A Câmara Municipal de São Paulo decidiu que o patrimônio histórico da cidade vai ser de responsabilidade dos vereadores. Atropelou prazos, acordos e a lógica para votar projeto de lei que tira o poder do conselho municipal que, desde 1985, avalia os pedidos de tombamento, ato que conseguiu preservar parte da memória paulistana.
Incomodados com uma decisão do conselho e incentivados pelo mercado imobiliário e proprietários de imóveis, os vereadores decidiram que, agora, decisões do Compresp vão para plenário. O mais absurdo é que se os conselheiros, a maioria gente de notório saber, de trabalho reconhecido na área de arquitetura, engenharia e urbanismo, resolverem que um determinado prédio ou área deva ser preservada, a decisão vai para a Câmara e se os vereadores não derem seu parecer em 180 dias, o tombamento deixa de existir. Sem querer forçar no trocadilho, o tombamento cai.
Até aqui havia um vereador integrando o conselho, indicado pela Câmara. O atual representante da Câmara é vereador (Toninho Paiva-PL) de campanha financiada por empresas que atuam no ramo imobiliário, portanto que não têm interesse no tombamento de qualquer área que seja na capital.
Agora, os 55 vereadores poderão dar o seu palpite no tema, ou, simplesmente, ficarem calados para que bairros, regiões, quarteirões sejam explorados. E a memória de São Paulo esquecida.
Caro Jornalista Mílton Jung,
Já que os nossos valorosos veradores querem tomar as rédeas da cidade, por que não tomam para si as atribuições do Executivo? Por que não anunciam um Golpe de Município? (já que não pode ser de Estado)
Não existia a Independência entre os Poderes?
Constituição da República Federetiva do Brasil, “Art. 2º São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.”
Parece-me clara interferência!
Um Abraço