Conexão Rio-SP: Bibliotecas detonam preconceitos

Um projeto que beneficia parte dos paulistas e cariocas tem surpreendido os organizadores, opositores e simpatizantes. Me refiro as bibliotecas populares que estão montadas em estações de metrô, trêm e ônibus. Aqui em São Paulo é possível encontrá-las nas estações Paraíso, Tatuapé e Luz, enquanto no Rio, a biblioteca está na Estação Central.

Aquela cara de biblioteca que muitos de nós lembramos, não existe. Grandes prateleiras, uma monteira de livro didático, capas e páginas amareladas a espera de consulta. Tudo isso foi substituído por balcões, onde os livros são expostos como em uma livraria, na qual é possível encontrar os últimos lançamentos e uma variedade de estilos.

O cidadão antes de pegar o trem faz sua inscrição e tem o direito de escolher o livro que gostaria de ler, lê no vagão, leva para casa e ao terminar a leitura devolve quando passar novamente pela estação. E entrega apenas deixando o livro em uma espécie de caixa de correio, sem burocracia.

O primeiro preconceito era de que o povo não lê. Já são 48 mil inscritos nas bibliotecas.

O segundo: se lê, lê auto-ajuda. O índice de livros de auto-ajuda retirados equivale aos de poesia.

O terceiro, os livros vão desaparecer. E aí a maior surpresa. Em São Paulo, segundo cálculos do Instituto Brasil Leitor, organizador das bibliotecas populares, o nível de evasão é de apenas 1,5%. No Rio, cercado de preconceito pela violência que se enxerga, este nível cai para ZERO. Todo livro retirado foi devolvido.

Com um detalhe: como a entrega em atraso gera um gancho, alguns dias sem direito a retirar outro livro, há leitores que devolvem o livro com atraso e escrevem uma carta justificando, pedindo para não serem prejudicados pela importância que a leitura tem no cotidiano dele.

6 comentários sobre “Conexão Rio-SP: Bibliotecas detonam preconceitos

  1. Esse post me fez lembrar da situação de abandono das bibliotecas municipais da cidade de São Paulo. Gostaria de falar da situação das duas bibliotecas que ficam próximas da minha casa no bairro de Itaquera: a biblioteca Sérgio Buarque de Holanda e a biblioteca Vicente de Carvalho. Apesar do ótimo atendimento por parte dos funcionários, a biblioteca Sérgio Buarque de Holanda precisa de um espaço maior. Ela está instalada em cima de um conjunto comercial e já não tem mais capacidade para suportar o seu acervo. Também precisa urgentemente de manutenção nos seus computadores.
    Já a biblioteca Vicente de Carvalho carece de tudo: apesar da mudança recente na direção, os funcionários são os mesmos desde o início dos anos 80. Esse não seria um problema, não fosse pela clara falta de motivação, desinteresse pelo trabalho e, na maioria dos casos, falta de educação para com os usuários. Os livros estão expostos ao sol, a sala de leitura onde ficam jornais e revistas estão completamente bagunçados.

  2. Para completar o comentário anterior, ainda sobre a biblioteca Vicente de Carvalho, a sala de internet está fechada desde o início do ano. As instalações externas também são precárias. É fácil invadir o prédio da biblioteca porque as cercas estão derrubadas.
    Faço questão, mesmo diante de todas essas dificuldades, de frequentar a biblioteca todos os sábados para fazer as minhas pesquisas sobre a história da cidade nos poucos livros disponíveis que falam sobre o assunto e retirar exemplares de outros temas para empréstimo. Na minha próxima visita, tirarei algumas fotos e vou mandar para que você possa publicar aqui se achar interessante.

    Aliás fica uma sugestão de pauta para a CBN: Raio x das bibliotecas públicas municipais dos bairros da cidade de São Paulo.

  3. Caro Jornalista Mílton Jung,

    Perdi o hábito de ir à biblioteca…
    Gosto de ler sem pressa, sem prazo de entrega e freqüentemente sublinho e comento nos livros mais difíceis de ler; o que não se pode fazer com os livros da biblioteca…

    Mas, quem sabe pegue emprestado os livros de literatura mais modernos?

    Um Abraço!

  4. Lamentável a retirada do meu post anterior, em que critico, com educação e respeito, a posição política do Heródoto. Pelo jeito, além de populismo, é preciso lembrar ao administrador do blog outro conceito caro a professores de História: o de democracia. Saudações de um ouvinte diário há 10 anos, que hoje infelizmente está se desiludindo.

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