Uma sessão tumultuada serviu apenas para a cidade de Praia Grande, no litoral paulista, mostrar que os legislativos municipais costumam ser dominados pelo Executivo. Houve protestos, moradores com nariz de palhaço e gritos contra vereadores, mas nada suficientemente forte para mudar a postura em defesa do prefeito Alberto Mourão (PSDB), que teve nome citado nas denúncias de desvio de verba pública do BNDES.
Segundo relatório da Polícia Federal, o deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), teria recebido propina de R$ 325 mil para intermediar empréstimo de R$ 124 milhões do banco para a prefeitura de Praia Grande. Reportagem do jornal O Globo afirma que Mourão teria repassado R$ 2,6 milhões à quadrilha em troca da aprovação do financiamento.
Os poucos oposicionistas que sobrevivem na Câmara Municipal de Praia Grande tentaram aprovar requerimento para que o prefeito fosse ao legislativo dar explicações sobre o empréstimo. Sem sucesso.
A propósito, o prefeito Alberto Mourão (PSDB) ainda não falou em público sobre o assunto. Resumiu sua resposta a uma burocrática nota oficial.
A responsabilidade do prefeito precisa ser provada no decorrer das investigações, assim como a de Paulo Pereira da Silva, mas esclarecimentos públicos, responder as perguntas de jornalistas ou de legisladores na Câmara, faz parte da democracia. E eu gosto.