O universo que vibra em nós

Por Beatriz Breves

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Vamos imaginar que a espécie humana, ao longo de sua evolução, não tivesse desenvolvido o sentido da visão. Como perceberíamos o mundo? Como teria se desenrolado a história da humanidade se pudéssemos falar, ouvir, tocar, sentir o paladar e o cheiro, mas jamais enxergar?

Fica difícil imaginar esse cenário porque as pessoas com deficiência visual de hoje vivem em um mundo projetado por quem enxerga. Por isso, aprendem conceitos moldados pela experiência visual. Ainda assim, algumas desenvolvem técnicas próximas à ecolocalização — o mesmo mecanismo usado por morcegos para identificar objetos por meio do eco de sons de alta frequência. Esse fato revela que, mesmo sem a visão, a humanidade encontraria caminhos próprios de desenvolvimento, ainda que muito diferentes dos que conhecemos.

Ampliando esse exercício, no que diz respeito à audição, imaginemos que a espécie humana, que evoluiu percebendo sons entre 20 e 20 mil ciclos por segundo, tivesse adquirido a capacidade auditiva de um cachorro, capaz de alcançar até 50.mil ciclos por segundo. Ou de certas mariposas, sensíveis a frequências que ultrapassam 100 mil ciclos por segundo? Como teria evoluído nossa cultura, nossa linguagem, nosso conhecimento científico, enfim, a nossa percepção de mundo?

Os limites da percepção humana

Não é difícil concluir que cada ser vivo percebe o universo a partir de um campo sensorial próprio, moldado pela evolução. Assim, um cachorro vive na dimensão C; uma mariposa, na dimensão M; e o ser humano, na dimensão H. Essas dimensões não são lugares, mas modos de recortar o real, filtros que determinam o que existe para cada espécie.

A dimensão H, portanto, não é o universo em si, mas um fragmento do que conseguimos captar. A solidez da matéria, a estabilidade dos objetos, a separação entre o visível e o invisível, tudo isso é, em grande parte, uma construção da nossa forma de perceber.

Para tornar essa ideia ainda mais clara, imaginemos o inverso: e se tivéssemos evoluído para perceber diretamente o microcósmico — o domínio quântico, onde partículas, campos e interações fundamentais constituem a base de tudo? Nesse nível, a realidade não aparece como objetos sólidos, mas como oscilações, probabilidades, padrões vibratórios. O quântico não descreve “coisas”, mas processos vibracionais.

Se esse fosse o nosso campo perceptivo natural, a incerteza não estaria no subatômico, mas nas células, nos genes e nos processos internos do corpo. O que hoje chamamos de “material” seria somente uma manifestação ampliada, ou reduzida, de uma realidade vibracional mais profunda.

Assim, quando dizemos que cada espécie vive em sua própria dimensão, estamos reconhecendo que o universo é um só, mas a natureza que cada ser experimenta é profundamente diferente.

Como escrevi em O Homem Além do Homem (2001):

“A dimensão H é o ponto de origem da criação de todas as concepções humanas, ou seja, a matemática, as ciências, a filosofia, os mitos, tudo o que o ser humano concebeu e ainda irá conceber.” (p. 46, RJ: Mauad X)

Cabe ressaltar que, além da dimensão H, observa-se a dimensão h, aquela que, individualmente, cada ser humano, em sua subjetividade, com os recursos que a natureza lhe concedeu, concebe e interpreta a si e o mundo à sua volta.

Essa perspectiva nos leva a compreender que divisões como massa e energia, psíquico e corpo, início e fim, são efeitos da nossa percepção limitada. É a própria evolução humana que cria a fronteira entre o visível e o não visível, o material e o não material, o macro e o microcósmico. 

Do paradigma material ao paradigma vibracional

Frente a essa constatação, a crítica ao paradigma cartesiano‑materialista se torna inevitável. Ele descreve a realidade como composta por entidades separadas, sólidas e independentes, privilegiando aquilo que é mensurável e visível.

O paradigma vibracional, por outro lado, parte da premissa de que a vibração é o fundamento comum a todos os níveis da realidade — seja da ordem quântica, biológica, psíquica ou cosmológica. Enquanto o paradigma materialista fragmenta e reduz o real a objetos isolados, o paradigma vibracional compreende a realidade como um sistema — um conjunto de processos em constante interação — no qual nada existe isoladamente, mas somente em relação, movimento e ressonância.

Sob esse olhar, o ser humano, em seus níveis material e quântico, revela‑se como um complexo vibracional macromicro uno, inteiro e indivisível, uma totalidade à qual não temos acesso direto. Da mesma forma, soma e psique deixam de ser causa e efeito, sendo duas expressões distintas de uma mesma realidade vibratória.

Esse é justamente o princípio que fundamenta a Ciência do Sentir: compreender o sentir como a experiência vivenciada da vibração que somos e com a qual interagimos. Assim, ao acessarmos a totalidade da natureza, não o fazemos pela visão, pela audição ou por qualquer sentido isolado, mas pela capacidade do nosso sistema perceptivo de captar vibrações que se expressam, no sentir, como sensações, sentimentos e pensamentos.

Em última instância, a Ciência do Sentir reconhece que, para compreender a totalidade vibracional que somos, precisamos aprender a sentir o universo que vibra em nós. 

Leia, também, aqui no blog, “A ciência do sentir: uma nova compreensão vibracional do ser humano”

Beatriz Breves é presidente da Soc. da Ciência do Sentir. Psicóloga, bacharel. licenciada com Esp. em Física (FAHUPE). Mestre em Psicologia (AWU/USA). Psicanalista (SBPRJ/IPA). Psicoterapeuta de Grupo (SPAG–E.Rio). Sócia tit. Pen Clube do Brasil. Publicou O Eu Fractal e outros livros, pela ed. Mauad.

Mundo Corporativo: Gabriele Carlos, da Zeiss, diz que a liderança tem de focar nas pessoas

Reprodução do vídeo da entrevista com Gabriele Carlos

“No final do dia, a gente está falando sobre gente. Não dá para fazer negócios se você não olhar para as pessoas que compõem a sua organização.”
Gabriele Carlos, Zeiss Vision Brasil

O caminho de Gabriele Carlos até a presidência da ZEISS Vision Brasil não seguiu o padrão mais comum. Formada em psicologia e com trajetória consolidada no setor de recursos humanos, ela assumiu o cargo de CEO com a convicção de que gestão e resultados só acontecem de forma consistente quando pessoas são colocadas no centro das decisões. Esse modelo de liderança foi tema da entrevista concedida por Gabriele ao programa Mundo Corporativo.

Da gestão de pessoas à presidência

Segundo a executiva, o convite para ocupar a cadeira de CEO veio acompanhado de um reconhecimento: sua inteligência emocional diferenciada. Para ela, liderar é como reger uma orquestra: “Você tem todos os músicos tendo que tocar o seu instrumento e você direcionando qual é o momento que um instrumento entra ou não.”

Ao longo de dez anos na empresa, Gabriele transformou a área de recursos humanos em uma frente estratégica, conectada aos objetivos do negócio. “O nosso propósito como empresa é ajudar as pessoas a verem o mundo de uma forma melhor. Isso não está só no produto que vendo, mas nas interações que tenho com todos os stakeholders.”

Essa mudança se consolidou por meio de práticas que envolveram todos os níveis da organização. Um exemplo foi a jornada cultural, que incorporou os valores da companhia às avaliações de desempenho, remuneração e desenvolvimento dos colaboradores.

Pessoas no centro da estratégia

A CEO reforça que o olhar para gestão de pessoas não pode estar restrito ao curto prazo: “A minha empresa tem 179 anos de existência. Eu estou aqui trabalhando para os próximos 179 que eu nem vou ver.”

Esse princípio também guiou decisões críticas, como na pandemia, quando a ZEISS aderiu ao movimento “Não Demita” e optou por preservar seus talentos. O resultado, segundo Gabriele, aparece em indicadores claros: aumento de engajamento, menor turnover, maior produtividade e inovação.

Comunicação e diversidade como pilares

Além da gestão, a comunicação tem papel central na estratégia da ZEISS. Internamente, reuniões, revistas e pesquisas de clima garantem espaço para ouvir os colaboradores. “Essa conexão precisa ser genuína, tanto do que eu vou fazer como empresa quanto daquilo que o colaborador entende que seria significativo para ele.”

Outro ponto ressaltado por Gabriele é a diversidade. Hoje, o board da empresa no Brasil tem equilíbrio de gênero. Para ampliar a representatividade, a liderança aposta em ações intencionais, como programas e processos seletivos que garantam candidatos de diferentes perfis. “A gente precisa impulsionar reflexões e abrir espaços, seja para fala, discussões ou seleção, para que a diversidade aconteça de fato.”

Educação e saúde visual

À frente da divisão de lentes oftálmicas no Brasil, Gabriele enxerga na educação do consumidor um desafio central: mostrar a importância da saúde visual e do diagnóstico precoce. Muitas vezes, observa, a escolha da armação recebe mais atenção do que a qualidade da lente. “A preocupação deveria ser primeiro com a lente, porque ela é determinante para a saúde visual.”

Para a executiva, esse esforço precisa estar atrelado também à comunicação com médicos, consultores ópticos e à sociedade em geral. O objetivo é reforçar a prevenção em vez de concentrar esforços apenas no tratamento de doenças.

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

No varejo de multicanal os cinco sentidos fazem sentido

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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O programa da NRF-National Retail Federation 2017, uma das mais importantes convenções de varejo do mundo, que será realizada em janeiro, na cidade de New York, reflete o foco atual das marcas comerciais. Tecnologia, internet, omni channel e fidelização de clientes são o cardápio principal.

 

Em uma análise das palestras pode-se a priori deduzir que devido ao surgimento e ao crescimento dos novos canais o espaço e a atenção reservados à loja física estão divididos.

 

Na verdade, há recursos exclusivos para as lojas físicas ainda não totalmente exploradas. Por exemplo, a utilização dos cinco sentidos. Nesse contexto remontamos a 2005 através de Martin Lindstrom e sua publicação de “BRAND SENSE construindo poderosas marcas através do Tato Paladar Olfato Visão e Audição”.

 

Essa obra, baseada na pesquisa da Millward Brown a respeito da ligação entre as marcas e o grau de sensibilidade que despertam nos consumidores, levou empresas a posições invejáveis no mercado. A Singapore Airlines, a Apple e a Disney se colocaram nos três primeiros lugares do ranking elaborado pela Interbrand.

 

A importância de cada sentido é relacionada ao setor em que a marca está relacionada.

 

Perfume, por exemplo, retrata o olfato como primordial; Roupa a Visão e o Tato. Entretanto, em linhas gerais a Interbrand concluiu que 83% das marcas usam a Visão, e 40% dos consumidores focam no Tato. Mas, o fato significativo é que ao usar o segundo sentido a marca cresce 30% e ao agregar o terceiro aumenta 70%.
Assim, se uma loja de roupa, ou de calçado, agregar a à Visão e Audição os demais sentidos –  Tato, Olfato e Paladar –  está armada a estrutura para uma experiência de compra real e emocional.

 

Esclareça-se que o Paladar é efetivado por servir algo que possa se tornar um ícone da marca como uma bebida, um doce ou outra forma de alimento capaz de seduzir e marcar.

 

Portanto, usar os cinco sentidos faz todo o sentido.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.