Por Maria Lucia Solla
Esse beijo que há tempo espreita ansioso por entre teus lábios entrefechados é meu
Tem hora que no impulso sem jeito acorrentada e covarde tenho ganas de arrancá-lo dali
Com unhas e dentes
Impaciente faminta
Mas talvez não o deva colher verde
Quero esse beijo cultivado
Quero dele a fagulha da vida que venha incendiar meu alento
Sem medo na entrega sem freio e sem pudor
O beijo que reaviva no corpo o ardor num simples roçar com hora pra começar e pra nunca mais acabar
O beijo que traz atrelado um olhar tão amoroso límpido divino que venha arejar meus cantos estagnados de ontem fazer ensolarar meu hoje e pavimentar de estrelas os caminhos de amanhã
Não me serve um beijo qualquer que desse tipo não sou mulher
Se o teu desejo é prendê-lo negando-lhe a chance à vida atenção amarre-o bem porque vejo que está à beira de se soltar
Mas se a força e o desejo desse beijo forem tais como pressinto e ele ao se libertar aportar nos meus lábios sedentos vou ajoelhar-me em contrição entregar-me sem reserva no sagrado e no profano e salvar a Terra
Será o beijo redentor o renascer do Salvador e o sepultar de toda e de cada dor
Maria Lucia Solla é professora, terapeuta e autora do livro De bem com a vida mesmo que doa, lançado pela editora Libratrês. Aos domingos, está neste blog com textos sobre o cotidiano.
Lú,
Neste texto, você revela a alma da verdadeira mulher, que busca o que é bom para si em seu desenvolvimento, e não a realização do desejo dos outros… transformando a mulher em objeto e não em ser…. Parabéns mais uma vez!
Rosely Sola
Quanta inspiração!! Acima até do que eu consigo entender em breve leitura, e já li duas vezes…
Mas são bons ares, bons amores, boas vibrações.
Obrigado e continue nos inspirando!Abraço. Mario Baccarelli.