A importância da eleição municipal

 

Por Antônio Augusto Mayer dos Santos

Certa vez o político e jurista Assis Brasil – infelizmente muito mais referido do que lido – bradou da tribuna da Câmara dos Deputados: “O voto deve ser a voz, não o eco”. A eleição do Prefeito, do Vice-Prefeito e dos Vereadores é sempre o resultado de uma escolha que decorre da vontade livre e soberana dos cidadãos. Afinal, nas democracias sempre há uma determinação decorrente das urnas.

Aliás, nada em eleição decorre sem querer ou sobrenaturalmente. Eleição em país democrático é sempre pelo voto do cidadão. Se o voto é bom ou ruim, se bem ou equivocadamente sufragado, isto é uma outra questão. Mas é sempre voto. A surpresa – ou não – fica por conta dos eleitos. Se competentes ou incompetentes isto também é outra discussão. Mas algo sempre será certo: quem se elege Vereador, Prefeito ou Vice-Prefeito foi eleito. Portanto, votar bem é uma necessidade.

Não se pode ignorar que em alguns municípios ou regiões a desilusão e a desconfiança apresentam índices crescentes ou mesmo alarmantes. Até aí, nenhuma novidade. Todavia, como a Constituição Federal determina que os Poderes são fundamentais, existem outras possibilidades e perspectivas envolvendo o desempenho e a escolha de dirigentes. Comecemos pelo Legislativo.

O Vereador representa o povo junto à instância primeira da democracia representativa que é a Câmara Municipal. Congressistas, Deputados Estaduais, Governadores e os Presidentes Prudente de Moraes, Wenceslau Brás, Delfim Moreira, Artur Bernardes, Washington Luís e Tancredo Neves iniciaram suas trajetórias políticas pela vereança.

O Legislativo Municipal é uma instituição política dinâmica e de caráter permanente que representa a sociedade. No exercício desta representação, o Poder dispõe de competência para tratar de assuntos pulsantes vinculados ao cotidiano dos cidadãos, desde o valor das passagens do transporte coletivo ao número de andares dos prédios, passando pela fiscalização do Executivo e dos serviços públicos. Daquele com diploma ao que não concluiu o primário, do mais velho ao novato, os quase 60 mil Vereadores brasileiros exercem atribuições diversas e indelegáveis. Todos foram votados e dispõem de um voto no Parlamento.

Já o Executivo é o Poder que dispõe da maioria das competências para administrar a cidade. Ao Prefeito estão subordinadas as decisões relativas à execução das obras e atividades colocadas à disposição da coletividade, algumas sem a possibilidade de interferência da Câmara. Além disso, os 5.559 Chefes de Executivo do país dependem financeiramente da União e do Estado para completar a receita do Município, o que impõe a necessidade de menos imediatismo e mais compreensão.

Em suas decisões, estes mandatários podem agradar a cem e desagradar a mil. Além disso, inúmeras são as limitações do poder. Portanto, o seu exercício é simultaneamente glorioso e desgastante. O que não se coaduna ao Estado de Direito são críticas oportunistas ou sem fundamento, sobretudo quando se sabe que a democracia brasileira percorreu um longo trajeto até chegar onde está.

Por fim, o jovem também deve participar da escolha dos Vereadores e dos Prefeitos pois se a legislação lhe autoriza a trabalhar aos 14 anos e se filiar a um partido aos 16, nada mais coerente do que haver um estímulo para que ele escolha aqueles que fixam a tarifa do transporte coletivo, o valor do IPTU, etc.

O ato de votar – assim como o de participar e fiscalizar – é sempre nobre, especialmente porque é no Município que se vive, trabalha, etc. Além disso, é nele que a política apresenta sua face mais dinâmica e de efeitos mais imediatos. Daí a sua importância no primeiro domingo de outubro deste ano de 2012.

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e autor dos livros “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age) e “Vereança e Câmaras Municipais – questões legais e constitucionais” (Editora Verbo Jurídico). Às segundas, escreve no Blog do Mílton Jung.

A lição do gari

 

Por Devanir Amâncio
ONG Educa SP

Sujeira em bueiro
   

Garis ficaram impressionados com a quantidade de sacolinhas plásticas que encontraram ao fazer a limpeza  de bueiros na rua  25 de Março, na região do Parque D.Pedro, centro de São Paulo. Como grandes observadores das ruas, eles recomendam humildade ao prefeito Gilberto Kassab ao falar sobre  enchentes. Segundo os garis, a cidade resolveria significativamente o problema  das enchentes se instalasse ‘telões’ ( grades em ferro fundido) em todas as  bocas-de-lobo da cidade. Ainda prevêem enchentes devastadoras no futuro se a prefeitura não modernizar a construção de bocas-de-lobo e adotar equipamentos eficientes (modernos) na limpeza de galerias pluviais.

“Uma equipe de três pessoas limpa apenas 10 bocas-de-lobo por dia, às vezes uma”, diz um gari, que desistiu ao fazer a conta do tempo que demoraria para desentupir a cidade.

Nem sempre deve-se avaliar a competência de uma pessoa pelo salário que recebe. Os limpadores de esgoto e varredores de rua ganham cerca de 800 reais e têm ideias simples e inovadoras para  os problemas urbanos . Os salários desses humildes trabalhadores são insignificantes se comparar com a fortuna salarial de um subprefeito que chega a 35 mil reais 

Quais são as projetos  de cidade do segundo escalão da Prefeitura de São Paulo, que teve um reajuste salarial de mais de 200 por cento ? Não é um exagero? Por que a oposição, se é que existe, ficou calada? E o décimo terceiro dos vereadores?  Esses últimos acontecimentos envolvendo dinheiro público, uma espécie de êxtase lesa-cidadão, poderiam  ser colocados na lista das grandes injustiças sociais de nossa cidade. E muitos desses ‘servidores do povo’ ainda dizem com a boca cheia:” Eu amo São Paulo.” 

Enquanto isso as subprefeituras, e o Serviço Funerário – o maior cabide de emprego municipal do Brasil – estão sucateados[…]. São agora tubarões da administração pública, perderam o sentido ético, desprezam o senso-comum, menosprezam os valores sublimes que têm os mais humildes cidadãos que vivem com dignidade a sua pobreza. Os mesmos cidadãos,  vítimas das dezenas de milhares de cartinhas escárnio de vereadores desejando-lhes  “Feliz Natal e um Próspero Ano Novo!” . 

Qual dos vereadores e demais funcionários de vida abastada dos ricos teria a coragem de devolver aos cofres públicos parte do que ganham ou, para contestar, distribuir aos pobres em praça pública suas moedas?

A eles,  votos  que aprendam o valor social dos garis e limpadores,  coveiros, sem-teto  quilombolas e inúmeras minorias. Que pensem  na prática  a  sustentabilidade, e projetos de saúde para a legião de viciados em crack que fecha ruas em São Paulo; votos que encontrem uma solução para as milhares de crianças sem creche.

Votos que os políticos vençam todos os  tipos de sujeiras e extravagâncias. Só assim, o “amor ” que tanto se ouve falar em ano eleitoral, terá  sentido.

                                         

Abacaxi na Câmara e Adote um Vereador no Pátio

 

Abacaxi na Câmara Municipal

Um sem-teto, com ar de tristeza, descansa com o saco de abacaxi no cola, diante da Câmara de Vereador de São Paulo, na manhã de sexta-feira. De acordo com nosso colaborador Devanir Amâncio, da ONG EducaSP, ele não sabia nada sobre as ações dos vereadores: “Lá dentro é uma gritaria só. O café é amargo, o leite estava com gosto de azedo”.

Hoje, sábado, é a vez do pessoal do Adote um Vereador descascar o abacaxi em seu encontro mensal, no Pátio do Colégio, das duas às quatro da tarde. Quem estiver interessado em ajudar na tarefa, é só comparecer por lá. É de graça. Ou melhor, tem que pagar o cafezinho.

Itu pressiona vereadores por incentivo à indústria

 

Os 12 vereadores de Itu serão alvo de campanha organizada pela sociedade para aprovação de projeto de lei que garante incentivos fiscais às indústrias que se instalarem na cidade paulista. Cidadãos organizados em torno da ideia do Adote um Vereador decidiram convidar outros moradores a enviar e-mails aos parlamentares pedindo o apoio para a ideia que, segundo eles, “pode beneficiar as empresas já existentes e ajudar a trazer novas empresas”. Na mensagem que pretende mobilizar a cidade, os integrantes do movimento lembram que a Câmara Municipal é “a linha de frente de qualquer cidade, onde estão as pessoas que nos representam … nós somos os chefes deles e precisamos estar presentes”

No e-mail que foi repassado ao Adote Um Vereador_SP por Jefferson Fernando está o texto completo do Projeto de lei de incentivo as indústrias e a relação dos vereadores com endereço eletrônico para onde podem ser enviadas as mensagens. Se você é de Itu, leia o texto do projeto de lei, entenda a intenção do prefeito Herculano Castilho e mande seu recado aos vereadores justificando sua opinião a favor ou contra a ideia.

Adauto Gonçalves PR 
vereadoradautoautoescola@yahoo.com.br  
Dito Roque PSDC 
ditoroque@hotmail.com
http://ditoroque.blogspot.com/
Dr. Emerson Cury 
PTB 
assessoria.dr.emerson@gmail.com  
Fátima Scavaccini PV 
fátima.scavacini@bol.com.br
Giva PV 
givaitu@hotmail.com
http://www.givaitu.com.br/  
Guilherme Gazzola PPS 
contato@guilhermegazzola.com.br
http://www.guilhermegazzola.com.br/
Luiz Costa DEM 
vereadorluizcosta@yahoo.com.br  
Nair Langue PRB 
vereadoranairlangue@hotmail.com
Neto Belici PP 
vereador@netobeluci.com.br  
Rick Schmidt 
PDT 
vereadorrick@gmail.com
http://www.rickitu.com.br/
Serginho da Saúde 
PP 
sergioluiscorsi@hotmail.com  
Sérgio Castanheira 
PV 
dr.sergiocastanheira@terra.com.br
http://drsergiocastanheira.blogspot.com/

O exemplo de Jaraguá e outras cidades

 

Antonio Knopf
Ouvinte-internauta do Jornal da CBN

Sou morador de uma pequena cidade do médio vale do Itajaí, Indaial, próxima de Blumenau, onde está ocorrendo uma das maiores festas da América Latina, a Oktoberfest simplesmente indiscritível. A discussão sobre a emenda parlamentar que permite o aumento no número de vereadores, teve repercussão nacional devido a manifestação das entidades organizadas da cidade de Jaraguá do Sul, no norte de Santa Catarina. Ali, a vontade das entidades e da comunidade foi atendida. O número de vereadores permaneceu o mesmo, pois se entendeu que havia outras prioridades: saúde, educação e segurança pública.

Com o sucesso alcançado em Jaraguá do Sul, as demais cidades próximas também se organizaram no sentido de se manifestar contra este aumento. Aqui na minha cidade, Indaial, onde vivem 54.794 pessoas, já tinha ocorrido a primeira votação, que autorizava o aumento de 11 para 15 vereadores. Efetuaram-se enquetes e a comunidade manifestou-se contrária – 92,8% disseram não. Na segunda votação, em 20 de setembro, os nobres vereadores decidiram ficar no meio do caminho: ampliaram para 13 vagas, na Câmara, contrariando a expectativa da maioria do povo indaialense.

O mais constrangedor foram os argumentos apresentados no sentido de justificar este aumento:

Que não haverá mais despesas. O que é inadmissível, pois ninguém trabalhará de graça. E os assessores? As despesas de ofício? O repasse para o legislativo, por tratar-se de município de até 100.000 habitantes é de 7% .

– Melhoria da representetividade. Outra enganação. Faço um paradoxo a cidade de São Paulo (capital) com mais de 11 milhões de habitantes. Seriam, então, necessários 2.946 vereadores? Inadmissível.

Na verdade, o que estes nobres parlamentares pretendem é reduzir o coeficiente eleitoral para que, com menor quantidade de votos, possam se eleger, contando então com os votos da legenda.

Alegaram, também, que o problema relacionado a contenção de despesa está vinculado aos cargos de confiança e/ou comissionados. Resta-me outro questionamento: por que não estabelecer regras claras na lei orgânica do município, quanto a estas contratações? Lei orgânica é de “exclusividade”do “Poder Legislativo”, mas sabem por que não o fazem? Simples, usam como moeda de troca para empregar, acomodar seus cabos eleitorais.

Em  tempo: Blumenau com seus 309.214 habitantes permanecerá com os atuais 15 vereadores; poderiam ser 23 mas atenderam a pressão popular.     

Cidadão adota vereador do Escândalo da Moqueca

                                              

 

Há pouco mais de um ano da eleição municipal, cidadãos começam a pensar como melhorar o legislativo de sua cidade. Incentivado pelo Adote um Vereador, o ouvinte-internauta Jonas Lorenzini decidiu fiscalizar o trabalho legislativo do vice-presidente da Câmara Municipal de Vila Velha (ES), Almir Neres (PSD). Não precisou muito esforço para descobrir que o nome de seu “adotado” fazia parte de lista de vereadores suspeitos de participarem do Escândalo da Moqueca:

“Levantamento feito pelo Tribunal de Contas na Câmara de Vila Velha, referente ao ano de 2009, apontou gastos irregulares no valor de R$ 1,1 milhão. Entre as despesas dos parlamentares com a verba de gabinete de R$ 7 mil tinham pagamento de casquinhas de siri, moqueca e churrasco” – registra reportagem no site da Rádio CBN de Vitória.

Jonas pede algumas dicas para desenvolver seu trabalho de cidadão. E eu aproveito para reforçar a receita simples do Adote um Vereador:

1. Escolha o nome de um vereador;
2. Levante informações sobre ele no Google, nos jornais, nas emissoras de rádio e nos programas de televisão;
3. Procure dados sobre o vereador no site da Câmara: projeto de lei, presença em plenário, participação em comissões, gastos com verba indenizatória;
4. Mande e-mail e faça perguntas sobre planos para a cidade e outros assuntos que sejam do seu interesse;
5. Ligue para o gabinete e peça explicações sobre o comportamento dele;
6. Publique estas informações em um blog;
7. Divulgue seu blog nas redes sociais

Importante, também, que o “padrinho” dê sua opinião sobre os temas publicados no blog, exercitando sua capacidade de reflexão. Todo este conteúdo ajudará outros eleitores a pensar melhor sobre o seu voto na próxima eleição.

Um último recado para o Jonas: não deixe de nos avisar quando seu blog estiver no ar para que nós possamos inclui-lo na rede do Adote um Vereador

Cidadãos de Lages tentam barrar aumento de vereadores

 

Os moradores de Lages, interior de Santa Catarina, se mobilizam para barrar o aumento de 12 para 19 vereadores, aprovado em março deste ano pela Câmara Municipal com base em Emenda Constitucional nº 58/2009. Com a campanha “Diga não para o aumento de vereadores”, pretendem arrecadar cerca de 6.800 assinaturas de apoio a projeto de lei de iniciativa popular que propõe a manutenção do atual número de parlamentares.

Panfletos distribuídos na cidade estampam a frase: “Não precisamos de mais vereadores, precisamos que os vereadores façam mais”. Em 2010, os 12 parlamentares aprovaram 92 leis. Considerando o valor total gasto pela Câmara no ano, de R$ 5,75 milhões, cada lei aprovada custou aos cofres públicos cerca de R$ 62,5 mil, informa o jornal Correio Lageano.

Hoje, o salário de um vereador, sem encargos, é de R$ 7.019,00 além da verba de gabinete de R$ 1.200,00. De acordo com cálculo feito pelos organizadores do movimento, mais sete vereadores representariam gastos de mais de R$ 690 mil por ano ao município. Nesta conta devem ser acrescidos o valor do salário pago aos assessores, além de gastos com encargos empregatícios, e os custos para ampliar o número de gabinetes e adaptar o plenário.

Os vereadores de Lages, assim como da maioria das Câmaras que aprovaram o aumento no número de vagas, tentam convencer o cidadão de que os custos da casa não aumentarão pois o repasse de 6% do Orçamento municipal será mantido. O que eles não contam é que parte deste dinheiro costuma ser devolvido aos cofres públicos e pode ser investido no ano seguinte em áreas prioritárias. Com o aumento no número de vereadores, o custo da Câmara atingirá o teto ou, em um cenário ainda pior, haverá um esforço para aumentar a arrecadação da cidade, o que significa aprovar o aumento do ISS e IPTU.

Eleição de 2012 sem mudanças

 

Por Antônio Augusto Mayer dos Santos

No dia 7 de outubro último expirou o prazo de anualidade para que alguma “lei nova” entrasse em vigor em relação ao pleito municipal de 2012 cujos prazos já estão na praça. Com isto, salvo alguma pendência de interpretação acerca da Lei das Fichas, nada foi ou será alterado, muito menos para 2014 (ou você imagina que os congressistas que trocaram de partido ficarão sem horário de rádio e TV?).

Contudo, é essencial, é necessário, é preciso repetir e refletir que não há mais possibilidade de contornar temas aflitivos que despertam indignação tanto na sociedade quanto na própria classe política. Sim, na classe política. Afinal, os políticos não são todos iguais. Há exceções muito nítidas na causa pública. Ocorre que a sucessão de Comissões e adiamentos, legislatura após legislatura, a par do desperdício, impulsiona a sensação de que o desfecho pretendido jamais será alcançado. Se a um ângulo a constante exposição da matéria converteu a Reforma Política numa espécie de redenção ética de cunho salvacionista, a outro é leviano supor que a sua aprovação funcionará como um antídoto capaz de eliminar todas as mazelas vigentes.

No início do século XX, o dramaturgo alemão Bertold Brecht cunhou uma manifestação que se tornou célebre:“O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não sabe o custo de vida, preço do feijão, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio, depende de decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais”.

Reforma Política no Brasil do Fundo Partidário, da Coligação para eleger deputado e vereador, da votação secreta por decoro parlamentar, não significa somente a necessidade de alteração mas de uma nítida evolução nos mecanismos de acesso e desempenho de mandatos.

A sistemática atual, defasada e desacreditada ética e instrumentalmente, exige recomposição para viabilizar o resgate da Política como atividade digna e respeitável mas hoje em desalento. Esta necessidade é inadiável pois, infelizmente, as relações entre candidatos, partidos e mandatos estão num processo de saturamento que beira a hipertrofia.

No entanto, conforme apontam estudos e análises, nenhuma das alterações preconizadas, especialmente aquelas mais divulgadas, encerra uma solução definitiva. Há um regime de interdependência. Até porque, uma modificação integral jamais será executada, seja porque as resistências são sólidas, seja porque algumas propostas são incompatíveis à realidade brasileira.

Prova disso foi novamente em 2011 a ausência de consenso para colocar o tema ao menos em discussão.

No tocante à corrupção, não há como divinizar o eleitor quando decisões da Justiça Eleitoral comprovam que a corrupção passiva é tão praticada quanto a ativa.

É certo que a cada legislatura um contingente de respeitáveis e respeitados parlamentares se mobiliza visando reação. Contudo, eles expressam minoria. Nem mesmo os anêmicos índices de credibilidade que as pesquisas de opinião conferem à maioria dos Congressistas e Legislativos tem sido suficientes para substituir a semântica pela atitude. Esta engrenagem frustra a cidadania pois a sensação dominante é de que não há respaldo às demandas sociais, especialmente aquelas mais eloquentes e sobre as quais existe um clamor quase diário exigindo aperfeiçoamentos.

O saneamento do sistema – triste sistema – exige o fim da inércia. Somente a participação ativa e direta da sociedade opinando e sugerindo através de eventos, fóruns e similares é que determinará alguma mudança positiva. Opções existem e o momento é este. A geografia dos debates confinou a Reforma Política à Brasília e isto – a inacessibilidade ao debate – sempre foi um poderoso e eficiente fator impeditivo à transparência e às reivindicações.

O eleitor, destinatário final desta situação, deve despertar e ser protagonista. Já dizia o político e jurista Assis Brasil, pioneiro da legislação eleitoral no Brasil: “O voto deve ser a voz, não o eco”.

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e autor dos livros “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age) e “Vereança e Câmaras Municipais – questões legais e constitucionais” (Editora Verbo Jurídico). Às segundas, escreve no Blog do Mílton Jung.

PSD é segunda maior bancada e PMDB some da Câmara

 

O prefeito Gilberto Kassab e o PSD fizeram um estrago nas bancadas dos partidos que disputaram a eleição de 2008 para a Câmara Municipal. Encerrado o prazo de filiação para quem pretende concorrer ano que vem e com as trocas confirmadas, o PMDB e o PSC foram extintos da casa; o PSDB sofreu um corte drástico com a saída de seis vereadores, o DEM diminui pela metade e o PPS, que já não era grande, ficou com apenas um.

No caso dos Tucanos, mais do que o efeito Kassab, a perda se deu por problemas internos do partido, haja vista que somente dois dos dissidentes migraram para o PDS, entre eles o presidente da Casa, José Police Neto. Três foram para o PV, partido que mais engordou ao conseguir dobrar sua bancada para seis vereadores com a chegada de Gilberto Natalini, Dalton Silvano e Ricardo Teixeira. E um, Juscelino Gadelha, se abrigou no PSB.

Kassab levou do DEM, seu partido de origem, Marco Aurélio Cunha, Domingos Dissei, Edir Sales, Ushitaro Kamia e Marta Costa. Esta última ainda tem o nome listado como sendo do Democratas, no site da Câmara, mas o líder do PDS Marco Aurélio Cunha garante que ela é democrata-socialista de carteirinha. Confirmar a informação com a vereadora é tarefa inglória, pois a parlamentar entra muda e sai calada da Câmara, e seus assessores parecem rezar na mesma bíblia (política, lógico). A bancada do PSD recebeu também adesão de Goulart do PMDB, Milton Ferreira do PPS, David Soares do PSC, além dos tucanos Police Neto e Souza Santos.

O PT segue com a maior bancada com 11 vereadores, seguido do recém-formado PSD com 10, PSDB com 7 e PV com 6. Nada, porém, parece ameaçar o poder de Gilberto Kassab dentro da casa, pois os partidos e vereadores têm um forte hábito de aderir ao Executivo em todas as principais causas levadas para o parlamento.

Veja como ficaram as bancadas na Câmara Municipal de São Paulo. E não deixe de perguntar ao seu vereador por que ele mudou de partido. Tem obrigação de explicar, pois quando foi eleito defendia outra cor e ideologia (?)

DEMOCRATAS
Carlos Apolinario
Milton Leite
Sandra Tadeu

PC DO B
Jamil Murad
Netinho de Paula

PDT
Claudio Prado

PP
Attila Russomanno
Wadih Mutran

PPS
Claudio Fonseca

PR
Agnaldo Timóteo
Antonio Carlos Rodrigues
Aurelio Miguel
Quito Formiga
Toninho Paiva

PRB
Atílio Francisco

PSB
Eliseu Gabriel
Juscelino Gadelha
Noemi Nonato

PSD
Marta Costa
David Soares
Domingos Dissei
Edir Sales
Goulart
José Police Neto
Marco Aurélio Cunha
Milton Ferreira
Souza Santos
Ushitaro Kamia

PSDB
Adolfo Quintas
Anibal de Freitas
Claudinho
Floriano Pesaro
Gilson Barreto
José Rolim
Tião Farias

PT
Alfredinho
Arselino Tatto
Carlos Neder
Chico Macena
Donato
Francisco Chagas
Ítalo Cardoso
José Américo
José Ferreira (Zelão)
Juliana Cardoso
Senival Moura

PTB
Adilson Amadeu
Celso Jatene
Paulo Frange

PV
Abou Anni
Aurélio Nomura
Dalton Silvano
Natalini
Ricardo Teixeira
Roberto Tripoli

Paulistano quer prioridade para ônibus

 

Agilidade no atendimento nas unidades de saúde e pontualidade dos ônibus, duas das reivindicações feitas pelo paulistano na consulta pública “Você no Parlamento”, mostram o descontentamento do cidadão com a prestação de serviço na capital paulista. Foram ouvidas 33.340 pessoas no trabalho organizado pela Rede Nossa São Paulo e a Câmara Municipal que pretende pautar a atuação do parlamento na construção do Orçamento, apresentação de projetos de lei e fiscalização da prefeitura.

Ouça a entrevista com Oded Grajew, da Rede Nossa SP, ao Jornal da CBN

Os resultados completos da consulta pública serão entregues aos 55 vereadores de São Paulo, hoje às três da tarde, em audiência aberta a participação do cidadão. Acompanhe algumas informações antecipadas pela Rede Nossa São Paulo e Câmara:

De acordo com os resultados relativos à saúde, 75,24% dos paulistanos consideram que o poder público deveria priorizar medidas para agilizar o agendamento e a realização de consultas e exames. Como as pessoas que responderam o questionário podiam assinalar até cinco opções relacionadas à área, a segunda prioridade escolhida, com 72,98%, foi a ampliação da rede de Unidades Básicas de Saúde (UBS), Assistência Médica Ambulatorial (AMA) e de Especialidades (AMAE), Prontos Socorros e Hospitais.

No tema transporte e mobilidade, o desejo da grande maioria dos paulistanos é que o poder público priorize o transporte coletivo (ônibus e corredores de ônibus) no sistema viário, para diminuir o tempo de espera e instituir a pontualidade nos terminais e pontos de ônibus. Esta alternativa foi assinalada por 77,41% dos consultados.

A redução do preço das passagens do transporte público, com 58,95%, e a implantação de ciclovias e todas as regiões da cidade, com 48,84%, ocuparam respectivamente a segunda e terceira opções mais votadas pelos paulistanos.

Informações complementares:

A consulta pública foi realizada entre os dias 15 de junho e 30 de setembro deste ano. Por meio de um questionário – respondido pela internet ou em material impresso –, os cidadãos participantes puderam opinar sobre quais as medidas mais importantes para melhorar as áreas de saúde, educação, meio ambiente, transporte e mobilidade, habitação, cultura e transparência e participação política, entre outras.

No total, 18 temas importantes para a qualidade de vida dos moradores da cidade foram abordados na consulta, que teve como base os Indicadores de Referência de Bem-Estar no Município – IRBEM, elaborado pela Rede Nossa São Paulo.