Ambiente Urbano: Prefeitura aposta no paliativo

Por Osvaldo Stella

Nesta segunda feira inicia-se oficialmente o plano da prefeitura de sao paulo para melhorar o transito. Na página da prefeitura é possível analisar em detalhes o conteúdo da proposta.

Destaca-se:

“Na próxima segunda-feira (24/03), a Prefeitura de São Paulo inicia a execução de seu plano de ações. Serão 19 obras em zonas críticas do viário municipal e recuperação de sete corredores de ônibus. As ações para melhoria do trânsito contam também com proibição
de estacionamento e carga e descarga de caminhões em 17 vias, além da criação de 175 caminhos alternativos nos locais em que o trânsito é mais afetado pelo excesso de veículos. Além disso, serão retiradas 167 lombadas e valetas de vários pontos da cidade.”

Quando analisamos o detalhamento dessas intervenções percebemos que são obras praticamente de manutenção da infra estrutura já existente.

“Nossa intenção é desafogar os principais gargalos de trânsito da cidade, permitindo maior rapidez nos corredores de ônibus e maior fluidez no trânsito”, afirma o secretário municipal de Transportes. Segundo ele, a partir do instante em que os ônibus trafegarem com maior velocidade, principalmente pelos corredores, a população deverá optar por utilizar ainda mais o transporte coletivo. “A meta é diminuir em até 20 a 25 minutos a maioria das viagens pelos corredores”, prevê o secretário.

Quando analisamos o depoimento acima, do próprio secretário de transportes, é de se abismar a simplicidade com que ele entende os fatos. As medidas propostas são desproporcionais em relação ao tamanho do problema. Seria necesssário discutir projetos de
longo e médio prazo que realmente contribuíssem para a mudança da estrutura do transporte na cidade de são paulo. Quando isto vai acontecer?

Em 1992, foi ressucitado pela Emplasa (Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano) em conjunto com a Eletropaulo um projeto de 1979. Naquela época previu-se a construção de uma ciclovia que ligaria a USP ao Parque do Ibirapuera. Hoje, 16 anos depois não existe nem sinal desta obra, nem de tantas outras essenciais para alterar a rotina paulistana. Na implantação desta ciclovia seria resolvido um problema bem mais simples mas que é um símbolo do planejamento urbano em são paulo.

Muitas das pessoas que utilizam o transporte público para ir até a USP precisam cruzar a pé a ponte da Cidade Universitária, vindo tanto da estação da CPTM ou da Ponte Orca. No fim da ponte são obrigadas a duelar com os automóveis que cruzam no dois sentidos as alças de acesso. Alguns dos motoristas buzinam enlouquecidos quando um pedestre um pouco menos agil se atem por alguns milésimos de segundo na faixa de pedestres. Como se fossem eles os culpados pelo caos no trânsito.

Escreva para o Ambiente Urbano no e-mail ambienteurbano@cbn.com.br

4 comentários sobre “Ambiente Urbano: Prefeitura aposta no paliativo

  1. Pelo visto minha vida em nada vai mudar.
    De Pinheiros à Barão de Limeira levo 50 minutos pela Rebouças/Consolação ou alternativa Gabriel Monteiro.
    Uma dica para que segue para lá, é melhor ir pela Rua Inácio Pereira da Rocha, Av. Sumaré e Av. Pacaembu, leva 30 minutos ou menos.
    A Prefeitura não está mudando nada mesmo!
    Será que Prefeito, Governador, juntos, não poderiam trabalhar em um plano de emergência no transporte coletivo (+Metro e + ônibus+ qualidade)? Seria menos “paliativo”.

  2. Dia 24/03/2008 – Rua Flórida 18:00 até Rua Sócrates 20:15. São apenas 10 Km em 2 h e 15 minutos. Se isto não é um caos, o que seria? Falta de vergonha dos governantes?? Falta de engenheiros e inteligência na CET?? Falta de visão de como esta situação acaba com a vida dos Paulistanos e nas implicações na Saúde (poluição, mortes e estresse), na Economia (milhares de litros de combustível gastos sem gerar nenhuma produtividade ou riqueza), enfim há milhares de motivos para que nos revoltemos com o tratamento demagógico e completamente irresponsável que as autoridades tem dado a esta situação. Como nós (Sociedade), as grandes organizações e as respeitadas instituições de comunicação como a CBN, a TV Globo e a Globo.com podem e devem tomar iniciativas e propor soluções sem esperar a tal vontade política? Vivo nesta cidade, tenho filhos, amigos queridos, colegas de trabalho, pobres ou ricos, todos estamos sendo mortos aos poucos. Senhores ajudem-nos a não morrer por tão besta causa.

  3. É claro que não serão mãos nem contramãos que vão solucionar o movimento na cidade.
    Mas faz parte do serviço que se deve esperar do CET.
    Às lideranças que lidam com transportes, cabe a discussão e encaminhamento de propostas mais profundas.
    O que prevejo como medida paliativa (emergencial), é adoção de “marés no trânsito”.
    Vão ser artérias fluindo preferencialmente para atender o fluxo do horário.
    Que nem se faz com a descida/subida da Serra do Mar prá baixada.
    Mas sem se discutir seriamente aceleração de projetos de vulto como metrô (urgente urgentíssimo), e um estudo decente sobre os demais transportes públicos (acabando com os velhos e caducos cartéis), a cidade estará refém do colapso que nem se pode mais dizer que é anunciado. Já é fato, que só precisa de uma “oportunidade”.

    Helena

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