Lei da Ofélia: Só abro a boca quando tenho certeza

Por Carlos Magno Gibrail

Você tem filhos pequenos?

“A Propaganda dirigida às crianças deve respeitar a ingenuidade e a credulidade, a inexperiência e o sentimento de lealdade dos menores” é o que entre tantas outras recomendações o CONAR sugere.

Se tiver filho pequeno você sabe que nada disso é verdade. Mas o pessoal que ou não tem criança em casa ou tem interesse pecuniário fala em liberdade de expressão.

Quando alguém com menos de cinco anos se atira ao chão pedindo um alimento, não por fome, mas para ter o brinquedinho que vem junto, está se manifestando livremente, por vontade própria ? Ou será que está brigando pelos seus direitos, que o Presidente da Abrinq alega: “É um desrespeito ao direito do cidadão, seja ele de que idade for, de ter acesso à informação”?

A pesquisa do Instituto ALANA esclarece: “Crianças de até seis anos não possuem a representação simbólica necessária para o entendimento do valor do dinheiro”. E, Érika Herkenhoff em artigo para a HSM arremata; “A Propaganda estabelece o nexo causal de que para ser alguém é preciso ter algo e a criança não tem o poder de neutralizar este pensamento”.

Na França, Colgate ensina a higiene da boca, Kellog’s o equilíbrio alimentar, Microsoft distribui computadores. Tudo isso dentro das escolas. Nos Estados Unidos, idem. As associações de pais protestam.

Você já estudou Filosofia?

Em 1971, o governo brasileiro tirou do currículo a Filosofia. Em 2001, o presidente FHC vetou-a juntamente com a Sociologia “para não onerar os Estados”. Em maio de 2008, o Senado aprova a inclusão e várias pesquisas de opinião demonstram que a população está dividida entre sim e não.

O que em parte explica a minha tese, pois nem todos têm crianças nem estudaram Filosofia.

Eu e a Ofélia só não entendemos 2001.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e já deu muitas gargalhadas com a personagem Ofélia e o marido dela, Fernandinho, personagens criados por Max Nunes. Está toda quarta aqui no blog e a qualquer momento respondendo às suas mensagens

22 comentários sobre “Lei da Ofélia: Só abro a boca quando tenho certeza

  1. Olá
    Bom dia!

    Pelo que pude entender, o texto nos mostra quais os caminhos, artificio publicitários que podem ser utilizados para se chegar ao consumidor, ao clinete, que metodos podem ser usados para persuadir.
    1- Positivo
    2- Negativo
    Tem época em que determinada estratégia, funciona e tem época que a mesma estrategia anterior pode até prejudicar.
    Abraços
    Armando Italo

  2. Prezado Humberto,
    A favor da propaganda que respeite as condições do consumidor alvo, neste caso as crianças.
    Contra, a propaganda que não respeite as crianças em sua ingenuidade.
    O que vemos hoje é muita propaganda que não atende ao CONAR .
    Chamamos também atenção a questão de ter ou não filhos pequenos, porque a experiencia é fundamental para atestar os problemas que surgem á exposição indevida de mensagens de consumo.

  3. Sobre a importância da Filosofia no currículo escolar, transcrevo aqui um texto da Marilena Chauí:
    “Se abandonar a ingenuidade e os preconceitos do senso comum for útil; se não se deixar guiar pela submissão às idéias dominantes e aos poderes estabelecidos for útil; se buscar compreender a significação do mundo, da cultura, da história for útil; se conhecer o sentido das criações humanas nas artes, nas ciências e na política for útil; se dar a cada um de nós e à nossa sociedade os meios para serem conscientes de si e de suas ações numa prática que deseja a liberdade e a felicidade para todos for útil, então podemos dizer que a Filosofia é o mais útil de todos os saberes de que os seres humanos são capazes.”

  4. Prezado Armando,
    Um dos pontos que pretendi passar no artigo, é que para se opinar, quer sobre Propaganda Infantil, quer sobre o ensino da Filosofia, há necessidade de ter experiência.
    No caso da Propaganda, se a pessoa não tiver criança em casa , dificilmente vai avaliara o que é uma menina ou menino de 4 a 5 anos assistindo TV sós e recebendo apelos de consumo de alimentos e brinquedos.
    Se não distinguem valor do dinheiro e acham que ter é poder, irão exigir dos pais tudo o que se oferece pela TV. A tarefa dos pais, se presente no momento é facilitada, mas se ausentes a mensagem ficará memorizada para mais tarde vir á tona e ser ativada como pressão de consumo.
    Quanto á Filosofia, se a pessoa não sabe o que é, evidentemente não pode avaliara sua importância.

  5. Caro Magno,
    Eu tenho filho de 13 anos e sei que tem muito lixo prejudicial na tv. Penso, no entanto, que cabe aos pais tomar providências para filtrar o que os filhos verão ou não. Como democrata e amante da liberdade, não me agrada a idéia de ter um governo de m****, porque todos os governos são de erda, decidindo o que pode ou não pode aparecer na tv. Esta, por exemplo, de tirar comercial de bolacha e batata frita da tv em ” nome da saúde” é absolutamente cretinice e caminho andado para a supressão das liberdades.
    O que tu achas disto?

  6. Prezado Humberto,
    Com treze anos o seu filho é adolescente e não há problemas em relação ao tipo de exposição que me referi.
    A liberdade de expressão é absolutamente prioritária e não há o que discordar. Entretanto a liberdade sempre vai até o limite da liberdade do outro. Para tanto há que ter regras e principios.
    Neste caso o CONAR teria que ser seguido, o que na realidade não é o que acontece.
    Tenho um filho de 5 anos e sei bem o que acontece em sua mente quando exposto só ,a determinadas comunicações vendendo produtos que não são saudáveis.
    Tudo na verdade é relativo e se houvesse liberdade absoluta estariamos numa anarquia total.
    Sou , por exemplo, a favor da descriminalização das drogas, mas respeito quem não o é.Principalmente se dentro da minha tese da experiencia , que neste caso não a tenho,argumentar que já teve parente próximo envolvido ou, o próprio.

  7. Oi, Carlos!
    Concordo com você plenamente nesse assunto. Precisamos poupar nossos pequenos filhos dessa invasão em nossas casas e da descarada oferta de produtos dos quais não temos a menor necessidade. Pode contar comigo na divulgação dessa luta.
    Um beijo
    Mônica de Godoi (mãe da Catarina e do João Vítor)

  8. Monica,
    Realmente quem tem filhos na faixa até 6 anos pode bem aquilatar a manipulação . E mãos á obra para explicar, quando dá, o processo de sedução da comunicação dirigida aos pequenos.
    Gostaria neste caso de ouvir as Escolas e as Associações de Pais .

  9. Prezado Julio,
    Obrigado pelo comentário sobre a utilidade da Filosofia, pois enriqueceu bastante esta parte das opiniões.
    Como proprietário de uma empresa das mais idôneas de Pesquisa de Mercado, que tal uma palavrinha sobre a Propaganda Infantil ?

  10. Criar e educar filhos com certeza não são tarefas das mais faceis principalmente nos dias de hoje
    O consumismo imposto pela doutrina da midia é muito forte, chegando a ser uma neurolinguística, se é cabe este termo aqui.
    Os pais devem procurar orientar os seus filhos desde pequenos, o diálogo sempre é e será o melhor caminho.
    Usar de bom senso e tentar explicar.
    Mas por outro lado, também os filhos adolescentes e os maiores mimados querem tudo que veem impostos pela midia.
    O “mal” deve ser cortado pela raiz.
    Bom dia a todos
    Armando Italo

  11. Olá Carlos,
    li sua matéria com a minha citação e faço alguns comentários:
    Como numa edição de Big Brother, uma frase extraída de seu contexto pode ter várias interpretações… acho que foi isso que aconteceu com a minha! Pelo que pude captar dela no seu texto, sou contrária à propaganda destinada para crianças. Só que, sendo eu uma publicitária há 20 anos, não há como adotar um discurso assim tão radical sem cair em contradição com o que pratico no meu dia-a-dia, certo? Confesso que eu mesma ainda estou elaborando melhor a questão, tentando encontrar saída para um dilema que me acompanha desde que me tornei mãe há 11 anos. Também tem a chegada da maturidade e a necessidade de rever conceitos, valores, equacionar interesses pessoais com os coletivos. Nesse momento, me propus apenas a fazer uma provocação, pensar alto e compartilhar com meus colegas de classe assuntos relevantes, como a possibilidade de termos comportamentos responsáveis sem precisar de censura para isso. Agradeço pelo espaço!

  12. O comentário abaixo é de ERIKA HERKENHOFF.
    Erika, muito interessante o seu esclarecimento.
    A intenção primeira do artigo foi colocar em questão a avaliação por quem tem experiência direta . Quer em ter filhos pequenos , quer em ter estudado Filosofia.
    Em segundo, colocar em pauta a discussão, o que conforme estamos observando é o que está positivamente contecendo.
    Veja os comentários do Humberto, que inicialmente ficou em dúvida se o artigo era a favor ou contra.
    Pessoalmente meu juízo de valor é influenciado por ter um filho de 5 anos e ter estudado Filosofia.
    Como minha profissão é intimamente ligada á Comunicação sempre fico retiscente ao falar de censura, exatamente como a sua posição.
    De qualquer forma há abusos que devem ser questionados.
    Agradeço duplamente a sua participação,a primeira por minha utilização de sua frase e a segunda pela sua gentileza em ter se manifestado aqui, valorizando o tema e o Blog.

  13. Armando,
    Sua participação é sempre importante.
    O papel dos pais é absolutamente necessário.No “best seller” Freakonomics o autor, investiga o desempenho dos filhos em relação aos pais e chega a conclusão que não necessáriamente os mais abastados criam filhos mais felizes e de sucesso.
    Importa a meu ver a atenção que é dedicada á êles e principalmente ás companhias , que como sabemos podem ser boas ou más.
    Quanto a neurolinguistica é bem interessante e dirigida a contento pode auxiliar em vária áreas. Sugere a concentração no positivo, evitando os “não” os “cortes” etc.
    Vale a pena conhecê-la .
    Nota da redação : o seu artigo foi aprovado, aguarde em breve a sua publicação.

  14. Olá Carlos.
    Obrigado pelas suas palavras.
    Tudo na vida tem e deve ter limites.
    O não, para muitos pais, “os mais abastados” é uma palavra dificil de dizer por uma série de razoes e comodismo.
    E os filhos com a falta do “não”, tem tudo e mais um pouco, encantados com os anuncios veiculados em todo tipo de midia.
    Já as familias “mais pobres” ou aquelas com os pés no chão, que vivem a realidade nua e crua, sabem dizer com firmeza, convicção e sabem o porquê estão dizendo não aos seus filhos.
    Estes “sofrem” menos, saberão ser safos futuramente, terão amsi chances de ter sucesso, não somente financeiro e profissional.
    O verdadeiro “SER”
    Esse sim é o verdadeiro sucesso.
    O “TER” virá como consequencia, dos ensinamentos dos pais realistas, com os pés no chão, que não se deixam e nem deixam, seus filhos levarem-se por anuncios milagrosos, bonzinhos, maquiados.
    Mais facil deixar os filhos na frente da TV, e deixarem pedir tudo e tudo que veem nos anuncios “e tudo estará bem”
    Abçs
    Armando

  15. Carlos Magno, agradeço suas palavras e comento:
    Há algum tempo atrás, fazendo uma pesquisa sobre telejornalismo, a pedido de uma rede de televisão brasileira, um garoto de 10 anos fez o seguinte comentário: “adoro violência, não perco um jornal da TV…” De imediato vê-se que a influência da TV, com todos os seus conteúdos, inclusive publicitários, são absolutamente influenciadores do público infantil.
    Não é para menos que o Código de Defesa do Consumidor proíbe a propaganda infantil dirigida diretamente a crianças.
    E que o CONAR preceitua:
    • (a publicidade) Não deve usar mais o apelo imperativo de consumo dirigido diretamente a crianças e adolescentes “Peça pra mamãe comprar…”.
    • Não deve usar crianças e adolescentes como modelos para vocalizar apelo direto, recomendação ou sugestão de uso ou consumo por outros menores “Faça como eu, use…”.
    • O planejamento de mídia deve refletir as restrições técnicas e eticamente recomendáveis…

  16. Julio,
    Boas informações e experiências vivenciadas são muito bem vindas.
    E, falando em experiências , esta interatividade proporcionada pela internet é realmente positiva.
    Só faltou o nome da sua empresa.
    Obrigado pela contribuição.

  17. Carlos Magno, aqui vai o que faltou:

    – a empresa é JT Estudos e Pesquisa de Mercado
    – o site é http://www.jtpesquisa.com.br

    Aproveito para passar a seguinte informação:
    – os investimentos publicitários destinados à categoria de produtos infantis foram de R$ 209.700.000,00 em 2006.
    – o mercado de Food Service (refeições fora do lar) cresceu 12,6% ao ano (var% 2006/1995) enquanto o varejo alimentício como um todo cresceu 7,6% ao ano. (Fonte ABIA)

  18. Milton, gostaria de parabenizar pelo seu programa e gostaria de fazer uma pergunta:
    O que devo fazer com as pilhas alcalinas depois de unitilizadas?
    Tenho muitas dessas pilhas estocadas em casa e não sei o que devo fazer, pois, não há uma recomendação nas embalagens de como devo proceder para descarta-las.
    Sei que não posso descarta-las no lixo devido ao alto grau de componentes tóxicos que vão parar nos lixões da prefeitura e por consequência, poluindo os nossos lenções freáticos.
    Estive ouvindo seu programa sobre lâmpadas fluorescentes e aproveitando o assunto, resolví enviar este comentário.
    Obrigado e saudações corintianas.

  19. A iniciativa deste artigo contribui para ampliar nosso debate sobre a vulnerabilidade da criança frente à publicidade e para desfazer o equívoco suscitado pelo setor publicitário ao forjar o termo “liberdade de expressão comercial”. Tal direito não existe uma vez que Liberdade de Expressão diz respeito à liberdade do pensamento nas artes, na cultura e na informação, e não na exploração comercial, principalmente em relação às crianças. Na Constituição Federal, enquanto a Liberdade de Expressão está no campo das garantias fundamentais, a publicidade está no campo da ordem econômica. Além de visar unicamente vender, esta dita liberdade de expressão comercial, é exercida sobre uma pessoa ainda incapaz de se defender e de compreender as manobras persuasivas às quais é submetida. Em nome da equipe do projeto Criança e Consumo do Instituto Alana, o felicitamos pelo artigo e desejamos que ele mobilize também aqueles que, em lugar do futuro da infância, defendem apenas suas oportunidades de lucro.

  20. Á ALANA,
    Excelente explicação.
    Agradeço muito a participação no Blog.
    Aqui neste espaço estaremos sempre atentos e abertos para a discussão dos direitos e liberdade das crianças.
    Grande abraço a todos da ALANA

  21. Caro Corinthiano (Foi essa a única identificação usada por você, me desculpe):

    Alguns bancos, condomínios comerciais, e supermercados tem local específico para descartar as pilhas. Aqui em casa tenho um pequeno depósito e, em breve, as deixarei lá na rádio para onde o pessoal acaba dando o destino certo dela. Outra idéia é procurar as lojas que comercializam este produtos (eletrônicas, por ex.) e pedir para que o proprietário dê o destino correto para as pilhas.

Deixar mensagem para carlos magno gibrail Cancelar resposta