Escolha pelo carro, matou a ciclista na Paulista, diz Osvaldo Stella

Ciclista, ambientalista e comentarista, Osvaldo Stella participa do quadro Ambiente Urbano no CBN SP, toda segunda-feira. E apresenta aqui seu olhar sobre o acidente que matou a ciclista Márcia Regina de Andrade Prado, na avenida Paulista:

“Esta semana a trânsito na cidade de São Paulo deixou mais um corpo estendido no chão. A morte da ciclista Márcia Regina de Andrade Prado no início da manhã da última quarta feira na AV. Paulista além da comoção, reacende a questão da carnificina em curso na cidade de São Paulo.

Anualmente mais de 1.500 pessoas perdem a vida no transito na cidade de São Paulo, uma parte das mais de 20.000 vítimas que escapam da morte carregando para sempre diversos tipos de sequelas.

A grande maioria das vítimas é pedestre, mais da metade, seguida dos motociclistas. Em média 4 pessoas perdem a vida diariamente em acidentes de trânsito na cidade de São Paulo ou seja a cada seis horas alguém morre lá fora em decorrência do caos no trânsito de São Paulo. Um número bem menor que o de soldados americanos mortos no Iraque.

A reação natural ao trágico acidente é culpar o condutor do ônibus que atropelou e matou a ciclista de 40 anos. Infelizmente, o condutor é apenas uma parte de um enorme problema decorrente da opção pelo transporte indivudual, a opção em construir uma cidade voltada para o automóvel. E quando este se espalha e ocupa o seu espaço na paisagem urbana acaba passando por cima de alguns obstáculos, alguns deles não saem vivos deste encontro”.

Prefeitura explica ações para diminuir violência contra ciclista

Em mensagem, a Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente esclarece medidas que são adotadas pela prefeitura de São Paulo que mostrariam sua preocupação com o uso da bicicleta. Foi uma resposta às críticas após o assassinato da ciclista Márcia Regina de Andrade Prado, atropelada na quarta pela manhã, na avenida Paulista, por um ônibus:

“Em 2006, foi criado o Pró-Ciclista, grupo intersecretarial responsável por pensar o uso da bicicleta como meio de transporte e transformar isso em política pública. Como primeiros frutos deste movimento, a cidade colheu: possibilidade de transportar a bicicleta em vagões e horários específicos nos trens da CPTM e nos vagões do Metrô; novos 14,8 km de ciclovias em ruas; possibilidade de deixar a bicicleta em segurança em estações do metrô onde funciona também o empréstimo de bicicleta, a partir de uma parceria entro o Instituto Parada Vital, a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente e o Metrô, com patrocínio da Porto Seguro; implantação de mil paraciclos em 2007 (escolas, bibliotecas, parques e órgãos públicos) e outros mil implantados em 2008. Também foram confeccionadas cartilhas educativas para desenvolver trabalho junto aos motoristas de ônibus da capital , trabalho que deverá ser desenvolvido a partir de fevereiro.Além disso, a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, em parceria com o IEMA, está elaborando um Plano Cicloviário para a cidade de São Paulo que prevê a implantação de mil quilômetros de ciclovia num prazo de dez anos, o que mudará completamente a estrutura para uso da bicicleta na cidade. Os 100 primeiros quilômetros deverão ser implantados nos próximos anos. Vários trechos, previstos nos Planos Diretores Regionais, ao longo de Parques Lineares, por órgãos estaduais e sociedade civil, estão já em implantação.Hoje a cidade conta com:

– 19 km de ciclovia em parques municipais (5,5 no Ibirapuera; 2,7 no Anhanguera; 8,2 no Carmo; 2,6 no CEMUCAM)

– 14,8 km em ruas (1,8 na Estrada de Colônia; 6 na Radial Leste; 7 na Inajar de Souza (embora o projeto não esteja totalmente concluído, faltando a sinalização, a população já utiliza esta ciclovia)

– 13,2 km em obras (6,2 na Radial Leste – continuidade dos 6 km já implantados; 7 na Adutora Rio Claro – obra do governo do Estado)

– 51,7 km em projeto, em diferentes etapas (2,2 km em Engenheiro Marsilac; 11,5 km em Ermelino Matarazzo; 3 km em Itaim Paulista, ao longo do Parque Linear do Itaim; 15 km no Butantã – com conclusão prevista para 2010 ; cerca de 5 km em Pinheiros; cerca de 5 km no Jabaquara; cerca de 10 km em Capela do Socorro)

Além disso, a Secretaria está participando ativamente, com o Governo do Estado, do Grupo de Trabalho para implantação da ciclovia ao longo do Rio Pinheiros (40 km) e estuda a implantação de ciclofaixa na Av. Paulista e na Domingos de Moraes”.

Aqui começa a violência

Ponto de ônibus

A violência no trânsito – revelada nos números da CET que você lê logo abaixo – se propaga a partir de atos muitas vezes inocentes como este registrado pelo colega da CBN Fernando Gallo, na rua Desembargador do Vale. Os motoristas que estacionaram seus carros diante do ponto de ônibus desta via do bairro Pompéia nunca pensaram na possibilidade de que o passageiro precisará ficar no meio da rua. E lá, o risco dele ser atingido por um carro, moto ou ônibus é muito maior. Gallo avisa que a prática é comum naquele local.

A violência no trânsito: dados divulgados pela CET, em São Paulo

Mortes no Trânsito Paulistano

Ano Pedestre Motorista/passageiro** Motociclista Ciclista Total
2006 734 283 380 84 1.487 *
2007 736 281 466 83 1.566
2008 (janeiro a outubro) 569 202 386 55 1.212

 

*Em novembro de 2006, houve duas mortes sem o tipo de usuário conhecido pela CET, totalizando 1.487 mortes/ano.

**Motorista/passageiro de automóvel, ônibus ou caminhão (qualquer veículo com 4 rodas ou mais).

Fonte: Gerência de Segurança de Tráfego (GST)/CET