
Foto publicada na revista Época. Clique nela e vá para a reportagem
O escritor Sebastião Nicomedes, morador de rua de São Paulo, escreve para a revista Época. Ele foi convidado para relembrar a história da chacina que matou sete pessoas que viviam nas ruas da capital, há quatro anos. No texto, narra seus últimos quatro dias no meio-fio que antecederam a manifestação Ato Pela Vida – 4 anos de impunidade, que se realizou na Praça da Sé, no centro da cidade.
Sebastião foi personagem de reportagem publicada neste blog com o título Sem-teto com talento se revela no teatro de São Paulo, em 11 de agosto do ano passado. Leia e ouça a entrevista aqui.
Num quarto de pensão, eu me encontro, mais uma vez, pernoitando de diárias. Hoje é sábado, e tenho vaga garantida até a manhã de segunda-feira. Depois, será o que tiver de ser. Diante do espelho, escovo os dentes que me restam na boca, felizmente a maioria continua comigo. Se bem que preciso urgente de um tratamento odontológico. Colocar ponte é um sonho. É chato não poder sorrir por um detalhe tão ingrato.
Este é apenas o primeiro parágrafo do primeiro capítulo do diário publicado na Época que você pode ler aqui.
ola Milton como vai? Poxa incrivel..como um talento deste, Brasilieiro lutador continua morando na rua? incrivel. O Sebastião – se eu nao estou enganado – viveu muito tempo em uma praça nos Jardins em frete a Radio Capital ali na Av. 9 De Julho. Se eu nao estou enganado, tem uma historia que meu pai comenta que ele escreviu algus livros que criminosamente foi publicado pelo Finado Flavio Cavalcante. é ele mesmo?
Triste ver pessoas talentosas viverem em precárias condições.
No ano passado, fui abordado por um morador de rua.
Totalmente sóbrio, não bebe, falando o português de fazer inveja a “muitos letrados” o tal morador de rua disse-me que era maitre em restaurantes internacionais, morou fora do Brasil, comprovou o que disse.
Ai por causa da idade avançada 50 anos, por não ter o ensino médio, por ser negro acabou perdendo o seu emprego, ficou sem condições de pagar o aluguel do pequeno apartamento na Vila Mariana e foi então morar na rua.
Esse somente mais um exemplo.
E os nossos governantes, os poderosos, nada fazem.
Antes de prejulgarmos alguem em situações semelhantes a este escritor e o maitre, porcurem connversar com algum morador de rua para saberem um pouco somente sobre o seu passado.