Marca de sucesso

A qualificada participação nos comentários ao artigo do doutor em marketing de moda Carlos Magno Gibrail, publicado neste blog na quarta-feira, me motiva a ampliar o espaço do debate para que você também possa discutir o tema, seja aqui mesmo seja com as pessoas com as quais você se relaciona.

O tema proposto nesta semana pelo Carlos Magno foi a relação que mantemos com as marcas. Logo que o texto dele chegou na minha caixa de correio lembrei da cena que me chamou atenção no dia 12 de julho, quando estava na Itália, e os jornais estamparam na primeira página fotografia de um monte de jovens enfrentando a fila para comprar seu Iphone 3G. Foi um alívio, pois até então temia que os congestionamentos, alguns anos atrás, em torno da quadra do primeiro Habibs aberto em Porto Alegre, minha cidade natal, eram cenas explícitas de “caipirismo”.

Nunca entraria numa fila daquelas nem mesmo pelo Iphone; nem mesmo sendo produto de uma das marcas que mais admiro, a Apple, de quem sou consumidor contumaz.

A ouvinte-internauta Beth Penteado, representante comercial e consultora, foi quem abriu a discussão afirmando que “no segmento da indústria de moda, a construção de marca é a única maneira de permanência no mercado”. Lembrou que “o Brasil da moda precisa consolidar a sua marca imprimindo aos seus produtos os atributos necessários para ser reconhecido onde estiver colocado”.

André Carvalho M.C.G complementou a idéia: “A grande marca que precisamos valorizar globalmente é a ‘marca Brasil’. Essa sem dúvida ajudará a expansão do comércio internacional brasileiro”.

Provocado, Carlos Magno que sempre nadou com tranquilidade neste oceano, lembrou afirmações de Al Ries quando esteve em São Paulo: “O Brasil tem credibilidade em áreas como florestas, praias,futebol, sol. Portanto, se quiser fabricar automóvel que faça um utilitário para andar na quinta avenida com a marca de AMAZON, ou seja, faça produtos com valor agregado mas cuide para que a marca reporte aos valores do país.” Assim como a Colômbia faz com o seu café, complementou o colunista.

Foi a deixa para que outro personagem entrasse no circuito. Craque, Nelson Barrizzelli escreveu: “A marca menos cuidada em nosso país é a marca “Brasil”. Ela tem valor incalculável tanto interna como externamente. Quando se fala de Brasil no exterior logo vem à mente das pessoas futebol, mulatas, carnaval, floresta amazônica e outros aspectos folclóricos. A marca Brasil deveria servir de suporte para os produtos com valor agregado derivados do nosso potencial agro-pecuário. Por exemplo: o maior país exportador de café processado do mundo é a Alemanha. Lá não existe plantação de café, mas eles aprenderam agregar valor a um produto que vários países subdesenvolvidos consideram apenas coisa de caipira”.

Com faro de repórter, em busca do furo, Carlos provocou Barrizelli a divulgar aqui, com exclusividade, a marca de café de alta qualidade que será lançada. Estamos ansiosos. Enquanto aguardamos a novidade, fomos apresentados a Donna Bella e suas bijuterias refinadas, da Carol, e a Concierge Bespoke, com atendimento personalizado no setor de turismo, da Cristiane. Nomes que a partir da qualidade do serviço e produto prestados querem se transformar em marcas. Grandes marcas.

5 comentários sobre “Marca de sucesso

  1. Milton, segue a “minha marca”… havia colocado meu nome inteiro, mas quando o site pediu para digitar um novo código, o nome desapareceu e quando re-digitei verifiquei que há limitação de caracteres no nome. Então escrevi apenas o primeiro nome para “testar” se o meu comentário entraria no site… Enfim, seu depoimento quanto as disussões sobre o tema proposto pelo Carlos Magno ficaram excelentes!!! Abraços.

  2. Caro Milton. Obrigado por suas observaçõe no blog de hoje. O Carlos, com sua costumeira competência, levantou uma questão pouco discutida no Brasil que encontrou eco entre os seus leitores. Dentro de alguns dias devo lançar uma nova marca de café Gourmet (Rochella Café) cujo objetivo é oferecer um produto 100% nacional, cultivado no sul de Minas Gerais com o mesmo requinte oferecido por marcas estrangeiras em nosso país. Fico surpreso quando as multinacionais que operam no setor conseguem motivar os brasileiros a comprar a peso de ouro, cafés produzidos em outros países, enquanto somos os campeões mundiais de produção e qualidade. O café brasileiro entra “blend” de cafés de outros países (sem que se cite a origem) para melhorar a qualidade desses cafés. O brasileiro precisa aprender a valorizar o que é seu, principalmente quando o produto e a marca recebem atenções que não ficam devendo a produto nenhum dos países desenvolvidos. Fico te devendo o Rochella Café assim que ele for lançado. Um forte abraço.

  3. Ainda sobre a questão de marcas, e para reforçar não apenas sua importância como valor simbólico, mas também como valor de marketing, lembro que o registro estrangeiro de marcas utilizando-se de nomes de produtos nacionais tem crescido assustadoramente:

    – Cupuaçu, Caipirinha e Rapadura, por exemplo, fazem parte do acervo de patentes que circulam fora do Brasil.

    – o domínio do nome Cupuaçu chegou a ficar em poder de empresas americanas.

    – o nome Rapadura chegou a pertencer a uma empresa alemã.

    – na Europa foi lançado um produto com o nome Açai-Power.

  4. De Julio Tannus: Ainda sobre a questão de marcas, e para reforçar não apenas sua importância como valor simbólico, mas também como valor de marketing, lembro que o registro estrangeiro de marcas utilizando-se de nomes de produtos nacionais tem crescido assustadoramente:

    – Cupuaçu, Caipirinha e Rapadura, por exemplo, fazem parte do acervo de patentes que circulam fora do Brasil.

    – o domínio do nome Cupuaçu chegou a ficar em poder de empresas americanas.

    – o nome Rapadura chegou a pertencer a uma empresa alemã.

    – na Europa, mais precisamente na Inglaterra, foi lançado um produto com o nome Açai-Power. Isto para possibilitar que o nome Açai seja utilizado como marca patente.

  5. Prezado Julio,
    Muito oportuno seu comentário sobre ícones brasileiros raptados no exterior.
    É por isso, que ao tomar conhecimento de ações agressivas de marcas e produtos nacionais, temos que apoiar e aplaudir.
    Marcos Moraes,há 4 anos tinha comentado que faria grande investimento numa marca de cachaça para exportação. E o fez e está fazendo . É a SAGATIBA.
    Quem tem se relacionado com estrangeiros, sabe o quanto eles apreciam a CAIPIRINHA de pinga.
    É bom que se policie, pois este caso do Açai Power é de “malandragem”, pois a marca isolada daria impedimento por ser claramente da cultura e flora brasileira.

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