Osvaldo Stella
Diretor de Bali/Indonésia
A história se repete. Durante a Cop 11, em Montreal, as vésperas de seu encerramento, as negociações estavam emperradas e já se cogitava o seu fracasso. Naquele momento o ex – presidente dos Estados Unidos Bill Clinton fez um discurso memorável para um plenário lotado e estasiado . Aquele discurso contribuiu de forma determinante para o avanço das negociações e o sucesso do encontro.
Ontem, o récem-laureado prêmio Nobel Albert Arnold Gore Jr., mais conhecido como Al Gore, surgiu em um momento complicado das negociações e injetou ânimo extra nos negociadores que tentavam derrubar os obstáculos impostos pela delegação americana.
Em seu pronunciamento, que atraiu para o auditório principal todos os participantes do evento e deixou a Convenção em clima de fim de Copa do Mundo (lembrei-me das ruas desertas do Brasil em dias de jogos decisivos) o ex-futuro-presidente ou ex-vice-presidente ou, simplesmente, Al Gore disse publicamente o que todos queriam ouvir, e a maioria já sabia.
Al Gore disse que “eu sei, por experiência, que o desenrolar das negociações em geral ocorre nas últimas 48 horas. Eu espero que neste período ocorra a mudança de postura de alguns países, principalmente, para mim, a dos EUA”. Ele se refere a posição americana de bloquear o andamento das negociações tentando impedir a construção do “Mapa do Caminho”, principal objetivo deste encontro. Este “mapa” é que definirá as diretrizes fundamentais para construir o segundo período de compromisso do protocolo a partir de 2012.
Os EUA tem tentado construir um sistema paralelo a convenção do clima e ao mesmo tempo que tenta criar um novo caminho faz o possível para esvaziar a convenção. Nesse caminho próprio, esculpido através do chamdo MEM ( Major Economies Metting), o objetivo é adaptar a realidade das negociações do clima estritamente aos anceios americanos, o que tem sido cada vez mais difícil dentro da convenção do clima.
Os EUA ainda são o fiel da balança da questão climática mas estão perdendo a liderança antes muito sólida, a União Européria, nesta convenção presidida pela notável delegação portuguesa tem cumprido com louvor a sua parte. Ontem este movimento ganhou um importante aliado, o americano Al Gore.
O vento da esperança volta a soprar em Bali. Esperança que a reunião da convenção, em 2012, não seja realizada em Atlântida.