Cidade sustentável: Um suspiro por São Paulo

De Estocolmo


Conheça o relatório completo clicando na imagem

Um largo sorriso, um suspiro longo, o olhar arregalado, e a voz de um jornalista de Saint-Petersburg ao fundo assoprando um “big cities, big problems” antecederam a resposta do representante do Ministério do Meio Ambiente da Suécia sobre como adaptar a idéia de cidade sustentável a uma megalópole como São Paulo. Ola Görasson acabara de explicar as ações desenvolvidas no país dele e as metas traçadas até 2010.

Mesmo conhecendo o tamanho do problema, o responsável pelo desenvolvimento urbano sustentável não se deu por vencido. Disse que não se pode tentar resolver estas dificuldades em toda a cidade, sem antes iniciar ações locais. É buscando soluções para os quarteirões e bairros próximos de onde você vive que se abrirá caminho para melhoria do ambiente e da qualidade de vida.

Os suecos, através do seu parlamento, o Riksdag, definiram 16 objetivos para se transformar em um país com qualidade ambiental, em 2002. Do meio ambiente livre de radiação a diversidade de plantas e vida animal, da limpeza do ar a proteção da camada de ozônio, cada uma das metas é avaliada anualmente por um conselho que integra pessoas ligadas as agências governamentais, aos dirigentes locais, as empresas privadas e as organizações não-governamentais. Eles verificam se os esforços que têm sido adotados estão dentro do prazo pré-estabelecido e, em seguida, divulgam este estudo com o intuito de tornar o processo transparente à sociedade.

Consciente de que o empenho para alcançar melhor qualidade ambiental na Suécia depende, também, da ação de outros paises, o conselho decidiu impor como foco principal, neste ano, a relação entre os objetivos suecos e os esforços internacionais para salvaguardar o meio ambiente.

De volta a São Paulo, próxima de mais um ano eleitoral, caberia a definição de suas prioridades para a próxima administração, determinando metas e datas a serem alcançadas, com avaliação freqüente da sociedade, e cobrança pontual dos itens em que os esforços administrativos não tenham atendido o desejo da sociedade.

Ou seja, o próximo prefeito saberia o que o paulistano imagina para a sua cidade e, durante a campanha eleitoral, apresentaria sugestões e medidas para alcançar estes objetivos, tendo de assumir o compromisso de que, se vencer o pleito, irá cumprir este programa. Ao eleitor caberia o papel de avaliar qual plano estaria mais próximo da realidade municipal em vez de apenas escolher o candidato por seus lindos olhos azuis – ou, simplesmente, pelo preconceito.

São Paulo deixaria de provocar expressões de espanto e quase desesperança quando, ingenuamente, um jornalista decidisse perguntar qual a solução para uma cidade com 11 milhões de moradores melhorar a qualidade do ambiente urbano.

9 comentários sobre “Cidade sustentável: Um suspiro por São Paulo

  1. Caro Jornalista Mílton Jung,

    Gosto muito de uma série chamada Jornada nas Estrelas.
    No mundo dessa ficção, a Terra e outros planetas superaram a ganância pela acumulação de riquezas e muitos dos problemas graves de desigualdades sociais foram resolvidos e as pessoas podem viver em busca de novos conhecimentos e expandindo o mundo conhecido…
    Claro que é fantasia e não mostram como chegram lá…
    Mas, é fato que ABDICARAM de inúmeros valores como a posse exclusiva de um carro ou uma casa enorme como objetivos de vida.
    Para chegar num mundo minimamente melhor tenho certeza que teremos que abrir mão de muita coisa e assim todos terão o que comer, vestir e algo decente para ler nas escolas e bibliotecas de livros e nos computadores.

    Um Abraço!

  2. Estocolmo é uma cidade emocionante e seu povo, incrível! Definitivamente cabe a expressão “outro mundo”. Falar em consciência e esforço ambiental nas duas cidades, SP e Estocolmo é falar de um contraste extremo, pontos tão opostos…. a aproximação só será possível quando os habitantes se tornarem cidadãos! Então é uma questão de educação, educação, educação! E de extirpar a corrupção. Sem isso, nenhum programa vai dar certo.
    Traga boas idéias e vamos debater!
    Abs

    Celina

  3. Milton,
    Estocolmo, a maior cidade da região, não tem 800 mil habitantes, menos que o somatório de 2 sub-prefeituras de São Paulo.
    A Suécia tôda são 9 milhões, contra os 11 milhões de São Paulo.
    Grande Estocolmo x Grande São Paulo = 2 x 20.
    Até já sei qual vai ser a desculpa dos nossos dirigentes.

    Paulo Toshiharu Watanabe

  4. Milton, para você e seus amigos petralhas:
    (Lembrando o que o russo Mikhail Bakunin escreveu há 150 anos atrás)
    “…Assim, sob qualquer ângulo que se esteja situado para considerar esta questão, chega-se ao mesmo resultado execrável: o governo da imensa maioria das massas populares se faz por uma minoria privilegiada. Esta minoria, porém, dizem os marxistas, compor-se-á de operários. Sim, com certeza, de antigos operários, mas que tão logo se tornem governantes ou representantes do povo, cessarão de ser operários e por-se-ão a observar o mundo proletário de cima do Estado; não mais representarão o povo, mas a si mesmos e suas pretensões de governá-lo.
    QUEM DUVIDA DISSO NÃO CONHECE A NATUREZA HUMANA.
    Mikhail Bakunin (1814-1876), anarquista russo

  5. Estou de pleno acordo com o Bira que escreve abaixo.
    NOssos representantes deveria se preocupar, dar mais atenção para a questão social, como construir mais hospitais, creches, escolas, bibliotecas, centro esportivos, segurança e qualidade de vida.Isto me faz lembrar da música do Zé Geraldo ” tá vendo aquele prédio moço….”,para depois se preocupar em Copa do Mundo no Brasil.

  6. Para começar localmente, o ideal seria os próprios moradores pararem de danificar e vandalizar os espaços públicos dos bairros onde moram.
    Não adianta cobrar dos governantes se a população não colabora.
    Quanto a Suécia gasta por mês recuperando bancos, praças, lixeiras, orelhões, roubo de fios, limpeza de pichação, depredação das escolas públicas?

  7. É muito bom que vc estimule esse debate sobre a sustentabilidade urbana, no momento em que noso prefeito enviou à Câmara um projeto de Revisão do PLano diretor que amplia os riscos à sustentabilidade ambiental de nossa cidade. A proposito enviei artigo para colocar no seu blog sobre o tema, que saiu no Boletim do Sindicao dos Arquitetos
    Abs
    Ivan Maglio

Deixar mensagem para Chi Qo Cancelar resposta