Conte Sua História de São Paulo: minha primeira e única viagem de bonde, para entrar na história

Por Fátima M.R.F. Antunes

Ouvinte da CBN

 

 

No fim dos anos 1960, o prefeito Faria Lima começou a retirar os bondes de circulação. A desativação do bonde Fábrica, que fazia o trajeto Praça João Mendes e Sacomã, no Ipiranga, foi anunciada para janeiro de 1967. O nome Fábrica se referia à indústria que havia no início da linha, Estabelecimento Cerâmico Saccoman-Frèresa, onde trabalharam o vovô João e o tio José. 

 

Desde 1900, os bondes elétricos eram o meio de transporte popular na cidade. Grandes e pesados, correndo sobre trilhos e dependendo de fiação elétrica aérea, destoavam dos ágeis e maleáveis ônibus, que apareceram décadas depois. Naqueles anos 1960, os bondes estavam sendo substituídos por ônibus.  Ao longo da década, as linhas foram sendo suprimidas. A última viagem de um bonde passou pelas avenidas Ibirapuera, Vereador José Diniz e Adolfo Pinheiro até Santo Amaro — em 27 de março de 1968.

 

De nada serviriam os lamentos da população. A hora tinha chegando. E o bonde Fábrica, que rasgava o bairro do Ipiranga pela rua Silva Bueno, seria desativada. Tia Tereza, irmã caçula de minha mãe, assim como outros milhões de paulistanos, estava agitada com a mudança. Afinal, o famoso bonde Fábrica, presença constante nas boas e más ocasiões, sempre estivera ali, companheiro e solidário. 

 

A família de minha mãe morara no Ipiranga. Primeiro na Rua Lima e Silva; depois na das Juntas Provisórias. Tia Tereza tomava o bonde na Silva Bueno para ir às compras no centro e à infinidade de salas de cinema que havia nas avenidas São João e Ipiranga. No Fábrica, ela, mamãe e vovó visitavam os parentes no Pari, com baldeação na Praça João Mendes. No Fábrica, se ia ao médico; até o Sacomã, aos sábados e domingo, para o footing, ou o“vai e vem”: os rapazes ficavam parados nas calçadas, enquanto as moças caminhavam pra lá e pra cá, de olho num pretendente. 

 

Os velhos bondes atravancavam o trânsito. Retirá-los das ruas parecia uma medida drástica, mas diziam que era necessária para a melhoria da circulação urbana.

 

Tia Tereza sempre foi uma entusiasta do progresso e da renovação, mas lá no fundo, sabia que os bondes deixariam saudade. Em janeiro de 1967, ela decidiu:  

 

“Vou levar a Fatima para um paseio no Fábrica antes que ele pare de rodas. Essa menina nunca andou de bonde! Quando for moça, vai poder dizer que andou de bonde em São Paulo.

 

Na Vila das Mercês, zona Sul, onde morávamos, só havia ônibus — eram pintados de amarelo clarinho, com faixas vermelhas na parte inferior.  Tia Tereza planejou com detalhes a aventura. Ajudou-me a escolher um vestido bem bonito. Do portão de casa, na antiga Rua B  — hoje Rua Caloji — nos acenavam a avó Dolores e minha mãe, Rafaela, com meu irmão Vanderlei no colo, enquanto íamos para o ponto.  Junto com a gente, foi a prima Eliana, filha da Tia Tereza, que sequer tinha completado um ano.

 

Descemos do ônibus no Sacomã e logo pegamos o bonde no ponto inicial. Sentei num daqueles bancos compridos, que ficavam nas laterais —- eram de madeira envernizada, duros, que faziam a gente escorregar, quando o freio era acionado. Confesso que achei escuro o interior do bonde, desconfortável. 

 

Antes do bonde deixar a Silva Bueno, descemos, atravessamos a rua e tomamos o ônibus de volta pra casa.  Eu tinha apenas quatro anos e jamais esqueci desse passeio. Mais do que a lembrança do bonde, ficou o carinho de minha tia. Penso que tia Tereza era uma mulher de visão. Ela já sabia, lá em 1967, que 53 anos depois, minha única e última viagem de bonde seria um capítulo do Conte Sua História de São Paulo. 

 

Fatima Martin R. F. Antunes é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto e envie para o contesuahistoria@cbn.com.br. Ouça também em podcast.

Diário de uma viajante mascarada

 

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Tower Bridge, Londres Foto: Pixabay

 

Eu a vi pela tela do celular. Ainda estava no saguão do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. Nem mesmo as duas máscaras que vestia —- sim, eram duas —- ou a boina que cobria a cabeça e segurava parte dos longos e crespos cabelos que estavam trançados para diminuir a área de contágio me impediram de enxergar o sorriso que a acompanha por onde vai. E ela já foi a muitos lugares neste mundo. Sempre em busca de conhecimento e amigos. Nunca lhes faltaram — um ou outro —- e sempre que colocada à prova, ela demonstrou habilidade em conquistá-los.

 

Quando conversamos estava a algumas horas de embarcar  para Londres de onde havia retornado no início desta pandemia, assim que as aulas se encerraram. Com o ano letivo prestes a começar daqui um mês, preferiu voltar no primeiro voo disponível —- o risco de ter a viagem cancelada aumenta a medida que cresce o número de casos da Covid-19, no Brasil.

 

Saiu daqui com um pedido do tio e cumpriu o combinado assim que chegou à Inglaterra: descrever a experiência da travessia de um continente ao outro, em tempos de ….. (perdão, mas me nego a cair nesse lugar-comum) …. você sabe que tempos são esse, certo?

 

O relato que você, caro e raro leitor deste blog, vai ler a partir de agora é baseado na história que ouvi da minha viajante mascarada.

 

Em Guarulhos, deu de cara com cartazes pedindo o uso de máscaras e álcool em gel. Para os poucos passageiros e acompanhantes que circulavam pelos corredores largos do saguão do aeroporto, o distanciamento social era involuntário. O principal aeroporto brasileiro está superdimensionado para o cenário atual da aviação. Com capacidade para até 40 pousos e decolagens por hora, naquela noite havia apenas quatro voos programados.

 

A encrenca estaria por vir, a medida que as filas se fazem necessárias para parte do atendimento. A primeira foi no setor de check-in, obrigatório nas viagens internacionais. Foi ali que começou o exercício aeróbico que consistia em prender a respiração quanto mais próximas as pessoas tivessem e respirar aliviada sempre que havia respeito às marcações de piso e distanciamento.

 

Para despachar as malas, um sufoco. O aperto de pessoas e bagagens era constrangedor. Para atrapalhar, muitos não tinham preenchido o formulário exigido pelo Reino Unido no qual é obrigatório declarar por onde esteve e informar seus contatos. Os esquecidos ao menos tinham a facilidade de acessar o formulário on-line e salvar as informações no celular.

 

O distanciamento voltou a ser respeitado no controle de segurança e passaportes. Sabe como é que é, né! Tem segurança, tem lei, a gente respeita nem que seja na marra. Mesmo com a distância, o acesso foi rápido, provavelmente porque o aeroporto estava vazio. Respirar com tranquilidade ajudou na longa caminhada até o portão de embarque.

 

Foi a companhia aérea chamar os passageiros e aquela sensação de asfixia voltou. Seja pela ansiedade seja pela desatenção —- ou seria por falta de seguranças observando? —-, o distanciamento foi esquecido. Todos queriam entrar logo no avião e devem ter pensando que, sem cartão de embarque, o vírus não teria lugar no voo.

 

Ainda bem que nossa viajante pode soltar o ar logo em seguida, na passarela que dá acesso ao avião: sem que ninguém precisasse pedir por favor, os passageiros voltaram a se distanciar um dos outros, mesmo aqueles que estavam acompanhados. Vai entender essa gente!

 

O voo não estava lotado, talvez com 70 a 80% de sua capacidade. Os assentos, na medida do possível, foram alocados de forma a deixar um passageiro distante do outro. Era possível, porém, perceber que algumas pessoas que não estavam viajando juntas, sentaram lado a lado. A tripulação lembrou a todos de usarem máscaras, permitindo a retirada apenas para comer e beber.

 

Nossa viajante que partiu do Brasil com duas máscaras, com duas máscaras ficou até chegar a Londres. Preferiu uma dieta forçada, sem pão nem água, por mais de 11 horas e meia, a arriscar qualquer contágio. Assim que o avião aterrissou em solo britânico, talvez a mudança mais significativa e civilizada das jornadas aéreas: o desembarque foi realizado por fileiras, impedindo aquela aglomeração do corredor, com gente se esticando para pegar malas, mochilas e bugigangas nos bagageiros acima das poltronas.

 

O que não mudou foi a correria para ver quem chega antes na fila da imigração que sempre termina com os corredores parados na mesma fila da imigração. Os passageiros eram lembrados da obrigatoriedade do uso de máscara — obedecida por todos — e havia placas solicitando o distanciamento entre as pessoas — cumprido por poucos. Mesmo com os guichês abertos e o número de vôos bem abaixo do normal, além do exercício de respiração —- prende e solta, conforme o vizinho da fila se aprochegava —- foi necessário, exercitar a paciência porque o tempo de espera foi longo, como nos velhos tempos.

 

Entre um sufoco e outro, ainda com as duas máscaras e receio do que viria pela frente, minha viajante pôs o pé para fora do aeroporto, sorriu mais uma vez e constatou: “ao contrário do que dizem, o céu estava azul em Londres!”.

 

Obrigado por compartilhar essa experiência, Valentina! E jamais permita que as máscaras que usamos na vida tirem o sorriso do seu rosto, minha sobrinha. Com ele, mesmo à distância, sempre teremos a esperança de enxergar um horizonte mais azul — até no céu de Londres.

Conte Sua História de São Paulo: a coragem além-mar da vó Antônia

 

Por Neusa Pereira
Ouvinte da CBN

 

 

Antônia senta–se à porta da cozinha e olha pro terreiro. Pensativa vê sua horta. As galinhas ciscam aqui e ali. A parreira de uva que começa a cachear. Sente uma enorme tristeza. Como que uma saudade antecipada. Talvez nunca mais veja tudo aquilo. Já pensara na situação. Uma grande guerra havia chegado à Europa. A primeira de muito tempo. Não se lembrava de ouvir falar de uma assim. E tudo a assusta. Chora quando vê a fila de moços da vizinhança passar pela sua porta. Seguem pra ajudar as tropas de Portugal. Ela, com um único filho ainda adolescente, o Jaime, não tem, no momento, essa preocupação. Mas, seu coração se condói ao ver as famílias vizinhas chorosas e aflitas. Tinha raiva dos ingleses.
Ouvira dizer que, era por culpa deles que seu país se aventurava no inferno.

 

Aos pés de Nossa Senhora da Conceição, ao lado da cama, Antônia reza. Que proteja aquelas crianças que já empunham um fuzil. Que conforte, dê esperança e força. Ora também por ela e pela família. Que encontrem uma alternativa. Uma saída pra fugir da guerra. Com olhos fixos na santa, espera. Uma mensagem. Um alento. Olhos nos olhos. Pensamentos nos pensamentos. E, Antonia, então, silenciosamente, abaixa a cabeça e, como que respondesse a alguém murmura pra si mesma: sim, farei isso.

 

Naquela noite, na mesa do jantar: pão, sopa de fubá com couve, azeite e vinho caseiro. O de quase sempre. Silenciosa, Antônia faz seu prato e, com ele ainda parado no ar, arranja forças e sentencia: “A guerra está a chegar cada vez mais perto. Vamos ter que ir embora. Deixar nossa casa. E, vamos para o Brasil.”. O filho apenas olha pra ela. O marido, Pompeu, homem de saúde frágil, de pouca conversa e, de muito respeito pela mulher, naquele dia diz zangado: “Estás a variar mulher? Sabes onde é o Brasil? Tens ideia que vamos a atravessar um oceano inteiro pra lá chegar? Sabe-se lá quantos dias, com a saúde que tenho?”
Sei, sei, respondeu Antônia impaciente. Sabia que o marido era doente. Ia ser penoso. Mas não ia esmorecer. “Raios, diz ela, e vamos pra onde homem de Deus? Queres ficar aqui? Esperar bomba a cair em nossa porta? Soldados a fuçar a casa? A nos matar? Exageras, fala o marido. Então, ficas. Vou e levo Jaime”, finaliza Antonia. Silêncio. Marido e mulher se olham. Começam a jantar. Como se o assunto houvesse terminado. Pra lá iremos! Pensava ela.

 

Longe sabia que era. Ela já ouvira falar. Mais de mês de viagem. Mas, lá, tudo havia de se arrumar. Brasil não era a terra que um português legítimo, o Cabral, havia posto no mapa? Terra onde até a mesma língua se falava? E, quantos patrícios sabia estarem por lá! Sofria ao pensar. Talvez mais que todos. A decisão era dela.

 

Dia nublado, sacos, sacolas, malas, caixotes. Rosário preto nas mãos. Com sua saia comprida e lenço na cabeça, Antônia, Pompeu e Jaime, embarcam para o Brasil. Terceira classe com dezenas de outras famílias. Está aliviada.
Dias e dias a viajar. Olhar o mar. Pensar no futuro. Esperar. Então, ao longe, sombras no horizonte. Terra. Brasil, ali! Emocionada, ajoelha e reza. Agradecimento, alegria, esperança. Chora. Na fila do desembarque, segura firme a mão de Jaime. Se sente forte, protetora, capaz.

 

Assim, a mulher analfabeta, camponesa de Trancoso, começa uma nova vida. Enfrenta dificuldades. Encontra soluções. Trabalha. É mão forte no orçamento e nas decisões da casa. Como milhões de outras mulheres corajosas e valentes do mundo daquela época, Antonia, sem saber, engrossa as fileiras dos que aprendem na necessidade. Na luta. Na briga pela sobrevivência. E, ela, aprendeu ,porque decidiu. Empreendeu, construiu. Criou uma nova família brasileira. Empoderavam-se as mulheres do mundo. Empoderava-se dona Antônia da Conceição Pereira, minha avó.

 

Neusa Pereira e dona Antônia da Conceição Pereira são personagens do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreve você também mais um capítulo da nossa cidade. Envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br

Conte Sua História de São Paulo: a viagem de trem com meu pai

 

Por Dimas Ramalho 
Ouvinte da rádio CBN

 

 

 

 

Ainda criança tomei o trem com meu pai Horácio para conhecer a capital. “Vai ver o que é uma cidade grande”, disse-me. Foi onde ele passou boa parte de sua vida de estudante: internato no Arquidiocesano e, depois, Direito na São Francisco.
 

 

Na chegada, não acreditei no tamanho da Estação da Luz e, depois, na quantidade de pessoas e automóveis circulando. De mãos dadas, chegamos ao Teatro Municipal e ele me falou da Semana Modernista de 22. Fiquei curioso ao ouvir sobre Mário de Andrade e Anita Malfatti.
 

 

Em frente, vi o Mappin, enorme. Atordoado com as escadas rolantes, subi e desci até cansar. Em seguida, fomos à Rua Direita, onde só pedestres passavam. Na Praça da Sé, vi o mundo real e, na Catedral, onde entramos, em silêncio absoluto, pude observar a dimensão da fé.
 

 

Depois, na Faculdade de Direito, ele apontou as Arcadas e vi seus olhos úmidos. Somente anos mais tarde, quando também ingressei na São Francisco, entendi o que significou aquele momento. Até hoje, sinto a mesma emoção cada vez que visito a faculdade.
 

 

De táxi, fomos ao aeroporto e ele, que era piloto brevetado, falou de partidas e de sua paixão por aviões. Encostado no vidro, fiquei por muito tempo observando as aeronaves subindo e descendo, pensando em quanta gente passava por São Paulo.
 

 

No Butantã, explicou que do veneno vinha a cura. E, no zoológico, disse que um dia iríamos respeitar mais os animais e a natureza.
 

 

No Mercado Municipal, me perdi entre as bancas. Na feira livre, não vi o fim dos quarteirões e o pastel foi inevitável.
 

 

No Copan, ouvi sobre Niemayer e observamos com atenção as curvas do prédio. Já na cobertura do Edifício Itália, tive a noção de perspectiva e, no térreo, experimentei o primeiro café italiano da minha vida. Era uma máquina enorme que ocupava todo o balcão e de onde saia um café muito encorpado e quente. “Que modernidade essa máquina”, eu pensei.  Sempre que tomo um café forte, lembro daquela tarde ensolarada por São Paulo.
 

 

Na volta desses dias de passeio, sentia o coração acelerado a bordo do trem, sentado ao lado de meu pai no carro Pullman, rumo a Taquaritinga (de onde vim), passando por Araraquara, onde hoje resido. Mãos geladas. Medo. Estava apaixonado pela cidade grande.
 

 

Nas longas horas da viagem de volta percebi quanto o amava, mas não disse, nem naquele dia, nem nunca. Somente agradeci em silêncio enquanto observava seu rosto sereno cochilando. Já eu não consegui dormir. Passou muita coisa na minha cabeça de criança/pré-adolescente. Um turbilhão de emoções. Trânsito, ônibus, cinema, livro, barulho, gente, muita gente.
 

 

Quem me visse naquela noite perceberia que nos olhos daquele menino brilhava uma luz diferente, estranha, nova, desafiadora, como se fosse um rito de passagem. Minha mãe percebeu. Tem coisas que só as mães percebem. Nunca mais fui o mesmo. Não sei quanto tempo durou aquela viagem. Acho que dura até hoje. Meus sonhos ampliaram-se. Vi que nunca mais teria sossego. E foi assim.
 

 

Quando penso nas mãos do meu pai, que me levaram mundo afora e me soltaram, sinto que fiquei adulto ali naquela viagem. Desassossegado, com “bicho-carpinteiro” no corpo, como dizia minha avó materna. Devia ter contado ao meu pai tudo o que aconteceu comigo, tudo que se passava na minha cabeça. Mais uma vez não falei nada. Ele, com certeza, pensaria sorrindo: “acho que ele está aprendendo!”.

 

Dimas Ramalho é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Milton Jung. Escreve sua história de São Paulo e envie para o email milton@cbn.com.br

 

De museu particular a viagens exclusivas, livros sugerem turismo de luxo

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

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Ir ao Louvre é programa da maioria dos turistas que vai a Paris. Só no ano passado, o museu recebeu mais de 7,3 milhões de visitantes. É o mais visitado do mundo. Pense agora na possibilidade de conhecer as obras de arte que fazem parte desse museu de uma maneira bem particular: fora do horário de expediente. Esse é um programa para poucos e privilegiados. Um luxo.

 

E são luxos como esse passeio privado no Louvre que fazem parte das experiências que se destacam em uma série de cinco livros com os melhores destinos do mundo, lançada recentemente na Preview da SP-Arte/2017, o Luxury Travel Book 2017.

 

Além da programação em Paris, você encontrará nos livros produzidos pela PrimeTour, agência de viagens com foco no turismo de luxo, outras atrações incríveis como um exclusivo concerto de piano na Basílica de San Marco, um roteiro de balão sobre os exóticos templos de Myanmar e um show de dança privativo na Tailândia.

 

Entre as atrações sugeridas, você é convidado ainda para um piquenique no topo de uma montanha, o prazer de se hospedar em um quarto em um castelo medieval, uma nova massagem no mais exclusivo spa ou uma rede à sombra em praia particular.

 

São vivências totalmente personalizadas – exatamente o tipo de exclusividade que busca o viajante que movimenta o turismo de luxo no mundo. Jornadas por paisagens únicas. A descoberta de um segredo guardado para poucos. Retiros silenciosos ou viagens de aventura. Acessos privilegiados e vantagens exclusivas. Serviço discreto e ágil. Equipe especializada selecionada. Conforto e entretenimento de alta categoria.

 

No mundo atual, tempo é o nosso bem mais raro. Luxo a ser alcançado por muitos. Hoje o consumidor contemporâneo de alto poder aquisitivo entrega à sua agência de viagens todos os seus desejos, anseios, curiosidades, sonhos…o desafio das agências é cada vez mais não apenas atender, mas entender e encantar esses clientes tão exigentes. O relacionamento com o cliente é fundamental, pois é possível aprofundar-se nos interesses e desejos individuais de cada um e atendê-los de forma personalizada, tornando a viagem perfeita e uma experiência inesquecível.

 

Os livros ajudam nessa tarefa. Estão reunidos em um box e foram segmentados nas categorias Art&Culture, Love, Happiness, Body&Soul e Trend&Cool.

 

Aproveite e sonhe com o seu próximo destino!

 

Ricardo Ojeda Marins é Coach de Vida e Carreira, especialista em Gestão do Luxo pela FAAP, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. É também autor do Blog Infinite Luxury e colabora com o Blog do Mílton Jung.

Viagens de celebração: o luxo de comemorar a própria vida

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

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Nova York. Paris. Londres. Roma. Quando você pensa em viajar, certamente são esses os destinos que vêm a mente. A maior parte frequentada por viajantes de alto poder aquisitivo mas destino, também, do mercado de massa.

 

Na rota do turismo de luxo, os endereços podem mudar. São conhecidos por poucos e raros: Seychelles, Camboja, Vietnã e vilas privativas nas Ilhas Virgens Britânicas, são apenas alguns exemplos de destinos considerados exclusivos.

 

Se no passado a busca era por “produtos”, hoje o cenário é bem diferente. Clientes AAA buscam cada vez mais experiências memoráveis. E as viagens de celebrações são comumente compradas por esses consumidores.

 

São viagens nas quais o cliente deseja celebrar datas especiais, tais como aniversário, festa de 15 anos da filha, bodas de casamento … e, também, destinadas aqueles que querem simplesmente (?) aproveitar seu raro tempo livre para estar perto de amigos e familiares. Ou seja, comemorar a vida!

 

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Os destinos podem variar e a temática da viagem, também. Vila na região da Toscana, ilha  no Caribe e reserva de todo um hotel  em Bali são outros exemplos da exclusividade almejada por esse público.

 

PrimeTour, Teresa Perez e Platinum Travel Service são algumas das principais agências de viagens especializadas em roteiros exclusivos  A personalização, essencial no mercado do luxo, é de total responsabilidade destas empresas de turismo. Seus profissionais têm de cuidar de cada detalhe do roteiro, proporcionando a customização almejada por seus clientes. Parte aérea, terrestre, serviços no destino, guias bilíngues, serviços de mordomia … nada pode escapar do olhar atento desse pessoal. A meta: uma experiência impecável, inesquecível.

 

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A personalização é uma das principais características dos produtos e serviços de alto valor agregado. O luxo cada vez mais é atrelado ao SER em vez do TER. E para um cliente de alto poder aquisitivo, que, a princípio conhece o mundo todo, uma viagem de celebração tem de ser memorável para ele e para as pessoas que ama. Vamos lembrar que nesse caso o luxo é ter tempo para estar com as pessoas que você gosta. E tempo é um dos bens mais raros do consumidor contemporâneo.

 

Ricardo Ojeda Marins é Coach de Vida e Carreira, especialista em Gestão do Luxo pela FAAP, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. É também autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

A experiência de viajar de avião: mais trabalho e menos incômodo

 

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Mau humor de viajante à parte, é bem melhor viajar de avião agora do que no passado,  muito mais pelo avanço proporcionado pelas empresas aéreas do que pelo investimento feito pela Infraero, nos aeroportos. Os “privatizados” até que têm conseguido oferecer espaços mais confortáveis, tais como o Internacional de Guarulhos. Nos que estão nas mãos da estatal, contudo, as reformas andam a passos lentos.

 

Acabo de sair do aeroporto de Vitória, no Espírito Santo, de instalações acanhadas, espaço de embarque reduzido, áreas de prestação de serviço semi-abandonadas, goteiras nos aparelhos de ar-condicionado, que parecem desafiar a força da gravidade para se manterem pendurados na parede, e banheiros precários.

 

Dizem os capixabas que há anos ouvem promessas de que o aeroporto, sob a responsabilidade da Infraero, será reformado. Tem até projeto para mudar o sentido da pista e ampliar suas instalações. Uma rede hoteleira construiu seu empreendimento onde deveria ser o desembarque do “novo” aeroporto, contando com o fluxo de passageiros. O hotel já está pronto enquanto do outro lado da rua tem cerca, mato e uma placa anunciando que é área restrita da Infraero – ninguém pode entrar (nem gente competente?).

 

O dinheiro teria sido liberado no pré-Copa, mas se perdeu em algum lugar qualquer.

 

O último a fazer a promessa de melhorias, Eliseu Padilha, já pegou mala e cuia e desembarcou do governo Dilma, na sexta-feira última. Aliás, boa oportunidade para a presidente acabar com mais este ministério e entregar tudo para a pasta dos transportes, o que acho que não deve ocorrer, por isso, em breve, será nomeado mais um “fazedor” de promessas.

 

A verdade é que viajar ficou mais fácil se compararmos com as décadas anteriores. A tecnologia tornou as viagens de avião acessíveis e mais simples – mesmo que muitas vezes ainda tenhamos de sofrer pelo mal atendimento e atrasos sem justificativa. Quem lembra como eram as passagens antigamente? Blocos de papeis intercalados com carbono, escritos à mão, com letras ilegíveis e sempre prontos para serem perdidos pelo viajante. Às empresas cabia armazenar aquela documentação analógica e acumular despesas apenas para mantê-la em segurança.

 

Hoje, imprimimos a passagem em casa por força do hábito, é verdade, pois bastaria dedilhar seu CPF e mais um sem-número de números e letras para o bilhete sair impresso no totem. Os mais avançadinhos o fazem no próprio celular – apenas não consegui entender até agora por que no momento do embarque, quem preferiu economizar papel, perde mais tempo na fila a espera da máquina que lê o código de barras na tela do smartphone. Será que ninguém pensou em colocar um equipamento remoto?

 

A eliminação do check-in foi outra dádiva. No passado – e há quem ainda prefira desta forma – éramos obrigados a encarar enorme fila. Primeiro, com o pessoal da bagagem e dos sem-bagagem misturados. Depois, criaram a fila dos sem-bagagem, mas ainda com exigência de passar tudo por um atendente. Havia um tempo em que era solicitado que, mesmo com a passagem comprada, se telefonasse para a companhia aérea e confirmasse que viajaríamos. Agora, faço check-in em casa ou no smartphone e posso entrar direto na sala de embarque dos aeroportos. Ganhamos tempo!

 

O curioso neste novo procedimento é que as empresas diminuíram seus gastos com material, armazenamento e atendentes, e repassaram aos passageiros o serviço que realizavam antes. E nós achamos bom. Pode ser um paradoxo, mas apesar de termos mais trabalho a fazer, temos menos incômodo para viajar.

 

O dia em que os aeroportos brasileiros avançarem seus serviço  talvez viajar de avião seja tão simples quanto pegar o carro na sua garagem.

Conte Sua História de SP: a solidariedade que marcou minha chegada de Santa Fé

 

Osvaldo Seguel

 

 

 

1975, Brasil,fim do governo Geisel, em São Paulo ainda funcionava a rodoviária da Luz, onde afluíam e do seu interior saiam a grande maioria dos ônibus vindos e indo para o interior do Estado e do Brasil todo. Foi nessa rodoviária, febril e estreita, pois de teto baixo (onde ônibus quase riscavam no topo),e,por isso,permanentemente poluída pela fumaça dos escapamentos … que desembarquei em São Paulo, numa manha de março, há quase quarenta anos..e .doente !

 

Vindo da cidade de Santa Fé, num dos ônibus da empresa argentina General Urquizar, onde e após 72 horas de viagem contrai intoxicação alimentar …. chegando a São Paulo com vômitos convulsivos e quase não parando em pé. E aqui tive que descer pois era fim de linha.

 

A generosa solidariedade dos dois motoristas e da rodomoça foi inesquecível. A cada momento desse mau-passar, estavam acompanhando-me nas idas e vidas do banheiro do ônibus, enquanto o mesmo escalava a serra do cafezal, próximo à cidade de Registro, já no Estado de São Paulo. Relembro agora a elegância dos mesmos no trajar e até terem me fornecido cruzeiros que devia exibir, se indagado na alfândega, da fronteira argentino-brasileira, de Foz do Iguaçu.

 

Também devo assinalar aqui a solidariedade de alguns passageiros, dentre eles destaco uma casal de irmãos da minha idade (17 anos), brasileiros, porém que falavam o espanhol e me deram as primeiras aulas de português, ensinando como “cambiar diñero” “pedir una bebida” “preguntar por una calle”…eram filhos de um dono de uma agêcia de viagens e apesar de muito jovens viajavam sozinhos…veio-me agora seus rostos de traços europeus, alegres e solidários…

 

Porém, não guardo o rosto solidário e oportuno do passageiro chileno: era um jovem mais velho do que eu e que já morava no Brasil há vários anos, foi ele quem me ajudou a descer do ônibus nesse estado febril, com as minhas malas. Com elas permaneceu na rodoviária enquanto eu saía a procura de uma farmácia para tratar da minha intoxicação. A única coisa que encontrava chamavam de drogarias.
Um jovem de aspecto indígena dentro de seu avental branco me atendeu, após ser chamado pelas outras funcionárias da tal drogaria. Devem ter-lhe dito, que havia um jovem doente que não falava português mas aparentava estar passando mal.

 

Que fue lo que comistes ?…y há cuanto tiempo ?….

 

Contei que comecei a passar mal nessa madrugada após ter comido um pedaço de bolo com café com leite, numa das paradas daquela noite… e aí veio o milagre …o jovem farmacêutico preparou um coquetel líquido e após ter-me injetado esse misterioso elixir químico, como por passo e mágica, melhorei….e mui agradecido, fui pagando … ele afinal alertou-me de que iria sentir muito sono… ele não soube mas eu já não dormia praticamente desde que saíra do Chile…há quatro dias!

 

Voltei à rodoviária a procura de minhas coisas que ficaram com aquele passageiro desconhecido. Lá estava ele e minhas coisas .. graças a Deus! E sentindo-me agora melhor nesse país de nomes tão estranhos, e, certamente, enorme, populoso, febril e barulhento, onde as vulcanizadoras na estrada chamam-se borracharias que, em espanhol significam bêbados e as fármacias são drogarias, onde lá na Argentina é onde se vende drogas.

 

Coisas desta nova linguagem tropical..!

 

Osvaldo Seguel é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você pode contar mais um capítulo da nossa cidade. Escreva para milton@cbn.com.br.