Conte Sua História de SP: minha vida na cidade começou de fato no Fórum João Mendes

 

Por Paula Calloni
Ouvinte da rádio CBN

 

 

O Hospital e Maternidade Central Nossa Senhora da Abadia, em Santo Amaro, que era administrado por freiras, já não existe mais. Lá conheci meus pais pela primeira vez, quando tinha 15 dias de vida, em 1968.

 

Eles já tinham 3 filhos, mas queriam mais uma menina. A freira levou minha mãe ao berçário e mostrou vários recém-nascidos, abandonados pelas mães biológicas… a maioria solteiras e recém-chegadas à cidade. Ao me pegar no colo, minha mãe disse: “quero esta”. E não adiantou a irmã apresentar outros bebês: “quero esta!” – disse mamãe, firme.

 

Dias depois, lá fui eu para o fórum João Mendes, região da Sé, nos braços da enfermeira Venina de Oliveira Costa, já falecida, que me entregaria para meus pais adotivos.

 

Quantas vidas se encontrando na São Paulo que se agigantava, vivaz, onde viver já era uma correria.

 

Naquela manhã, o juiz da Vara de Menores do Fórum propôs que eu ficasse num abrigo para menores até sair a papelada oficial da adoção.

 

Nesse momento, meu pai, imigrante italiano, me segurou firme e desafiou o juiz: “ela é minha filha e se eu não sair com ela no colo hoje, vou deixá-la aqui!”.

 

O que fazer? O juiz se viu encurralado. E cedeu. Ufa…

 

Ganhei uma família. Ganhei um lar.

 

Hoje, quando passo ao lado do Fórum João Mendes, olho para ele, imponente, sem jamais esquecer que ali, de fato, começava a minha história com São Paulo.

 

O Conte Sua História de São Paulo tem sonorização do Cláudio Antonio e narração de Mílton Jung. Vai ao ar aos sábados, após às 10h30, no CBN SP. Para participar, envie seu texto para milton@cbn.com.br

Zerando a vida: quando as coisas não saem como você planejou

 

Por Biba Mello

 

 

FILME DA SEMANA:
“Zerando a Vida”
Um filme de Steven Brill
Gênero: Comédia
País:USA

 

Amigos de infância se encontram após muitos anos, admitem que suas vidas não estão como um dia chegaram a sonhar, e uma reviravolta acontece unindo os dois para sempre. Eles resolvem forjar a própria morte, assumindo novas identidades. O que eles não imaginam é que terão muitos tropeços pela frente.

 

Por que ver:
É um filme engraçado, apesar de alguns momentos non sense “jogados”no meio da história de maneira desnecessária, ou seja, não ajudam a narrativa, estão lá por pura graça.

 

Os atores interpretam eles mesmos, você sempre verá o Adam Sandler igual em todos os filme e ainda assim será engraçado.

 

A história tem um caminho previsível e portanto é bacana como entretenimento. Gostei do filme de maneira geral, e o classifico como besteirol politicamente incorreto.

 

Como ver:
Em casa, após um dia de estresse.Com certeza você irá se divertir.

 

Quando não ver:
Com alguém que adora intelectualizar… não é um filme para isto, não tem nem mesmo uma “moral da história”para um papo cabeça depois.

 

Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos. Dá dicas de filmes e séries aqui no Blog do Mílton Jung

De Vida e Suas rimas

 

Parceira desde o nascer do blog, Maria Lucia Solla se despede com palavras ritmadas e rimadas. E nós, seus leitores, entre os quais este editor, agradecemos o compartilhar de seu conhecimento e sentimento.

 

Obrigado!

 


Por Maria Lucia Solla

 

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tem o dia da chegada e tem aquele da partida
é assim com tudo na vida
sem morte depois dela
que disso eu estou convencida

 

na chegada ou ao longo da estrada
no adeus ou no até mais
ignoro a porção comportada
e convido a intensidade
pra prantear rir festejar
sem ais

 

é preciso querer tudo
continuar a almejar
pode crer!
nem que seja pra treinar
o danado do querer

 

é festivo o começo
mas também o é o final
porque há que festejar
tudo na vida
o ordinário e o original

 

e é pra isso que hoje estou aqui
pra agradecer a companhia
durante o meu longo escrever

 

e pra me despedir deste espaço
envolta na mesma alegria
e na imensa gratidão
que me moveram na chegada
do fundo do meu coração

 

até um dia, quem sabe, amigos!

 


Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Escreve no Blog do Mílton Jung

A receita para aplicarmos um detox nas coisas de casa e da vida

 

View story at Medium.com

 

[…]

Entrei nesse papo, na verdade, pois acabo de ser levado a pensar sobre a quantidade de coisas que tenho dentro de casa, a partir do livro “Stuffocation”, do jornalista James Wallman, que questiona o comportamento do consumidor contemporâneo e defende a tese de que temos muitos mais do que necessitamos. Tão mais que chegamos a nos sentir sufocados pelas coisas ou “suffocated by stuff”, sensação que leva Wallman a criar o neologismo que batiza o livro.

[Leia o artigo completo na minha página no Medium.com – é só clicar na imagem acima]

De papiamentu

 

Por Maria Lucia Solla

 

livro

 

O idioma oficial de Aruba, uma das ilhas do Caribe é o Papiamentu, um idioma feito de holandês, inglês, espanhol e português. Nos conhecemos em Aruba, ele e eu, num Hotel Cassino.

 

Voltando no tempo…

 

Era agosto de 1973. Um calor inimaginável, Sol vitorioso, paisagem… como descrever? Meus companheiros de viagem saíam correndo para o Cassino logo depois do café da manhã, e eu, avessa a Cassinos, tomava meu café e ia direto para a praia.

 

Ler, ler, ler, caminhar, sol, sol, sol não me bastavam, e compras não me atraíam. Acontece que os copeiros do hotel andavam entre as cadeiras, levando drinques e gostosuras para o pessoal que lagarteava, e conversavam entre si, aqui e ali, falando um idioma intrigante. Eu esticava o pescoço e os ouvidos, e queria mais.

 

No dia seguinte, antes da praia, fui à livraria, claro! Comprei o livro que você vê ali na foto e passei a semana lendo e me surpreendendo. À noite, o jantar no Cassino, que antes me incomodava muito, começou a me atrair; eu ensaiava frases recém aprendidas com os croupiers que revezavam no seu posto, com os camareiros e camareiras… pouca gente escapava da minha sede de aprender. E nos divertíamos, eles e eu.

 

Vou elencar aqui algumas palavras e frases, sem entrar nos detalhes do idioma, se conseguir me segurar.

 

Só uma palhinha… os verbos são conjugados da mesma forma para todas as pessoas. (!) nem tão diferente do inglês. Duas, vai! ‘ acento agudo se diz “acento agudo” e ` acento grave se diz acento grave”.
Vem comigo!

 

Dicionario

 

Que tal curiosar um pouco mais? Bom domingo e boa semana!

 


Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Escreve no Blog do Mílton Jung

De teatro

 

Por Maria Lucia Solla

 

carta

 

Olá,

 

sigo firme na tarefa da limpeza e organização do meu apartamento. Entro em contato com cada coisa, e me entrego. Mão na massa, e haja coração. Tem de tudo, meu Pai! Fiquei muito tempo na estrada, longe de mim.

 

Encontro coisas que fazem meu coração bater mais forte, outras me fazem sorrir. Tem as que me emocionam, e as que espremem meu coração.

 

Pilhas de livros me sequestram, e eu me rendo, mas quando paro porque sinto dor no pescoço ou porque uma perna começa a roncar, de tanto dormir, já passou o dia; é hora de acender as luzes. E vou selecionando, agradecendo cada coisa de que eu não preciso mais e empilhando para oferecer a quem precisa, para ir para o lixo, para arquivar…

 

Mas falando em precisar, nem preciso dizer que meu humor e meu raciocínio andam enlouquecidos. É muita coisa. Cada objeto me conta mais de uma história, que me leva para outra, e mais outra; e me perco ao me encontrar. Como é que eu faço para dar as costas aos relatos? Sento no chão e deixo que as coisas falem comigo. Tem sido mágico.

 

E em todos estes anos, eu não me lembrava que tinha uma cópia do script da minha primeira peça infantil, no Teatro Amador do Jaguaré, em 1959. Eu era Marisa, a filha. Também estive no elenco do Rapto das Cebolinhas, e do Chapeuzinho Vermelho… enfim, fazia o que mais gostava na vida, estudava e representava, no Externato Jaguaré, que era maravilhosamente dirigido por padres canadenses, onde o grupo apresentava as peças. Eu tocava harmônica, tocava violão, cantava, fazia de tudo. Amava e ainda amo o teatro.

 

Um dia, o diretor do grupo teatral veio pedir ao meu pai para que eu, além da escola, fizesse parte do grupo, me dedicando também ao teatro.

 

Não me lembro do nome dele, nem do seu rosto, mas tenho certeza absoluta de que deve estar correndo do meu pai, até hoje. Seu Solla não era fácil, não, mas depois desse incidente, eu ainda quis ser ‘aeromoça’, e meu pai quase teve um enfarto. Eram os tempos.

 

Depois me perguntam porque eu lia no telhado, quando era adolescente…

 

Ora, mas você também deve ter os teus guardados, que provam que somos todos heróis de mil faces, com batalhas, vitórias e derrotas, gente que vem e gente que se vai. É o jogo da Vida, do ganhar e do perder.

 

Tenho percebido que se a gente não se atira e não bate os pezinhos no chão do Shopping, pela perda, sai sempre ganhando!

 

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Escreve no Blog do Mílton Jung

De terror, mudança e Era de Aquário

 

Por Maria Lucia Solla

 

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Desde o final dos anos 1960, nossa consciência empreende incríveis mudanças e avanços, todos os dias, a toda hora. Quase banal; mas valores que eram até então respeitados vêm sendo estraçalhados. Criança, menino e menina, tem boca mais suja que pau de galinheiro, tem comportamento de marginal e sem sombra de dúvida aprende em casa o que exibe na rua. Só para começar a descrever o panorama.

 

Valores? Mas o que são valores?

 

Nada que se possa comprar com o vil metal, meu caro. Valores são o verdadeiro luxo: nossos talentos, a moral e a ética, que parecem ter ido para a cucuia, como dizia meu pai.

 

Educação Moral e Cívica não dá para encomendar da China pela internet. Sorry, não dá! Esse valores é o que a gente aprendeu em casa e na escola, ricos e pobres, matéria obrigatória em todas elas. Antes de entrar para as salas de aula, os alunos se agrupavam em forma de coro, respeitosamente, em silêncio, a bandeira era hasteada e o Hino Nacional Brasileiro cantado por todos, todos! a plenos pulmões. E era nesse clima que começávamos o dia de estudos de verdade, e a equipe da escola, seu dia de trabalho.

 

Hoje, uma imitação grosseira do civismo se casou com a intolerância e deram à Luz o terrorismo, o ódio e muita morte, muita violência física, moral e de todo tipo que se possa imaginar hoje, porque amanhã nascerão outras. Infelizmente.

 

Incrível como é simples matar um humano e impossível matar uma ideia…

 

O vil metal é o único que continua reinando soberano. Mentira, fuxico, violência e roubalheira formam o hit do momento; um hit fétido e incompreensível.

 

Não sinto que haja um embate entre os que podem mais e os que podem menos; entre os que sabem mais e os que sabem menos, os que ganham mais e os que ganham menos. Sinto que existe uma força nos fazendo acreditar nisso, para tirar vantagem. Conheço o tipo.

 

Mas é o fim do mundo?

 

Nananinanão; é só o começo, meu bem, da limpeza, do expurgo, da desinfecção dos órgãos de dentro e aqueles de fora, para que a gente possa viver e respirar melhor. Nós todos, toda gente, de todo tipo, de toda cor, de todo tamanho e feitio. Toda gente de toda religião, de todo gosto, de expressões únicas e intransferíveis. E respeito, respeito e mais respeito.

 

Eu gostaria de ver, antes de partir desta vida, o povo em paz, sem medo um do outro, sem a diária intenção de desarmonia entre os que invejam tua alegria. Sem a disputa malvada, inescrupulosa e peçonhenta que vemos fermentar. Na Era de Aquário, que vem chegando, devagar, mas vem, tudo isso será História, e as pessoas nem vão acreditar no que vão ler nos seus aparelhinhos, que nem posso imaginar como serão.

 

A tarefa de preparo para que isso tudo aconteça ainda melhor do que podemos imaginar é tua e minha, dele e dela, nossa e deles. Igualmente. Vamos arregaçar as mangas! É em casa que se começa.

 

#éemcasaquesecomeça

 

Pensa nisso, fica com Deus, e até a próxima.

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Escreve no Blog do Mílton Jung

De violência

 

Por Maria Lucia Solla

 

Violência

 

A violência, que hoje frequenta todo tipo de boca, continua atingindo a parte de dentro e a parte de fora de nossas casas. De todas as casas. Ela não tem só duas caras, tem uma coleção delas. Apresenta-se como preciso for, no momento do ataque. Nasce da covardia, do medo, da fraqueza, da impotência, do descontrole, da incapacidade de se adaptar; de se aceitar.

 

O violento é medroso, fraco, e ataca para enfraquecer o outro pelo grito, pelo susto, pelo assalto dentro e fora de casa, para que você desça ao nível dele (ou dela); onde moram a covardia e a sensação de poder.

 

Violência é constrangimento físico ou moral, dizem os dicionários, mas vamos concordar que violência é violência, e pronto. Quem a pratica é covarde e viciado em adrenalina. Sua ‘droga’ é ferir.

 

Violência é filha da ignorância, e ataca intelectual e emocionalmente. É falta de educação, de preparo para viver em sociedade. Falta de família e excesso de uma essência que não quer mudar.

 

O problema do povo brasileiro é, sempre foi e sempre será, o seu povo. Os macacos e as araras é que não são; certo? Somos uma mescla riquíssima de gente de todos os pontos do planeta, e patinamos, patinamos, mas não deslanchamos.

 

Não vou me aprofundar na questão, primeiro porque não domino o tema, e porque não me apetece essa pesquisa. De qualquer modo, todos estamos carecas de saber de tudo isso. Não é preciso pesquisar para saber que a violência está saindo pela tampa.

 

Passei só mesmo para lembrar-nos de contermos a violência nas palavras, no olhar, no gesto, no pensamento, sempre. Um sorriso, atenção extra e delicadeza sempre, ajudam a diminuir os efeitos malévolos da dita cuja.

 

Você sabia que cinco pessoas morrem, a cada volta que o ponteiro dá em volta do mostrador do relógio? Isso mesmo, cinco seres humanos morrem por hora, no Brasil, atingidos por arma de fogo.

 

Desarmamento de todos, inclusive dos bandidos…
E-du-ca-ção já!
Respeito pelo professor, pais, vizinhos, por todos os seres e pela Natureza, e pronto.

 

Paz

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Escreve no Blog do Mílton Jung

Bem feito para quem insiste com essa tal “terceira idade”

 

Por Milton Ferretti Jung

 

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“Não existe terceira idade. Idade é algo contínuo”.

 

Surgiu,finalmente,uma pessoa que foi capaz de proclamar, alto e bom som,que a mania que os mais jovens têm de considerar quem atinge determinada idade ter chegado à terceira de sua vida é um erro. A frase que reproduzi na abertura deste texto foi pronunciada por um médico cuja competência para falar – e tratar,como não? – de um assunto sobre o qual é um dos maiores,senão o maior dentre todos os especialistas no seu ramo – a geriatria – é incontestável.

 

Chamou-me a atenção a manchete de Zero Hora que encaminhou a entrevista de Luisa Martins com o Professor Yukio Moriguchi. É uma pena,mas este cidadão nascido no Japão faz 89 anos, vai se aposentar após formar centenas de médicos e revolucionar a especialidade que tornou o seu nome famoso no Brasil e no mundo.

 

O reitor da PUC,na qual o médico lecionou durante 45 anos e considerava a sua segunda casa, o irmão Joaquim Cortet, anuncia que Moriguchi receberá, durante o 16º Simpósio Internacional de Geriatria e Gerontologia, o título de Professor Emérito. Esta é a maior honraria acadêmica fornecida aos professores aposentados que atingiram alto grau de projeção em sua atividade.

 

“Se Deus me desse uma segunda chance de nascer, eu iria escolher ser professor de novo”. Doutor Moriguchi, autor também dessa frase, acorda às 4h30min para preparar aulas e revisar o conteúdo de suas palestras.Não esquece de sua mulher Lia,para a qual deixa sobre a mesa um copo de chá gelado. Ela,que acorda às 8h, quando o Professor já se encontra no seu consultório.

 

Aos seus pacientes, ele pergunta, antes de mais nada,”em que pode ajudar”. Eu lhe perguntaria,mesmo sem ter sido um de seus pacientes, por que motivo os mais jovens tacham os mais velhos de uma coisa que para Moriguchi não existe,isto é,a “terceira idade”.

 

Bem feito para quem teima em usar,como se fosse um elogio, esta maldita expressão!

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Avalanche Tricolor: nada pode ser maior!

 

Grêmio 2×0 Flamengo
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Estou aqui para falar de vida e peço perdão se você, caro e raro leitor desta Avalanche, esperasse ler – se é que alguém me espera – sobre a vitória do Grêmio na tarde de domingo, em Porto Alegre, que praticamente lhe garantiu presença na Libertadores – faltam apenas alguns pontinhos. Desta vez, por estar de corpo presente na Arena, na minha estreia neste palco impressionante do futebol, até poderia tratar da bola rolando com mais precisão do que quando assisto aos jogos pela televisão. Mas não haveria espaço para tal diante das emoções que senti desde que cheguei à capital gaúcha e especialmente à arena gremista.

 

Claro que a vitória renderia um ótimo papo com você, pois foi construída a partir de dois tempos bastante distintos e dois gols que mostraram a categoria do time de Roger – um time que joga com paciência, segurança e talento, mistura que às vezes é difícil de ser entendida pelo torcedor. O primeiro dos gols, aliás, foi obra prima, pois se iniciou com a visão de jogo e o passe preciso de Douglas, o drible de categoria e a humildade de Luan, coisa rara no futebol competitivo que temos, e, claro, a velocidade e oportunismo de Everton. O segundo, valeu também pelo conjunto da obra, mas gostei muito de ver a calma do atacante Bobô para escapar da marcação e tocar a bola distante do alcance do goleiro.

 

Como disse, porém, não vim aqui falar de futebol. Quero falar de vida!

 

A partida desse domingo foi o presente de 80 anos que escolhi dar ao pai, que, convenhamos, não requer mais apresentações. Foi ele quem me ensinou ser gremista – entre outras tantas coisas boas que fez por mim na vida. Nunca havíamos assistido ao Grêmio na Arena e eu fazia questão de lhe proporcionar este momento levando-o até lá, assim como ele me levou de mãos dadas algumas centenas de vezes ao Estádio Olímpico. E não fomos sozinhos. Estavam lá filhos e netos. Queríamos que fosse um momento especial. E foi muito mais do que isso.

 

Velhos conhecidos o paravam para saudá-lo enquanto caminhávamos até o espaço reservado para assistir ao jogo. Entre abraços havia lembranças das épocas de narrador, e na voz de quem o cumprimentava a saudade dos tempos do Milton Gol-gol-gol Jung! Ouvir o locutor do estádio anunciar os gols da partida com os três gritos repetidos que se transformaram em sua marca parecia mais do que uma coincidência: soava como exaltação. Aliás, os gols – que não tinham como estar programados para a festa, mas que foram muito bem-vindos – me deram a chance de vibrar ao lado do pai mais uma vez como fizemos tantas outras no passado. Dei-lhe um abraço com a alegria que as vitórias costumam nos oferecer. Não esta que o futebol nos proporciona, já que esta é fugaz. Refiro-me a vitória que é estar vivo para compartilhar nossas alegrias em família, mesmo diante de todos os percalços que a vida nos impõe. Vê-lo sorrindo e com o olhar brilhando e ter filhos e netos ao lado dividindo a mesma emoção foi muito especial.

 

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Ao fim do jogo novas emoções nos esperavam, pois a direção do Grêmio o recebeu para cumprimentá-lo e lhe presenteou com uma camisa do clube. Lá estavam o presidente Romildo Bolzan, o vice-presidente de futebol César Pacheco, o supervisor Antônio Carlos Verardi – companheiro dele de antigas batalhas -, o diretor executivo de futebol Rui Costa dos Santos e o técnico Roger Machado, que antes de seguir para a entrevista coletiva foi apertar-lhe a mão. Assim como eles, antigos funcionários do clube também passaram para trocar algumas palavras e demonstrar admiração. Confesso que não sei se o pai percebeu a dimensão daquele gesto, pois ele sempre foi comedido nestes momentos, mas posso garantir que, assim como meus irmãos e os netos dele, assistimos a tudo com muito orgulho.

 

Obrigado, Grêmio! De todas as alegrias que você me deu até hoje, nenhuma poderia ser maior do que o respeito demonstrado ao pai.