Kassab muda secretário de olho em 2008

O prefeito Gilberto Kassab (DEM) reagiu rápido a pesquisa de opinião pública do Instituto Datafolha que revelou alto índice de descontentamento com o setor de transporte na cidade de São Paulo. Demitiu o secretário municipal dos Transportes Frederico Bussinger que estava no cargo desde o início da gestão Serra e escalou Alexandre de Moraes, ex-secretário de Justiça do Estado de São Paulo.

Oficialmente não houve demissão. Bussinger foi convidado para assumir a agência que pretende regular o setor de transporte na capital paulista. Importante salientar que a tal agência não existe e não tem função clara, sendo apenas um cargo para manter o ex-secretário na administração municipal e não queimá-lo dentro do partido. Há dois meses, Kassab vinha “cozinhando” a idéia da mudança. A opinião pública e o olhar para as eleições no ano que vem, o levaram a anunciar a troca.

Na gestão de Bussinger, além do aumento da tarifa já nas primeiras semanas de governo Serra, iniciou-se estudo para mudança das linhas de ônibus na capital, implantou-se a integração do sistema de ônibus e vans com o metrô através do bilhete único, combateu-se a fraude no setor e se insistiu na obra do Fura-Fila, rebatizado Expresso Tiradentes. Nada disso foi suficiente para impedir as críticas da população ao setor de transportes de passageiros. A qualidade do serviço piorou, segundo a opinião pública. Fato que se refletia na quantidade de mensagens enviadas por usuários de ônibus ao CBN SP.

Alexandre de Moraes entende tanto de ônibus e vans quanto o ministro da Defesa Nelson Jobim de aviões, tendo este a vantagem de já ter andado de avião. Além disso, o novo secretário, que assume na sexta-feira, terá 16 meses para fazer as mudanças no sistema de transporte, prazo que fica ainda menor se levarmos em consideração o calendário eleitoral.

De acordo com fontes do PSDB, o papel principal de Moraes será abrir as planilhas de custo das empresas de ônibus e cooperativas de vans. Assim poderá descobrir para onde vaza o dinheiro que a prefeitura usa para subsidiar o transporte da cidade. Apenas um olhar mais aprofundado nas contas poderia impedir um aumento de tarifa que seria desastroso em ano eleitoral. Por enquanto esta pressão ainda é pequena porque na administração Bussinger se conseguiu atender as expectativas dos empresários do setor. Mesmo na Câmara dos Vereadores, os representantes do povo que falam pelos empresários – seja dos ônibus, seja dos perueiros -, andavam em silêncio, não levando em consideração as críticas da opinião pública. Podem voltar à tona, se Alexandre de Moraes mexer no custo das empresas.

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