Meu reino por um vaga no estacionamento


Italiano estaciona carro minúsculo como moto para resolver falta de vaga

Vagas de estacionamento por U$ 450 mil estão sendo disputadas em Nova Iorque. A notícia apareceu estes dias na internet (não me pergunte, agora, quem a divulgou), revelando uma situação que não é apenas dos moradores da ilha de Manhattan. A falta de espaço para guardar um automóvel é fenômeno que se repete em boa parte das grandes cidades, principalmente nas áreas centrais. Além da super-valorização das garagens, o desrespeito as regras de trânsito e a cidadania também cresce.

No Rio de Janeiro, o uso indevido das calçadas é comum. Jornais como O Globo fazem campanhas constantes contra esta situação. A coluna de Ancelmo Gois reproduz fotografias com os motoristas e suas barbaridades sobre as calçadas, com freqüência.

Passeando em Roma, nos últimos dias, a situação encontrada foi semelhante. Sem garagens nos prédios com idade secular e o crescimento no número de carros, não tem mais lugar para estacionar. No centro antigo, só os moradores estacionam sem pagar, mesmo assim as vagas reservadas não são suficientes. Circula-se por quase meia hora atrás de uma – parece estacionamento de centro comercial brasileiro em véspera de Natal. Uma das soluções aplicadas pelos italianos é o uso de carros minúsculos, como o modelo Smart (este aí da foto), que disputam espaço com as motonetas.

São Paulo, nesta semana, aumentou as vagas destinadas a zona azul – modelo de estacionamento rotativo – no Parque do Ibirapuera, para desespero de muitos frequentadores. Diminuir o número de vagas gratuitas e aumentar o preço do estacionamento, principalmente na região central, são medidas inevitáveis.

Em Buenos Aires, o aumento dos valores cobrados nos estacionamentos públicos e privados foi adotado para desestimular o uso de carros na região central. Na capital argentina, da mesma forma que na Itália ou em São Paulo, os prédios antigos foram construídos com pé direito alto, ambientes amplos e levando em consideração apenas o conforto dos moradores. Hoje, os imóveis diminuem de tamanho na mesma proporção que aumentam as vagas oferecidas no subsolo do prédio.

Reclamem o quanto quiserem, mas a solução mesmo passa pela redução no número de carros circulando na cidade, fator que vai ocorrer seja por bem ou por mal.

3 comentários sobre “Meu reino por um vaga no estacionamento

  1. Caro Milton, moro em São José dos Campos mas trabalho em Lisboa e aquí os Smart For Two são também muito comuns e extremamente práticos.
    Quero lembra-lo que no inicio dos anos 90 a saudosa gurgel fabricou um carro semelhante chamado Motomachine (como ele seria hoje?). Que pena que nós deixamos morrer esta nossa industria nacional. Abraço, Julio.

  2. Há muito tempo não havia a Romiseta?
    🙂

    Mas, o principal problema é convencer uma pessoa a não comprar mais um carro, moto ou qualquer veículo automotivo.

    Como obrigar alguém a “abrir mão do sagrado direito de ter um automóvel” com argumentos racionais?
    Impossível. Quem tem carro jamais aceitará de livre vontade tal “redução de status”; uma vergonha(!!!), dirão. Os que não possuem automóvel ficarão frustrados de não poder ter seu primeiro carro…

    O único argumento que forçaria uma pessoa que possui carro a abdicar do seu é o de força econômica (impostos muito altos, combustível caro, multas sistemáticas que impeçam a circulação).

    Assim, talvez os motoristas deixem de ostentar seus carros nos congestionamentos.

  3. Caro Milton, sem dúvida nenhuma, a melhoria no trânsito só será possível com transporte coletivo de boa qualidade. Ouvi há poucos dias que foi registrado um aumento no uso dos trens metropolitanos, o que seria um bom transporte, se tivesse intervalo de horário menor entre os trens. Nos horários de pico, os trens trafegam completamente lotados (na linha que vai da Julio Prestes a Itapevi), pois entre um trem e o próximo decorre um espaço de 8, 10 minutos. Eu já cheguei a esperar 20 minutos ao redor das 17:00. Assim não há quem queira deixar o carro na garagem. Abraços, Zilda

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