Por Maria Lucia Solla
Olá,
Confesso que sou romântica incorrigível, irresgatável e irrecuperável, mas não me lamento nem me gabo. São características minhas; só isso. Também sou sonhadora, idealista, otimista, e mais alegre do que triste, a maior parte do tempo. Amo a vida, perdida e intensamente. Pura paixão. Mantenho-me viva graças a um instinto de sobrevivência danado de bom, e de uma intuição afiada e fiel, que não dorme nem de noite nem de dia.
Essa exposição toda tem uma razão, já que as características acima fazem parte da minha receita, e eu me pergunto se não seria essa mistura que me impede de tolerar falta de educação e falta de respeito. É possível que não sinta o mesmo, a pessoa que tenha ingredientes diferentes dos meus. Como sentem os que têm os pés bem firmes plantados no chão e os que são mais pessimistas ou menos efusivos do que eu? E me pergunto como sentem os que detêm o poder e vivem para reger a orquestra, e aqueles que nem têm idéia de que haja, em algum lugar, uma orquestra. No meu caso, seja o que for que eu faça, fico encantada com a vida, contenho a respiração e mantenho olhos e ouvidos bem abertos, para não perder o mínimo detalhe. E você, qual é o seu estilo de viver?
Quem me conhece me ouve dizer que na receita do amor, de qualquer tipo de amor, são necessários, entre outros, dois ingredientes básicos e insubstituíveis; respeito e admiração. Agora me diga, é possível respeitar e admirar o mal-educado? É possível admirar e respeitar o grosso, o deselegante de atitudes, não de guarda-roupa?
Anjos, Arcanjos, e todos os emissários do Criador que me perdoem a pequenez, mas é a tarefa mais simples e ao mesmo tempo mais complicada, a que se exige de nós, seres humanos. Não dá. Amar certos semelhantes que andam desembestados por aí, esfregando na nossa cara um ego espaçoso e mal-acabado, corcoveando porque não enxergam nada além do próprio umbigo saliente? É pedir demais! Se essa for matéria eliminatória para entrar no reino dos céus, aceitem, os obedientes às Leis de Deus, as minhas despedidas, porque certamente não nos veremos na eternidade. Deve ter havido algum engano na tradução do Santo Livro. Como é possível amar o Fernandinho Beira-Mar? Como é possível respeitar mensaleiros e admirar conselhos de ética sem ética, juízes injustos, corruptos de todo tipo e feitio, presidentes fanfarrões, prepotentes e arrogantes? Fica difícil, muito difícil!
Aí vem um presidente grandalhão, metido a besta, e sem a mínima noção do que possa ser educação e respeito, e obriga um rei a lhe passar um pito, na frente das visitas. Do outro lado, com uma ponta de continente dividindo os eventos, cria-se controvérsia porque um jornalista, funcionário do Tribunal, chamou um superior, no caso o Ministro do Supremo Tribunal Federal com um sonoro psiu! , e este iniciou um procedimento administrativo disciplinar contra o moleque malcriado. Agora me diga, educação saiu de moda?
Pense nisso, e até a semana que vem.
Maria Lucia Solla é professora, terapeuta e autora do livro De bem com a vida mesmo que doa, lançado pela editora Libratrês. Aos domingos, está neste blog com textos sobre o cotidiano. Este artigo foi publicado excepcionalmente no sábado devido ao feriado desta semana.
Concordo com a professora, pois a ética e a educação estão em baixa.O ser humano pode até ter evoluído intelectualmente,mas regride a cada dia moralmente.
O importante é sempre manter o exercício de amar, seja quem for, certo ou errado, afinal é isso que Deus quer de nós amar ao próximo como a si mesmo; mesmo os mal-educados, criminosos, etc.; e mostrar pra eles o como é bom amar e respeitar. Desta forma você dá o testemunho mais bonito, e tenham certeza, o amor faz reverter o irreversível…
Grande abraço,
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