Avalanche Tricolor: os “pitucas” do Renato estão batendo um bolão

 

Santos 0x3 Grêmio
Brasileiro — Vila Belmiro/SP

 

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Everton, Matheus e Luan foram destaques, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Passei a semana ouvindo que o adversário do Grêmio, na noite de sábado, não teria um dos seus principais jogadores do meio de campo, Pituca. Estaria lesionado, é o que relatavam os repórteres esportivos. Confesso que nunca havia ouvido falar dele. E não é menosprezo, é desatenção mesmo. Com tanta coisa para cuidar no dia a dia, acabo deixando de lado o interesse pela escalação dos adversários. Reconheço um craque de cada time ou o jogador mais expressivo, mas não peça para escalá-los ou comentar o desempenho deles individualmente —- talvez esteja aí uma boa explicação para meu pífio desempenho na Liga Hora de Expediente CBN, do Cartola FC.

 

Do time da Vila sei que vem há algum tempo disputando a ponta da tabela, tem um técnico gringo, inteligente e agitado, uma turma boa de bola e habilidosa, e um ou outro camarada que já passou lá pelo Rio Grande. Sei, também, que não costuma perder jogos dentro de casa. Mas não sabia que tinha um jogador chamado Pituca e a ausência dele poderia prejudicar o desempenho da equipe. Disseram-me que era quem botava a bola embaixo do braço e acionava o ataque veloz e talentoso, com sua ótima visão de jogo. Fui pesquisar e descobri que o volante já jogou Libertadores, marcou 19 gols na carreira e está com 27 anos —- além de, coincidentemente, fazer aniversário no mesmo dia que eu.

 

Assim que os times entraram em campo e a televisão confirmou a escalação das duas equipes, levei um susto: Pituca estava entre os titulares. Se já era difícil fazer três pontos em um time que diante de sua torcida é imbatível, imagine fazer em um time que diante de sua torcida é imbatível e tem o Pituca escalado? Temi pelo pior.

 

O frio e a chuva na Baixada santista somados a intensidade de jogo do adversário nos primeiros 25, 30 minutos também não facilitavam as coisas para o nosso lado. E a gente mal conseguia ficar com a bola no pé. A se destacar, a boa perfomance de Paulo Victor e uma defesa firme que conseguia nos safar de algumas boas investidas de Pituca e sua turma. Houve momentos de talento individual, também: a janelinha de Everton e o chapéu de Alisson, foram dois deles, que a TV e as redes sociais não se cansam de repetir.

 

Somente no fim do primeiro tempo redescobrimos nossa capacidade de chegar ao gol adversário. O fizemos por duas vezes com perigo, mas sem sucesso. Eram apenas ensaios do que viria a acontecer no segundo tempo.

 

Do vestiário, as palavras mágicas de Renato fizeram efeito sobre seus “pitucas”, ops, seus pupilos. A bola passou a ser passada de pé em pé, como estamos acostumados; Matheus Henrique tomou conta do meio de campo e distribuiu o jogo para lá e para cá; Luan encontrou seu espaço mais próximo da área, e Everton …. bem, Everton seguiu sendo Everton.

 

Aos nove minutos, Luan marcou nosso primeiro gol (e a grande notícia da noite foi perceber que ele está em fase de recuperação de seu talento); aos 41, Pepê completou um passe incrível de Matheus Henrique (nosso jovem atacante dá sinais de que recupera a confiança); e aos 47, Everton fechou o placar (bem, esse dispensa comentários extras).

 

Alcançamos um resultado que, dizem as estatísticas, jamais havíamos conquistado na Vila; seguimos em viés de alta  na tabela de classificação (mesmo tendo desdenhado de parte do Brasileiro); o time se reinventa diante das ausências de jogadores importantes do elenco como Geromel, Leonardo Gomes, Maicon e Jean Pyerre; sem falar nos “pitucas” do Renato que estão jogando um bolão.

Avalanche Tricolor: orgulhoso por ter vencido mais uma batalha

 

Santos 1 x 3 Grêmio
Brasileiro – Vila Belmiro/Santos (SP)

 

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Foi aqui, no alto da colina de Ansedonia, que se uniram as forças da infantaria e da cavalaria napolitanas para seguirem, por terra, em direção a Orbetello, província de Grosseto, onde se travava uma das mais importantes batalhas da Guerra Franco-Espanhola, iniciada em 1635. Já se passavam 11 anos, quando os franceses se aproximaram das terras dominadas pelos espanhóis, no mar Tirreno, na região de Toscana. Lá se engalfinharam em inusitado confronto de barcos a velas carregados por galeras contra o exército da Espanha, que contava com o apoio do Reino de Nápoles. O “Assedio di Orbetello”, em 1646, foi protagonizado por comandantes estrategistas e soldados heróicos, que misturavam ações tática e muita bravura.

 

Nesta semana, 369 anos depois, a batalha é celebrada por moradores de Orbetello que, vestidos à caráter e a partir de perfomances artísticas, desfilam pela rua da pequena cidade e preservam aquela história com orgulho. Foi envolvido nesse ambiente e aqui, do alto da colina de Ansedonia, hoje muito mais marcante pelas belas casas e paisagem natural, que, durante minhas férias com a família, assisti, na tela do meu computador, à chegada do Grêmio ao topo do Campeonato Brasileiro – e escrevo isso independentemente do que venha acontecer nas próximas horas, neste domingo de futebol no Brasil. Tanto faz o lugar que nos será reservado na tabela de classificação, pois o que buscávamos alcançamos: vencemos mais uma batalha.

 

Orbetello

 

É a quinta conquista seguida de uma série interminável de batalhas que teremos de enfrentar até o fim do campeonato. Essa foi apenas a décima-primeira. Mesmo após mais um desempenho vitorioso, é impossível imaginar que seremos vencedores sempre. Sabemos que nessa caminhada há o risco de somarmos perdas. Temos de estar prontos para esses momentos, conscientes de que o trabalho está sendo executado de forma correta. Conscientes de que uma batalha perdida deve servir para agregar forças e seguir em frente até a vitória final.

 

Hoje, na Vila Belmiro, o time impôs sua marca: jogadores se movimentado com velocidade e a troca de passe certeira. A marcação firme desde o campo adversário se repetiu apesar de estarmos jogando fora de casa e contra um time que não perdia por ali há 14 jogos. Mais uma vez, o gol veio cedo e resultado dessa nova disposição da equipe, imposta por Roger.

 

Somou-se o fato de os chutes a gol estarem mais precisos. Em muitos jogos desperdiçamos a oportunidade de resolver a partida, apesar das boas chances proporcionadas. Desta vez, não: aos quatro minutos, no primeiro ataque, fizemos 1 a 0, para desequilibrar o adversário; assim que começou o segundo tempo, 2 x 0, para desestimular a reação natural de quem volta reorganizado do vestiário; e a dez minutos do fim, quando já havíamos dado espaço para o 2×1, marcamos o terceiro. Pedro Rocha, Galhardo e Mamute tiveram a chance e … mataram!

 

Com Roger no comando, visão estratégica e jogadores dispostos a cumprir suas funções a qualquer preço, o Grêmio se transformou, calou os que previam o pior e desnorteou os críticos – aqueles que chamaram Luan de “moscão” e disseram que Rocha, nosso goleador, não era um atacante de verdade. Lembra? Eu não esqueço!

 

Nosso exército ainda precisa muito mais para chegar a grande vitória, mas vê-lo jogando da forma como jogou nessa tarde, em Santos, me deixou tão orgulhoso quanto os moradores de Orbetello com seus uniformes de guerra, do século 17.

Avalanche Tricolor: Na chuva, no barro e histórica

 

Santos 0 x 1 Grêmio
Brasileiro – Vila Belmiro

No futebol quando o time perde vai para o brejo, se o jogador tem talento dá o drible da vaca e quando despacha a bola manda para o mato porque o jogo é de campeonato. Se a partida está ruim, dizem que é de várzea. Mato, brejo, várzea e vacas nos acompanharam no encharcado que se transformou a Vila Belmiro após dias seguidos de chuva forte em parte do Estado de São Paulo. Jogadores torciam a camisa para tirar o excesso de água, a grama foi ficando marrom do barro que subia a cada passada e a bola, pobre dela, era empurrada para frente do jeito que dava. A estatística na televisão mostrou a certa altura que as duas equipes haviam errado 70 passes sem que os 90 minutos tivessem se encerrado. Deveriam informar quantos foram os certos.

Se a chuva não para, o campo encharca e o barro aparece, azar dos outros. Para quem cresceu jogando nos gramados do interior gaúcho estes são desafios que se aprende a superar quando pequeno. Se a bola não quer entrar na primeira, empurrasse para dentro do gol na segunda, como no pênalti não convertido por Douglas e concluído por Escudero, este argentino que dribla os esteriótipos ao jogar calado, concentrado e disposto a aparecer apenas com o seu talento (repito aqui definição publicada em Avalanche anterior).

A vitória histórica – a primeira em um Campeonato Brasileiro na Vila – renova minha esperança, mesmo que o futebol jogado não tenha sido lá estas coisas. Mas ver Fernando dando um carrinho dentro da área para impedir o gol adversário, como ocorreu quando ainda estava 0 a 0, me entusiasma. Olhar a tabela de classificação e ver que saltamos dois postos neste fim de semana, me instiga pensamentos maliciosos. Ler como li em reportagens pós-jogo que o Grêmio ainda tem chances remotas de chegar a Libertadores e saber que a turma lá de cima se digladia como louca, me faz pensar. Será que ainda dá ? Não sei, não. Mas se continuar a chover deste jeito, quem sabe isto não acabe em uma incrível Avalanche Tricolor.