“A paciência e a constância ganham de uma intensidade”
Viver mais já não é novidade. O desafio, agora, é viver melhor, com autonomia, energia e qualidade de vida ao longo dos anos. Esse equilíbrio passa por escolhas diárias que, embora simples, ainda são negligenciadas por muita gente. O tema foi discutido em entrevista do médico nutrólogo Leonardo Kyrillos ao programa Dez Por Cento Mais, apresentado pela jornalista e psicóloga Abigail Costa.
Logo no início da conversa, Kyrillos chama atenção para uma confusão comum: longevidade não é apenas aumentar o tempo de vida. Ele traz para a conversa dois conceitos que precisam ser diferenciados: lifespan se refere aos anos de vida da pessoa, enquanto healthspan é um termo em inglês criado para descrever o tempo de vida saudável das pessoas. “Um é viver mais por viver; e o outro é viver mais, mas viver bem”.
O básico que muita gente ignora
A ideia de que é preciso recorrer a soluções complexas para envelhecer melhor não se sustenta na prática. Segundo o médico, o caminho está no que já é conhecido, mas pouco aplicado com regularidade. “É uma questão de constância, de repetição, daquilo que a gente já sabe há muito tempo e é simples de se fazer”, afirma.
Entre os pilares, ele destaca alimentação, exercício físico, sono, saúde mental e relações sociais. Há ainda um ponto adicional que, segundo ele, costuma ser esquecido: “eu ainda vou além, eu trago um quarto ponto que é a parte espiritual”.
Essa visão mais ampla ajuda a entender por que muitas pessoas fazem “tudo certo” e, mesmo assim, não alcançam os resultados esperados. Focar apenas em um aspecto — como o peso — pode mascarar problemas importantes.
Peso não é sinônimo de saúde
Um dos erros mais comuns está na obsessão pela balança. Kyrillos alerta que emagrecer não é apenas perder peso. “O emagrecer não é perder peso, o emagrecer é perder gordura”, explica.
Sem acompanhamento adequado, o processo pode levar à perda de massa muscular — um efeito silencioso, mas relevante no longo prazo. “É o músculo que faz a gente levantar da cadeira, que faz a gente escovar os dentes”, lembra.
Proteína, hormônios e o passar do tempo
A partir dos 30 anos, o corpo já começa a mudar. Há uma tendência natural de perda de massa muscular e ganho de gordura. “Meio quilo de músculo que é perdido e 1 kg de gordura que é ganho”, diz o médico, ao explicar o processo gradual.
Esse cenário se intensifica com as alterações hormonais, especialmente entre os 40 e 50 anos. Ainda assim, ele alerta para exageros: “se banalizou um pouco essa questão hormonal hoje em dia”. A recomendação dele é clara: avaliação individual e acompanhamento médico. Nem todo caso exige intervenção.
Sono: o pilar subestimado
Se há um hábito frequentemente negligenciado, é o sono. E o preço aparece no dia seguinte — e no longo prazo: “A privação do sono pode afetar o humor, afeta a memória”, afirma Kyrillos.
Além disso, dormir mal interfere diretamente na alimentação. “Toda noite mal dormida é um dia seguinte em que a gente precisa estar mais atento com o que a gente está comendo”, explica.
O corpo, em busca de energia rápida, tende a preferir alimentos mais calóricos. O resultado é um ciclo difícil de interromper.
Exercício: menos discurso, mais prática
Mesmo com evidências amplas sobre os benefícios da atividade física, a resistência ainda é comum. A estratégia, segundo o médico, é começar pelo possível: “Não importa o que você vai fazer… é a gente começar um novo hábito”, orienta.
As diretrizes são objetivas: exercícios de força ao menos duas vezes por semana e atividades aeróbicas regulares. Um ponto de atenção: o exercício em excesso também pode ser perigoso.
Suplementos e medicamentos: quando usar
Outro ponto que ganhou espaço recente é o uso de suplementos e medicamentos para emagrecimento. Kyrillos reconhece avanços, mas faz um alerta importante: “o suplemento está lá para suplementar algo que falta. Se não falta, não preciso”, resume.
Sem indicação adequada, o uso pode ser ineficaz ou até prejudicial. Em alguns casos, o excesso pode levar a intoxicações e outros problemas de saúde.
Pequenas mudanças, efeitos duradouros
Ao fim da conversa, o médico retoma uma ideia simples, que atravessa toda a entrevista: não é preciso reinventar o caminho. Começe hoje, com pequenas mudanças, e sustente esse processo ao longo do tempo: “O hoje sempre vai ser o melhor momento pra gente ter uma mudança”, conclui.
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