Jornalista de Kassab lança livro sobre Cidade Limpa

O projeto Cidade Limpa é a marca do Governo Kassab (DEM). A retirada da publicidade externa e a redução das placas indicativas do comércio são das raras idéias que o prefeito não herdou de José Serra (PSDB), que lhe abriu as portas da prefeitura ao renunciar ao cargo para o qual havia sido eleito poucos mais de um ano antes. A campanha eleitoral não começou oficialmente, mas a discussão em torno da lei está no noticiário. Marta Suplicy (PT), por exemplo, já tentou se apoderar da iniciativa. Disse que o primeiro passo foi ela quem deu com a criação do Belezura. E anuncia que vai expor a “cidade suja” para contrapor ao programa.

Na quinta-feira, dia 19, Kassab ganhará um reforço extra na campanha. O jornalista Leão Serva, assessor de imprensa da prefeitura de São Paulo, lançará o livro “Cidade Limpa – O projeto que mudou a cara de São Paulo”, no qual se propõe a contar “os bastidores de como o prefeito Kassab realizou a mais profunda intervenção na paisagem urbana de São Paulo”. O lançamento pela Clio Editora será às sete da noite, na Livraria Cultura, do Conjunto Nacional, que deverá receber uma leva enorme de correligionários do prefeito.

Dos fatos descritos por Leão Serva, o único que poderia causar constrangimento ao prefeito (salvo engano de minha leitura dinâmica) está no trecho em que relata a briga pública de Kassab com um cidadão na porta de um hospital, em São Paulo:

“Kassab adota o hábito de chamar, para conversar, as pessoas que reclamam ou protestam isoladamente em suas visitas. Normalmente, as encaminha para um assessor de seu Gabinete, que atende o caso e estuda a reivindicação ou reclamação, incumbindo-se de dar retorno sobre sua viabilidade ou não. De alguma forma, ao verem o prefeito preocupado com suas questões, as pessoas tendem a abaixar o tom de voz e a animosidade; ao dialogarem com um assessor do chefe do Executivo, naturalmente já entendem o gesto como uma atenção e com isso o protesto se torna um despacho calmo. Foi pensando nisso que Kassab pediu que um segurança avisasse ao senhor que protestava na recepção que ele seria recebido ao final da visita. Depois de um átimo, o segurança voltou e avisou que o homem estava muito exaltado e que a ante-sala onde se encontrava era a sala de espera da AMA, com as pessoas doentes muito incomodadas com seus gritos. Ele atacava a lei Cidade Limpa, conforme informou o ajudante de ordens.

O homem que gritava era um microempresário que fazia faixas de publicidade que eram afixadas em postes e semáforos, muito comuns em São Paulo (inclusive para declarações de amor e saudações pessoais) até a Lei Cidade Limpa. Como essa fosse sua fonte de renda, com a aprovação da lei, viu seus negócios diminuírem vertiginosamente. Estava deprimido, amargurado, remoendo raiva contra a nova lei e seu autor. Naquela manhã, Kaiser da Silva levou o filho pequeno ao posto de saúde que funcionava junto à AMA, para uma consulta marcada antes. Ao chegar, cedo, soube que o prefeito Kassab iria visitar a unidade de saúde. Funcionários do Cerimonial, que costumam chegar antes aos locais de eventos, detectaram que uma pessoa gritava ameaças e imprecações contra o prefeito em um bar do outro lado da rua.
Logo que Kassab entrou no prédio, o microempresário foi para a recepção e iniciou seu discurso, em que misturava lamentos sobre a sua situação, xingamentos e acusações de que o prefeito era “vendido a multinacionais”. Foram esses gritos que Kassab ouviu ao fundo, enquanto observava o ambulatório.

Quando deixou a última sala de atendimento, o corredor levava Kassab para dentro da recepção onde o homem seguia aos berros. O prefeito conta que, em meio aos gritos, a primeira coisa que viu foram algumas pessoas idosas que pediam que o micro-empresário parasse de gritar, e aquilo o deixou indignado.

Surpreendeu a todos a reação irritada, descontrolada mesmo, de Kassab. Normalmente um homem sereno, hábil, quechama atenção pela calma e que é reconhecido como um dos melhores articuladores da política nacional, nesse dia ele se excedeu, perdeu o controle ao gritar com o homem que gritava do outro lado; o que começou como uma repreensão pelo protesto na sala de espera de um centro de saúde se tornou em segundos, uma cena exagerada, fora de propósito para um homem público. Kassab protagonizou, então, a única cena destoante na história da Lei Cidade Limpa. Em artigo para a Folha de S.Paulo, Kassab pediu desculpas: “Não vou tergiversar, não uso meias-palavras. Errei, me excedi. Perdi a cabeça. Não tenho sangue de barata e reajo, às vezes, como muitos reagiriam. Mas não tinha o direito de perder a calma, e perdi. Foi um acidente. Mas nada o justifica. Mostrei-me como não sou. No dia seguinte, pedi desculpas. Não tenho problemas em reconhecer um erro. Faço-o novamente agora, por escrito. Peço desculpas ao senhor Kaiser, à cidade e aos brasileiros. Faço-o de coração aberto e com sinceridade”.

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