Por Maria Lucia Solla
Olá,
Abençoados sejam os amigos. Aqueles de verdade. Amigos sempre presentes e, mesmo quando longe dos olhos, perto do coração. Quando se tem saudade, é só pegar carona no pensamento, que se chega perto, sentindo o perfume da confiança que emanam, sentindo o calor dos abraços e mergulhando na sua honestidade, quase sempre amorosa. Pena que eu não saiba fazer poesia. Apesar do prazer que sinto quando estou cercada de palavras, eu, viciada em letrinhas, não tenho vocação para poeta. Também não faço apologia por encomenda, nem tento agradar este ou aquele, esta ou aquela. O jornal O Registro há noventa e cinco semanas, e o blog do Milton Jung, há trinta e sete, permitem-me expressar a alma, sem estabelecer fronteiras. Quando escrevo, ofereço-me fatiada, na bandeja, e digo apenas o que passa pelo crivo atento da minha consciência. Sou movida pelo respeito ao outro, seja ele quem for, e pela coerência com a verdade das minhas emoções, que mudam de tom e de intensidade, na medida de mim mesma, e é isso.
Mas, voltando aos amigos, eles nem sempre são para sempre. Às vezes passam pelas nossas vidas, colhem o que encontram para colher, servem-se do que têm fome e sede, nos alimentam na sua e/ou na nossa medida, e se vão. Tão misteriosamente quanto quando chegaram. Às vezes, saem pela porta da frente e se despedem, e outras tentam sair, silenciosa e sorrateiramente, pela porta dos fundos, mas vão quebrando o que encontram pelo caminho. No entanto, há os que são sim, para sempre. Sua cumplicidade é tão sólida que dá para sentir-lhe a forma. Agüentam o baque da montanha-russa de nossos altos e baixos, e nos compreendem, muitas vezes, mais do que podemos compreender a nós mesmos. Aceitam. Estão no time.
E o que fez brotar tudo isso foi um e-mail da Maryur, amiga de sempre e para sempre, que é pássaro matinal, e logo cedo, no domingo, começava a cuidar de seu time de amigos. A mensagem trazia, anexa, uma apresentação com fotos e textos, alertando para o estado em que nos encontramos, e o estado em que se encontra, conseqüentemente, nosso planeta. Nossa casa. Ao final, fui impactada por uma frase de Martin Luther King, pastor e ativista político, e Prêmio Nobel da Paz, e fui navegar na internet, atrás de suas falas. Minha mente, alma, e coração, não resistiram e embarcaram na mesma nave, trazendo-me a reflexão sobre a amizade.
A frase original é assim, “Even if I knew that tomorrow the world would go to pieces, I would still plant my apple tree., e traduzida fica, Mesmo se eu soubesse que amanhã o mundo seria reduzido a frangalhos, ainda assim plantaria minha macieira.
Li a frase e pensei que mesmo se eu soubesse que, no dia seguinte, um amigo entraria na minha casa e reduziria nossa amizade a frangalhos, ainda assim manteria as portas abertas. E você?
Pense nisso, e até a semana que vem.
Maria Lucia Solla é professora, terapeuta e autora do livro De bem com a vida mesmo que doa, lançado pela editora Libratrês. Aos domingos, está neste blog com textos sobre o cotidiano
Cara Professora,
Vc pode ser não fazer poesia ,mas toca em pontos exatos em que fazem parte de nosso dia dia. Falar de amigos é falar de si mesmo. Só os temos quando temos a nós mesmos.
É um teste de confiança e sabedoria.
Qual de nós pode, ao momento mais difícil, socorrer-se ao um amigo. E o amigo pedir socorro quando precisa. Estamos prontos a receber? E a felicidade, dividimos também?
De fato, grande tema para pensar.
Parabéns!
Lindo! Tocante como a tua sensibilidade. Você, Maria Lúcia é mais do que especial e para mim, é sim uma grande poetisa, daquelas que nos fazem sorrir o coração ou nos encher de lágrimas os olhos quando nos deparamos com as lindas palavras que escreve.
Maravilhosa!
Um excelente tema, pois ter uma amigo hoje é uma preciosidade temos sempre que regar a amizade para que ela não se perca….
Um grande bejo Malu
É tão sério uma amizade verdadeira que passamos a chamar este ser parceiro de “irmão”. Você nos transmite essa emoção pura, verdadeira, da grande amizade, do carinho, da compreensão, etc… – Por isso somos seus fãs !! – Parabéns pelas palavras !