Fabricantes reagem na batalha do saco plástico

A primeira cidade americana a proibir uso de sacolas plásticas comuns foi São Francisco, em abril. O mesmo pode ocorrer, em breve, na Filadélfia, Boston, Baltimore, Portland e Seattle. Nova Iorque, sempre referência por aqui, impõe aos lojistas a responsabilidade de reciclar as sacolas que os clientes trazem de volta. Alguns supermercados oferecem pequenos créditos aos consumidores que reutilizarem suas sacolas plásticas.

O resultado da campanha promovida por ambientalistas está em reportagem publicada no britânico Financial Times, traduzida pelo portal UOL. Apesar de o aparente sucesso, o texto de Jonathan Birchall destaca a reação da indústria do plástico reunida no lobby do Progressive Bag Alliance que, segunda-feira, impediu que o parlamento proibisse o uso dos “saquinhos” na capital de Maryland.

O esforço é para impedir o fim de um negócio que começou com o inglês Alexander Parker que inventou o primeiro plástico, em 1862. De lá até aqui, o uso para o produto se multiplicou a ponto de se transformar em problema sério ao meio ambiente. Feito de resina sintética que tem como origem o petróleo, o plástico usado nos saquinhos de supermercado, farmácia e padaria não é biodegradável, e jogado na natureza leva séculos para se decompor.

Os fabricantes contrapõem com o argumento de que consomem menos energia para produzir e reciclar as sacolas de plásticos do que as de papel – principal concorrente neste mercado.

No Brasil, os empresários do setor, parte estabelecida na região do ABC paulista, têm demonstrado preocupação devido as campanhas lideradas por ambientalistas que aparecem na mídia. Apesar de algumas ações para atrapalhar o negócio deles, por enquanto os fabricantes tem tido sucesso. Em São Paulo, onde são produzidas 210 mil toneladas de plástico-filme por ano, tiveram o apoio do governador José Serra que impediu a aplicação de lei que previa a substituição por um tipo de plástico que, supostamente, polui menos.

Rio de Janeiro e Curitiba são duas capitais que estão envolvidas no debate e tentam barrar o aumento no número de saquinhos usados. No interior gaúcho Lajeado incentiva a troca por sacos de pano. Nada parecido com as cidades européias bem mais avançadas nas iniciativas para proteger o meio ambiente que usam, muitas delas, a cobrança de uma taxa para mudar o hábito do cidadão.

Semana passada, neste mesmo blog, chamava atenção que por aqui o movimento vai no sentido oposto, pois enquanto a sacolinha de plástico fica à disposição do cliente no caixa do supermercado, a de pano está à venda – e com direito a marketing ambiental.

A reportagem completa e em português do FT você acessa aqui se for assinante do UOL

8 comentários sobre “Fabricantes reagem na batalha do saco plástico

  1. Realmente estas sacolinhas plásticas distribuídas em supermercados e lojas geram sérios problemas para o meio ambiente elas podem levar até 100 anos para se decompor. O pior é que muita gente não tem esta informação.
    Gostaria de chamar atenção para outro inimigo da natureza, ao fazer leitura de uma revista sobre meio ambiente descobri que o ISOPOR material leve gera mais de 3 milhões de toneladas por ano e que seu tempo de decomposição leva em torno de 150 anos…
    abraços…
    Marcos Paulo Dias.

  2. Caro Jornalista Mílton Jung,

    Sempre que há uma demanda a indústria está pronta para lucrar em cima dela.
    Mas, quando há retração do mercado nem sempre os industriais se conformam! Afinal estão perdendo dinheiro!
    No entanto… O que é mais importante, o planeta Terra ou o maldito dinheiro?
    É para se pensar muito antes de decidir…

    Um Abraço!

  3. Precisamos difundir o conceito do quanto essas embalagens são ruins e efetivamente praticarmos a sua não utilização.
    Se pararmos para pensar, trataríamos as sacolas plásticas como pragas urbanas, pois quase 10% de nosso lixo são compostos por elas. Além dos males diretamente proporcionados, sua produção despende alta quantidade de energia elétrica, água utilizada no processo e os dejetos resultantes do processo de fabricação.
    A solução é voltar com as sacolas, aquelas de pano, solicitar caixas de papelão que são altamente recicláveis.
    Gostaria que o proprietário da rede Pão de Açúcar, que incentiva abertamente a reciclagem de materiais, repensasse a sua utilização. Já fiz a indagação em uma de suas lojas e a resposta seria um estudo (?).
    Ou não usamos a embalagem ou evitamos o consumo dos comércios que não a evitam.

  4. Sei que meu consumo de sacolas caiu drasticamente desde que comecei a usar sacolas de lona de saco de cereais compradas a R$ 2,00 cada e que posso dobrar bastante a ponto de caber no bolso!
    🙂

  5. Os que fazem sua parte no sentido de tornar o futuro do planeta mais habitável cuidam mais do futuro das crianças de hoje que muitos pais que apenas procuram o lucro de hoje e não se preocupam em que mundo seus filhos viveram amanhã.
    O respeito pela opinião, mesmo aquelas que não agradam, são opiniões e devem ser respeitadas.
    O grande empresário, a meu ver, não é aquele que hoje lucra e sim aquela que sabe renovar seu produto em paralelo com os acontecimentos.
    Não é por que se ganha com algo hoje, é ou será sempre bom. Atualizar-se, acompanhar o desenvolvimento, exercer a cidadania e a civilidade faz parte do empresário de sucesso grande ou pequeno.
    É preciso repensar as sacolas plásticas.
    Isto não é PATÉTICO.

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