De memória e da falta dela

 

Por Maria Lucia Solla

 

Olá

 

Hoje é terça-feira e, desde ontem, meu laptop está em estado de coma. Eu, em pânico, a ponto de entrar em colapso. Agora me diga, como é que a gente vivia antes da era do computador, quando tudo era escrito a máquina, datilografado, ou escrito a mão mesmo? E antes da invenção das máquinas copiadoras, então? Lembra do papel carbono? As unhas das secretárias eram
um misto da cor de sua preferência e o azul-arroxeado do carbono. Um horror! Se todas as folhas de papel não estivessem bem encaixadas em volta do rolo que as prendia, as cópias dos documentos não poderiam ser enviadas – pelo correio! – para os diversos remetentes, e não tinham como ser arquivadas. Ah, e neste ponto não dá para esquecer dos arquivos, horrendos
móveis de metal, com gavetas enormes e pesadas, repletas de documentos organizados em pastas que tinham uma engenhoca dupla, de alumínio, na lateral esquerda. A parte de baixo do pequeno equipamento era composta por duas antenas feitas de uma molinha estranha ou então de duas hastes fixas de metal que se encaixavam perfeitamente aos furos feitos no papel por uma outra geringonça chamada furador. Tinha o de dois e o de quatro furos. A gente precisava dobrar a página ao meio e fazer uma marquinha na lateral esquerda do papel para que o furador se encaixasse perfeitamente ali, e os documentos fossem arquivados bem alinhados.

 

É um alvoroço só, a cada nova invenção tecnológica, e eu, que sou doida por um aparelho eletrônico, tenho um laptop moderno e três impressoras, porque fui comprando uma mais moderna que a outra, e acabei armazenando todas. Bem lembrado, vou doar duas delas para uma instituição, primeira coisa, na próxima segunda-feira. E tem melhor dia para se tomar uma
atitude?

 

Mas, voltando às invenções na área da tecnologia, comprei também um roteador, ou seja, posso andar com o meu laptop pela casa toda, sem ficar presa a um cabo, e posso ter acesso à magia da internet sem fio. Tenho leitor e gravador de devedês e de cedês e, a partir desta semana, após um tempo de séria reflexão sobre minha atual posição financeira, sou uma das mais novas proprietárias de um GPS e um IPAQ, num pacote só. Quanto à última sigla, não vou me estender. Acredite, é inacreditável! Também tenho máquina fotográfica digital e equipamento especial para descarregar as fotos, diretamente de sua memória para a memória do computador. Não satisfeita, e para facilitar ainda mais minha vida, comprei um pen drive para fazer back up, ou seja armazenar ali tudo o que está na memória do computador, que é quase todo o arquivo da minha vida. Livros, textos, fotos, material de aulas e palestras, e este espaço seria pequeno para eu descrever tudo o que há lá dentro. Só que esqueci de fazer!

 

Pense nisso, e até a semana que vem.

 

Maria Lucia Solla é professora, terapeuta e autora do livro “De bem com a vida mesmo que doa”, lançado pela editora Libratrês. Aos domingos, está neste blog com textos sobre o cotidiano

 

Do blogueiro: Este texto foi publicado neste domingo com atraso devido a problemas no computador do autor do blog.

Um comentário sobre “De memória e da falta dela

  1. Ufa , cansei só de tentar acompanhar teus avanços tecnológicos . Há! hhhá! Claro que quero continuar incluída nos teus textos . Bjs , Maryur

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