Canto da Cátia: Morte no futebol

Briga de torcida

O encontro entre vândalos travestidos de torcedores acabou na morte de um corintiano, na noite de quarta-feira, antes da decisão entre Corinthians e Vasco, em São Paulo. A briga foi próximo da Ponte das Bandeiras, acesso à Marginal Tietê. A repórter Cátia Toffoletto, agora pela manhã, está na delegacia de polícia onde o caso está sendo investigado e ouviu o depoimento do pai de um dos jovens que se envolveram na violência e está detido:

Ouça o relato sobre a briga de torcedores do Corinthians e Vasco

Veja o que aconteceu na reportagem da TV Globo:

Trote será discutido na Câmara Municipal

Estudantes universitários e do 3o. ano do ensino médio se reúnem na Câmara Municipal de São Paulo para discutir formas de acabar com o trote violento aos calouros que se repete todos os anos colocando em risco a vida de jovens. O encontro é promovido pelo vereador Gabriel Chalitta (PSDB) que desenvolve trabalho voltado ao combate ao bullying, prática que se caracteriza sempre que uma pessoa ou um grupo age com o objetivo de intimidar ou agredir pessoas na maioria das vezes incapazes de se defender.

Chalitta diz que não haveria sentido o vereador elaborar projeto de lei para tentar acabar com esta atitude que marca o início do ano letivo em várias universidades brasileiras: “cabe a nós promover este debate e tentar criar uma comissão de trabalho que discuta medidas eficazes para mudar esta situação”.

A  Tania Morales conversou, hoje, com o presidente do G20 que reúne as associações atléticas acadêmicas de São Paulo, Guilherme Ruggiero. Ele participará do encontro na Câmara Municipal e entende que será oportunidade de dividir experiências sobre trotes solidários e sociais que tem sido realizados em várias faculdades.

Ouça a entrevista com Guilherme Ruggiero

Leia aqui outros posts e artigos sobre bullying e trote universitário publicados no Blog do Milton Jung:

 Calouríadas para combater o trote violento

 Trote: Origem e Destino, por Carlos Magno Gibrail

Trote universitário: quando perdemos nossos filhos, por Ricardo Gomes

Trote violento reproduz o que jovens fazem na escola

Trânsito: mortos, feridos e atropelados

A Lei Seca é apontada como uma das formas de se combater a violência no trânsito, mas a comparação com o modelo implantado em outros países deixa claro que o Brasil ainda precisa avançar muito. Enquanto na França são realizados 9 milhões de testes de bafômetro por ano, aqui no Brasil temos 300 mil.

Se por lá, as autoridades públicas precisam prestar contas a cada três meses sobre os números de mortes e vítimas em acidentes de trânsito e se justificar sempre que houver aumento, aqui no Brasil … bem, aqui no Brasil você sabe como as coisas são.

Hoje, 26.05, realizou-se o Seminário Internacional de Segurança e Proteção no Trânsito e nos Transportes. E o CBN São Paulo conversou com o representante da OMS, Organização Mundial da Saúde, doutor Marcos Musafir, sobre o efeito da violência que enfrentamos no dia a dia no trânsito dos centros urbanos e os caminhos para amenizar este cenário.

Durante a entrevista, levantamento feito pela Monica Poker, que acompanha o tráfego na capital paulista durante a manhã, apontou até às 10 horas, 19 acidentes – número abaixo da média. Houve neste período nove atropelamentos.

 Ouça a entrevista com o dr. Marcos Musafir (OMS)

Como combater a violência na escola, segundo o Governo

Câmeras de vídeo, espaço para denunciar crimes e código de conduta são medidas que o Governo do Estado de São Paulo prepara para combater a violência nas escolas da rede pública, de acordo com o secretário estadual da Educação Paulo Renato Souza. Em entrevista ao CBN SP, ele afirmou que o papel dos diretores das escolas é fundamental para mudar esta situação.

Ouça o que disse o secretário da Educação Paulo Renato Souza, ao CBN SP

Como combater a violência na escola

Reproduzo aqui o post publicado no dia 11.03 quando entrevistamos a promotora Vera Lucia cayaba de Toleto sobre caminhos para se combater a violência na escola. O tema volta a pauta com a depredação da Escola Estadual Professor Antônio Firmino de Proença, na Mooca, na zona leste da capital:

Reduzir em até 40% o número de atos infracionais dentro das 230 escolas da rede pública municipal e estadual, em São Bernardo, região metropolitana de São Paulo, é a meta de uma força-tarefa organizada pelo Ministério Público Estadual, através da Promotoria da Infância e Juventude. Em pouco mais de um ano de trabalho, teria havido uma queda de até 20% nas ocorrências, segundo a promotora Vera Lucia Acayaba de Toledo.

Lesões corporais, agressões entre alunos, contra professores e de professores, roubos e furtos, e consumo de drogas, são algumas das questões que deixaram de ser vistas apenas como caso de polícia e passaram a ser encaminhadas para um grupo multidisciplinar que se formou na cidade.

Para entender a boa experiência de São Bernardo ouça a entrevista com a promotora da Infância e Juventude Vera Lucia Acayaba de Toledo. Vale a pena !

De consciência em coma

Por Maria Lucia Solla

Tem salvaçãoOlá,

Você leu a notícia de que a torcida sãopaulina atacou o ônibus do Corinthians, na chegada ao Morumbi?
Eu não gosto de andar de ônibus, mas adoro andar de trem, e fico sonhando em deixar o carro na estação e ir para onde eu quiser. Para Minas Gerais, para o Rio Grande do Sul, sem o estresse e o sufoco do trânsito que já entope as vias dos bairros mais longínquos.

Sonho em não ter que entrar no corpo-a-corpo com o perigo, incorporando rugas por dentro e por fora do meu corpo,  a cada quilômetro rodado. Tenho horror a poluir o ar de quem está quieto e de ter que engolir sapo empanado na fumaça negra de quem não está nem aí para nada que não seja o próprio umbigo. Me imagino embalada pelo encontro da máquina com os trilhos, lendo um livro, comendo chocolate, ouvindo música, curtindo a paisagem pela janela… Mas é melhor voltar para a linha do assunto principal.

O que será que o predador sente? Ele fica à espreita, de tocaia, arquitetando o ataque, afiando o bico e as garras. Será que dá barato? Porque me parece que vicia e que é tremendamente contagioso. “Melhor nem experimentar”, sabiamente diria a minha avó.

Já está mais do que provado que dinheiro não dá garantia de felicidade, e que cultura, educação e estudos também não dão. Se a terceirização da sua vida não está trazendo os resultados prometidos, só coheço uma saída. Despertar a consciência.

Quem sabe saída não recolheu o assento, que, acreditávamos fosse cativo, para a gente não sentar e dormir. Para que possamos nos dar conta dela e descobrirmos um mundo cada dia melhor. Como ? Arregaçando as mangas e mandando às favas o medo, a preguiça, a procrastinação, que é, sim, um baita palavrão. Só mesmo desinstalando o software de birra de criança mimada, no qual fomos treinados, é que podemos fazer alguma coisa.

Será que dá para parar de destruir o brinquedo dos amiguinhos ? Dá para parar de brincar de queimada com bomba e tiro de metralhadora ? Dá para parar de espernear e bater o pezinho toda vez que alguma coisa não sai do jeito que você tinha planejado ?

Dá para parar com os crimes de todo tipo e tamanho, contra tudo e contra todos ? A maioria dos crimes são filhos da consciência que dorme a sono solto. Arruaça é filha da consciência em coma. Dá para parar de querer ter razão ? Até porque o único que sempre tem a última palavra é o eco.

Então me diga, por favor: pelo time e pelo partido, vale tudo ? Pelo poder, pelo dinheiro, pela vaidade, vale tudo ?
Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Ouça “De consciência em coma” na voz da autora.

Maria Lucia Solla é terapeuta e professora de língua estrangeira. Aos domingos está sempre por aqui para mostrar que, apesar dos pesares, existe uma saída.

É proibido ter família

A criança e o velho

Em 40 e poucas páginas, o juiz Fernando Antônio Lima justifica a decretação do “toque de recolher” para crianças e adolescentes na cidade de Ilha Solteira, desconhecida de boa parte dos brasileiros, que ganhou direito a citação em rede nacional de televisão – jornal, rádio e internet, também. A intenção dele é “proteger o cidadão que está com seu intelecto e moral em desenvolvimento”.

O país está cheio de gente bem intencionada como o magistrado. Preocupada com a educação dos jovens e a falta de limites. Interessada em oferecer mais segurança as crianças. Leis não faltam neste sentido. O Estatuto da Criança e do Adolescente é peça primordial desta rede de proteção.

Em nome desta defesa, lá no noroeste do estado de São Paulo, quem tem até 14 anos só fica na rua, desacompanhado, até às oito e meia da noite; adolescentes entre 14 e 16 anos de idade voltam para a casa até às dez da noite. E meninos e meninas de 16 a 18 anos podem “brincar” até às 11 da noite.

Assim que o tema foi ao ar no CBN SP, dezenas de ouvintes-internautas se posicionaram em relação a medida que está em vigor em Fernandópolis e Itapura, além de Ilha Solteira. Maioria assustadora defende a intervenção do Estado na educação dos filhos, não confia na competência dos pais e no poder da família. Há quem veja na regra uma forma de se defender dos jovens e não defendê-los.

Aguarda-se decreto judicial que coiba a violência doméstica contra crianças, esta sim uma das formas mais cruéis de violência que parte dos próprios pais, escondida da sociedade, dentro de casa. O serviço Disque-100, que recebe denúncias anônimas, registra mais de 67% de ligações feitas devido a agressão física e moral contra meninos e meninas.

Sugiro que se proíba a instituição da família para “proteger o cidadão que está com seu intelecto e moral em desenvolvimento”.

Das brigas no futebol

Abro este espaço para chamar sua atenção para texto publicado semana passada aqui no blog e assinado pelo nosso colunista Carlos Magno Gibrail. Depois do que aconteceu no Pacaembu, em São Paulo, no Maracanã, no Rio, vale reflexão mais séria sobre o tema.

Leia aqui “Do futebol e a fábula” 

Ouça o que disseram, nesta segunda, nossos entrevistados na CBN:

Ministro dos Esportes, Orlando Silva, em entrevista ao Heródoto Barbeiro

Profª Flávia da Cunha Bastos, de Administração Esportiva da Escola de Educação Física e Esportes – USP

Advogado Maurício Krieger, especializado em direito esportivo

“Perigo de gol” tirou Marzagão da Segurança

A figura de linguagem foi usada pelo presidente do Instituto Brasileiro Giovanni Falcone, Walter Maeirovitch, para explicar a decisão do governador José Serra (PSDB) de tirar da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo Ronaldo Marzagão. O pedido de exoneração, oficialmente feito pelo próprio, foi apresentado ontem (terça 18), e resulta da pressão sofrida por Marzagão desde as denúncias de corrupção contra o seu ex-secretário-adjunto Lauro Malheiros que deixou o cargo ainda no ano passado.

Maierovitch contesta os resultados que a política de segurança pública tem alcançado, pois ao mesmo tempo em que houve redução nas taxas de homicídio, o Estado não teria sido capaz de combater o crime organizado.

Ouça a entrevista do presidente do IBGF Walter Maierovitch 

Ouça, também, mais duas avaliações sobre a saída de Ronaldo Marzagão da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo:

Presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de SP

Coordenador do Núcleo de Estudos da Violência da USP, Sérgio Adorno

O futebol e a fábula

Por Carlos Magno Gibrail

Torcida virtual no Museu do Futebol, por Regia Sofia

O futebol, esta grande paixão nacional, parece bem com a moral da fábula “O velho, o menino e o burro” que demonstra a impossibilidade de se contentar a todos. Fato que seria comemorado por Nelson Rodrigues: a unanimidade é burra.

O presidente Lula assinou na sexta-feira 13, três medidas que fazem parte do plano de ações para a Copa do Mundo de 2014. Entre elas, o  projeto de lei que criminaliza os atos de violência dos torcedores e das torcidas organizadas, tanto nos estádios e arredores quanto no trajeto para as partidas. Assinou, também, um decreto que amplia as exigências técnicas para funcionamento dos estádios e um termo de cooperação técnica para monitorar o acesso de torcedores. Os projetos serão encaminhados ao Congresso e Lula já pediu urgência na aprovação.

“O ministro e as carteirinhas” Juca Kfouri; “Stalinismo no futebol” Fernando Rodrigues; “Todos fichados” Folha; são algumas das manchetes desfavoráveis.

Embora reclamado há muito pela mídia geral e especializada, pela autoridade geral e policial, pela população em geral e esportiva, o combate a violência é uma unanimidade em termos de apelos para o seu controle. Afinal só de mortes são mais de sete por ano, além de inúmeras ocorrências policiais.  De torcedores e de policiais.

Mas há acusações políticas eleitorais. “Dentro do projeto da Folha de São Paulo de contribuir para a eleição de José Serra, em 2010, vale tudo.
 A coluna do Fernando Rodrigues, neste sábado, é um bom exemplo disso. O Projeto de Lei, que modifica o Estatuto do Torcedor foi escolhido para ser o alvo das críticas”. Casa do Torcedor.

O Clube dos Treze declarou ontem que apóia em princípio as medidas e está disposto a discutir as carteirinhas, pois acredita que o cadastramento possa ser feito sem elas.

“De vez em quando a PM também faz coisas que não deve, passa dos limites, agride sem necessidade. Como seremos penalizados, eles [policiais militares que cometerem abusos] também tem que ser”. Presidente da Força Jovem do Santos Futebol Clube, Pedro Luiz Ribeiro Hansen.

“Violência gera violência. Às vezes, têm só dois elementos brigando numa arquibancada, a polícia chega agredindo geral e a coisa se espalha”. Presidente da torcida rubro negra Jovem Fla, do Flamengo, Leonardo Sansão.

O projeto de lei anunciado pelo governo define formalmente as torcidas organizadas como pessoas jurídicas de direito privado, que podem responder civilmente pelos danos causados por qualquer um de seus associados no local da competição, nas imediações ou no trajeto de ida ao jogo e de volta da partida.

O mérito da questão é criminalizar algo que é crime em seu sentido real e figurado. Agressões de torcedores e policiais e o impedimento do maior espetáculo da terra que é o futebol ao vivo, aos cidadãos verdadeiros, são efetivamente um crime.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e toda quarta está aqui no blog na torcida para que um dia estádio de futebol seja como sala de espetáculo. E desta Organizada eu faço parte.

Veja mais fotos de Regia Sofia, no Flickr.