
Imagem divulgada pelo pessoal da Bicicletada
Há seis anos, um grupo de ciclistas tomou um espaço sem-vida no fim da Avenida Paulista e o transformou em ponto de encontro. No meio das pistas por onde os carros cruzam, sobre o túnel que dá acesso a Rebouças, há alguns passos da Consolação e da Bela Cintra, a turma do pedal se reúne, na última sexta-feira de cada mês, para promover a Bicicletada.
Hoje, quando os primeiros ciclistas começarem a chegar, perto das seis da tarde, plena hora do rush, encontrarão o espaço de cabeça para baixo devido a obra de restauração da avenida. Os paraciclos que haviam ali foram arrancados. Outra surpresa desagradável: o grafite da artista Mona Caron, de São Francisco, de novembro de 97, foi raspado como se estivessem tentando limpar a sujeira no muro de cimento – não é o primeiro grafite que sofre este ataque na cidade. Não bastasse o fato de até agora a prefeitura não ter providenciado uma placa para identificar o espaço, apesar da lei assinada em outubro de 2007 ter oficializado o nome de batismo dado ao local pelos ciclistas.
O que torna mais desconfortável esta situação é que, nesta sexta-feira, o pessoal estará lá para comemorar os seis anos da Bicicletada, evento que chama atenção para a necessidade de se combater as políticas de privilégio dos automóveis que imperam na administração pública brasileira.
O ciclista André Pasqualini, um dos líderes do movimento, me informa sobre o diálogo que mantém, por e-mail, com o secretário municipal das Subprefeituras, Andrea Matarazzo. Ontem, o secretário propôs que o encontro dos ciclistas fosse transferido para a praça José Molina, próxima dali devido a reforma na avenida. Idéia que não foi aceita pelo que representa o espaço conquistado.
De boa notícia, a promessa de Matarazzo de que, finalmente, vai colocar a placa com o nome da praça e será feito reforço nas barras de proteção para quem passa pelo local.
Em uma das mensagens enviadas ao secretário, Pasqualini dá a dimensão da desigualdade que existe no tratamento de pedestres e ciclistas em relação aos motoristas: Acho uma tremenda injustiça a distribuição de espaços que temos naquela região, calçadas estreitas para acomodar os milhões de pedestres que lá passam diariamente, e 8 faixas largas de rolamento para 90 mil carros.
Agora o outro lado
A Secretaria Municipal das Subprefeituras responde:
“O espaço conhecido como Praça do Ciclista, assim como toda a Avenida Paulista, recebeu obras de revitalização, com troca do piso, implantação de acessibilidade e novo paisagismo. O nível do passeio teve de ser elevado para o melhor escoamento e drenagem das águas das chuvas. Por conta desta mudança, o muro de proteção ficou mais baixo, razão pela qual a Secretaria das Subprefeituras está providenciando a instalação de gradis de segurança. Os pára-ciclos removidos por conta das intervenções serão recolocados até a próxima semana. É importante ressaltar que as intervenções foram realizadas de forma a proporcionar conforto para todos os usuários que por ali passam, lembrando que o local, além de ter sido adotado pelos ciclistas, iniciativa que tem total apoio da Prefeitura, é também uma área pública de passagem com grande fluxo diário de pedestres.
Secretaria das Subprefeituras”
inacreditável… os ciclistas além de não contribuírem com a poluição e o aquecimento (gerado pelos automóveis) são privados de seu espaço?
Milton o André num um dos lideres, ele é mais um participante como muitos outros, pois o movimento é sem lideres, venha conhecer http://www.bicicletada.org/, ta convidado a nos visitar hoje.
Queria entender porque o Brasil continua indo na contramão de muitos países atrasados como na Europa, onde a bicicleta e o ciclista é respeitado.
Deveriam era fechar a paulista só para pedestres!!!!
Olá Milton, como o Alexandre disse, a Bicicletada não tem e nem tem como ter lideres. Tudo é decidido de acordo com a maioria, sempre com debate democrático. Eu sou apenas um apaixonado pela bicicleta e pela Bicicletada e faço de tudo para promover os dois. Como eu existem umas centenas de lideres que também trabalham pela Bicicletada com a maior dedicação do mundo.
Se puder alterar o texto para “participante da Bicicletada” eu agradeço.
Também aradeço não só pelo seu apoio dado ao movimento, sem ainda conhecer de verdade (só quem participa consegue ter uma noção do que é) e também pela sua postura que combate os previlégios que você, como motorista recebe. Se tivessemos mais uns 20 “Miltons” espalhados pela mídia, com certeza essa cidade seria muito melhor do que é hoje.
Abraços e continue assim.
André Pasqualini
Infelizmente temos que conviver com a guerra injusta…onde tentam tirar o pouco que temos e nos jogar cada vez mas a escanteio.Obrigada pela ajuda!
Eu só queria que alguém me explicasse porque uma área pública de passagem com grande fluxo diário de pedestres pode ser aberta inacabada ou insegura para a população?
Porque no eles ficam nesse jogo de empurra e não entregam a área completa com tudo que manda a lei placas, proteções e sinalização, pois sem isso a via não deveria nem ser reaberta.
Todo ano eles escolhem o aniversário do dia do ciclista para reformar essa praça? Porque não fazê-lo antes já que a reforma da avenida já se arrasta a muito?
Só para constar, a foto em questão foi tirada do excelente blog Apocalipse Motorizado dessa matéria. http://apocalipsemotorizado.net/2008/06/01/placas-pessoas-pracas-e-ruas/
Pode usar a foto na boa, mas é bom constar os créditos.
Abraços
André Pasqualini
André,
Boa sua informação. Quero apenas lembrar que a foto está creditadad como da turma da Bicicletada – que, aliás, o Apocalipse Motorizado faz parte – porque foi tirada da mensagem eletrônica que você encaminhou ao CBN SP. Na mensagem não havia a indicação da fonte.
Olá Milton, usei a foto e não coloquei os créditos pois fazia parte da explicação de um email. Conheço o dono da foto e tenho certeza que ele não se incomodaria que você a usasse, é só para titulo de informação. O Apocalipse não “faz parte” da Bicicletada, apenas o responsável pelo blog é um “participante” da Bicicletada. A gente bate muito nessa tecla pois não só a imprensa, mas como a maioria da população não consegue entender direito como funcionam esses movimentos horizontais, onde não há lideranças. Só quem participa é que consegue entender como funciona. Compreendo essa dificuldade, mas me sinto no dever de tentar explicar o funcionamento de um movimento como esse sempre, para acaber de vez com os mals entendidos.
Abraços
André
Só para constar: os gradis foram colocados apenas agora, fevereiro de 2009. Um ano e sete meses. Não era prioritário proteger a vida dos frequentadores da Praça.