?
O metrô parou e o bode expiatório do governador de São Paulo José Serra (PSDB) foi a justiça do Trabalho. Para Serra foi a demora na ação do TRT que levou o caos a cidade na quinta-feira. A vice-presidente Judicial do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) da 2ª Região (SP), juíza Wilma Nogueira de Araújo Vaz da Silva devolveu a crítica.
Este blog foi buscar a opiniao de quem sabe das coisas e publica a opinião do presidente do Instituto Brasileiro Goiovanni Falconi, Walter Maierovitch, comentarista do quadro Justiça e Cidadania, que vai ao ar na CBN, terças e quintas, logo após as 11 da manhã.
Leia e participe desta discussão:
Jogo do Empurra.
Empurrar responsabilidade para terceiro a fim de não queimar o filme com os eleitores é comum nos políticos, em especial quando estão em cargo de chefia de poder de estado: presidente, governadores, prefeitos.
Depois da trapalhada que motivou a grave na USP, o governador Serra fez de tudo, –até inusitado decreto declaratório–, para tirar o corpo. Jogou todas as fichas no diversionismo, para atribuir falta de causa à parede. Na greve do metrô, foram meses de negociações sem que o governador Serra trabalhasse com a previsível hipótese de greve.
Mas, se nos políticos, especialmente nos carreiristas, é hábito procurar transferir responsabilidades, parece que essa reprovável postura começou a fazer escola na Justiça.
A juíza Wilma Nogueira de Araújo Vaz da Silva, vice-presidente do TRT, agarrou-se em interpretação particular do código de processo para tentar justificar seu atraso em decidir questão de máxima urgência.
Questão urgente, quer jurídica quando médico-hospitalar, exige rapidez e consciência. A melhor interpretação do código, em atenção ao que o romanos chamavam de periculum in mora ( perigo na demora), é de até 5 dias. Conforme o caso, em minutos ou poucas horas. No caso da juíza Wilma, como ensina a sabedoria popular, era para ontem, ou seja, um dia antes da greve.
Quanto ao mais, a juíza esqueceu que o Judiciário é chamado para decidir questões da polis, ou seja, políticas: da cidade, do cidadão, do estado, dos partidos e quejandos.
1. Os metroviários sempre deitam e rolam quando pleiteiam seus aumentos. Eles são privilegiados porque mexem diretamente na arrecadação do governo e, portanto, conseguem aumento no mesmo dia. E sabe por que o governo cede? Por que um dia sem arrecadar faz toda diferença. Ainda assim o penalizado é sempre o usuário que paga caro e viaja sem conforto.
Izabel Avallone