De Iluminação ou iluminação e esperança

Por Maria Lucia Solla

Olá,

Tem gente que ainda diz que escrevo sobre auto-ajuda, termo que anda mais esfarrapado e sujo do que bêbado em briga de bar. Não. Fique claro que não escrevo sobre auto-ajuda e não tenho pretensão nem vontade de chegar à Iluminação. Ando mais empenhada em conseguir um bom eletricista para consertar parte da iluminação aqui de casa. Quando escrevo não dou receita nem conselho, só penso demais e falo de minhas próprias experiências. Quase despudorada. Escrevo e falo muito sobre a importância do auto-conhecimento e do despertar da consciência, porque é no que acredito e é o que busco. Acredito que sem a tal da consciência, não saímos do lugar, e ainda corremos o risco de andar para trás, de escorregada. Procuro viver melhor e ficar de bem com a vida mesmo que doa, para curtir minha estadia aqui na terra. Tento entender ação e reação e sou fascinada pela interação. Aí não tem fórmula e nem receita que ajude. Cada um dá o que tem e a gente sempre se surpreende com a variedade.

De qualquer maneira, hoje vi mais uma luz no fim do túnel. Quando se está no escuro, qualquer chama de vela é um milagre. Qual a extensão dele e o estado do pavimento, isso é outra história, mas às vezes essa luz é o reflexo de uma sacada; daquelas que dá vontade de pular. Tipo eureka. Sempre espero que essas caídas de ficha cheguem acompanhadas de fogos de artifício que fiquem pipocando até eu cansar de ver e de ouvir seus iuhus de alegria. Espero uma chuvarada de estrelas cadentes na manhã de um domingo comum; mas nunca é assim. A ficha cai sem aviso prévio; sem glamour, sem champanhe gelado. Estou tomando um capuccino cremoso, no Café Blenz do shopping perto de casa. É a segunda vez na semana que venho aqui para me conectar à internet do café. Surpresa para mim; gostei da experiência.

Vim só para retocar e enviar o texto que estava alinhavado no notebook, baixar e-mails, responder os mais urgentes, e ponto final. Só que no trajeto para o shoppping, ouvi o diretor de políticas públicas do Greenpeace, Sérgio Leitão, entrevistado por Jung, o Milton. Terminei de ouvir a entrevista no carro, no estacionamento, até que um funcionário veio perguntar se estava tudo bem. Sim, sim, tudo bem. Eu era de novo uma menina; a estudante que em grupo parava o táxi para perguntar se estava livre e depois gritava, viva a liberdade, e ria muito. Riso nervoso misto de folia, política e transgressão. Era a consciência que começava a despertar. Pois bem, o sabor voltou, ao longo da entrevista. Há esperança!

Semana que vem conto sobre a ficha que caiu.

Pense nisso, ou não, e até semana que vem

Maria Lucia Solla é professora, terapeuta e autora do livro “De bem com a vida mesmo que doa”, lançado pela editora Libratrês.

Ouça aqui a entrevista sobre a qual Maria Lucia Solla se refere no texto acima:

6 comentários sobre “De Iluminação ou iluminação e esperança

  1. Maria Lucia, você tem razão , ótimas matérias, a sua e a do Milton.
    Aqui pelo Morumbi, o Plano Diretor mudou a classificação da Av. Morumbi, que tem árvores da Fundação Oscar Americano, do Palácio do Governo,entre tantas outras.Perdeu a categoria de estritamente residencial.
    Absurdo só explicável pela “velha” pressão da especulação imobiliária.

  2. Ola
    Só posso resumir da seguinte forma os comentarios e materia sobre a expeculação imobiliaria que só contribui para devastar o pouco que nos resta em São Paulo, infelizmente.
    Mas é a realidade.
    A CADA NOVO PREDIO CONSTRUIDO EM SÃO PAULO COMO ESTAMOS PRESENCIANDO ATUALMENTE, AS CONSTRUTORAS APOIADAS NA LEI DE USO E DE OCUPAÇÃO DO SOLO, DO DO ATUAL PLANO DIRETOR QUE É ALTERADO DIA A DIA, DO APROV QUE APROVA TUDO, VEM FAVORECENDO SOMENTE EMPREENDEDORES E A PROPRIA PREFEITURA DE SÃO PAULO, RESULTA EM, MAIS AGRESSÃO AO MEIO AMBIENTE, MENOS ÁREAS VERDES, MAIS ADENSAMENTO, MAIS ZONAS DE CALOR, MAIS TRÂNSITO, MAIS CONSUMO DE ÁGUA, MAIS CONSUMO DE ENERGIA, DE SANEAMENTO BÁSICO, MAIS TRANSITO, MAIS PESSOAS, MAIOR ARRECADAÇÃO DE IPTU OBVIAMENTE PARA OS COFRES DA PREFEITURA, MENOS QUALIDADE DE VIDA, MAIS CAOS.
    Então para nos aliviarmos, “sair fora” um pouco do caos que estamos vivendo infelizmente em São Paulo, podemos “quebrar o galho” e exemplo da Maria Lucia.
    Paraéns!
    Bom dia!
    Armando Italo

  3. Do jeito que os nossos administradores estão fazendo com São Paulo, acabando com ela literalmente, veja o adensamento crescendo dia a dia sem controle, daqui a pouco tempo nem mais uma “fuguinha” teremos mais condições de fazer
    Abraços
    Armando Italo

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