Câmeras escondidas para punir motoristas

O Panopticon do filósofo britânico Jeremy Bentham seria uma prisão que permitiria observar qualquer ocupante a qualquer momento sem que ele estivesse ciente de quando isto estaria ocorrendo. A intenção da “eminência invisível” seria encorajar o bom comportamento. A prisão idealizada no século 18 nunca foi construída, mas a idéia atravessou as décadas, e ainda mantém adeptos que atuam em áreas diversas da exercida por Bentham, conforme destacou o jornal The Economist em reportagem que me foi encaminhada pelo colega Carlos Alberto Sardenberg.

O sistema disciplinar de Benthman teria sido incorporado pela Cumbria Safety Camera Partnership, responsável pelas câmeras que flagram excesso de velocidade que estão nas esquinas da região no North-West England. A partir de junho, a organização vai dispor de câmeras móveis que serão frequentemente trocadas de lugar. O objetivo é deixar os motoristas inseguros em relação ao local das câmeras, forçado-os a dirigir com mais cautela.

Para The Economist, a experiência trará uma bem-vinda dose de sanidade para a tímida ação da rede de câmeras fixa que ajuda a fiscalizar o tráfego de veículos, na Inglaterra. Instaladas apenas naquelas estradas consideradas mais perigosas, as câmeras, apesar de terem reduzido o número de acidentes em 24%, logo passaram a ser identificadas pelos motoristas que adotam comportamento semelhante ao dos brasileiros: freiam bruscamente nas proximidades do radar para acelerar novamente, em seguida.

O plano de Cumbria é inspirado no estado australiano de Queensland, o qual tem usado as câmeras em lugares aleatórios desde 1987, resultando em queda de 35% no número de acidentes. Um apoio de peso à idéia, vem da Organização Mundial da Saúde que, segundo o jornal, vê no sistema “aleatório e escondido” mais efeitos do que qualquer Panopticon poderia ter alcançado se um dia fosse construído.

A medida gera crítica dos motoristas de carro. Sheila Rainger, da britância Fundação Rac, que fala em nome deles, adverte que as câmeras não tem a eficiência anunciada: “Câmeras detectam corredores, mas não maus motoristas”. Acrescenta, afirmando que estes equipamentos estão substituindo o policiamento e isto põe em risco a segurança nas estradas.

The Economist defende que as câmeras de vigilância móveis e escondidas estão entre as três medidas mais eficientes para reduzir o número de acidentes e mortes nas rodovias. As outras duas são estradas bem desenhadas e preparo mais apurado dos motoristas para a obtenção da licença para dirigir.

O resto, digo eu, é faz-de-conta.

19 comentários sobre “Câmeras escondidas para punir motoristas

  1. É necessario que haja uma estrutura que promova o lado do bem, o lado da vida e da civilidade. É necessária uma doutrina sólida baseada no que é realmentre importante para a convivência em comunidade. Além de leis escritas no papel são necessários muitos homens comprometidos com o que está no papel. Por que não começar com os jornalistas, dos quais muitos multiplicam desinformação e sensacionalismo, que atingem exatamente o público que mais necessita de orientação e são mais sucetíveis de serem arrebatados.
    Falar o termo enlatado e sensacionalista de “indústria da multa” não ajuda a discussão apenas repete a revolta que está no interior das pessoas e que foi plantada nas últimas décadas.
    Pensemos em estruturas daqui para frente.
    Isto sim é uma forma responsável de começarmos a melhorar nossa forma de resolver problemas.
    Gritar impropérios incovenientes mata as iniciativas contra a desordem.
    Estruturas planejadas resolvem.

  2. Milton,
    No Brasil já são usados radares móveis nas rodovias, operados por policiais militares ou por funcionários de firmas particulares. Por exemplo, ontem eu vi três radares móveis na via Anhanguera, nos trechos sob concessão da Intervias e da Autovias.
    Sou perfeitamente a favor do uso dos radares móveis, pois o cumprimento às leis deve ser uma obrigação a que todo o cidadão deve-se impor. Além disso, os acidentes de trânsito tem um custo social muito alto; porisso sou a favor de uma fiscalização mais rigorosa.

  3. Precisa sim haver educação, orientação, mas tb deve haver a cobrança dessa educação toda.
    Sabemos q há limite de velocidade, pq no caso dos radares, tem q haver a sinalização de uma lei q vc sabe q existe e tem de respeitar ?
    Voltei do interior na 2ªf pela Castelo Branco, observei os radares fixos, impossível não vê-los, mas tb percebi radar móvel escondido.
    Já q exitem pessoas q não se importam em respeitar o direito de vida de outros, sou a favor sim dos radares, sinalizados ou não.

  4. Sou contra os avisos que informam a presença dos radares. Os motoristas só respeitam a velocidade quando há o aviso. Assim que passam pelo radar, voltam a aumentar a velocidade. De fato, não faz parte da nossa cultura manter uma conduta coerente, a menos que haja um policial ou um radar, bem visível. Os motoristas chegam a reduzir a velocidade drasticamente quando enxergam um policial ou um radar à ffrente.

  5. A minha sugestão para este caso e alteração da placa que indica a velocidade limite a ser respeitada, de forma que indique que o local também está sob fiscalização eletrônica. Creio que seja a maneira adequada para o caso.

  6. Complementando o meu comentário, com a alteração da placa que silaliza o limite de velocidade, indicaria ao motorista que a a via é fiscalizada e não o local exato da fiscalização, desta forma o motorista seria obreigado a manter-se no limites indicados pelas placas.

  7. Aqui no Brasil, se você tiver um desafeto e quiser mata-lo, não contrate um assassino profissional, pois ele pode ser preso e te delatar. Existe uma maneira muito mais eficaz, pegue seu carro e quando ele pisar na rua passe por cima dele. Se ele for ciclista mehor ainda, assim que chegar próximo a um cruzamento, ignore-o como a maioria dos motoristas fazem, e passe por cima dele. Certifique-se apenas que ele não sobreviveu, pois se a morte for certa, o assassinato vira um “acidente” e no máximo, irá te custar umas cestas básicas, bem mais barato que um assassino profissional e o mais interessante. Tudo dentro da lei. E viva a impunidade.

  8. Não sou contra a fiscalização (ocultas e aletórias), mas há a necessidade de investir na educação e, em contra-partida, mudarem a velocidade máxima em alguns trechos de rodovias onde, perfeitamente, comportam velocidades da ordem de, por exemplo, 130km/h. Se o motorista vai andar o tempo todo a 130km/h aí é questão de bom-senso. Os educados andarão a 130km/h quando a sinalização (que deve estar presente constantemente) assim o permitir.

  9. Quando se fala em maus motoristas, creio eu que parte da culpa cai também sobre as montadoras de carro que para vendê-los, criam propagandas que estimulam o consumidor a comprar o carro não como um meio de locomoção, mas um meio de você ter um carro potente e que corre muito. Ou seja a pessoa é incentivada a comprar um carro por que ele é veloz. Isso sem falar em carros turbinados. Pense! Um carro veloz pra andar a 60, 70 Km/h aqui dentro de São Paulo. Pra quê?

  10. Milton
    O problema maior de qualquer coisa que o brasileiro implanta é que no inicio tem o foco de se resolver um determinado problema, mas logo depois o foco se volta aos lucros deixando de lado o problema, ou seja, quanto é que vamos ganhar para implantar este projeto…….assim não funciona mesmo.

  11. Acho válido essese mecanismos de vigilância porém, diante de tantos impostos que pagamos sobre um veículo, os governos teriam sim, a obrigação da contrapartida, com estradas melhores e bem mais cuidadas, pois é o quenão vemos na maioria das estradas federais ou estaduais. O Estado brasileiro é altamente arrecadador poré, insuficiente redistribuidor de benefícios aos que os sustentam, ou seja, nós pagadores de impostos

  12. Não sou contra a fiscalização (ocultas e aletórias), mas há a necessidade de investir na educação e, em contra-partida, mudarem a velocidade máxima em alguns trechos de rodovias onde, perfeitamente, comportam velocidades da ordem de, por exemplo, 130km/h. Se o motorista vai andar o tempo todo a 130km/h aí é questão de bom-senso. Os educados andarão a 130km/h quando a sinalização (que deve estar presente constantemente) assim o permitir. A fiscalização eletrônica é ruim porque esse tipo de fiscalização apenas fiscaliza a velocidade. Apenas a presença de um policial, com uma viatura, por exemplo, já é fator pra coibir outros atos de imprudência, bem como até assaltos.

  13. milton, acho que além da multa, ou na substituição dela, o infrator deveria cumprir 1 (um) dia de serviço comunitário na CET. muitos preferem pagar a tal “cesta básica” do que prestar serviços comunitários.
    o ato de praticar serviço comunitário implica que os seus colegas ou vizinhos saibam de sua “falha”.
    essa repreenssão psicológica certamente seria muito muito mais eficaz que apenas aplicar a pena econômica.

    nadais

  14. Se a real preocupação da polícia (ou de qualquer dirigente) fosse educação ou prevenção, todos os meios (radares ocultos, aleatórios, aparentes, “marronzinhos”, etc) estariam justificados. Porém, o objetivo maior é nitidamente o faturamento. Sempre vejo “marronzinhos” estacionados EM FILA DUPLA para multar carros estacionados em local proibido ou escondidos para flagrar um erro. Acho que tem que multar mesmo quando transgredimos, mas se a intenção é corrigir, APAREÇAM! Todos: guardas e radares, em grande número, até que as pessoas se acostumem ou aprendam a obedecer. (A obediência à regras fica na dependência da educação individual pois para o coletivo,com os exemplos que temos no Brasil, vindos especialmente do poder público, em todos os níveis, fica difícil obedecer ou seguir regras ). Bjs

  15. Milton, eu nunca ouvi dizer nada sobre isso, e não sei se é muita ignorância minha sobre o assunto, mas, porque os carros não saem de fábrica com uns 120 de velocidade máxima, visto que o limite máximo de velocidade nas estradas do país vai até 110/120? Porque os carros saem com até 250 Km/H, se não se usa tudo isso?

    Milton, sou seu ouvinte, assim como de toda a programação, quando estou trabalhando em casa.

    Um abraço!

  16. Milton, vc acabou de comentar (6/2 11:40h) sobre as lombadas e sua aplicação indevida em rodovias. Aqui em na região de Campinas, para vc chegar em Monte Mor tem que passar por 32 lombadas a partir de Hortolândia, num curto trecho. A rodovia é a SP101 (Jornalista Francisco Aguirre Proença) que liga Campinas à Capivari. O que podemos fazer para regularizar isso?

  17. 16. Milton, vc acabou de comentar (6/2 11:40h) sobre as lombadas e sua aplicação indevida em rodovias. Aqui em na região de Campinas, para vc chegar em Monte Mor tem que passar por 32 lombadas a partir de Hortolândia, num curto trecho. A rodovia é a SP101 (Jornalista Francisco Aguirre Proença) que liga Campinas à Capivari. O que podemos fazer para regularizar isso?

    Ps: Estou postando novamente porque deu problema no primeiro envio.

  18. Milton, recordo quando você disse que esteve em Mogi das Cruzes, sobre as lombadas e hoje comentou novamente.Há bom tempo passei por lá e me deparei com “elas “, difcilmente o carro passa sobre sem ” ralar o fundo” e os escapamentos, mas agora tem uma novidade que são os chamados Pardais e lombadas eletrônicas que começa em Itaquaquecetuba -antiga São Paulo Rio.
    Quero lembrar que na Avenida Pires do Rio altura do número 528 bairro de São Miguel Paulista, há uma lombada que acredito , estar mal sinalizada pois a maioria dos motoristas só percebe quando está bem próximo e freia bruscamente estive no local por estes dias, enquanto aguardava no salão de cabeleiro em frente , percebi o que ocorria,afinal está lobada pode causar acidentes.

  19. Milton,
    Será que por não existir placa “é proibido matar” vamos sair matando todos que encontrarmos a nossa frente? Mas ao mesmo tempo fica a suspeita será que a camara sem informação visa educar e inibir ou aumentar a arrecadação? Alias aonde podemos ver aonde está sendo aplicado o dinheiro das multas? Pois, salvo engano, alem da verba que já teria que ser destinada a educação do transito e infraestrutura o valor arrecadado seria a chamada verba carimbada e deveriar ir exclusivamente para esse fim.

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