Conte Sua História de São Paulo: comprava meia bengala na padaria do Aricanduva

 

Por Carlos Humberto Biagolini
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Ouvia o programa na CBN e escutei a história de um ouvinte que comprava meia bengala. Pois bem, eu também sou dessa época. A padaria onde minha mãe comprava pão ficava no Jardim Aricanduva, na avenida Rio das Pedras, na zona leste. Além da meia bengala, lá comprávamos, também, meio litro de leite. Você levava a garrafa de vidro e o balconista tirava uma tampinha feita em alumínio, e despejava meio litro de leite na sua garrafa. Tudo no olho, colocava uma garrafa ao lado da outra e dividia o leite.

 

Outra lembrança que tenho daquela época: onde temos o piscinão do Aricanduva havia uma linda lagoa. Linda mas perigosa pois a garotada da época, inclusive eu, gostava de dar uns mergulhos por lá. E o risco era grande: infelizmente, lembro de alguns que morreram afogado.

 

No córrego Aricanduva, nos anos de 1960 e começo de 1970, havia pequenos peixes que pegávamos com uso de peneiras. Todo o lado ali da Avenida Aricanduva, onde está o shopping, era uma enorme área verde. O bairro desenvolveu primeiro o lado oposto ao shopping. Então, nesta área verde tinham muitas espécies de aves. Passarinhos lindos eram vistos por lá. Depois com o crescimento do bairro, essa reserva verde foi se acabando até chegar no que é hoje.

 

Sem dúvida, muita coisa mudou por lá. Até o rio Aricanduva. Acredite: ele corria exatamente onde é a pista sentido São Mateus e foi refeito ao lado para permitir a construção da avenida.

 

Se até o rio muda, porque eu não mudaria, também.

 

Carlos Humberto Biagolini é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também a sua história: escreva para milton@cbn.com.br. sg

Conte Sua História de SP – 462 anos: uma pipa nas manhãs de sábado

 

Por Luiz Silva

 

 

Em 1970, éramos adolescentes e morávamos no bairro da Cidade A. E. Carvalho, zona leste de São Paulo. Nosso passatempo favorito era confeccionar e empinar pipas, nas manhãs de sábados. Nosso encontro aconteciam na entrada da casa do meu amigo Israel. O ritual alegre era acompanhado pela garotada da periferia que tentava descobrir como fazer belas e multicoloridas pipas.

 

Tudo era feito com muita descontração, desde o preparo da cola com farinha de trigo, que eu levava de casa e exigia muito esmero para não sujar o belíssimo fogão da dona Ondina, mãe do Israel. As folhas de papel de seda eram da lojinha da dona Matilde, escolhidas cuidadosamente entre as diversas cores dispostas na prateleira.

 

Existia um momento que exigia grande concentração, era quando começávamos a “afinar” as varetas retiradas do bambu do varal de roupas da dona Ondina. Nesse momento, até que adquirisse destreza com a afiadíssima faca dialogávamos sobre as novas namoradinhas, os estudos no Ginásio Estadual Cidade de Hiroshima, que localizava-se em Itaquera e sobre o serviço como Office-boy numa Cia. de Seguros no centro de São Paulo.

 

O grande prazer completava-se por estar ao lado do amigo que não via há uma semana e poder detalhar o perfil da nova namorada que trocávamos assim como éramos trocados freqüentemente.

 

Às vezes, éramos obrigados a abandonar nossa área de lazer momentaneamente, pois dona Ondina queria varrer a mesma, o que ocasionava um tempo de espera encostados no velho carro Ford semi-desmontado pelo Sr. Luis, pai do meu amigo, que era mecânico. Nesse momento passava o Zé Roque, irmão do meu amigo e parava na nossa frente com algumas peças de televisão na mão, pois o mesmo tinha uma oficina de conserto no quintal, e ficava zombando da nossa capacidade de confeccionar pipas. Gargalhadas espalhadas pelo ar entrecortadas pelos raios de Sol da bela manhã de sábado completava a nossa felicidade com a chegada do Lalá que com seu tradicional assobio chamando sua namorada que era a irmã do Israel. Saía toda perfumada, sorrindo e pisando cuidadosamente sobre os pipas para não amassá-las. Abraçavam-se carinhosamente e nós abaixávamos a cabeça concentrados na confecção da nossa namorada, que era a pipa.

 

Olhávamos o céu azul e a nossa maior preocupação era com o vento. Entre a confecção das pipas e a eterna paciência em fazer aquelas “rabiolas” quilométricas, molhávamos o dedo com saliva para saber qual a direção que o vento soprava e sua intensidade.

 

Dessa maneira tínhamos uma vaga noção por onde nossas pipas e nossos pensamentos voariam.

 

O vento da periferia sempre era bondoso conosco e jamais deixava de soprar aos sábados de manhã. Às vezes trazia o aroma agradabilíssimo do café coado pela dona Ondina, em xícaras de porcelana pelo Lalá e sua linda namorada. Sempre sorrindo e desejando-nos bons ventos.

 

Talvez por não existirem prédios, o vento soprava uma agradável brisa, na quantidade exata às nossas expectativas e aos nossos sonhos de adolescente, e soprava em quase todas as direções.

 

Fazíamos as pipas com perfeição e elas raramente deixavam de voar. Tínhamos uma brincadeira maravilhosa que consistia em dar nomes às nossas pipas e geralmente ganhavam nomes da última namorada e assim que o mesmo ganhava o céu ficávamos imaginando subir junto com eles e ficarmos olhando lá de cima tudo o que tinha acontecido, acontecia ou iria acontecer no nosso querido bairro Cidade A. E. Carvalho.

 

Havia sábados em que o vento soprava em direção ao bairro de Itaquera e nossos pensamentos avistavam cenas indescritíveis. Lá de cima podíamos avistar a padaria com sua enorme máquina de assar frangos, pessoas saindo com saquinhos de pães, carros com o volume do rádio um pouco acima do normal, tocando músicas de Roberto Carlos, Caetano Veloso, Beatles e Morris Albert cantando “Fellings”. Olhando atentamente poderia observar minha caixa de engraxar sapatos que outrora colocava em frente à padaria e ficava aguardando pacientemente os fregueses.

 

O ponto de ônibus em frente à padaria, e motoristas e cobradores sorrindo entre um gole de café, uma coxinha comida e um cigarro aceso. Pessoas entrando pela porta traseira e o ônibus saindo vagarosamente com motoristas com óculos escuros acenando aos companheiros com destino à Praça Clovis Bevilaqua. Viagem longa que nossas pipas não conseguiam acompanhar.

 

Observava crianças correndo alegremente, pelo pátio da escola Milton Cruzeiro durante o recreio e o ônibus Mogi-Parque D.Pedro II que passava em alta velocidade deixando-nos atônitos.

 

O vento mudava um pouco a direção e de lá de cima enxergava minha mãe e outras mães do bairro lavando roupas na mina e conversando sobre o sofrido cotidiano. Enquanto as roupas eram quaradas pelo tempo, trocavam receita de bolo e reclamavam do custo de vida que já naquela época fazia-se presente.

 

Eis que a pipa e os nossos pensamentos pairavam sobre a igreja do bairro e podíamos deliciar-nos com a tradicional quermesse que recebia as meninas com seus cabelos cortados “à Chanel”, devidamente arrumados com “laquê”, e trajando lindos vestidos rodados coloridos; e os meninos usando calças “boca de sino” com cintura alta, parecendo um toureiro da periferia, e suas inconfundíveis camisetas “volta ao mundo” ou “gola olímpica”.

 

Sentia o aroma dos bolinhos caipiras preparados pelas mães do bairro e avistava barracas coloridas, que ajudávamos a montar, que abrigavam diversos jogos e vendas de guloseimas. As meninas eram vigiadas constantemente pelas mães ou irmãos que não permitiam beijos ou abraços, o máximo era uma piscada bem longe dos olhos severos dos pais de antigamente.

 

O alto-falante sussurrando uma inaudível música de Nelson Ned entrecortada pela voz rouca do amigo Israel que era o locutor oficial da quermesse, anunciando o início do jogo de bingo que jamais conseguira ganhar, completava a paisagem.

 

O barulho estridente do trem que fazia o trajeto Brás-Mogi das Cruzes afastava os namorados que trocavam presentes na véspera do Natal.

 

O vento começava a parar de soprar e era hora de recolher as pipas, nossas imaginações e nossos sonhos e retornar às nossas casas, depois de um abraço e um aperto de mão. Estávamos novamente na terra e ficávamos torcendo para que a semana passasse rápido e o vento mudasse de direção para que pudéssemos nos encontrar e avistar novos lugares e acontecimentos do pacato bairro da Cidade A. E. Carvalho.

 

Um passado não muito distante que ganhara as alturas através da nossa criatividade e amizade sincera, que deixou muitas saudades de um tempo em que dávamos vazão a nossa imaginação de adolescente, através de uma pipa.

 

Uma pipa nas manhãs de sábados.

 

Esta é uma pequena homenagem ao meu amigo Israel Brienzo que faz uns 30 anos que não vejo. Soube que anda morando lá pelas “bandas” do Norte do Paraná. Abraços, amigo, e saiba que até hoje me lembro das lindas namoradas e pipas que tanto empinamos juntos.

 

Luiz Silva é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A narração é de Mílton Jung e a sonorização do Cláudio Antonio. Conte sua história da cidade: envie seu texto para milton@cbn.com.br

Conte Sua História de SP: da Vila Mariana ao Jabaquara

 

Por Regina Amelio

 


 

 

Nasci e cresci em São Paulo; da Vila Mariana, passando pela Z.L., fixando-me no Jabaquara. Levada por minha família, dividimos com mais de 11 milhões de habitantes o pão que o padeiro amassou e a carne e o sangue do gado que repousou fria nos açougues paulistanos. Aqui respirei o aroma dos eucaliptos do ar do parque  da Água Branca, brinquei no  da Aclimação e conheci girafas, tigres, ursos, macacos, cobras e hipopótamos no Zoológico da cidade. 
 

 

Adolescente, áurea época do rock nacional, fui a todos os shows do Teatro Brigadeiro. Espremia-mo-nos à porta de vidro, colando os ouvidos nas caixas acústicas do palco para ouvir o que não tocava na rádio como o do Recordando o Vale das Maçãs, Made in Brasil e o melhor de todos os acordes do guitarrista Liminha…hello crazy people!
 

 

Na parede da memória a cena dominical insiste na epifania nada cristã: nossa missa era no Verde, assim batizado por nós o parque próximo ao palácio do Governo, no Morumbí. Eu e meu bando de moleques cabeludos, que segundo minha mãe fumava um cigarro cheirosinho, embarcávamos no coletivo, que naquela época era só um ônibus, rumo ao Parque Real, e lá, de grátis, ouvíamos todos os cobras da MPB, dos mineiros do Clube da Esquina, passando pelos paulistanos do Premê, os Novos e velhos Bahianos, até os cariocas buarquianos. Orra meu!!!!, que demais!!!!
 

 

Na PUC, Nicolau Sevcenko falava dos Beatles e, no Pátio da Cruz,  cruxificávamos a ditadura em nome da LIBERDADE E LUTA. Com os mesmos cabelos e cigarros, meu bando agora era LIBELU. Nas ruas e praças da supercap cantávamos e brincávamos de roda pelas DIRETAS JÁ, fazíamos boca de urna para o operário, mas, antes disso, já havíamos votado no Juruna…tudo gravado em K7. Tivemos aqui a nossa Luísa e a educação ganhou o melhor presente de todos: Paulo Freire.
 

 

Casei-me, tive filho, que arrastei a toda programação dos Sescs, principalmente o Pompeia (acho que agora sem acento), teatros e bibliotecas. Um belo dia, entrei na conversa da vida bucólica do interior e para lá parti. Acostumada às ruas, às manifestações, a tudo de bom e de ruim que a modernidade nos proporciona não consegui acostumar-me á vida do quintal dos fundos, regada a cerveja e churrasco com os amigos da maternidade…nem mesmo fui acolhida…busquei lá minha filha mais nova e voltei para casa.
 

 

De volta ao lar, dei-me ao luxo de dialogar dentro e fora dos muros da melhor universidade da América Latina, com Graciliano, Jorge, Bandeira, Andrades, Cecílias, Clarices…..em aulas conduzidas não por Platão, mas pelo grande e genial Alfredo Bosi.
 

 

Cá estou e, se não me casar novamente, ao menos comprarei uma bicicleta, pois aqui tem ciclovias à vontade….e prostitutas, gays, trans, homo, lésbicas, homens, mulheres…. 
 

 

E só para terminar essa declaração de amor: hoje fiquei 2h30′ no trânsito da avenida Rebouças, pura angústia. Enfim, dei-me conta de que estou em São Paulo, que, em contrapartida, tem Bienal do Livro, de Artes, Teatro Municipal, Casa Mário de Andrade, Roteiro Modernista, Pátio do Colégio, Sala São Paulo, Parque Ibirapuera, ciclovias, CBN, USP, homens lindos de terno e bolsa cruzada nas costas, Casa das Rosas, Centro Cultural Vergueiro, Praça da Sé, gente de todos os estados…enfim, o mundo é aqui. AMO DE PAIXÃO ESSA MINHA CIDADE!

 


O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, aos sábados, logo após às 10h30 da manhã, no programa CBN SP, da rádio CBN. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você pode participar enviando texto para milton@cbn.com.br

Conte Sua História de SP: pensei ouvir a voz de amigos do Tatuapé

 

Por Maria Dulce Brito Gomes
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Em 1967, chegamos a São Paulo vindos de Araraquara. Meu pai, gerente do Banco de São Paulo, fora transferido para exercer um cargo de direção. E nós, quatro irmãos e mamãe, nunca imaginávamos morar na capital. Lá no interior, vivíamos em prédio do próprio banco – grande edifício dos anos 1950 com sacadas nas janelas do segundo andar e um quarto para cada filho. Tinha sala de jantar, de visitas e cozinha. Um luxo. Aqui a vida não seria mais a mesma; e se transformou radicalmente.

 

Meu pai alugara um sobradinho na Rua Bento Gonçalves, no Tatuapé, zona Leste, e para cá viemos assustados com a cidade grande. Dois quartos apenas, uma salinha e uma cozinha. Mas um quintal que nos afagava as lembranças de grandes espaços. A rua era uma descida de terra que chegava à Marechal Barbacena tão esburacada que o lixeiro recolhia o conteúdo dos nossos latões fazendo malabarismos com a carroça puxada a cavalo.

 

De manhã vinha o verdureiro. Era um alemão muito vermelho que manobrava o carroção atrelado a um enorme burro. Sr João, o verdureiro, trazia imensos caixotes de madeira repletos de couves, nabos, rabanetes, alface, limões e tudo o que ele mesmo plantava em uma das muitas chácaras da Rua Itapeti. Não havia ainda arruamento e, quando íamos ver as chácaras, era uma delícia percorrer as alamedas de brócolis, repolhos e almeirão – sem cercas, sem portões. Sr. João tinha mãos enormes, e nós, crianças, corríamos atrás da carroça pedindo ora uma banana, ora uma laranja. Ele, conduzindo o carroção, estancava o burro em frente a uma casa e distribuía as bananas despencadas ou as laranjas. Era nossa felicidade. Enchíamos os bolsos e lá íamos saborear as frutas na pracinha da Barão do Cerro Largo.

 

Certa vez, asfaltaram a Rua Bento Gonçalves. O Serviço de Águas e Esgotos implantou a rede coletora e abriu crateras imensas que demoraram a ser fechadas. Com o asfalto vieram as disputas de rua. Aos domingos, meus irmãos competiam com os amigos e os carrinhos de rolimã, fabricados, em casa mesmo, com uma tábua de caixote e uma trava horizontal. As rodas de rolimã sulcavam a frenética descida do negrume até o fim da rua e o breque era o próprio calçado que voltava irreconhecível. Eles subiam lentamente a Bento Gonçalves arrastando a geringonça para depois começarem a louca descida. Quantos arranhões, tombos, unhas despedaçadas! Nada que os impedisse de no próximo domingo estar de novo com a molecada.

 

Nos feriados, o barato era caçar passarinhos no “Matão”, como era chamado o bairro Anália Franco. Nenhuma casa ou edifício, apenas uma matinha densa repleta de pássaros: coleirinha, tico-tico, canários da terra. Era armar a arapuca e engaiolar os pobres para que cantassem no nosso quintal.

 

À tarde de domingo, nos reuníamos na sala para assistirmos à luta–livre no Canal 9. Ted Boy Marino, Fantomas, Índio, e tantos outros nos faziam gritar até à rouquidão numa torcida pelo “bonzinho” para que massacrasse o “mau”. Custamos a crer que o “sangue” era apenas groselha, como desmarcarava a farsa, meu Tio Benedito.

 

Hoje passei pela Praça Sílvio Romero, subi a Tuiuti e cheguei ao bairro Anália Franco. Só o Colégio Ascendino Reis, onde estudamos todo o ginásio e o colegial continua por lá, além da Padaria Lisboa. Antes, grandes glebas distantes, hoje, edifícios, muito progresso e luxo. Antes, o ruído das brincadeiras infantis e a presença daqueles amigos queridos: Nilson, Terezinha, Jer, Pepino, Cabeção, Batata, Camula e tantos outros. Voltei com a sensação de que ainda poderia ouvir aquelas vozes, encontrei apenas lembranças, pois algumas se calaram para sempre.

 

Maria Dulce Brito Gomes é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Já você é nosso convidado para comemorar os 461 anos de São Paulo. Envie agora seu texto para milton@cbn.com.br e participe da programação especial que está sendo organizada pela rádio CBN.

Conte Sua História de SP: a bicicleta do meu pai

 

No Conte Sua História de São Paulo, o texto de ouvinte-internauta Ademir Silva:

 

 

Nestes tempos em que se fala em mobilidade quero contribuir com a história (verídica) que vivi. No ano de 1958, nos mudamos do Tatuapé para a Vila Carrão, porém eu continuava estuando no Educandário Espírito Santo – colégio de freiras no Tatuapé, zona leste. Meu pai, Antonio Pinheiro da Silva, me levava ao colégio de bicicleta e depois seguia para o trabalho, pois ele era mestre de obra.

 

Lembro-me que durante mais ou menos oito meses, ele seguia do Tatuapé até o largo de Pinheiros de bicicleta, pois para custear meus estudos e sustento isso se fazia necessário. Ele sempre comentava que a maior dificuldade era a subida da rua da Consolação.

 

Nunca escutei qualquer reclamação por parte dele, e olhe que não existiam as grandes avenidas tais como Radial Leste e 23 de Maio. Nem mesmo as tais ciclovias.

 


Ademir Silva é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Participe com as suas histórias da cidade de São Paulo enviando seu texto para milton@cbn.com.br ou agende entrevista no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net.

Conte Sua História de SP: o nosso apartamento da Cohab

 

Por Maria Claudia Oliveira Paiva
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Meus pais se conheceram em Minas Gerais. Se conheceram em um conservatório de música (sim, a arte os uniu), decidiram se amar e vieram tentar a vida em São Paulo. Morei primeiro em Higienópolis, por pouco tempo, era muito pequenininha, e em seguida fomos morar no bairro Alto da Mooca, zona leste. Tenho lembranças maravilhosas desse tempo. Apesar das dificuldades, da vida simples, naquela época eu e meu irmão brincávamos muito na rua, andávamos muito de bicicleta na pracinha que tinha próximo de casa. Meu pai era taxista e minha mãe, costureira.

 

Cresci ouvindo clássicos da música erudita por influência do meu pai. Foi por causa dele, também, que conheci o grande compositor e violonista Dilermando Reis, bem como o compositor e mestre do cavaquinho Waldir Azevedo.

 

Em um dia triste do mês de fevereiro, numa dessas fortes chuvas de verão, a parede da cozinha de nossa casa veio abaixo. Me lembro que estávamos todos juntos, minha mãe costurando, meu pai ouvindo música, eu e meu irmão brincando na mesa. Nos hospedamos de forma provisória na casa da dona do imóvel, que morava na frente, mas em pouco tempo nosso apartamento da Cohab foi liberado, e fomos morar em Itaquera, também na zona leste.

 

Lá vivi dos 7 aos 25 anos, no Conjunto Habitacional José Bonifácio. Foi a época mais marcante da minha vida, pois ali passei da infância para a adolescência, e desta para a idade adulta. Em nosso prédio aconteciam muitas festas para as crianças: dia das mães, dia dos pais, festa junina, Natal, ano novo. Um dos moradores tinha uma das paredes de seu apartamento tomada por caixas de som. Seu apelido era Deca. Nós ficávamos ansiosos esperando: “hoje o Deca vai descer o som!”. E a festa rolava até tarde. Os vizinhos não reclamavam, pois era um ambiente muito familiar.

 

Primeira surra (sim, apanhei em pleno ano novo por ter passado a noite inteira passeando pela Cohab com um namoradinho), primeiro namorado, primeiro emprego, faculdade. Minha formação aconteceu ali e até hoje guardo essas boas lembranças, inclusive das várias amizades que fiz.

 

Mas minha paixão mesmo é pelo centro de São Paulo. Quando comecei a trabalhar no Banco Real, primeiramente na Rua Benjamin Constant, do lado da Praça da Sé, e depois na Rua Boa Vista, eu fui apresentada a esse lugar delicioso. Me lembro que os happy hours de sexta-feira eram sagrados. Eu e minhas amigas explorávamos cada canto, cada bar, cada boteco, em busca de uma boa conversa, uma cerveja gelada e uma boa paquera.

 

Hoje, continuo explorando esse lugar, mas com um olhar diferente. Hoje eu observo mais as pessoas, seus estilos, a arquitetura dos edifícios e das casas, a arte e a manifestação cultural nas ruas….. Tanta coisa boa que muita gente deixa de conhecer, pois preferem ficar fechadas dentro de um shopping center.

 

Irei comemorar mais um aniversário de São Paulo, mas desta vez será especial. Conheci pela internet uma moça que mora em Governador Valadares/MG. Tenho parentes lá e me lembro de ter ido conhecê-los quando eu era muito pequenininha. Essa moça, chamada Dayse, me ajudou a encontrar meus parentes que havíamos perdido contato há mais de 3 anos. Ela virá conhecer São Paulo e ficará alguns dias hospedada na minha casa. Irei mostrar a ela um pouco da cultura, da beleza e das mazelas dessa nossa cidade, inclusive irei levá-la para conhecer um lugar que sempre me leva às lágrimas quando vou: a Sala São Paulo.

 


Maria Claudia Oliveira de Paiva é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte a sua história aqui na CBN, escreva para milton@cbn.com.br. Melhor ainda, grave em áudio e vídeo lá no Museu da Pessoa. E só agendar pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net e já sai de lá com um DVD em mãos.

Conte Sua História de SP/460: Itaquerão, no olho d’água da Pontinha Preta

 


Por Marcos Falcon
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 


 

 

Ao passar por áreas reurbanizadas da nossa São Paulo, por edifícios importantes e marcantes de nossa cidade, sempre me pergunto: como deveriam ser esses lugares antes? Quem morava nessa região? Como era a topografia, a vegetação…? Enfim, o que existia por aqui?
 

 

Tendo o privilégio de nascer em Itaquera, na zona Leste, e ter vivenciado toda a transformação do local onde hoje está sendo construído o Itaquerão, julguei por bem deixar registradas aqui respostas às perguntas acima, para que um dia algum curioso ou pesquisador possa usá-las.
 

 

Vamos lá… Na década de 50, havia uma grande área que se estendia da Vila Corberi, em Itaquera, até as proximidades da estação da Central do Brasil, em Artur Alvim. Do lado direito, fazia fronteira com a linha do trem, e do esquerdo, com o bairro Cidade Líder. Uma área de aproximadamente 25 mil metros quadrados, que pertencia ao IAPTEC (Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Estivadores e Transporte de Carga). Toda a sua extensão era plantada com eucaliptos, e por isto ficou popularmente conhecida como “Calipal”.
 

 

Calipal… quanta saudade guardo desse espaço… Para nós, crianças, parecia tão imenso que seria impossível atravessá-lo de um lado a outro sem se perder, ou sem correr o risco de ser vitimado por uma onça, um leão, que os pais garantiam existir ali, só para que não nos aventurássemos em suas profundezas.
 

 

O Calipal sempre foi o campo de batalhas das turmas de garotos de diferentes vilas, pois nenhum moleque ousava entrar lá sozinho – de modo que as peregrinações eram feitas em bando. Quando as turmas se encontravam, a maior tratava logo de fazer correr a menor, e ali eram ocorriam grandes disputas de estilingue entre os garotos do Falcão do Morro, do Serrana e da AE Carvalho.
 

 

Dois córregos cortavam nossa floresta: o Areião e o Pequeno. Areião tinha esse nome porque sua formação era muito diferente dos demais córregos. Ele tinha pouca profundidade, algo em torno de 15 centímetros, mas uma largura de mais de 5 metros. Seu fundo era formado por uma espessa camada de areia amarela. Alguns moradores retiravam, diariamente, dezenas de caminhões de areia apenas na base da pá. Entre eles, destacava-se o Dodô. Negro forte, corpo de halterofilista, corintiano roxo e o melhor tocador de contra-surdo da Escola de Samba do Falcão do Morro.

 

Embora menor, o Córrego Pequeno é mais importante para esta narrativa, principalmente sua nascente: a Pontinha Preta, um local mágico, que marcaria a vida de todos os garotos de Itaquera e região. Tratava-se de um pequeno lago de águas cristalinas, e foi nosso clube privado, onde todos nós aprendemos a mergulhar e a nadar, exatamente nesta ordem. O nome Pontinha Preta foi dado em função do fundo do lago ser formado por argila negra – ao primeiro mergulho, suas águas cristalinas tornavam-se turvas, da cor do carvão. Era uma delícia nadar por ali e, após alguns mergulhos, deitar no gramado que a margeava, curtir o sol batendo papo, contando vantagem entre os garotos.
 

 

Em certa oportunidade, fomos até ali numa turma de uns cinco garotos. Lembro que lá estavam o Giba, o Clóvis, o Alemão, eu e mais alguém, de quem agora não me recordo. Era fim de semana, provavelmente domingo. Todos nós tomávamos banho pelados, pois não poderíamos chegar em casa com roupa molhada ou suja, para não denunciar nossa façanha. Meu pai sorrateiramente nos descobriu lá e tratou de apanhar todas as nossas roupas, levando-as embora. Os garotos imploraram para o seu Antônio devolver, não teve jeito. Já que havíamos sido descobertos e estávamos sem roupa, só nos restava continuar nadando até o fim do dia.

 

Mas chegou a hora de ir para casa. Como passar pelado por toda a Vila Corberi? Logo iria escurecer, e não tínhamos coragem de atravessar o Calipal no escuro, pois os leões e onças atacavam durante à noite. A salvação foram as bananeiras do brejo e suas belas e grandes folhas espalmadas. Cada moleque arrancou duas ou três folhas de banana e com elas tapando a frente e a traseira, fomos embora sendo alvo de gozação por onde passávamos.
 

 

Ali pesquei o meu primeiro lambari, com uma vara de galho de eucalipto, linha de costura e anzol feito de alfinete de cabeça. Muitas cobras habitavam a região para se alimentarem das rãs que lá viviam. Num fim de tarde, muitos anos depois, fui lá com meu sobrinho Rafael, caçar borboletas para a coleção que ele estava preparando, para a feira de ciências do Liceu Camilo Castelo Branco. Distraídos e olhando apenas para o alto à procura das borboletas, fomos surpreendidos pelo guizo de uma enorme cascavel, que estava de espreita no trilho, no meio do sapezal. Foi um baita susto, quase pisamos na cobra. Quando ela ergueu a cabeça para dar o bote no Rafael, sem pestanejar enfiei o cabo do coador de borboleta no meio da víbora. Rafael não levou borboleta para a feira de ciências, e sim a cobra exposta em um grande vidro com formol. Foi o maior sucesso daquela exposição.
 

 

No início da década de 70, teve início a construção da primeira Cohab em Itaquera, e nossa floresta encantada foi derrubada para a construção dos apartamentos populares entre Artur Alvim e Itaquera. Toda a área foi alvo de terraplanagem, sem a preservação dos pequenos córregos e da Pontinha Preta.
 

 

Para atender ao crescimento da população de Itaquera com transporte de qualidade, surgiu a Radial Leste, e foi construída a Estação Corinthians do Metrô. Em seguida, Itaquera ganharia seu grande shopping, que também foi edificado ali. A pedreira de Itaquera, que deu nome ao bairro (pedra dura em tupi-guarani) e que forneceu as pedras para a construção da Catedral da Sé, foi desativada e soterrada na mesma época.
 

 

Nos dias atuais, tenho passado pelo local rodando sobre as pistas da Radial Leste. Fica claro para mim que a área não era tão grande assim. Que seus limites não eram tão distantes e inalcançáveis. Pude perceber como é florida a imaginação das crianças. Como foi bom ser criança ali e desfrutar daquele lugar.
 

 

Na semana passada, parei bem em frente à obra do Itaquerão e me permiti meditar sobre como era o lugar antes. Olhei o entorno, a linha do trem, o Morro do Falcão, consultei o meu “Google Maps” imaginário e tive certeza absoluta: o centro do gramado do Itaquerão é exatamente no olho d’água da Pontinha Preta.
 

 

Agora por ali irão desfilar muitas cobras, peixes, gaviões, vindos de todas as partes do mundo, para brincar com o que mais gostamos: jogar futebol nos gramados da Pontinha Preta… quero dizer, do Itaquerão.
 

 

Marcos Falcon é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. O texto completo você lê no meu blog, o Blog do Mílton Jung. Conte mais um capítulo da nossa cidade: mande seu texto para milton@cbn.com.br. Ou marque uma entrevista em áudio e vídeo pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net.
 

Conte Sua História de SP/460 anos: construímos nossa vida na Zona Leste

Por Cláudia Elisabete da Silva
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 


             

 

                                                                         
Às sete horas anunciei que estava para chegar, mas minha mãe não entendeu que meu dia havia chegado. Às sete horas os trabalhadores já estavam na luta, de trem, de ônibus, sonhando nos “enlatados” com o metrô em construção que, um dia, iria encurtar as distâncias para todos – ou para alguns privilegiados lá da zona sul. Só o tempo diria, já que até hoje o metrô não atende a toda a cidade. Meu pai e nosso tio já haviam saído para seus respectivos empregos. Minha mãe, no entanto, não quis incomodar ninguém, e ficou ali, sofrendo sozinha, achando que eu poderia esperar mais um pouco. A coisa foi ficando apertada e em pouco tempo não foi mais possível segurar. Ela chamou minha tia, que morava no mesmo terreno, na casa da frente. A tia, recém-chegada na Paulicéia, não sabia nem por onde começar.

 

“Um táxi, tia, chame um táxi lá na Itinguçu”, minha mãe pedia. Morando na Vila Ré, cujas ruas ainda estavam sendo asfaltadas, essa era a única forma de tentar chegar a um hospital em tempo suficiente para que eu não viesse ao mundo no meio da rua, em meio a essa gente apressada, correndo para o que der e vier, como diria a canção de tom entusiástico e em ritmo acelerado – “vambora, vambora, olha a hora”…

 

São Paulo não podia parar: este era o mote lá no início da década de 1970, quando vi a luz, só por volta das cinco da tarde – na hora do “rush”, da volta para a casa, tinha que ser! O hospital ficava na Avenida Celso Garcia, a alguns metros do Parque São Jorge – o destino já estava traçado: mais uma corintiana na face da Terra!

 

Aprendi a ler antes de frequentar a escola, decifrando os outdoors do corredor Radial Leste-23 de Maio-Rubem Berta, que percorríamos semanalmente, eu, minha mãe e meu pai, para visitarmos os parentes no Jabaquara. Tentamos morar nesse bairro em 1979, mas não aguentamos mais do que nove meses, por causa do barulho dos aviões que decolavam e aterrissavam em Congonhas. Voltamos para a zona leste, onde construímos nossas vidas ali, na região da Penha, um dos bairros mais antigos da capital, antigo lugar de peregrinação à igreja do século XVII que abrigava a santa padroeira da cidade. A Penha era o centro comercial para toda aquela gente que, quando era preciso “ir à cidade” (o Centro Velho), dependia exclusivamente dos ônibus que seguiam, demoradamente, pelas avenidas Amador Bueno da Veiga, Celso Garcia e Rangel Pestana.

 

Nos anos 1980 veio o metrô, que facilitou a vida dos trabalhadores e estudantes da região. Fui fazer o 2º grau no Tatuapé, e foi então que a cidade começou a se descortinar diante dos meus olhos.  Centro velho, República, Anhangabau, 24 de Maio e Barão de Itapetininga, com suas livrarias e lojas de discos, as galerias Barão e “do Rock”, os cinemas, as lojas de pedras brasileiras, os prédios da virada do século XIX para o XX.

 

Entrei na USP para estudar História e venho testemunhando da janela do ônibus as transformações da rua Augusta ao longo dos últimos 20 anos; trabalhei no Museu Paulista (vulgo Museu do Ipiranga), onde pisei pela primeira vez ainda criança, levada pelo meu pai; fiz alguns freelancers na região da Santa Cecília, Higienópolis, Perdizes e Lapa. Pesquisei nas bibliotecas da São Francisco, na Mário de Andrade, nos arquivos Municipal e do Estado, e tornei-me uma professora absolutamente apaixonada por São Paulo e sua história. Hoje, e já há alguns anos, tenho a sensação de que São Paulo precisa parar de crescer, para que a verdadeira cidadania seja conquistada por todos. Apesar de tudo, posso dizer que não saberia viver noutro lugar.

 


Cláudia Elisabete da Silva é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você mais um capítulo da nossa cidade. Mande seu texto para milton@cbn.com.br ou agende entrevista no Museu da Pessoa, pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Conheça outras histórias de São Paulo no meu blog, o blog do Mílton Jung

Conte Sua História de SP: diversão no cinema do bairro

 

Carlos Antonio Nóia de Sousa, nascido em 1960, na capital paulista, é o personagem do Conte Sua História de São Paulo. Filho de alagoanos, foi criado no bairro da Penha, na zona leste, e em depoimento ao Museu da Pessoa, lembra que na São Paulo dos anos 1970 o cinema de bairro era a principal atração para as crianças e adolescentes:

 

 
Ouça o depoimento dele ao Museu da Pessoa, sonorizado pelo Cláudio Antonio.

 

Conte você também mais um capitulo da nossa cidade. Agende um entrevista em audio e video no site do Museu da Pessoa ou mande seu texto para milton@cbn.com.br.

Conte Sua História de SP: o asfalto chegou à minha rua

 

Por Elene Ap. Franco

 

Ouça esta história contada na CBN com a sonorização do Cláudio Antônio

 

Nasci no ano de 1971 num bairro conhecido como Jardim Aidar. Hoje, ninguém mais conhece assim, apenas sabem do Jardim Danfer – zona leste de São Paulo. Morei neste bairro durante mais de 25 anos e não me afastei muito dali. Ainda moro próximo, mas alguns episódios marcaram bastante minha história em São Paulo, como o asfalto colocado na rua de casa. Na época eu tinha seis anos, porém estava com a perna quebrada por conta de um acidente doméstico. Era terrível ficar sentada ao lado do muro, olhando as crianças e jovens brincando no asfalto com seus carrinhos de rolimã e suas bicicletas. Mas também era maravilhoso ver o progresso chegando. Lembro que brincávamos muito na rua, só entrávamos quando era hora de meu pai chegar em casa. Ele não gostava de crianças na rua.

 

Todos os anos, meus irmãos, meu pai e eu viajamos para o Paraná (todos os parentes do meu pai são de lá), mas a viagem era fantástica porque era de trem.  Íamos de trem da Estação da Luz até Presidente Prudente, no interior de São Paulo, em média dez horas de viagem e de lá seguíamos de ônibus até nosso destino. Na chegada em Presidente Prudente, o sempre e tão esperado lanche, espetinho de frango, servido em uma lanchonete de chineses próximo a rodoviária de lá. Acho que viajamos mais pelo prazer da viagem e do lanche do que pelos parentes. Pelo menos nós crianças.

 

Tivemos uma vida difícil mas muito gratificante pois foi preenchida de amor, carinho, respeito e honestidade. Hoje sou mãe, minha filha tem três anos e, infelizmente, ela não pode brincar na rua, seja pela violência tão presente seja pela irresponsabilidade dos motoristas que passam onde moro como se estivessem em uma pista de corrida.

 

Apesar de alguns problemas causados pelo homem e pelo progresso, São Paulo é maravilhosa por seus edifícios grandiosos, suas ruas iluminadas, sua gente que na maioria é muito acolhedora.

 

Enfim, por tudo isso, não saio de São Paulo.