o que importa na vida atual não é a duração; unicamente a velocidade. Bauman nos lembra de uma epígrafe, citando Emerson: “Quando patinamos sobre gelo quebradiço, nossa segurança depende da nossa velocidade”, outra vez como no jogo das cadeiras, onde a cada intervalo da música sempre sobra alguém sem lugar para sentar. Mas, por mais velozes que possamos ser nada nos garantirá que, na próxima música (que se dança agora mesmo), não sejamos passados para trás.

 

Além disto, a “vida líquida” não pode ter apenas uma direção, mas muitas. Trata-se de “ligar-se ligeiramente a qualquer coisa que se apresente e deixá-la ir embora graciosamente”. Segundo o sociólogo, a precificação generalizada da vida atual impõe uma condição humana onde predominam o desapego e a versatilidade em meio à incerteza, exigindo estar-se na vanguarda constantemente.

 

Dentro deste contexto, o autor considera que “as realizações individuais não podem solidificar-se em posses permanentes porque, em um piscar de olhos, os ativos se transformam em passivos, e as capacidades, em incapacidades”. Ou seja, as condições de ação e as estratégias de reação envelhecem muito rapidamente e se tornam obsoletas. Assim, aprender com a experiência a fim de se basear em estratégias e movimentos táticos empregados com sucesso no passado é pouco recomendável.

 

Trata-se de uma visão bastante interessante sobre os mecanismos atuais nos quais todos estamos inseridos. Vale a pena sua leitura!

 


Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada, co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier) e escreve às terças-feiras no Blog do Mílton Jung