De stress e depressão

Por Maria Lucia Solla

Olá,

Ontem assisti a uma palestra da minha prima Rosely Sola, sobre Stress e Tratamentos Naturais. Rosely é psicóloga, superdiplomada, colecionadora de títulos, e acaba de dar mais um passo à frente, no caminho da sua realização. Corajosamente, e apoiada pelo seu grande amor, tomou a difícil decisão de deixar para trás o mundo empresarial, aposentou terninho e saltos altos, colocou na maleta conhecimento, experiência e coragem, e partiu para a grande aventura pelo Espaço Holístico Transmutando.

Antes de contar para você o que ouvi ali, quero frisar que, quando ela fala de tratamentos naturais, se refere ao que está disponível na natureza do planeta e na nossa própria natureza, em contraposição a produtos sintéticos. Aromas, cores, flores, massagens, Reiki, Radiestesia, um ouvido atento e treinado para ouvir a verdade do outro, sem julgar e principalmente sem condenar, é o que ela oferece.

Lá no Espaço, no dia festivo da inauguração, a sala reservada para a palestra logo se encheu de gente silenciosa e atenta. Todos um pouco tímidos no início, apesar da indicação de que seriam bem-vindos, o diálogo e as intervenções. Poucos minutos depois de iniciada a palestra, já se podia ouvir o movimentar de corpos nas cadeiras. Ajeita uma perna aqui, acomoda um braço ali, uma olhada para o lado, para checar a reação do vizinho às informações recebidas, e o clima foi descontraindo e esquentando. O assunto tocava pontos nevrálgicos.

Rosely explicou que stress é uma reação, positiva e necessária à nossa sobrevivência, a todo tipo de excitação emocional. Disse que se formos confrontados por uma situação de perigo, por exemplo, e precisarmos fugir da ameaça, os neurônios se mobilizam e ordenam que as glândulas endócrinas produzam hormônios a fim de nos munir de força nos músculos, e sebo nas canelas. Acontece que hoje, quando o organismo agiliza todo o processo e a gente se apronta para sair em disparada, músculos turbinados e canelas ensebadas, precisa abortar a missão para não morrer com um tiro nas costas.

Sem contar o perigo, você já se deu conta de quantas emoções acionam suas glândulas endócrinas todos os dias e, dessas vezes, quantas pode permitir que o corpo responda a esses estímulos? Quantas vezes pode deixar sair pela boca tudo o que o seu coração gostaria de dizer? A verdade é que a gente acaba armazenando uma quantidade excessiva de hormônios, muito além do limite administrável. Abortamos gestos, palavras, e atitudes que poderiam encaroçar ainda mais o angu na nossa panela, já encaroçado que chega. Pois bem, toda vez que esse processo físico se frustra, a gente se frustra, e uma frustração somada a outra acaba transformando o stress benigno em inimigo devastador. Costumo dizer que emoção sem expressão é depressão na certa.

Finalizando a palestra, Rosely elencou sintomas que sinalizam a urgência de procurar auxílio, e minhas pálpebras começaram a bater em ritmo acelerado. Tirei, rápida e estrategicamente, a agenda da bolsa, comecei a fazer anotações e, quando olhei para o lado, vi que alguns vizinhos faziam o mesmo. Na minha escrevi, ligar para a médica. Antes do coquetel, passamos pela sala de exposição de produtos e saímos com sacolas cheias de essências naturais de laranja, jasmim e alecrim, sabonetes de canela, sprays para o ambiente, velas aromatizadas e incensos. Sentíamos urgência de viver, e de viver melhor cada minuto da vida, que é feita de tempo, não é?

Pense nisso, e até a semana que vem.

6 comentários sobre “De stress e depressão

  1. “….e uma frustração somada a outra acaba transformando o stress benigno em inimigo devastador”. Tenho certeza que ficarei com esta frase na cabeça a semana toda. Pena que não podemos resolver isso fugindo, lutando ou falando o que achamos, que deveria ser o natural. Seria a solução de uma parte do problema, mas o início de muitos outros. Parabéns pelo texto.

  2. Excelente texto esta msg só pode ser de uma pessoa q tem grande sabedoria … Milton Parabens por compartilhar este tipo de trabalho … Este tema deve ser mais explorado por todos nós dia a dia …

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