Um erro, apenas um erro

 

Miriam e Abelardo haviam planejado a viagem aos Estados Unidos há alguns meses. Levariam os filhos pela primeira vez na classe executiva, presente pelo ótimo desempenho escolar de ambos. Passagem comprada, hotel acertado e restaurantes reservados, há um dia de partirem descobrem que o visto americano de um dos garotos tinha expirado e o passaporte do outro, também. A primeira providência foi adiar a partida, renegociar preço e providenciar a burocracia esquecida, na torcida de que ainda houvesse chance de embarcar antes do fim das férias do casal. Assim que a família soube do caso começaram os palpites. “Se não foram é porque não era para ir” disse a tia mais velha do alto de seu conhecimento filosófico. A crente não se conteve: “Talvez seja um sinal de Deus, meus filhos”. “Não lute contra o destino”, preveniu outra ao ver o esforço do casal para remarcar a viagem. Pelo sim e pelo não, eles não se contiveram e ficaram colados na internet a espera da notícia de um desastre aéreo do qual teriam escapado. Não aconteceu nem no dia que seria da ida nem no que seria da volta. Ainda bem, pensaram envergonhados. Mas quem sabe o destino estava apenas preparando uma armadilha e o mal sinal viria nas datas remarcadas, pensou em voz alta um amigo do casal. Por que não deixamos pro ano que vem? Com destino não se brinca? – perguntavam-se todas os dias em busca de uma resposta para o erro infantil que havia causado tanta frustração bem no início das férias. Com documentação regularizada e passagens e estadias revistas, começavam a se convencer de que tudo não passava de coisa de gente supersticiosa até que chegou o dia de embarcar e o medo voltou. Rezaram, pediram apoio dos mais próximos e com o coração na boca seguiram viagem, aproveitaram até onde puderam e, dias depois, pegaram o avião de volta. Enquanto não tocaram o solo mais um vez, não se acalmaram. A qualquer momento a profecia poderia se concretizar. Em casa, deitados lado a lado, enquanto os meninos se divertiam com as compras no exterior, o casal caiu na gargalhada. Sinal celestial? Recado do além? Superstição? Coisa nenhuma ! Foi, sim, uma baita c….. – definiu Abelardo. Um erro, apenas um erro – resumiu com mais sensibilidade Miriam.

Odeio os aeroportos

 

Por Milton Ferretti Jung

Desde abril não viajava de avião. No último dia 5, convidado que fui a participar ao lado do meu filho do programa Papo Aberto, apresentado por Gabriel Chalita na TV Canção Nova, precisei ir a São Paulo, o que fiz com enorme satisfação, como lembrei no texto que postei neste blog no dia 11 do corrente, eis que o convite do Chalita me proporcionou reencontrar o ramo paulista de minha família, o Mílton, a Abigail e os netos Gregório e Lorenzo. Quando eu narrava futebol pela Guaíba de Porto Alegre, sempre que podia, evitava viajar, não por ter medo de voar, mas é que já naquele tempo detestava aeroportos. E notem que então eram raros os vôos que saíam com atrasos enervantes ou, como acontece frequentemente agora, nem decolavam. Ninguém imaginava que haveria um 11 de setembro trágico envolvendo aviões dos Estados Unidos em atentados que abalaram o mundo. O reflexo da fatídica data se faz sentir, hoje em dia, principalmente nos aeroportos.

Aqui no Brasil não tinha ainda me deparado com o que me pareceu uma certa paranóia dos agentes fiscalizadores de bagagens e passageiros em vôos domésticos, o que me chamou especial atenção. Fui e voltei à Argentina com minha mulher sem enfrentar problemas ao cruzar a fiscalização de embarque. Claro, existem regras que precisam ser obedecidas. Nos bons tempos não se fazia necessário, por exemplo, que a gente se preocupasse com a capacidade das embalagens de líquidos, que agora não podem ultrapassar 100ml, na bagagem de mão.

Tanto na minha ida como na volta, no Salgado Filho e em Congonhas, passei por experiência desagradável. Com minha bagagem de mão não houve. Já,no entanto,quando cruzei aquele portãozinho (sei lá como é o nome técnico da coisa), o apitinho soou. Não levava nada no bolso capaz de provocar o maldito som. Quase me viraram ao avesso. – Tira o cinto! – mandou um “simpático” agente. Tirei o cinto e o relógio, mas me mantive calçado. No retorno a Porto Alegre, porém, nem os sapatos pude manter nos pés. Será, pensei, que tenho cara de terrorista? Diz a resolução 168 da ANAC, entre outras coisas, que os critérios para os casos em que passageiros e bagagens devam ser submetidos à inspeção mais detalhada são definidos pela Polícia Federal. Pelo jeito, dei azar. Ou os agentes escalados para os dias em que viajei dormiram mal e resolveram me fazer dançar. É possível também que tenham gostado de me “massagear”. Nem os idosos, atualmente, merecem respeito. Cada vez mais, odeio aeroportos.

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Fiscalizar, punir e educar para a vida no trânsito

 

Por Mílton Ferretti Jung

Em uma dessas quintas-feiras postei um texto que tratava de uma viagem que fiz com minha mulher até a praia de Tramandaí, onde temos uma casa, na qual costumamos passar parte de minhas férias de verão. Antes era possível visitá-la com alguma freqüência também nos meses frios ou, pelo menos, durante os primeiros quinze dias de março, pois aqui no Rio Grande do Sul a temperatura ainda se mantém agradável. Isso, agora, se tornou perigoso, uma vez que assaltos a residências são comuns. Arrombamentos de casas sempre foram corriqueiros no inverno, quando os veranistas retornam para suas cidades. Estes, entretanto, são praticados por ladrões locais, que somente invadem casas nas quais os proprietários não se encontram. Seja lá como for, realizar um passeio de ida e volta no mesmo dia não é problema. Só fiz o preâmbulo, porém – me desculpem os leitores – porque meu assunto de hoje está, de certa forma, ligado à viagenzinha até Tramandaí.

Impressionou-me o desrespeito aos limites de velocidade cometido, na free-way, por motoristas de caminhões, ônibus, automóveis e motos. Os veículos de grande porte não podem ultrapassar os 80 quilômetros por hora e devem se manter na faixa da esquerda da rodovia. Os demais têm licença de chegar aos 100, rodando pela direita. Li no site do Terra, no dia 8 deste mês, matéria que vai ao encontro do que observei na estrada e que resolvi imprimir para usar, oportunamente, aqui no blog. Fiquei sabendo, pela notícia, que uma das razões para que o índice de mortes no trânsito, em nosso país, seja três vezes maior do que o considerado aceitável pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é, entre outros, a fiscalização deficiente dos órgãos que cuidam do setor em nossas estradas e nas ruas das cidades. Segundo analistas ouvidos pela BBC Brasil, enquanto aqui ocorrem, em acidentes, 18,3 mortes a cada ano, por 100 mil habitantes, na Grã-Bretanha, Suíça e Holanda, países com menor mortalidade no tráfego, este índice é inferior a 6.

O que fazer para diminuir o número desse tipo de mortes?

É certo que a educação para a vida – e o trânsito faz parte dela – começa em casa. Esta última, deveria se estender também aos colégios, porque – provérbio antigo, mas indesmentível – é de pequenino que se torce o pepino. Já fiscalização eficiente é fundamental para punir os que não seguem as regras, seja por dirigir em velocidade excessiva, seja porque se atrevem a conduzir embriagados, sem cinto de segurança, etc. Faz-se necessário, cada dia mais, garantir que os violadores das regras cumprirão as penas previstas pelo Código Nacional de Trânsito. Para tanto, as punições deveriam ser muita mais severas. Não se pode esquecer, por outro lado, as condições das rodovias brasileiras, eis que muitas deixam a desejar. Eu diria ainda, para concluir, que falta ao nosso país, inexplicavelmente (ou,quem sabe,seja explicáve?) ferrovias, sistema de transporte exemplarmente utilizado na Europa e desprezado no Brasil.

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Há 20 anos, vivendo em São Paulo

 

Acabo de gravar entrevista para Rádio Guaiba de Porto Alegre. Foi lá que comecei minha carreira jornalística, em 1984. Bem antes disso, foi no mesmo prédio na rua Caldas Junior que tive meu primeiro contato com o jornalismo quando ainda era guri de calça curta e corria pelo corredor ao lado do estúdio, chutando bola feita de lauda de papel.

Na conversa com o repórter João Batista, a intenção era falar sobre as expectativas para o Grêmio, em 2011. Mas foi a oportunidade de lembrar algo que me emocionou. Há 20 anos, nas primeiras horas do primeiro dia do mês de janeiro, eu desembacara de um avião da Varig, com mala e sem cuia nas mãos, na cidade de São Paulo para dar um salto em minha vida profissional e pessoal.

Retornava à capital paulista uma semana depois de ter estado por aqui para a festa de casamento de um amigo. Sem querer, descobri um teste para repórter da TV Globo. A pauta parecia simples: incêndio em casa antiga na Mooca. Transformei-a em discussão sobre o patrimônio histórico da cidade. Fui convidado para trabalhar de madrugada.

Da Globo, para a TV Cultura, de repórter de rua para âncora. Nesta caminhada, ainda passei pela Rede TV! e Portal Terra, época em que já estava de volta ao rádio por convite e obra de meu colega Heródoto Barbeiro. São mais de 10 anos na mesma emissora e na construção de projetos profissionais variados.

Mais importante, porém, foram as oportunidades que esta viagem me proporcionou de conhecer pessoas especiais e compartilhar, antes com minha mulher e, em seguida, com os dois filhos, a formação de uma família. Aqui, estruturei meu caráter, desenvolvi habilidades e, evidentemente, revelei carências para as quais estou sempre em busca de solução.

Se fim de ano é momento de reflexão e balanços (estão por todos os cantos da programação e das páginas de jornais), completar 20 anos em São Paulo, como acontecerá nesse 1º de janeiro de 2011, é motivo de muita satisfação.

Descobri-me maduro para profissão tão importante quanto o jornalismo; descobri-me cidadão para pautar minhas atitudes na cidade e na sociedade; e me descobri pai e marido, papéis que exerço com orgulho, mesmo com todas as falhas que me incomodam.

A viagem que começou em 1991 com medo e incerteza ainda não se encerrou, mas as conquistas alcançadas até aqui me fortalecem para mais esta etapa que se inicia em 2011.

Um ano de boas notícias para todos nós !

Conte Sua História de São Paulo: No navio de Portugal

 

Cesário dos Santos Rodrigues Cesário dos Santos Rodrigues nasceu em Sendim, lugarejo próximo de Vizeu, em Portugal. Deixou a terra natal aos 12 anos para encontrar-se com toda a família, em São Paulo. Foram dez dias de viagem de navio onde viveu aventuras inesquecíveis, fez amizades – apesar de algumas brigas – e conheceu brinquedos jamais vistos em sua infância modesta. É, porém, a lembrança do desembaque no Brasil quando pode rever seu pai que ainda lhe proporciona fortes emoções como demonstrou durante depoimento gravado pelo Museu da Pessoa para o programa Conte Sua História de São Paulo.

Ouça o depoimento de Cesário dos Anjos Rodrigues sonorizado por Cláudio Antonio

O Conte Sua Hitória de São Paulo vai ao ar, no CBN SP, logo após às 10 e meia da manhã. Você também pode participar. Agende uma entrevista pelo telefone 2144-7150 ou no site do Museu da Pessoa.

O roteiro está pronto mas a viagem não é minha

 

Por Abigail Costa

Marianne me pediu um favor, daqueles irrecusáveis.



As malas estão prontas (quer dizer umas três peças estão dentro de uma, a outra vai vazia e o resto se traz de lá), mas não tenho ideia do que fazer. 

Destino, ai aí aí, Nova York. ADORO.



Usei sem exagero umas quatro, cinco horas, colocando no papel o que já tinha feito por lá e o que valia a pena recomendar.



Primeiro a lista, vai gostar, tem que ver, tem que comprar.



Lugares. A parada obrigatória é no High Line, um parque suspenso, numa área de uma antiga linha de trem, o primeiro desse tipo no país, a nove metros de altura da rua Gansevoort. A localização é perfeita. No badalado distrito de Meatpacking, com lojas e gente descolada. Além de funcionar como mirante na cidade – do alto se vê o Rio Hudson, Estátua da Liberdade e o Empire State – o lugar é perfeito para um brunch – piquenique mesmo. Antes de subir, passe em uma das lojinhas no andar de baixo e compre delícias. Quando o pedido é feito “to go” vem numa cestinha. Super-fofa !



E a lista continua. Agora nos cosméticos (não vou colocar nome de loja, não faço publicidade de graça, aliás nem pagando). 

Muitos são os departamentos recheados de cremes e afins. A novidade do momento é um rímel que promete deixar os cílios EL – grandes e largos. Um shampoo de ginseng com cereja – dá prá imaginar? – da fruta, o antioxidante; da raiz, o desestresse; e o cansaço das madeixas, até relaxei….



Seguindo: ela vai viajar com o pai (quer coisa mais aconchegante? viajar com o pai depois dos vinte e tanto de idade!) que adora comida italiana, então  dicas de restaurantes que servem deliciosos raviólis com recheios a gosto, desde que o creme seja de mascarpone, e de sobremesa bolo de pistache com sorvete de creme (chocolate também cai bem).



Como ninguém é de ferro, pelo menos para as mulheres, uma bolsa. Só uma. DAQUELAS!



Antes de passar para o computador pedi ajuda para minha querida Aline, descoladérrima, das minhas, nunca acha que exagero, mas sempre que eu mereço.



Aline já tinha um roteiro de onde ir, o que comprar, pra onde olhar. Tudinho pronto.



Coloquei as minha dicas e as dela no “pacote” e  entreguei a minha amiga com uma recomendação: leitura de bordo.



Me senti fazendo parte da viagem da Marianne. Mesmo sem bilhete comprado, sem reserva no hotel, eu também vou.



Quero estar ao lado dela nas entradas aos restaurantes, nas visitas aos parque, nas compras….



Fico imaginando o olhar de satisfação em comemorar o aniversário numa das cidades mais lindas do mundo junto com  o que considero  o mais importante no mundo: a família.



– Quer alguma coisa de lá?  


- Quero!



Mari, quero muito que essa viagem seja inesquecível.



Ps. Muita fotos, por favor.

Abigail Costa é jornalista, escreve às quintas-feira no Blog do Mílton Jung e está sempre de malas prontas

Secretário narra ‘epopéia’ internacional no Twitter

 

Para chegar a Dinamarca, onde participa do Move 09 o secretário municipal dos esportes Walter Feldmann passou por uma aventura, conforme ele próprio descreveu no Twitter. O trem entre Bélgica e Dinamarca teve problemas mecânicos, isto o deixou parado por uma hora no meio do caminho. Ele seguia com a comitiva paulistana para o aeroporto e até chegar teve de trocar de trem duas vezes. No aeroporto, outra encrenca: a bagagem pesava 20 quilos a mais do que o autorizado. “Solução: tirar o máximo de roupas e vesti-las no corpo p/a mala ficar mais leve”. Após atravessar o saguão inteiro para embarcar, transportando malas de mão e vestindo um monte de casacos, sentou-se no avião e sentiu nas costas o joelho de uma passageira de quase dois metros de altura que estava na poltrona de trás. “Mil joelhadas nas costas depois, o piloto deu um cavalo de pau na pista e quase fomos parar no mar”, tuitou.

Já em Copenhague, onde mostrará experiências de atividades de rua, desenvolvidas em São Paulo, descobriu que não havia reserva no hotel onde deveriam ficar hospedados. “Resolvemos, finalmente, e o dia ali se encerrou. Sonhei com o Chico: “Amanhã vai ser outro dia”, postou no Twitter com a hastag #epopeia

Sugiro que você entre no site do Move09 e veja os vários vídeos publicados com programas realizadas em cidades de todo o mundo. Não deixe de ver o que mostra o uso da bicicleta na capital da Dinamarca. Tem material brasileiro, com destaque para Rai e a Fundação Gol de Letra

Da mala do Heródoto (III)

 

Depois de termos nossa série interrompida para uma notícia extraordinária (a volta do Heródoto ao trabalho), retomamos a caminhada pelas lembranças encontradas na bagagem de viagem do mestre. Réu confesso, HB disse que teve conhecimento de novas técnicas de rejuvenecimento durante as férias. Falou, em voz alta para todos ouvirem no estúdio, de uma clínica que oferece “botox express” e outra que faz leves aplicações nas rugas de expressão. Desconhecia tanto uma como outra. A preocupação de estar sempre motivado para novas aventuras ficou ainda mais clara quando descobrimos entre calças e camisas o anel que aparece na foto. A princípio imaginei ser uma pedra de ágata que estava em destaque. Soube – informação tirada do manual de uso – que tem a intenção de jamais deixar seu dono desprevinido. Em caso de emergência quebre o vidro e usufrua dos poderes da pílula azul. Bem sacado, além do anel ser de uma elegância ímpar.

Heródoto de volta à casa

 

Heródoto está de volta

Interrompemos nossa programação para uma informação exclusiva. Repórteres do Blog espalhados pela cidade flagraram o professor Heródoto Barbeiro de volta à cidade, onde nesta quarta-feira retoma o posto de âncora do Jornal da CBN. É na bagagem acima que estavam as lembranças de viagem que destacamos nesta semana. Nos próximos dias, traremos em primeira mão para você outras imagens exclusivas dos “gifts” que mais agradaram o mestre.

Na mala do Heródoto (II)

Longe de imaginar que este presente comprado durante a viagem de férias era saudade de seu público. Não é o radio que Homer Simpson sintoniza. Mas por ser um de seus personagens preferidos, Heródoto não pensou duas vezes para comprar mais este mimo para os pés. Da mala do professor, sobre a qual estamos revelando algumas curiosidades, saiu uma coleção de pantufas e a da foto é a das mais engraçadas.