Tudo bem. Você é muito jovem. Seus pais são orientais. Ou circula pelo bairro da Liberdade. Ou é fanático por mangás. Neste caso, você não apenas ouviu falar como ouviu Miyavi cantar.
Escrevo para todos aqueles que não se encaixam no perfil acima. Gente que, assim como eu, jamais havia sido apresentado ao popstar japonês que esteve, nesse fim de semana, em São Paulo. A primeira vez que vi o rapaz foi em uma escola de mangá, revistas em quadrinhos japonesa, na Liberdade, onde vários meninas e meninos, vestidos de roupa escura e cabelos coloridos, esperavam em longo corredor para a abertura da loja que venderia os ingressos para a primeira apresentação do ídolo.
Nem o nome nem as vestimentas dele me davam certeza de que se tratava de um rapaz. Miyavi reinventou o visual kei, mistura do jeito japonês de ser com tendências ocidentais (fui ao Google buscar esta definição). Tem rosto com traços femininos. Exagera na pintura e nas cores (constatação própria). Ele é o preferido dos cosplayers, jovens que se travestem de mangás (ensinou-me meu filho mais velho), que proporcionaram um show especial do lado de fora do Bunkyo, Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa, na Liberdade, é lógico.
A fotógrafa Luci Júdice Yizima, que tem colaborado com o blog, esteve na apresentação de Myavi, que reuniu centenas desses jovens. Sua passagem foi meteórica, mas deixou rastro. É sensível observar a mudança de comportamento dos adolescentes e de alguns adultos também. Com isso, estimula ainda mais a influência da cultura japonesa em nosso cotidiano, comentou em mensagem pós-espetáculo.
O que mais me impressiona e me satisfaz é comprovar que é possível o surgimento de fenômenos como Myiavi sem a ajuda da mídia tradicional, no Brasil. Há na internet, principalmente, uma cultura sendo forjada que a maioria de nós não consegue acompanhar e detectar. Bem-vindo são os movimentos alternativos. Se é que não somos nós mesmos.


Sou descendente de japoneses, mas ainda assim tenho minhas reservas em relação a essa moda de cosplay, infantilização, et all.
Pelo menos o popstar canta bem?
Acho engraçado porque os japoneses trabalham muito a parte visual, mas de alternativo há mesmo muito pouco porque se comportam como “manda o figurino” da cultura local. Algo como rebeldes sem causa, mas muito dinheiro para gastar…..