Um dia de experiência foi suficiente para o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), tirar suas conclusões sobre a eficiência da faixa exclusiva de motos na avenida 23 de Maio: não funciona. A técnica da CET responsável pela segurança de trânsito na cidade acabara de dizer no CBN SP que era muito cedo para fazer uma avaliação (ouça entrevista na nota abaixo), quando o prefeito em entrevista aos repórteres que cobriram manifestação do DEM em favor da candidatura dele à reeleição anunciou que a pista exclusiva não estava tendo uma boa avaliação e não deveria ter seqüência.
A decisão vai de encontro ao que pensa o Sindicato dos Motoboys, conforme entrevista reproduzida logo abaixo, e se transformará em munição para novos protestos, já que das medidas anunciadas pela prefeitura a única que tinha o apoio da categoria era a criação das pistas exclusivas para moto.
Nas férias de inverno, o prefeito Gilberto Kassab já havia demonstrado que as ações de trânsito na capital são adotadas sem muita reflexão. Teve de voltar atrás da decisão pessoal de suspender o rodízio em julho porque os índices de congestionamento eram cada vez maiores.
O vai-e-vem coloca em xeque, também, a capacidade e autoridade do presidente da CET Roberto Scaringela.
Caro Jornalista Mílton Jung,
Nesta cidade, assim como em boa parte deste país, as boas idéias nem sempre funcionam…
Pelo menos o Sr. Kassab fez um teste antes de canetar uma lei criando a tal faixa!
Tentativa e erro!
Um Abraço!
Discordo, a faixa funciona, e bem, é só olhar os índices de transito da avenida Sumaré.
O Sr. Roberto Scaringela, conhece muito de transito, mas infelizmente por traz de um para brisa de carro, como a maioria dos paulistanos, ele deveria trabalhar um dia na garupa de um moto boy pra saber o que é que está errado.
O Sr. Kassab apóia tudo em favor da vida, logo, ele sabe algo tem que mudar em relação às motos, mas é balela dizer que a faixa vai privilegiar uma classe, ela vai sim proteger os mais fracos desse monte de irresponsáveis.
O problema de São Paulo é privilegiar os carros de “passeio”, em detrimento da maioria da população que esta de ônibus, bicicleta, motos. No dia que o governo enxergar isso, quem sabe as coisas melhorem.
Milton,
O sr. R. Scaringela, “expert em trânsito” há anos, quando ocupou algum cargo, “deu mais bola fôra” que “gol”.
Privilegiar “carros de passeios” é atender os anseios da maioria. Motociclistas, motoboys e motobads não atingem 10%.
Paulo Toshiharu Watanabe
Com tantas mortes de motoqueiros na cidade, é preciso ficar de olho nessa situação.
Mas não podemos colocar as vias da cidade à mercê deles. Nas marginais é perigoso mudar de faixa. As motos passam em alta velocidade e os riscos de acidentes entre carros e motos são altas.
Por que a faixa exclusiva da av. 23 de maio não seguiu o padrão das faixas das avenidas Sumaré/Paulo VI? A faixa lá funciona perfeitamente, e não atrapalha o trânsito, porque não ocupa uma faixa inteira dos carros.
Como alguém pode dizer que a maioria é que anda de carro em São Paulo!???? Somente 1/3 da população usa carro em São Paulo e ocupa 90% do espaço. Sim para faixa de motos, dividida com as bicicletas. Será que as autoridades não perceberam que governar para 1/3 da população é um erro? A maioria anda de ônibus, metrô, trem, a pé e de bicicleta, assim, para se ganhar uma eleição deve-se aumentar as calçadas, melhorar o transporte público, e construir ciclofaixas ou ciclovias, além de fazer com que todos os agentes do trânsito vivam em harmonia, ou seja, motos carros, caminhões, ônibus, bicicletas e pedestres respeitando uns aos outros. Porque não dividimos todas as pistas na proporção de uso da população? Seria 30% das pistas para carros e 70% dividido entre pedestres, bicicletas, motos, ônibus e caminhôes!
Não acredito que o fato de o prefeito Gilberto Kassab mudar de idéia signifique necessariamente que ele não sabe o que está fazendo. Que bom que há uma flexibilidade e ele não é um turrão com uma idéia fixa na cabeça. Entretanto, ele, como um político típico, tende a tomar decisões que criam uma dicotomia (bem expressa nos depoimentos anteriores ao meu) dividindo os que tem carro de passeio e o resto (agora representados pelos motociclistas, mais especificamente os motoboys). Será essa a solução?
Não sei dizer se a faixa especial funciona ou funcionará, mas de fato, motoboys, pressionados pelos seus horário e honorários baixos, correm, muito, e correm risco maior de fatalidade sim. Restringir sua circulação em vias expressas talvez seja uma forma de protegê-los sim, visto que é dado mencionado neste blog que morrem mais nas marginais. Então, é algo para se pensar, sem infantilidade, “nós privilegiados motoristas de os carros de passeio (!) e o resto dos coitados”. Não é bem assim.
Fico admirado com as decisões tomadas por nossos governantes. Era óbvio que em uma avenida com o movimento da 23 de Maio, colocar uma faixa a disposição de motoqueiros iria tornar o transito ainda mais caótico. Deveriam pensar em educar os motoboys que não respeitam não de longe a legislação de trânsito. Acabar com a determinição de empresas de transporte que trabalham com este tipo de entrega a não mais pagar seus funcionários por entrega ou tempo, fazendo com que eles, literalmente saiam como loucos pelo trânsito. Investir em transporte público e não priorizar uma faixa para veículos que transportam uma pessoa. Enfim, várias mediadas que não, certamente, colocar uma faixa de uma das avenidas mais movimentadas da cidade a disposição de motos.