Carta de um ciclista ao Sidney Rezende

Uma das maiores ausências da World Naked Bike Ride de São Paulo foi nosso colega Sidney Rezende. Apesar de tentar seduzi-lo a viajar à capital paulista, no sábado, não tive sucesso. Procurei-o entre os participantes do evento que se realizou na Avenida Paulista, mas não estava nem entre os nus, semi-nus, ou um-pouco-nus. Desconfio que o motivo que intimidou Sidney foi a falta de habilidade dele com os pedais.

Sensibilizado com a dificuldade do nosso companheiro de Conexão Rio-SP, o ouvinte-internauta Zizzo Bettega enviou o “Manual do Novo Ciclista”.

Acompanhe:

“Vai-se para cima de uma ladeira que termine, preferencialmente, num estacionamento, num descampado ou mesmo numa rua deserta, segura e sem obstáculos.

Devagar; usando sempre os pés abertos como apoio para descer a ladeira em linha reta, segurando com firmeza o guidão como se a bicicleta não tivesse caixa de direção; descer várias vezes até se sentir seguro para ir levantando os pés, almejando-se apoiar um ou preferencialmente os dois pés nos pedais. Sempre pronto para retornar a posição inicial de segurança.

Pode-se combinar o uso dos freios, inicialmente, para dosar a velocidade de descida até se adquirir segurança suficiente para dispensar totalmente os pés como apoio e freio. (Não esquecer que a proporção de frenagem correta da bicicleta é 30% no freio dianteiro, 70% no freio traseiro)

Após aprender e praticar os rudimentos do equilíbrio, iniciar as tentativas combinando o equilíbrio com o pedalar. Escolher como via a leve depressão de um estacionamento, por exemplo, ou rua deserta sem obstáculos, até se sentir seguro o suficiente para passar para declives e aclives mistos, o que vai te garantir encarar os percursos de trânsito promíscuo de um ciclista qualquer.

A bicicleta te leva 10x mais longe, 10x mais rápido com 10% do esforço.

À grosso modo, quem é capaz de praticar uma hora de corrida ou marcha acelerada é capaz de pedalar 80km por dia se tiver um bom equipamento, adequado e devidamente ajustado para suas próprias medidas.

Usar sempre capacete e demais equipamentos de segurança em especial luvas, pois na eventualidade de uma queda, as mãos, antebraços e cotovelos quase sempre tocam o chão primeiro, o que causa as contusões mais incomodas para os ciclistas, em especial os iniciantes.

Ciclista também é condutor e deve obedecer o código de trânsito que faculta livremente a circulação de bicicletas pelas vias públicas sempre no sentido da mão.

A bicicleta é um veículo preferencial e como tal deve ser respeitada, bem como o ciclista respeitar o pedestre.

É sempre triste constatar que existem ainda pessoas que não conhecem o prazer de uma pedalada e espero sinceramente poder ter ajudado na introdução de mais um ciclista no planeta.

Saudações cíclicas

Zizzo Bettega”

2 comentários sobre “Carta de um ciclista ao Sidney Rezende

  1. Caro Milton, grande amigo, estou gargalhando com o seu post. Não sei andar de bicicleta e por isso não teria como engrossar a manifestação realizada em São Paulo. Mas concordo com o objetivo do protesto. Por fim, foi melhor assim, afinal poupamos o público de uma paisagem trágica. Boas férias!! Sua inteligência e bom humor já estão fazendo falta. Seu fã. S.

  2. Sidney meu amigo de fé, meu irmão camarada: eu também não sei andar de bicicleta!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    E olha q já acumulo umas boas dezenas de anos…
    Bom saber q não sou a única!

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