Carros do corpo consular não pagam multa, na Inglaterra

Andar em área de trânsito restrito sem precisar pagar pedágio, estacionar em local proibido e não se preocupar com a multa ou ultrapassar o sinal vermelho sem se importar com o fiscal que autua na esquina. O sonho de muitos motoristas metidos a malandros no Brasil é realidade para os motoristas e funcionários da Embaixada Americana na Inglaterra.

Calcula-se que a dívida já chegue a R$ 3 milhões e 200 mil por pedágio urbano e multas não pagas. Justiça seja feita – se é que se pode falar em justiça neste caso – os oficiais americanos não usufruem deste privilégio isoladamente. A Embaixada da Nigéria deve próximo de R$ 3 milhões e 150 mil; e da Rússia, R$ 2 milhões e 900 mil. Cito apenas os maiores caloteiros.

Conforme reportagem publicada no jornal britânico The Guardian e informações enviadas pelo ouvinte-internauta Cláudio Soriano, que vive em Londres e ouve o CBN SP pela internet, apesar das autoridades britânicas lavrarem a multa, não conseguem cobrá-las. Como as embaixadas e os consulados são parte dos países de origem, não pertencem ao território em que estão, haveria a necessidade de permissão especial para que cobradores entrassem no local. Quem disse que os gringos aceitam a presença destes cobradores em “seu território”. Impossível, também, tomar imóveis ou bens para cobrir a dívida.

Na época do prefeito Rodolf Giuliani, Nova Iorque impôs uma guerra contra os devedores consulares. Mandou guinchar carros e fazer blitz para consultar a documentação de imóveis e veículos das embaixadas. Comprou uma briga, mas não consta que tenha levado. Nova Iorque sofre com o desrespeito dos oficiais de outros países mais do que qualquer cidade no mundo, pois é lá que está a Organização das Nações Unidas.
Aqui em São Paulo, a série de entrevistas feitas pelo colega Heródoto Barbeiro – parece-me que ficou incomodado com a situação depois da tentativa frustrada de emplacar a kombi dele com a justificativa de que é representante da Embaixada de Taiaçupeba na capital – mostrou como é frágil e impotente a lei brasileira contra estes abusados. Mesmo que o Tratado de Viena formalize a obrigatoriedade para que veículos com placas azuis cumpram as leis locais, os marronzinhos da CET fazem vistas grossas e não lavram multas contra os veículos que cometem irregularidades. Consideram inútil esta prática, pois os consulados não pagam as multas e, algumas vezes, ainda ligam reclamando do “desrespeito” do fiscal.

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