Por Milton Ferretti Jung
Não sei como o litoral paulista funciona para quem nele aproveita os meses de verão. Aqui – e os leitores deste blog sabem que escrevo do Rio Grande do Sul – creio que o veranista, cujo único interesse é descansar ou se divertir à sua maneira, especialmente os que possuem ou alugam casas nas várias praias que compõem a orla marítima, nem sempre atingem por inteiro o objetivo que os leva a elas.
Todos, é claro, sabem que precisam contar com as graças de São Pedro, isto é, que a chuva não prejudique boa parte de sua temporada, o que não chega a ser incomum. Existe, além dela, um vento que vem do nordeste, que costuma durar três dias e castiga quem se dispõe a o enfrentar, jogando areia no rosto das pessoas e fazendo cair a temperatura. Banho, nesses dias, nem pensar. Estou, até agora, tratando de problemas que somente com sorte podem ser minimizados.
Há outros, entretanto, que um pouco de interesse das prefeituras em melhorar a pavimentação das ruas e dos calçadões à beira mar seria suficiente para diminuir. Não é o que se vê. No balneário em que tenho casa a avenida que margeia o mar se liga à praia por passarelas de madeira. Quando eram novas, que beleza. Algumas, com o tempo, ficaram esburacadas e exigem cuidados para que sejam transpostas.
Tudo isso se poderia relevar. Difícil mesmo é suportar as invenções de rádios e tevês, que realizam os mais diversos tipos de promoções, que perturbam o sossego, o principal objetivo de quem vai à praia passar férias no litoral gaúcho. Dou um exemplo: uma emissora de Porto Alegre, no último domingo deste mês, estabeleceu-se sobre a areia com armas e bagagens (caixas de som podem ser consideradas armas em certos casos) e cruzou a tarde obrigando quem não estava interessado em ouvir um locutor berrando nos seus ouvidos nem na programação musical, brega, diga-se de passagem, transmitida a todo volume. Na minha casa, que fica a três quadras do mar, quase não consegui ouvir o narrador da partida entre Grêmio e Cruzeiro, tamanha a barulheira.
Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)