Conte Sua História de São Paulo: a viagem de trem com meu pai

 

Por Dimas Ramalho 
Ouvinte da rádio CBN

 

 

 

 

Ainda criança tomei o trem com meu pai Horácio para conhecer a capital. “Vai ver o que é uma cidade grande”, disse-me. Foi onde ele passou boa parte de sua vida de estudante: internato no Arquidiocesano e, depois, Direito na São Francisco.
 

 

Na chegada, não acreditei no tamanho da Estação da Luz e, depois, na quantidade de pessoas e automóveis circulando. De mãos dadas, chegamos ao Teatro Municipal e ele me falou da Semana Modernista de 22. Fiquei curioso ao ouvir sobre Mário de Andrade e Anita Malfatti.
 

 

Em frente, vi o Mappin, enorme. Atordoado com as escadas rolantes, subi e desci até cansar. Em seguida, fomos à Rua Direita, onde só pedestres passavam. Na Praça da Sé, vi o mundo real e, na Catedral, onde entramos, em silêncio absoluto, pude observar a dimensão da fé.
 

 

Depois, na Faculdade de Direito, ele apontou as Arcadas e vi seus olhos úmidos. Somente anos mais tarde, quando também ingressei na São Francisco, entendi o que significou aquele momento. Até hoje, sinto a mesma emoção cada vez que visito a faculdade.
 

 

De táxi, fomos ao aeroporto e ele, que era piloto brevetado, falou de partidas e de sua paixão por aviões. Encostado no vidro, fiquei por muito tempo observando as aeronaves subindo e descendo, pensando em quanta gente passava por São Paulo.
 

 

No Butantã, explicou que do veneno vinha a cura. E, no zoológico, disse que um dia iríamos respeitar mais os animais e a natureza.
 

 

No Mercado Municipal, me perdi entre as bancas. Na feira livre, não vi o fim dos quarteirões e o pastel foi inevitável.
 

 

No Copan, ouvi sobre Niemayer e observamos com atenção as curvas do prédio. Já na cobertura do Edifício Itália, tive a noção de perspectiva e, no térreo, experimentei o primeiro café italiano da minha vida. Era uma máquina enorme que ocupava todo o balcão e de onde saia um café muito encorpado e quente. “Que modernidade essa máquina”, eu pensei.  Sempre que tomo um café forte, lembro daquela tarde ensolarada por São Paulo.
 

 

Na volta desses dias de passeio, sentia o coração acelerado a bordo do trem, sentado ao lado de meu pai no carro Pullman, rumo a Taquaritinga (de onde vim), passando por Araraquara, onde hoje resido. Mãos geladas. Medo. Estava apaixonado pela cidade grande.
 

 

Nas longas horas da viagem de volta percebi quanto o amava, mas não disse, nem naquele dia, nem nunca. Somente agradeci em silêncio enquanto observava seu rosto sereno cochilando. Já eu não consegui dormir. Passou muita coisa na minha cabeça de criança/pré-adolescente. Um turbilhão de emoções. Trânsito, ônibus, cinema, livro, barulho, gente, muita gente.
 

 

Quem me visse naquela noite perceberia que nos olhos daquele menino brilhava uma luz diferente, estranha, nova, desafiadora, como se fosse um rito de passagem. Minha mãe percebeu. Tem coisas que só as mães percebem. Nunca mais fui o mesmo. Não sei quanto tempo durou aquela viagem. Acho que dura até hoje. Meus sonhos ampliaram-se. Vi que nunca mais teria sossego. E foi assim.
 

 

Quando penso nas mãos do meu pai, que me levaram mundo afora e me soltaram, sinto que fiquei adulto ali naquela viagem. Desassossegado, com “bicho-carpinteiro” no corpo, como dizia minha avó materna. Devia ter contado ao meu pai tudo o que aconteceu comigo, tudo que se passava na minha cabeça. Mais uma vez não falei nada. Ele, com certeza, pensaria sorrindo: “acho que ele está aprendendo!”.

 

Dimas Ramalho é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Milton Jung. Escreve sua história de São Paulo e envie para o email milton@cbn.com.br

 

De museu particular a viagens exclusivas, livros sugerem turismo de luxo

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

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Ir ao Louvre é programa da maioria dos turistas que vai a Paris. Só no ano passado, o museu recebeu mais de 7,3 milhões de visitantes. É o mais visitado do mundo. Pense agora na possibilidade de conhecer as obras de arte que fazem parte desse museu de uma maneira bem particular: fora do horário de expediente. Esse é um programa para poucos e privilegiados. Um luxo.

 

E são luxos como esse passeio privado no Louvre que fazem parte das experiências que se destacam em uma série de cinco livros com os melhores destinos do mundo, lançada recentemente na Preview da SP-Arte/2017, o Luxury Travel Book 2017.

 

Além da programação em Paris, você encontrará nos livros produzidos pela PrimeTour, agência de viagens com foco no turismo de luxo, outras atrações incríveis como um exclusivo concerto de piano na Basílica de San Marco, um roteiro de balão sobre os exóticos templos de Myanmar e um show de dança privativo na Tailândia.

 

Entre as atrações sugeridas, você é convidado ainda para um piquenique no topo de uma montanha, o prazer de se hospedar em um quarto em um castelo medieval, uma nova massagem no mais exclusivo spa ou uma rede à sombra em praia particular.

 

São vivências totalmente personalizadas – exatamente o tipo de exclusividade que busca o viajante que movimenta o turismo de luxo no mundo. Jornadas por paisagens únicas. A descoberta de um segredo guardado para poucos. Retiros silenciosos ou viagens de aventura. Acessos privilegiados e vantagens exclusivas. Serviço discreto e ágil. Equipe especializada selecionada. Conforto e entretenimento de alta categoria.

 

No mundo atual, tempo é o nosso bem mais raro. Luxo a ser alcançado por muitos. Hoje o consumidor contemporâneo de alto poder aquisitivo entrega à sua agência de viagens todos os seus desejos, anseios, curiosidades, sonhos…o desafio das agências é cada vez mais não apenas atender, mas entender e encantar esses clientes tão exigentes. O relacionamento com o cliente é fundamental, pois é possível aprofundar-se nos interesses e desejos individuais de cada um e atendê-los de forma personalizada, tornando a viagem perfeita e uma experiência inesquecível.

 

Os livros ajudam nessa tarefa. Estão reunidos em um box e foram segmentados nas categorias Art&Culture, Love, Happiness, Body&Soul e Trend&Cool.

 

Aproveite e sonhe com o seu próximo destino!

 

Ricardo Ojeda Marins é Coach de Vida e Carreira, especialista em Gestão do Luxo pela FAAP, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. É também autor do Blog Infinite Luxury e colabora com o Blog do Mílton Jung.

Viagens de celebração: o luxo de comemorar a própria vida

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

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Nova York. Paris. Londres. Roma. Quando você pensa em viajar, certamente são esses os destinos que vêm a mente. A maior parte frequentada por viajantes de alto poder aquisitivo mas destino, também, do mercado de massa.

 

Na rota do turismo de luxo, os endereços podem mudar. São conhecidos por poucos e raros: Seychelles, Camboja, Vietnã e vilas privativas nas Ilhas Virgens Britânicas, são apenas alguns exemplos de destinos considerados exclusivos.

 

Se no passado a busca era por “produtos”, hoje o cenário é bem diferente. Clientes AAA buscam cada vez mais experiências memoráveis. E as viagens de celebrações são comumente compradas por esses consumidores.

 

São viagens nas quais o cliente deseja celebrar datas especiais, tais como aniversário, festa de 15 anos da filha, bodas de casamento … e, também, destinadas aqueles que querem simplesmente (?) aproveitar seu raro tempo livre para estar perto de amigos e familiares. Ou seja, comemorar a vida!

 

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Os destinos podem variar e a temática da viagem, também. Vila na região da Toscana, ilha  no Caribe e reserva de todo um hotel  em Bali são outros exemplos da exclusividade almejada por esse público.

 

PrimeTour, Teresa Perez e Platinum Travel Service são algumas das principais agências de viagens especializadas em roteiros exclusivos  A personalização, essencial no mercado do luxo, é de total responsabilidade destas empresas de turismo. Seus profissionais têm de cuidar de cada detalhe do roteiro, proporcionando a customização almejada por seus clientes. Parte aérea, terrestre, serviços no destino, guias bilíngues, serviços de mordomia … nada pode escapar do olhar atento desse pessoal. A meta: uma experiência impecável, inesquecível.

 

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A personalização é uma das principais características dos produtos e serviços de alto valor agregado. O luxo cada vez mais é atrelado ao SER em vez do TER. E para um cliente de alto poder aquisitivo, que, a princípio conhece o mundo todo, uma viagem de celebração tem de ser memorável para ele e para as pessoas que ama. Vamos lembrar que nesse caso o luxo é ter tempo para estar com as pessoas que você gosta. E tempo é um dos bens mais raros do consumidor contemporâneo.

 

Ricardo Ojeda Marins é Coach de Vida e Carreira, especialista em Gestão do Luxo pela FAAP, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. É também autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

A experiência de viajar de avião: mais trabalho e menos incômodo

 

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Mau humor de viajante à parte, é bem melhor viajar de avião agora do que no passado,  muito mais pelo avanço proporcionado pelas empresas aéreas do que pelo investimento feito pela Infraero, nos aeroportos. Os “privatizados” até que têm conseguido oferecer espaços mais confortáveis, tais como o Internacional de Guarulhos. Nos que estão nas mãos da estatal, contudo, as reformas andam a passos lentos.

 

Acabo de sair do aeroporto de Vitória, no Espírito Santo, de instalações acanhadas, espaço de embarque reduzido, áreas de prestação de serviço semi-abandonadas, goteiras nos aparelhos de ar-condicionado, que parecem desafiar a força da gravidade para se manterem pendurados na parede, e banheiros precários.

 

Dizem os capixabas que há anos ouvem promessas de que o aeroporto, sob a responsabilidade da Infraero, será reformado. Tem até projeto para mudar o sentido da pista e ampliar suas instalações. Uma rede hoteleira construiu seu empreendimento onde deveria ser o desembarque do “novo” aeroporto, contando com o fluxo de passageiros. O hotel já está pronto enquanto do outro lado da rua tem cerca, mato e uma placa anunciando que é área restrita da Infraero – ninguém pode entrar (nem gente competente?).

 

O dinheiro teria sido liberado no pré-Copa, mas se perdeu em algum lugar qualquer.

 

O último a fazer a promessa de melhorias, Eliseu Padilha, já pegou mala e cuia e desembarcou do governo Dilma, na sexta-feira última. Aliás, boa oportunidade para a presidente acabar com mais este ministério e entregar tudo para a pasta dos transportes, o que acho que não deve ocorrer, por isso, em breve, será nomeado mais um “fazedor” de promessas.

 

A verdade é que viajar ficou mais fácil se compararmos com as décadas anteriores. A tecnologia tornou as viagens de avião acessíveis e mais simples – mesmo que muitas vezes ainda tenhamos de sofrer pelo mal atendimento e atrasos sem justificativa. Quem lembra como eram as passagens antigamente? Blocos de papeis intercalados com carbono, escritos à mão, com letras ilegíveis e sempre prontos para serem perdidos pelo viajante. Às empresas cabia armazenar aquela documentação analógica e acumular despesas apenas para mantê-la em segurança.

 

Hoje, imprimimos a passagem em casa por força do hábito, é verdade, pois bastaria dedilhar seu CPF e mais um sem-número de números e letras para o bilhete sair impresso no totem. Os mais avançadinhos o fazem no próprio celular – apenas não consegui entender até agora por que no momento do embarque, quem preferiu economizar papel, perde mais tempo na fila a espera da máquina que lê o código de barras na tela do smartphone. Será que ninguém pensou em colocar um equipamento remoto?

 

A eliminação do check-in foi outra dádiva. No passado – e há quem ainda prefira desta forma – éramos obrigados a encarar enorme fila. Primeiro, com o pessoal da bagagem e dos sem-bagagem misturados. Depois, criaram a fila dos sem-bagagem, mas ainda com exigência de passar tudo por um atendente. Havia um tempo em que era solicitado que, mesmo com a passagem comprada, se telefonasse para a companhia aérea e confirmasse que viajaríamos. Agora, faço check-in em casa ou no smartphone e posso entrar direto na sala de embarque dos aeroportos. Ganhamos tempo!

 

O curioso neste novo procedimento é que as empresas diminuíram seus gastos com material, armazenamento e atendentes, e repassaram aos passageiros o serviço que realizavam antes. E nós achamos bom. Pode ser um paradoxo, mas apesar de termos mais trabalho a fazer, temos menos incômodo para viajar.

 

O dia em que os aeroportos brasileiros avançarem seus serviço  talvez viajar de avião seja tão simples quanto pegar o carro na sua garagem.

Conte Sua História de SP: a solidariedade que marcou minha chegada de Santa Fé

 

Osvaldo Seguel

 

 

 

1975, Brasil,fim do governo Geisel, em São Paulo ainda funcionava a rodoviária da Luz, onde afluíam e do seu interior saiam a grande maioria dos ônibus vindos e indo para o interior do Estado e do Brasil todo. Foi nessa rodoviária, febril e estreita, pois de teto baixo (onde ônibus quase riscavam no topo),e,por isso,permanentemente poluída pela fumaça dos escapamentos … que desembarquei em São Paulo, numa manha de março, há quase quarenta anos..e .doente !

 

Vindo da cidade de Santa Fé, num dos ônibus da empresa argentina General Urquizar, onde e após 72 horas de viagem contrai intoxicação alimentar …. chegando a São Paulo com vômitos convulsivos e quase não parando em pé. E aqui tive que descer pois era fim de linha.

 

A generosa solidariedade dos dois motoristas e da rodomoça foi inesquecível. A cada momento desse mau-passar, estavam acompanhando-me nas idas e vidas do banheiro do ônibus, enquanto o mesmo escalava a serra do cafezal, próximo à cidade de Registro, já no Estado de São Paulo. Relembro agora a elegância dos mesmos no trajar e até terem me fornecido cruzeiros que devia exibir, se indagado na alfândega, da fronteira argentino-brasileira, de Foz do Iguaçu.

 

Também devo assinalar aqui a solidariedade de alguns passageiros, dentre eles destaco uma casal de irmãos da minha idade (17 anos), brasileiros, porém que falavam o espanhol e me deram as primeiras aulas de português, ensinando como “cambiar diñero” “pedir una bebida” “preguntar por una calle”…eram filhos de um dono de uma agêcia de viagens e apesar de muito jovens viajavam sozinhos…veio-me agora seus rostos de traços europeus, alegres e solidários…

 

Porém, não guardo o rosto solidário e oportuno do passageiro chileno: era um jovem mais velho do que eu e que já morava no Brasil há vários anos, foi ele quem me ajudou a descer do ônibus nesse estado febril, com as minhas malas. Com elas permaneceu na rodoviária enquanto eu saía a procura de uma farmácia para tratar da minha intoxicação. A única coisa que encontrava chamavam de drogarias.
Um jovem de aspecto indígena dentro de seu avental branco me atendeu, após ser chamado pelas outras funcionárias da tal drogaria. Devem ter-lhe dito, que havia um jovem doente que não falava português mas aparentava estar passando mal.

 

Que fue lo que comistes ?…y há cuanto tiempo ?….

 

Contei que comecei a passar mal nessa madrugada após ter comido um pedaço de bolo com café com leite, numa das paradas daquela noite… e aí veio o milagre …o jovem farmacêutico preparou um coquetel líquido e após ter-me injetado esse misterioso elixir químico, como por passo e mágica, melhorei….e mui agradecido, fui pagando … ele afinal alertou-me de que iria sentir muito sono… ele não soube mas eu já não dormia praticamente desde que saíra do Chile…há quatro dias!

 

Voltei à rodoviária a procura de minhas coisas que ficaram com aquele passageiro desconhecido. Lá estava ele e minhas coisas .. graças a Deus! E sentindo-me agora melhor nesse país de nomes tão estranhos, e, certamente, enorme, populoso, febril e barulhento, onde as vulcanizadoras na estrada chamam-se borracharias que, em espanhol significam bêbados e as fármacias são drogarias, onde lá na Argentina é onde se vende drogas.

 

Coisas desta nova linguagem tropical..!

 

Osvaldo Seguel é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você pode contar mais um capítulo da nossa cidade. Escreva para milton@cbn.com.br.

Avalanche Tricolor: o Grêmio está na disputa, sim senhor!

 

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Brasileiro – Arena Grêmio

A Arena era destaque na Porto Alegre que via lá da janela do avião, assim que partimos da cidade. Até pouco antes, enquanto aguardava a decolagem, assistia ao jogo na tela do meu celular, que se parecia minúscula diante do futebol que jogávamos contra o líder do campeonato.

 

Marcação na saída de bola, pressão no meio de campo e defesa firme se uniam a velocidade na troca de passe e deslocamentos pelos lados com a entrada em diagonal na área. Chegávamos à linha de fundo e de lá disparávamos cruzamento ou passes para quem viesse de trás, conforme a conveniência.

 

Foi em uma dessas investidas, com bola aberta pela direita, boa condução até a proximidade da área e cruzamento forte e rasteiro para o meio que saiu o primeiro gol, de Giuliano, e único que consegui assistir dos três marcados na partida desse domingo à tarde.

 

Por força dos compromissos, e algo que o destino insiste em fazer comigo, afastar-me da Arena em dias de jogos, precisei deixar a capital gaúcha em meio a partida. Havia aproveitado muito bem os dias anteriores – cheguei à cidade no fim da tarde da sexta-feira – com a família. Matei a saudade dos irmãos e sobrinhos, colocamos os assuntos em dia, relembramos os bons momentos em que crescemos unidos e sentamos entorno do pai para aproveitar o carinho que ele transpira por todos nós, mesmo quando os filhos defendem restrições para que ele preserve sua saúde.

 

As curtas caminhadas em volta da casa de infância, o cumprimentar dos vizinhos que resistiram às investidas imobiliárias e a visão do estádio Olímpico, que fica logo ali ao lado, sendo colocado à baixo, tijolo por tijolo, ofereceram um ar de nostalgia à visita. Porto Alegre sempre me faz bem, especialmente quando para comemorar conquistas como o aniversário da minha sobrinha Vitória.

 

Quando o avião partiu, fui obrigado a desligar o celular e fiquei com a imagem da Arena na janela. Dali pra frente, tudo ficaria por conta do Grêmio e sua capacidade de suportar a pressão adversária que, inevitavelmente, ocorreria. Somente conseguiria manter contato com o time e saber de seu desempenho quando tudo estivesse decidido. Sem nenhuma condição de secar as investidas contra nossa defesa e menos ainda de torcer por um placar mais tranquilo. Naquela altura, em meio as nuvens, meu desejo é que nada mais acontecesse em campo e de lá saíssemos com os três pontos.

 

O avião acabara de taxiar na chegada a São Paulo quando voltei a ligar o celular e descobri que muitas coisas aconteceram depois daquele gol. E, felizmente, a nosso favor. Mesmo com o empate na cobrança de falta, conseguimos retomar a vitória com uma bola lançada dentro da área e o desvio de cabeça de Rhodolfo. Mais do que isso, se é que fosse necessário, enfrentamos um jogo disputadíssimo e de alto nível. E fomos fortes o suficiente para vencer.

 

O resultado desse domingo contrastou com o do fim de semana anterior. E nos aproximou do que havíamos feito duas rodadas antes. Os altos e baixos na competição se explicam pelo rejuvenescimento do elenco e o amadurecimento do time sob nova direção. Ao contrário do que disseram e li, o Grêmio está sim, na disputa!

 

A foto que ilustra este post é reprodução feita da tela do meu celular

Luxo: o equilíbrio interno como objeto de desejo

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

Ter um apartamento em Paris ou Nova York, jóias feitas sob medida, relógios, roupas, carros, helicópteros, aviões … São inúmeras as possibilidades de produtos e servicos que vem à mente quando pensamos no mercado do luxo. Como já falamos em alguns artigos, anteriormente, aqui no Blog do Mílton Jung, o conceito de luxo é muito variável de pessoa pra pessoa. Cada indivíduo tem desejos únicos.

 

Ainda é muito comum escutarmos frases tais como “é melhor chorar em Paris do que rir dentro de um ônibus lotado em São Paulo” e “dinheiro não compra felicidade, mas pode comprar momentos felizes”. Ou, quem sabe, uma ilusão de momentos felizes? É impossível viver com esse falso pensamento, pobre interiormente, de que basta o material.

 

Hoje, há uma evolução do consumidor de luxo que busca muito além do material. Busca, na verdade, independentemente de seus bens (já adquiridos ou em vias de adquirir) autoconhecimento, uma evolução como ser humano e equilíbrio interior. Busca, inclusive, sensações em suas aquisições. Uma viagem é um ótimo exemplo disso: comemorar seu aniversário com a família e amigos em uma villa privativa na Toscana poderá ser memorável a tal ponto que vai gerar um valor incomparável a qualquer bem durável como um carro ou um avião.

 

As responsabilidades social e ecológica também fazem parte das ambições desse consumidor contemporâneo, que usa parâmetros próprios para avaliar produtos ou serviços que respondam a essas preocupações. Um olhar que tem relação aos valores essenciais à “moral da marca” e se volta a integridade da origem e produção, e não apenas aos benefícios diretos oferecidos a ele.

 

O luxo imaterial é essencial para quem consome o material. Investir em seu bem estar, melhorar como pessoa, ajudar as pessoas. Fazer o que se tem vontade para sentir-se realizado pessoal e profissionalmente.

 

Afinal, de nada adianta TER, se a pessoa não investir no SER.

 

Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

A foto que ilustra este post é do álbum de Duchess Flux, no Flickr

O meu longo andar de carro pelas estradas até chegar a Punta del Este

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Permitam-me, para início de conversa,que parafraseie Mário Quintana,o meu poeta preferido,lembrando o meu longa andar no rádio gaúcho. Foram,afinal,sessenta anos,durante os quais trabalhei também em agências de propaganda, como redator,no Correio do Povo e na Folha da Tarde e fui o primeiro narrador de futebol na recém inaugurada TV Guaíba,por escolha do Dr.Breno Caldas,proprietário da Cia.Jornalística Caldas Jr., de saudosa memória. Fui,também – os mais velhos não me esquecem,modéstia à parte – locutor-apresentador do Correspondente Renner em um longo período: de 1964 até 1º de abril do ano passado.

 

Em todo esse tempo,fiz inúmeras viagens,uma das minhas obrigações como narrador de futebol e,muitas vezes, de outros esportes. Renitente,quando se tratava de viajar para o exterior – preferia ficar ao lado da minha família – atuei em duas Copas do Mundo apenas:Argentina e Alemanha. Acompanhei a Seleção Brasileira na maioria dos seus deslocamentos pelo país dos meus ancestrais. Não conheci nenhum Jung. Em compensação,sempre que íamos a um banco de Frankfurt para sacar dinheiro,o atendente repetia incansavelmente que em meus sobrenomes, o por parte de mãe – Ferretti e o alemão Jung,herdado do meu bisavô – havia muitas contas. A equipe esportiva da Guaíba ficou bom tempo em Frankfurt enquanto o Brasil não precisou trocar de base.

 

Ruy Carlos Ostermann e este seu criado,ficamos um dia em uma cidade e precisamos ser comboiados para o pouso seguinte porque não atinamos com a saída dessa. Viajamos com um BMW alugado. Com ele,viajar de um local para outro por autobahn,mesmo que fosse um pouco mais longe que as feitas de avião,era um prazer. Se no Brasil a velocidade máxima mais alta é 120km por hora,na Alemanha,para usar um velha expressão,é café pequeno,lá 160 é comum. Em uma dessas autobahns,tínhamos de sair da estrada e em cada placa que encontrávamos o nome era o mesmo. O Ruy,com algum conhecimento da língua germânica,entendeu que deveríamos entrar na primeira à nossa frente. Eis que,abaixo de uma elevada,havia um hotel e,por puro acaso,aquele onde o restante da nossa equipe se hospedava. Claro que fomos gozados pela babaquice.

 

Enfrentamos muitas estradas em minha carreira radiofônica. Nos preparativos da Seleção Brasileira para a Copa da Alemanha fizemos uma gauchada:viajamos de Kombi de Porto Alegre até as estâncias hidro-minerais usadas para treinamento do selecionado. Saímos dessas últimas e partimos para o Rio de Janeiro e acompanhamos os ensaios brasileiros em Niterói e Macaé. Encerradas as baboseiras que os políticos inventaram para “saudar” a “canarinho”,surgiu a oportunidade de deixar a Kombi de lado. Edmundo Soares,repórter do Correio do Povo,ganhara como prêmio voltar a Porto Alegre com um Volks zero quilômetro. E me convidou para o acompanha e auxiliar a pilotar o fusquinha. Na passagem por São Paulo,perdemo-nos. Deixamos SP sem dormir e seguimos viagem para POA. Foi uma viagem cansativa,como os meus leitores(?)podem imaginar.

 

Quando se tratava de jogos pelo interior do Rio Grande do Sul,viajava-se de Kombi. Os que tinham carteira de motorista,de 100 em 100 quilômetros, assumiam a direção. Ao contrário dos caminhos mais longos,como o da viagem para as estâncias hidro-minerais mineiras,as estradas era bem mais curtas e menos preocupantes. O problema é que não eram vias asfaltadas e,se chovia,embarradas e escorregadias. Confesso que quanto mais alto fosse o que era chamado de “camaleão”,um trecho mais elevado da estrada,mais eu gostava de traçá-la.

 

Por falar em viagens e estradas de todos os tipos, desde as autobanhs às embarradas vias do nosso interior,umas satisfaziam meus desejos de pisar fundo no acelerador,outras de derrapar nos “camaleões”. O que eu não esperava,porém,era que seria convidado pela turma de parentes para ir até Punta del Este. Depois de ficar tanto tempo andando por Porto Alegre,achei interessante fazer uma visita a esta cidade balneária do Uruguai. No afã de me preparar para a viagem,esqueci-me de perguntar quantas horas teríamos de viajar para chegar a Punta. Nove horas,disse Maria Helena,minha mulher. Foi um susto. Felizmente,apenas a longa viagem é desagradável para um velho traseiro,mas a cidade a ser visitada fora da época de veraneio,é excelente em tudo,do resort em que paramos,às visitas magníficas,aos restaurantes quase vazios e,claro,o cassino,no qual não joguei,porque não me agrada,mas onde se almoça muito bem. Quem tiver paciência para suportar nove horas de viagem e para quem não conhece Punta del Leste,atrevo-me a sugerir que trate de conhecer uma cidade praiana bem diferente das nossas.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)