Avalanche Tricolor: Coisas dos Aflitos



Náutico 1 x 1 Grêmio

Recife – Brasileiro

Aflitos é um estádio curioso. Seu nome, herdado do bairro em que foi construído na cidade do Recife, não é nada animador. Em um país que mesmo clubes sem tradição costumam jogar em estádios com nomes de significado maior, haja vista um tal de Ipatingão que sedia partidas do Campeonato Brasileiro, atuar nos Aflitos sempre soa estranho, tanto para o time da casa como para os adversários.

Foi lá que o Grêmio fez a 2a. Divisão entrar para a história do futebol mundial – e não preciso lembrá-la aqui pois você deve conhecê-la. E se não conhece procure na locadora mais próxima de sua casa o filme “A Batalha dos Aflitos”, como ficou conhecida aquela conquista. Nunca, aliás, o nome do estádio pernambucano se fez tão apropriado.

Aflitos, porém, não é curioso apenas por seu nome. Apesar de estar na capital tem cara de estádio interiorano. Torcida no alambrado, alambrado do lado do campo, goleira móvel atirada no fundo do gramado, torcedores pendurados nas janelas dos prédios vizinhos, e nada mais do que 20 mil lugares a serem ocupados na arquibancada. O vestiário é minúsculo. Os adversário preferem até chegar fardados.

O gramado merece um capítulo ou um parágrafo à parte. A bola não rola. Quica. Trocar passes é quase impossível. Melhor chutar para frente. Atrasar para o goleiro, suicídio. Nunca se sabe qual o destino final da jogada: pela linha de fundo, dentro do próprio gol ou, quando der muita sorte, na canela do goleiro. A quantidade de buracos torna o futebol prática imprópria.

Foi neste estado e neste estádio que o Grêmio voltou a mostrar por que é o líder do Campeonato Brasileiro. Um título se constrói com chutão para cima, também. Com a raça superando a técnica quando esta se ausenta ou não pode ser revelada. Com o nosso goleiro na área do adversário na jogada final. Contando com a sorte no momento certo mesmo quando esta lhe falta durante toda a partida. E com um ponto ganho quando você não o merecia.

Ponto que deixou o Grêmio ainda mais líder e seus adversários, aflitos.

6 comentários sobre “Avalanche Tricolor: Coisas dos Aflitos

  1. Você tem toda razão. A última frase do texto diz tudo. Minha aflição – ou nossa aflição – passou.Sobrou a dos adversários. O Padre Reus é fiel.

  2. O estádio é acanhado, mas não precisa esculhambar né?
    Este Náutico é de muita tradição e não se deve levar em conta as instalações.
    O clube mais glorioso e que teve o maior jogador de todos os tempos tem um estádio parecido, mas não dá prá julgar pela aparência.
    Como é duro torcer pelo Grêmio!! Precisava ganhar prá deixar meu Santos mais acima um pouquinho e ai empata.
    Nem o juiz ajudou desta vez!!!!

  3. Chega até a ser triste explicar para torcedores dos demais times que uma verdadeira partida de futebol é disputada com raça, com determinação. Futebol-arte é para os fraquinhos. Arranca-toco bagual é que é futebol de verdade.

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