Ao lançar o livro Jornalismo de Rádio pela Editora Contexto, há cerca de 4 anos, recebi contato de uma ouvinte-internauta deficiente visual, da qual, infelizmente, não lembro o nome hoje, mas lembro da atitude. Estudante de jornalismo queria ter o mesmo direito de seus colegas: ler. Ela pedia o arquivo digital da publicação para ter acesso ao texto. Disse-me que uma das dificuldades é a restrição imposta pelo mercado literário que teme a clonagem da obra. Lembrou-me da necessidade de se lutar para que os deficientes visuais tenham o direito a leitura.
Nesta semana, no CBN SP, foi a vez do ouvinte-internauta Naziberto Lopes de Oliveira que enviou o texto da carta que tenta sensibilizar as autoridades. Se você gostou da idéia, dê um control-C-control-V e mande para seu deputado preferido.:
CARTA ABERTA
À Presidência da República;
Ao Ministério da Educação;
Ao Ministério da Cultura;
À Câmara dos Deputados;
Ao Senado Federal;
Ao Grupo de Trabalho do Livro Acessível na Biblioteca Nacional;
À CORDE – Coordenadoria para integração da pessoa com deficiência;
Ao CONADE – Conselho Nacional dos direitos da pessoa com deficiência;
À sociedade,
O Movimento pela Leitura Acessível no Brasil, identificado abaixo por pessoas com deficiência, entidades associativas e representativas, fóruns virtuais de discussão, profissionais da área, familiares e amigos, vem reivindicar:
“Transparência nas discussões sobre a regulamentação da lei n10753/03, mais conhecida como Lei do livro, a fim de que possamos acompanhar e colaborar para que a referida Lei garanta nosso direito sagrado e inalienável à leitura;
O acesso a todo e qualquer tipo de informação e conhecimento escrito, em formato acessível (desenho universal), nos mesmos lugares que se encontram os formatos convencionais;
A interação direta com as editoras e livrarias, como qualquer outro usuário;
A existência do livro acessível em bibliotecas públicas ou privadas, nas escolas de todos os níveis ou qualquer outro lugar em que se busque informação e conhecimento escrito.
Reiteramos que a responsabilidade dessa discussão é de todos, pois está garantido na Constituição o direito à cultura, à informação, ao conhecimento e ao lazer, pressuposto de nação desenvolvida, justa, igualitária e democrática, norteada em dois de seus principais fundamentos: a cidadania e a dignidade da pessoa humana.
Cobramos efetivamente a participação da CORDE e do CONADE, para que possam, uma vez que são componentes privilegiados do GT – abaixo mencionado -, acompanhar de perto essa discussão, além de nos informar e consultar sobre toda e qualquer alteração, supressão ou inclusão de elementos na regulamentação da lei supracitada, com ou sem modificações substanciais.
Não podemos mais permitir qualquer tipo de limitação ao direito de todos à leitura, por constituir segregação e marginalização. Também unicamente a dependência de Instituições especializadas em prestação de serviços para pessoas com deficiência, configura-se no cerceamento do direito fundamental ao acesso à leitura e ao conhecimento, limita nossa capacidade de escolha, nossa autonomia, liberdade e cidadania.
Assim, estamos preocupados que a próxima reunião do GT do livro acessível, na Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, para discutir essa regulamentação, delibere aquém de nossa principal expectativa, a saber: a imediata e definitiva implementação do acesso e da liberdade de escolha de livros que atendam nossas especificidades de leitura e autonomia e que é o livro acessível em desenho universal.
Sem querer ser chata , mas o certo é Control-C Control-V
Caro Jornalista Milton Jung,
Existe uma ferramente digital (um programa) que é chamado OCR (optical character recognizer, se não me falha a memória), que geralmente é oferecido gratuitamente com os Scanners (que normalmente são usados para “escanear” as fotos e imagens).
Usando o scanner e o OCR, um texto escrito pode ser razoavelmente digitalizado, permitindo a um cego ouvir o texto que é lido pelo scanner, por programas de sintetização vocal que os cegos geralmente instalam em seus computadores .
Claro que as editora vão considerar pirataria se o texto for guardado em arquivo após a leitura pelo computador.
OK?
Um Abraço!
Milton, obrigado pela divulgação desta carta aberta. O que nós, pessoas com todos os tipos de deficiências que dificultam ou impedem a leitura de um livro impresso no formato convencional queremos é simplesmente o direito de, como qualquer cidadão, podermos nos dirigir a uma livraria ou a uma editora, e lá comprarmos o livro que queremos ou precisamos. Nada de assistencialismos, apenas equiparação de direitos e oportunidades.
Paulo
Querido amigo,
que forma mais arcáica de se ler um livro? Será que eu além de comprar, preciso ainda escânear? Eu quero ser uma pessoa incluida. Quero tão somente obter qualquer livro e ler da forma que eu sei, com a ajuda de um ledor de tela. Será que eu não poço economizar meu tempo? Gosto de ler e apreender, e, não de sofrer!!!!!
Sua amiga, Rita.
Caro Milton
Esta é uma verdadeira prestação de serviço de utilidade pública ao divulgar o abaixo-assinado pelo livro acessível. Se o conhecimento é o caminho da felicidade e da libertação, o livro é o transporte que nos faz percorrer esse caminho. Por que restringi-lo apenas a quem lê da forma convencional? Abaixo a maioria, viva o alcance total de todos os bens do universo. Que tudo seja para todos. Essa é a verdadeira essência da sociedade inclusiva. Parabéns ao Naziberto pela determinação e obstinação pela leitura acessível e parabéns para você que demorou mas finalmente se sensibilizou e aderiu a essa nobre causa.
Um abraço. Isabel
Maria Isabel da Silva
Jornalista-São Paulo (SP)
Olá Milton, apenas para dizer-lhe que uma pessoa cega não consegue comentar nada por aqui. Eu tive que solicitar a minha esposa, que por sorte ainda estava comigo aqui em casa, para que ela me disesse qual o texto da imagem que é necessário digitar para confirmar o comentário. Voce poderia levar essa reclamação aos designers desse blog? Caso contrário fica difícil, ou melhor, impossível a nossa participação. Acessibilidade ampla, geral e irrestrita! Obrigado mais uma vez.
Milton, parabéns por interessar-se pela causa do livro acessível. Ela transcende as questões óbvias de direito à igualdade e passa pelas questões éticas de interesses econômicos como tentar impedir o uso das possibilidades de inovação no ensino da pessoa com deficiência visual, substituindo métodos antigos como o Braile, por exemplo, e ainda na resistência de empresas ao cumprimento das leis como a Lei do Livro nr. 10753, que garante acesso à leitura a todos, de acordo com sua necessidade.