Por Abigail Costa
Na sexta-feira, por conta da morte de Zé Rodrix, foi marcada uma entrevista com Ronnie Von. O momento era de tristeza, claro. Mas existia uma ternura nas palavras do Ronnie falando do amigo que o ambiente ganhou leveza.
Chamou-me atenção uma frase dele se referindo ao cantor-compositor-instrumentista-arranjador-publicitário-autor:
– Esse cara, eu escolhi para ser meu irmão!
Caramba! Que forte isso.
Desfrutar da companhia de alguém por décadas, alguém escolhido a dedo;, e em quase 50 anos de amizade, falar isso com a mais pura admiração. Não pela fama, pelas composições ou pelos prêmios conquistados. Falar pela gratidão da amizade. E olhe que a referência aqui são dois homens, senhores de 60 e alguns anos.
Ter alguém que se importe com você.
Ronnie lembrou as boas cobranças:
– E aí meu irmão, já fez o check-up, dizia Zé ?
Ouvi atentamente o amigo-irmão falando do outro por mais de uma hora. Agradeci a entrevista e nos despedimos.
Levei a frase na cabeça: “escolhi esse cara para ser meu irmão”.
Enquanto pensava, contava: Quantas pessoas elegi como parente? E quantas ainda se sustentam no poder? Não tive dificuldades em fechar a soma.
Colegas, companheiros, parceiros, esses entram e saem na vida da gente durante quase todo o tempo. Mas, “Os Caras” ? Esses são raros, poucos e bons.
Depois de puxar o traço, me dei conta de um resultado que me enche de orgulho. Eles não chegam a dois dígitos se pensarmos na quantidade. Mas em qualidade não tenho do que me queixar.
E você? Quantas pessoas fazem parte da sua família, por livre e espontânea vontade?
Abigail Costa é jornalista, escreve no Blog do Milton Jung às quintas-feiras e sabe o valor de uma amizade
