Lançar a campanha Calçada Plana aos moldes do programa Cidade Limpa, em São Paulo, foi a sugestão que apareceu escrita em uma das dezenas de papéis que me foram encaminhadas a este mediador no debate sobre mobilidade urbana que abriu o 1o. Fórum Nossa São Paulo, semana passada. A idéia havia sido endereçada a Asuncion Blanco que, apesar de ter trabalho voltado às pessoas da terceira idade, representou – e muito bem – os pedestres e portadores de deficiência.
(Você sabia que 11% da população paulistana é portadora de deficiência ?)
Asuncion puxou a orelha de todos nós. Começou pelas entidades de engenheiros e arquitetos que deveriam cobrar de seus associados o respeito a lei. Defendeu que o proprietário cuide de sua calçada, como prevê a legislação municipal, porque a prefeitura mal dá conta do recado que lhe cabe. Da administração, cobrou fiscalização rígida e inteligência. Ela lembrou que os postos de combustíveis foram obrigados a trocar seus tanques, mas esqueceram de pedir que adaptassem os acessos. É proibido, apesar de corriqueiro, o rebaixamento total da calçada para facilitar a entrada dos carros.
Na capital, morrem dois pedestres por dia. Parte destes crimes poderia ser evitada com sinalização correta na pista e respeito do motorista, reclamou Asuncion Blanco.
A simplicidade, aliás, foi o fio condutor das propostas apresentadas por ela.
A representante dos pedestres chamou atenção dos subprefeitos que poderiam começar a preservar as calçadas no entorno da sede onde trabalham, além de eliminarem a sujeira que atravanca o caminho do cidadão (lixeiras, postes, bancas de jornais irregulares, etc).
Aqui a legislação serve basicamente como instrumento para multas, não para um ambiente acessível e ordenado. Veja que quem faz as leis é o primeiro a não cumpri-las. Exige-se mundos e fundos dos Bancos, mas alguém já viu um edifício público cumprir metade das exigências que são impostas ao setor público? Sou a favor que todos cumpram a lei do mesmo modo.
Adorei a sugestão.
Só quem já tentou andar pelas calçadas da Rebolsas que sabe o que é isso…
Em Santos foi feito um projeto semelhante. As pessoas tinham um prazo para se adaptar as exigências.
Passado o prazo, a prefeitura ia nos lugares onde não havia sido cumprida a lei, realizava o projeto e entregava a nota ao proprietário.