Maria Lucia Solla
Olá,
Todo dia recebo, por e-mail, um pequeno texto enviado pelo Centro Internacional de Cabala, na Califórnia. Gosto das mensagens; são curtas e claras. Delícia de ler no começo do dia, ao longo dele, antes de dormir, ou no dia seguinte. Faço a minha hora, já que as mensagens são atemporais. Falam de vida, de gente, de comportamento, e principalmente da capacidade de perceber que se está vivo e que não se vive à toa. São reflexões que ajudam a despertar a pobre da nocauteada consciência. Você se lembra da última vez que ouviu falar nela e o que foi que disseram? A gente só fala em consciência quando se refere ao outro, e aí diz, põe a mão na consciência, fulano, que ela deve estar pesada! Ou então, achamos que uns e outros nasceram desprovidos dela. Acredito que se você tem capacidade de ver, sentir, pensar e juntar lé com cré, então tem consciência.
O fato de ela viver dormindo ou de ser manipulada, sem dó nem piedade, é problema ou solução de cada um; mas fiquei curiosa e quis saber onde é que as pessoas acham que ela mora. Saí perguntando à queima-roupa, e vejam o resultado. Uma amiga afirmou, convicta, que ela tem um pé na mente e outro no coração. Se tivesse os dois na mente, seríamos duros demais, e se os dois estivessem plantados no coração, desastre! Outro amigo logo pensou na consciência política, e eu que nem tinha pensado nisso e disse que ela se divide entre estômago e fígado. Faz sentido; amargo, mas faz. Ouvi de outro que ela mora na alma e de outra ainda, que vagueia; ora aqui, ora ali, ao sabor dos ventos de nossos desejos. Mas achei ótima a resposta do Marco. Mora no mato, disse ele sem titubear. E ao ver minhas sobrancelhas quase pulando da testa, disse, é o Grilo Falante, lembra?
E assim, passei a semana falando e pensando na consciência, e cheguei à conclusão de que não faz diferença o lugar onde mora. Sei que não é negra, branca, amarela e nem vermelha. Não é pobre nem rica, chique nem brega. Na verdade ela nem tem direção, porque é a própria direção. Ela nos dá o norte e aponta o caminho. Vire aqui, ande mais um pouco, cuidado, contramão, e sinaliza quando chegamos a um destino. Ela é mapa, e precisa que lhe desenhem as fronteiras, ou mais modernamente um GPS, e precisa que lhe alimentem o programa. A consciência é responsável pela estratégia de cada opção, de cada ação, de cada um de nós de maneira diferente. Pouca coisa? No entanto, parece que a maioria não se dá conta disso, e nem ao menos reconhece a sua existência. Andamos pela vida sem leme, dando com a cabeça na parede e tropeçando, cheios de amarras, achando que ser feliz é pecado. Só nos lembramos dela quando a coisa aperta, e então ficamos quietinhos para não dar na vista. Percebo que consciência é amorfa, amoral e apolítica. Toma a forma que damos a ela. É ferramenta e não arma, e pode nos levar aos píncaros ou ao brejo. Só depende de nós.
Hoje, 5 de dezembro de 2007, instalou-se em mim uma certeza. Em Brasília é que ela não mora.
Pense nisso, e até a semana que vem.
Maria Lucia Solla é professora, terapeuta e autora do livro De bem com a vida mesmo que doa, lançado pela editora Libratrês. Aos domingos, está neste blog com textos sobre o cotidiano
Caro Mílton Jung,
Meu nome é Luara e preciso falar com o Heródoto,pois neste momento está um transito terrivel na Tiquatira…
Obrigada Luara.