Serra na feira, Marta no ônibus e Maia no metrô

O desejo é do consultor de empresas e colunista da Época Ricardo Neves. Reproduzo dois trechos do texto “Privilégios, mimos e mordomias estatais”. O resto você lê na banca mais próxima de sua casa:

“Em Haia, Holanda, pedalando entre uma reunião e outra, passamos, meu amigo holandês e eu, por um ciclista que falava ao celular. Meu amigo me informou então que se tratava do ministro da Justiça em pessoa, e comentou em seguida: “Isso é muito perigoso … Andar de bicicleta e falar ao celular. Ele deveria parar ou pelo menos reduzir a velocidade”. E, para minha estupefação, arrematou: “Qualquer criança aprende na escola que falar ao celular enquanto pedala é ainda mais perigoso que dirigindo um carro”.

“Falta um José Serra fazendo feira, ou um Aécio Neves no supermercado, como fazem seus colegas parlamentares israelenses, que se misturam aos cidadãos, mesmo vivendo em estado de Guerra. Ou César Maria andando de metrô, como faz seu colega bilionário e atual prefeito de Nova York, Michael Bloomberg. Já imaginou uma Marta Suplicy tomando ônibus como qualquer parlamentar britânico ?”

A nota é minha : quando foi prefeito em Porto Alegre, Olívio Dutra do PT insistia em pegar o ônibus na Avenida Assis Brasil, onde morava, até o Mercado Municipal, ao lado da sede da prefeitura. Os assessores reclamavam porque era arriscado e não havia como impedi-lo de “bater o ponto” em um boteco do Mercadão; a oposição, porque considerava demagogia.

3 comentários sobre “Serra na feira, Marta no ônibus e Maia no metrô

  1. Acho difícil, a grande maioria da população do Brasil não é democrática. Não sabem dialogar sem partir para a agressão verbal e até mesmo física.
    Enquanto não souberem expor suas opiniões de maneira civilizada, isso nunca acontecerá.

    O Bloomberg pode até andar de metrô mas, além de seus assessores, está sempre acompanhado de um sei lá quantos de seguranças e policiais. Com certeza, no Brasil, se algum político mobilizasse tantos policiais para proteção (diariamente), a turma de chatos perguntaria: por que fulano de tal tem tanto policial para protegê-lo enquanto a população fica a mercê de bandidos.
    E baboseiras do tipo.

  2. Mas no Brasil as crianças também sabem as normas de trânsito, o problema é que quem comete infrações são os adultos porque eles sabem que ninguem fiscaliza e, quando veêm uma infração faz de conta que não viu. Falta seriedade dos orgãos fiscalizadores, como uma força tarefa ( punir todos infratores ) para moralizar o trânsito do Brasil, começando pelos bairros que é onde se adquiri hábitos que evidenciam a falta de fiscalização.

  3. Caro,

    Marta andou de ônibus, sim! No seu mandato como prefeita da cidade, elas foi pessoalmente conferir o serviço prestado a população. E a consequência foi a briga com a máfia dos transportes e melhoria do transporte, com o bilhete único, a mudança de itinerários, a construção de corredores de ônibus e a limite de cinco anos para a frota. Infelizmente esse trabalho não teve continuidade. Justiça precisa ser feita ou a credibilidade jornalística vai embora.

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