Conte Sua História de São Paulo 463: as cocheiras dos Matarazzo, na Pompeia

 

Por Osnir G. Santa Rosa

 

 

Vi e participei de fatos dignos de nota desde que nasci na capital de todos os paulistas. Isso lá no início dos anos de 1940. Naquela época, milhares, milhões de famílias vinham para a cidade de São Paulo. A luta por moradia era terrível. Ainda não havia favelas. As pessoas se amontoavam em horrorosos cortiços.

 

Meu pai ingressou nas Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo, na Vila Pompeia, zona Oeste da cidade, para dirigir os caminhões da Ford que substituiriam, como de fato substituíram, os veículos de tração animal.

 

Lá, havia 80 cocheiras muito bem preparadas para os muares que seriam, diríamos assim, despedidos. Ao mesmo tempo, a dona da casa em que nasci, na rua Duílio, no bairro da Lapa, também zona Oeste, pressionava minha família a devolver o imóvel porque havia quem estivesse disposto a pagar mais …

 

Meus pais estavam em polvorosa.

 

Foi quando meu pai soube que os animais já tinham sido dispensados do trabalho. Ele voou para lá a fim de assegurar uma das 80 cocheiras onde entendia ser possível viver com a família até conseguir outra casa.

 

Teve uma das maiores decepções de sua vida, que seria repleta de tantas outras decepções: todas as cocheiras já estavam ocupadas por outras famílias que, assim como a nossa, não encontravam um lugar decente para morar.

 

O Conte Sua História de São Paulo tem sonorização de Cláudio Antonio e narração de Mílton Jung.

Conte Sua História de SP: a maravilhosa Vila Pompeia

 


Por Denilson Claro
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Nasci em 1966 no Hospital Beneficência Portuguesa, Vila Mariana, fui batizado na Igreja de São Judas Tadeu, próxima ao Jabaquara e de todos os anos de minha vida, mais de trinta passei no bairro de Vila Pompeia, zona oeste da capital, mais especificamente na Rua Raul Pompeia, em uma casa na qual meus pais ainda moram. Mais Paulistano impossível.

 

Tenho muita saudade deste que foi meu antigo bairro de infância, adolescência e juventude no qual cresci, estudei e fiz grandes amigos.

 

Sou de um tempo em que aos domingos tudo fechava incluindo os postos de gasolina. Tudo ficava muito silencioso, menos em dias de jogos. Quando brincávamos na rua escutávamos os vizinhos torcendo assistindo suas tevês dentro de suas casas. Sim casas e de muros e portões baixos, pois hoje este bairro recebeu a intensa verticalização que veio das Perdizes e os bares e restaurantes que vieram da direção da Vila Madalena.

 

Um tempo que brincávamos na porta de casa fosse de esconde-esconde (e não valia se esconder na garagem dos outros, apenas atrás dos carros ou em cima das árvores) ou então competindo na contagem de cores dos Fuscas, Kombis e Corcéis que passavam, sempre de forma bem espaçada, pela rua. Tempo que a frota de veículos era de pouco menos de um milhão de veículos e hoje passam de sete milhões.

 

Um tempo em que com meus onze anos ganhei a “liberdade” de ir a pé a escola que ficava pouco mais de três quadras de casa na então “semi tranquila” Avenida Pompeia. Hoje vendo meu filho com esta exata idade, sinceramente não creio ter a coragem de dar a mesma liberdade de locomoção que meus pais me deram na época.

 

Conhecíamos cada vizinho pelo nome e pela história de vida. Jogávamos bola em uma pequena e tranquilíssima rua próxima chamada Taipas, na qual fiz grandes amigos. Marcávamos o campo com tijolo e valia a famosa tabelinha com os muros das casas.

 

Naquele tempo, nem era preciso planejar grandes viagens nas férias escolares, pois no dia seguinte ao término das aulas, cada rua do bairro se transformava em um recanto de amigos conversando, andando de bicicleta, jogando futebol ou até mesmo bola de gude em algum terreno vazio.

 

Poderia me estender e contar de cada rua e cada estabelecimento, mas infelizmente não há tempo nem espaço aqui para contar, mas guardo todos em meu coração.

 

Tudo passa, São Paulo mudou e a Pompeia não foi exceção, muito pelo contrário. Os edifícios cada vez mais repletos de infraestruturas de lazer colocam os garotos de hoje atrás dos muros. Amizades hoje só na escola – amigos de bairro, ou de rua estão praticamente extintos na capital. Vizinhos? Morando nos edifícios, mal encontramos nosso vizinho de frente.

 

Por fim, minha vida neste maravilhoso e inesquecível bairro da capital, deixou marcas e muita, muita saudade.

 


O Conte Sua História de São Paulo é sonorizado pelo Cláudio Antônio e vai ao ar aos sábados, logo após às 10 e meia da manhã, no CBN SP. Você pode contar mais um capítulo da nossa cidade enviando seu texto para milton@cbn.com.br ou agendando entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net.

Pompeia reúne moradores, hoje, por boas ideias para o bairro

 

Texto escrito originalmente para o Blog Adote São Paulo

 

 

Conversamos aqui no Blog Adote São Paulo, semana passada, sobre a construção do Plano de Bairro para a Pompeia, zona oeste da capital. O trabalho está em seu primeiro estágio com a coleta de ideias para, em seguida, serem colocadas em consulta pública e as mais votadas fazerem parte do documento final que ajudará a construir um bairro ainda melhor.

 

Henrique Parra, morador do bairro e um dos incentivadores da ação, destacou em mensagem quatro propostas que já foram apresentadas e podem ajudar a entender um pouco melhor o que se pretende fazer. Uma delas pede que os prédios da Pompeia passem a captar água das chuvas e, com isso, se recupere área permeável no bairro. Outra, alerta para o fato de que a futura estação Metro Pompeia está prevista para terreno muito próximo do Córrego Água Preta, que costuma alagar as ruas e avenidas vizinhas sempre que chove forte na cidade.

 

As calçadas também estão na mira dos moradores, e uma das propostas é que estas passem a ser construídas, principalmente nas ruas mais íngrimes, dando prioridade aos pedestres e não aos carros como ocorre atualmente. A quarta ideia passa pela transparência nos dados públicos, com a solicitação de que os moradores tenham acesso ao potencial construtivo do bairro: “ou seja, (queremos saber) o verdadeiro estoque disponível para se demolir (ou não) as casas existentes para a construção de edifícios residenciais e comerciais” – explica o autor em texto publicado no site Cidade Democrática.

 

Para participar desta campanha não é necessário morar na Vila Pompeia, pois esta é uma região de toda a cidade. Amanhã, dia 5 de março, às sete da noite, está marcado um encontro de co-criação, na Semente Una – Avenida Pompeia, 984. Oportunidade para levar projetos e discutir ideias com os demais participantes. Haverá mais duas reuniões, dias 12 e 18 deste mês, mas caso você tenha dificuldade de ir até lá (alguém aí tem uma boa ideia para melhorar o trânsito?) pode registrar seus pedidos no site Cidade Democrática.

Proposta democrática para o plano de bairro da Vila Pompeia

 

 

“A Pompeia Que Se Quer” é uma iniciativa de construção colaborativa de Plano de Bairro, que visa contribuir com os moradores da Vila Pompeia, ampliando seu alcance de voz e dando forma a seus desejos coletivos.

 

Tanto moradores e frequentadores da Pompeia, como quem mais tiver interesse em participar poderá criar suas propostas, comentar e apoiar outras propostas, propor atividades, participar das oficinas, mobilizar suas redes e construir a relevância dos seus temas de interesse.

 

São 4 etapas:

 

1. PROPOSTAS – Registro das ideias em propostas que também poderão ser comentadas e aprimoradas.
2. APLAUSO – Em seguida, as propostas recebem votos na forma de apoios.
3. UNIÃO – As propostas mais parecidas poderão se unir para aumentar seu poder de influência.
4. ANÚNCIO – As propostas mais apoiadas e comentadas serão premiadas de acordo com os prêmios oferecidos pela própria comunidade do bairro.

 

O conjunto das propostas (não apenas as premiadas), organizadas por temas e territórios, constituirão um documento a ser entregue pelos moradores da Vila Pompeia como uma primeira versão do Plano de Bairro da Vila Pompeia, a ser entregue ao prefeito e aos vereadores de São Paulo para apoiá-los na revisão do Plano Diretor da Cidade.

 

Programação Completa – Estão marcados três Encontros para Criação de Propostas, abertos a todos os interessados, que buscam envolver moradores, movimentos sociais, poder público e outras pessoas capazes de contribuir com ideias criativas. Também estão sendo programados Expedições Fotográficas, Manejo Comunitário da Horta e Reuniões com a SubPrefeitura.

 

Encontros de Co-Criação: 05/03, 12/03 e 18/03, sempre às 19hs, na Semente Una (Avenida Pompeia, 984).