GPS “burro” está com os dias contados

O navegador que está sobre o painel de meu carro costuma pregar algumas peças. Não estivesse atento, dia desses teria entrado à esquerda na Estados Unidos enquanto seguia pela Nove de Julho em direção ao centro de São Paulo. Para quem não visualiza a região, teria saído da pista em que estava, feito a conversão à esquerda. que é proibida, cruzado dois corredores de ônibus e a faixa de carros do sentido contrário. Acidente na certa.

Sem cometer injustiça com a máquina, as orientações ajudam a chegar de um ponto ao outro na cidade, na maioria das vezes. O mais frustrante, porém, é saber da incapacidade do GPS de nos fazer escapar dos congestionamentos. Invariavelmente nos deparamos com extensos engarrafamentos na avenida indicada no monitor. Sempre há a oportunidade de um caminho alternativo, mas nada nos garante que outros motoristas não estejam seguindo o mesmo rumo.

O GPS é “burro”, com todo o respeito. Ele mostra avenidas, ruas e estradas para circular na cidade, mas o satélite não lhe comunica volume de tráfego – pelo menos aqueles que estão à venda no Brasil.

De acordo com a revista The Economist, a era dos navegadores inteligentes já começou, nos Estados Unidos e Europa. Os 4 mil quilômetros da congestionada rodovia 95, entre Nova Jersey e Carolina do Norte, mais as estradas adjacentes, estarão equipados, no verão, para coletar informações do fluxo de veículos a partir de sensores instalados na estrada, de câmeras ao longo do caminho e do sistema de navegadores por satélite dos milhares de veículos que rodam dia e noite. Com isso, os dados serão atualizados em poucos minutos e será possível identificar, rapidamente, onde estão os pontos de retenção.

As informações serão processadas pela INRIX, companhia baseada no estado de Washington, que enviará os dados para autoridades do trânsito, equipes de emergência e empresas que mantêm o serviço de navegação por satélite.

Telefones móveis dos veículos podem, também, prover arquivos de tráfego em tempo real, segundo reportagem da revista britânica. A idéia é registrar, de maneira sigilosa, o sinal emitido pelas antenas de telefonia móvel ao longo da estrada. Inglaterra, Alemanha e Holanda serão os primeiros países a experimentar esta rede de comunicação que irá oferecer aos motoristas rotas alternativas confiáveis graças ao negócio fechado entre a Tom Tom – que também atua no Brasil – e a Vodafone.

Na cidade de São Paulo, com malha viária de 17 mil quilômetros, apenas 800 são monitorados, mal e porcamente, pela CET. Em muitas avenidas ainda funciona o “olhômetro” – fiscais com binóculo no alto dos prédios repassam informações por rádio à central. O uso do chip instalado nos carros, obrigatório a partir de 2009, poderia servir de base para que a Companhia de Engenharia de Tráfego desenvolvesse rede mais complexa e confiável de dados. A chegada do GPS inteligente facilitaria o deslocamento pela cidade para carros e frotas de caminhões, economizando tempo e combustível. Verdade que, a persistirem os sintomas, haveria um dia em que ao acionar o motor do seu carro, o navegador sobre o painel em vez de sugerir-lhe conversão à esquerda mandaria-lhe de volta para a cama.

3 comentários sobre “GPS “burro” está com os dias contados

  1. na Alemanha os sistemas de navegação dos automóveis já recebem informações “on line” há muitos anos, sobre congestionamentos e interdições nas ruas e estradas, recalculando automaticamente a rota e sugerindo um melhor caminho. Concordo com você quando diz que o nosso “é burro”, mas já é um começo.

  2. E eu que não sabia fossem burros os GPSs à disposição dos brasileiros. Vou esperar a chegada dos estrangeiros,que fosse disse serem inteligentes.

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