Ex-funcionária do CDHU morre “ilegal”

Caro Milton

É com o coração partido que informo o falecimento da Dona Nina Levashko Eispu.

Essa Senhora, com mais de 70 anos de idade, morreu só em seu apartamento, acompanhada apenas pelos seus cachorros que ela tanto amava.

Russa, migrou para o Brasil ainda jovem. Lembro dela contar a seus amigos que, com dedo em riste, desafiou um agente da KGB, em sua terra natal.

Em 1986, começou a trabalhar dentro da CDHU, subordinada a funcionários da CDHU, porém por empresa terceirizada e em 1989, segundo as regras vigentes à época, foi selecionada e contratada pela CDHU por quem trabalhou afinco por 22 anos, initerruptos. Ela foi responsável pela montagem do Departamento de projetos Elétricos da CDHU, apesar de ser formada em medicina na Russia.

Finalmente, já com câncer no estômago, ela foi demitida da CDHU em 2006, sob a acusação de “ocupar um cargo público de forma ilegal e imoral”.

A Dona Nina, nunca, em sua vida toda foi imoral. Confiou sua vida profissional à sua patrôa, a sua chefe… a CDHU. Confiou que essa “Empresa de Economia Mista”, a contratou por meios legais, afinal a CDHU corroborava pela “legitimidade” de seu emprego, toda vez que a D. Nina recebia seu Holerith.

Ela sempre dizia a todos que deveriamos buscar a imprensa para denunciar “essa imoralidade” do Estado. Ela sempre se perguntava, “como posso eu ser ilegal se foi a empresa que me selecionou e me contratou?”… dizia ela também à comissão que organizava o grupo dos demitidos… “Devemos lutar pela nossa honra e para isso devemos alertar a imprensa”.

Alguns membros do grupo procuraram sim a imprensa para “fazer voz aos Demitidos da CDHU”, por nulidade contratual. Talvez por serem poucos, apenas 76 funcionários admitidos em 1989, a notícia ou a “denuncia”, não teve repercusão.

Agora, com os números de demissões se elevando e mais sindicatos de mobilizando vêm à tona os fatos.

A D. Nina, lutou brava e heroicamente. Com sonda no estômago, não faltava às reuniões de mobilização do grupo. Ela opinava e exigia atuação dos sindicatos, dos advogados e de todo mundo. Como ela sempre dizia “temos que colocar a boca no trombone”. Ela lutou com muito mais energia que pessoas mais novas e saudáveis que ela.

Peço a você Milton, em nome da memória da Dona Nina, fale aos seus ouvintes em alto e bom tom, que os funcionários da CDHU, PRODESP, SABESP, CETESB e de outras empresas que estão passando pelo mesmo que a D. Nina, NÃO SÃO ILEGAIS. Os empregados do Estado são “hipo-suficientes” na relação laboral, e que agiram de boa fé, acreditando que o Estado, no seu dever por zelar pela Lei, sabe o que é legal ou ilegal.

Lembrando que todas essas contratações foram aprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado e também pelo CODEC, Conselho de Defesa dos Capitais do Estado, assim como os corpo diretivo das empresas em questão.

Mensagem enviada por ouvinte-internauta que enviou todos os seus dados mas pediu anonimato

8 comentários sobre “Ex-funcionária do CDHU morre “ilegal”

  1. Milton de coração obrigada por ter postado esta linda homenagem, a essa mulher maravilhosa, que sua morte não seja em vão, obrigada de coração por vc amigo, ser o único a ter coragem de ao menos nos ouvir, eu a amava muito, o tempo que trabalhamos juntas, ela além de muito inteligente, sempre foi muito carinhosa com todas as pessoas, independente de sua hierarquia na empresa; que alguém leia e veja qto mal está fazendo a todos nós. Obrigada

  2. Obrigada Milton por ceder a nós esse espaço, a D. Nina juntamente com o Prof Dirceu (outro membro do grupo demitido, falecido logo no início do ocorrido) serão mártires de uma ação sem precedentes que a CDHU, empresa mista do Governo do Estado, se escondeu para ocultar seu erro, sim, pois, à época das admissões, não havia concurso público, e fomos admitidos com testes válidos à época. Lutamos e vestimos a camisa da empresa por longos anos, muitos de nós como a D. Nina e o Prof Dirceu, montaram toda a parte técnica em suas áreas, que não existia na empresa. Simplesmente a CDHU junto com o Ministérios Publico, não quiseram saber se éramos profissionais, pessoas idôneas, que t[inhamos família, que por anos deixamos em casa para se dedicar somente à empresa. Fomos demitidos após 18, 22, 25 anos como bandidos!!! sim, não tiveram a hombridade de nos acolher perante SEU erro, e não nosso. Infelizmente essas duas vidas para nós serão sempre lembradas, mas para a CDHU, não passam de mais uns.

  3. É muito triste saber que uma profissinal dedicada morreu levando consigo esse desgosto de ser tachada como ilegal. Também é desanimador saber que os diretores e presidentes destas estatais, únicos responsáveis pelas nossas contratações, jamais serão punidos pois para eles o tempo de punição já prescreveu, quanto a nós, trabalhadores, não há prescrição, pois nosso crime foi ter trabalhado honestamente, sem fazer politicagem e sem desviar verbas para campanhas.
    A dona Nina que descanse em paz, porque para a nós a luta continua, poderemos ser demitidos, mas um dia veremos os responsáveis por essa palhaçada pagando, de alguma forma, todo o desgaste físico, emocional e psicológico que nos causaram, a JUSTIÇA DIVINA TARDA MAS NÃO FALHA, porque a justiça dos homens precisa atender a muitos interesses….

  4. É muito triste saber que uma trabalhadora, honesta e correta tenha ido sem ter seus direitos reconhecidos. E muito triste também é ver a vergonha que o Ministério Público vem fazendo. Jamais imaginei este órgão atendendo a interesses políticos! Espero que esta promotora durma em paz…

  5. Milton, isto que está acontecendo com funcionários do maior Estado da federação é uma indignidade, com o aval do Ministério Público, que no afã de cumprir o que eles acham, o Executivo concorda, pois de forma sórdida se ausenta da responsabilidade e tunga o bolso dos funcionários que deram 20 anos de suas vidas ao Estado, sem contar a pecha de ilegalidade, é realmente revoltante ver nossos governantes que se dizem sociais-democratas, que vergonha !!!

  6. Milton, a maldade do Ministério Público em conlui com o Executivo paulista não tem fim, pois macomunados estão chacinando funcionários que passaram 20 anos servindo ao Estado, é revoltante ver governantes, que para livrar a cara dos administradores da época fazem conchavo com o Ministério Público jogando a culpa, ou seja a responsabilidade nas costas do funcionário, pois no entender do MP foi ele quem se contratou, isto é uma piada, só que mata !!!

  7. estou em minha posse um cheque no valor de 210,00
    n 934304 com a data de 10 de maio de 2009.
    tenho comercio em santo antonio do pinhal onde foi efetuado
    uma compra de velas no feriado de 1 de maio.
    o cheque é de NINA LEVASHKO EISPU.
    pelo que vejo o cheque pertence a alguem que já faleceu.
    acredito eu que alguem bem proxíma da vitima está tirando
    proveito ,que tremenda cara de pau esta mulher deu golpe
    na cidade toda usando de forma sarcástica o nome dessa
    pessoa tão honros como pude ler.
    estamos todas indignados………………………

Deixar mensagem para Ilda Cancelar resposta