O prefeito Gilberto Kassab (DEM) reagiu rápido a pesquisa de opinião pública do Instituto Datafolha que revelou alto índice de descontentamento com o setor de transporte na cidade de São Paulo. Demitiu o secretário municipal dos Transportes Frederico Bussinger que estava no cargo desde o início da gestão Serra e escalou Alexandre de Moraes, ex-secretário de Justiça do Estado de São Paulo.
Oficialmente não houve demissão. Bussinger foi convidado para assumir a agência que pretende regular o setor de transporte na capital paulista. Importante salientar que a tal agência não existe e não tem função clara, sendo apenas um cargo para manter o ex-secretário na administração municipal e não queimá-lo dentro do partido. Há dois meses, Kassab vinha cozinhando a idéia da mudança. A opinião pública e o olhar para as eleições no ano que vem, o levaram a anunciar a troca.
Na gestão de Bussinger, além do aumento da tarifa já nas primeiras semanas de governo Serra, iniciou-se estudo para mudança das linhas de ônibus na capital, implantou-se a integração do sistema de ônibus e vans com o metrô através do bilhete único, combateu-se a fraude no setor e se insistiu na obra do Fura-Fila, rebatizado Expresso Tiradentes. Nada disso foi suficiente para impedir as críticas da população ao setor de transportes de passageiros. A qualidade do serviço piorou, segundo a opinião pública. Fato que se refletia na quantidade de mensagens enviadas por usuários de ônibus ao CBN SP.
Alexandre de Moraes entende tanto de ônibus e vans quanto o ministro da Defesa Nelson Jobim de aviões, tendo este a vantagem de já ter andado de avião. Além disso, o novo secretário, que assume na sexta-feira, terá 16 meses para fazer as mudanças no sistema de transporte, prazo que fica ainda menor se levarmos em consideração o calendário eleitoral.
De acordo com fontes do PSDB, o papel principal de Moraes será abrir as planilhas de custo das empresas de ônibus e cooperativas de vans. Assim poderá descobrir para onde vaza o dinheiro que a prefeitura usa para subsidiar o transporte da cidade. Apenas um olhar mais aprofundado nas contas poderia impedir um aumento de tarifa que seria desastroso em ano eleitoral. Por enquanto esta pressão ainda é pequena porque na administração Bussinger se conseguiu atender as expectativas dos empresários do setor. Mesmo na Câmara dos Vereadores, os representantes do povo que falam pelos empresários seja dos ônibus, seja dos perueiros -, andavam em silêncio, não levando em consideração as críticas da opinião pública. Podem voltar à tona, se Alexandre de Moraes mexer no custo das empresas.