
Thiago Benicchio é jornalista brasileiro e tem a mania de pedalar por onde vai. Há cerca de um mês na Europa, começou sua visita na Alemanha e a encerra na Turquia. Boa parte do trajeto fez de trem, mas sempre esteve próximo da bicicleta.
Desde a segunda-feira, está na cidade de Istambul que reuniu cerca de 70 pessoas de 13 países para discutir a redução da dependência do automóvel. A conferência é promovida pela World Carfree Network que não quer eliminar o carro do nosso cotidiano, apenas mostrar que é possível se oferecer alternativas para as pessoas se deslocarem nas cidades. Mesmo em cidades como São Paulo e Istambul.
Ouça entrevista de Thiago Benicchio, de Istambul, para o CBN SP:
no ano passado, fui trabalhar todos os dias de bicicleta. A questão principal é a segurança nas vias, pois pouca gente sabe que os ciclistas podem circular sim na via publica. Outro ponto que permitiu meu deslocamento até o trabalho de bicicleta, é que na empresa existe local apropriado para tomar banho, pois seria impossível efetuar o deslocamento de casa p/ o trabalho já de terno e gravata. existem 2 grandes vantagens em se deslocar de bicicleta: 1-o tempo enttre o trabalho e minha casa jamais passou de 30 min. (de carro gastava no mínimo 45 min) p/ percorrer os 8 km; 2-a atividade física diária estava garantida. Hj trabalho em vendas e não tenho mais essa facilidade.
Outro ponto importante é que não se permite que ciclistas utilizem as beiras das marginais. Se fosse permitido, o deslocamento entre a zona sul e a leste poderia ser feito por um percurso plano e traria alívio ao transito. Claro que depende muito da vontade de cada um, bem como da estrutura de cada local de trabalho, mas a essa alternativa é sim muito viável, simples e barata. Demandaria apenas saídas específicas tipo passarelas para que os ciclistas deixassem a ciclovia marginal para os bairros.
Por falar nisso amanhã 31/08 tem a “Bicicletada dos Executivos”
encontro na Av. Paulista alt. 2440 18:30hs
http://www.bicicletada.org
todos estão convidados
É, para as pessoas se deslocarem para o trabalho seria necessária uma rede de bicicletários onde cada trabalhador pudesse deixar sua bicicleta e ter a garantia que na saída de sua jornada ela estaria lá, coisa que não acontece hoje travando as “magrelas” em postes espalhados pela cidade. O que custaria aos fabricantes de bicicletas implantar alguns bicicletários na cidade? Promover o uso da bicicleta na cidade só traria lucros a eles. O difícil é vencer a miopia dos empresários, que mesmo sendo do ramo de bicicletas só conseguem pensar como motoristas, talvez porque não usem as bicicletas que produzem para seus trajetos casa-trabalho, trabalho-casa. Segundo o que vimos nesta entrevista ainda falta muito para chegarmos ao nível de educação do trânsito europeu. E pagar o custo político de uma guinada cultural desta ninguém quer…