Câmeras em ação: De chácara a gramados

Por Carlos Magno Gibrail

O técnico Leão pôde comprovar a emboscada seguida de agressão que foi vítima. Câmeras de segurança instaladas no local gravaram tudo. O Santos Futebol Clube tendo disponibilizado as imagens interferiu na privacidade de algum cidadão? Do “Leão de Chácara” que o emboscou e lhe deu pancada? Dos facínoras “santistas” que empunhando uma arma medieval quase o assassinam? Ou da vítima, que poderia preferir o anonimato?O Leão, técnico, o do gramado, personalidade forte, será que era favorável às câmeras? Nos clubes, nos esportes, nas ruas, nas lojas, nas residências?

Em Bruxelas, no domingo, Massa ganhou 10 pontos graças a elas. No US Open tenistas as usaram para evitar erros que poderiam inverter resultados de partidas de milhões de dólares .

Da Alemanha, através do celular, o proprietário de casa no litoral paulista identificou ladrões que tentavam roubá-la. Acionou a polícia paulista que os prendeu todos.

“Babás” são filmadas espancando bebês e “empregadas” socando idosos.

Calcula-se que existam 4,2 milhões de câmeras no Reino Unido, uma para cada 15 habitantes.

“Londres, onde 150.000 câmeras vigiam as ruas – um cidadão comum que ande por elas a caminho do trabalho é filmado 300 vezes por dia”, diz a Revista VEJA.

Até “puxão de orelhas” as câmeras transmitem aos londrinos não tão educados. Ao mesmo tempo em que não evitam críticas ao número cada vez maior de monitoração.
“Somente um em cada cinco crimes é resolvido por conta da vigilância”, afirmou Dee Doocey, porta-voz do partido Liberal Democrata, na Assembléia de Londres, responsável pelo policiamento nos 32 distritos de Londres e o centro da cidade.

As cidades brasileiras há anos vêm implantando câmeras nas ruas. Manaus, Fortaleza, Teresina, Natal, Recife, Maceió, Goiânia, Campo Grande, Cuiabá, Belo Horizonte, Brasília, Petrópolis, Rio de Janeiro, Suzano, Praia Grande, Curitiba, Londrina, Joinville, Porto Alegre, etc.

Gilberto Kassab fala em inaugurar um “Observatório Municipal de Violência e Segurança”, em São Paulo. Já instalou 3.500 câmeras em vias e escolas. Está agora preparando a compra de outras 8.500, que vigiarão freqüentadores de parques e cemitérios.

Geraldo Alckmin, promete instalar 18 mil câmeras de vídeo na cidade de São Paulo para combater a ação de criminosos. Alckmin diz que criará uma “Sala de Situação”, com um “sistema integrado de câmeras gerenciado pelo software de risco, usado pela cidade de Londres.”.

Marta Suplicy quando foi prefeita criou uma pasta específica para a segurança municipal, que acabou extinta em 2005 pela gestão Serra e Kassab. Assim como Marta, Alckmin quer recriar a secretaria que seu colega de partido extinguiu.

O uso do aparelho é defendido por especialistas em segurança pública, mas há ressalvas. Diretora do Ilanud (Instituto Latino Americano das Nações Unidas para Prevenção do Delito e Tratamento do Delinqüente), Paula Miraglia vê as câmeras como instrumento preventivo. “Mas é preciso clareza sobre as leis que cercam a gravação e o uso das imagens. E a população tem que saber que está sendo filmada”, diz Miraglia.

Alvin Toffler, em 2003 já dizia a VEJA: A tendência, é que o uso de câmeras aumente de forma exponencial no futuro. “As empresas vão observar o que fazemos no supermercado, nas lojas, checando absolutamente tudo: nosso comportamento nos corredores, em frente às prateleiras. Criaremos uma sociedade cada vez mais investigativa”.

Paco Underhill já nesta época desenvolve toda uma teoria de varejo baseada em observação através de câmeras. Do best seller “Why we buy” ao “Call of the mall” as reações e desejos dos consumidores são registrados e analisados de forma apurada.

No livro “O Fim da Privacidade”, o cientista político canadense Reg Whitaker diz que as pessoas estão abrindo mão de sua privacidade voluntariamente, em troca de serviços melhores e mais segurança.

Pela utilidade do produto que fornece, é inevitável a crescente demanda que virá. Por isso mesmo, há que se regular o fornecimento e uso das câmeras e suas imagens públicas.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e enquanto escrevia este artigo acompanhava, pelo computador, o movimento da casa dele. Toda quarta-feira está aqui no blog e durante a semana conversa com você na área reservada aos comentários.

23 comentários sobre “Câmeras em ação: De chácara a gramados

  1. Ao ouvinte internauta JARBAS OLIVEIRA, obrigado por sugerir o tema das CÂMERAS . Aliás uma coincidencia , pois a seguir surgiu o caso do técnico Leão, matéria jornalistica bastante divulgada. Tanto pela personalidade envolvida quanto pelas circunstâncias. Gravação , emboscada, agressividade.
    E , que foi ainda incrementada pela defesa, dado que a cena registrada pela câmera foi negada no depoimento. Relataram que o ferimento no Leão foi ocasionado pelo empurrâo que o seu próprio advogado deu. Mais, o movimento da arma medieval não era em direção ao técnico mas ao chão por estar muito pesada.
    Quem quiser conferir a cena é entrar no http://www.youtube.com ou http://www.globo.com

  2. Eu acredito que a vigilância através das câmaras será cada vez mais necessária. O que me incomoda é a instalação das câmaras de rua por particulares (associações, moradores etc.) sem nenhuma regulamentação quanto ao uso destas imagens.
    No caso do técnico Leão, a câmara era interna, em Londres o monitoramento é pela polícia.
    Havendo regras para guarda e divulgação das imagens esta será a melhor medida para a nossa falta de segurança.

  3. Armando, precisamos saber o que você quer dizer com besteiras.Porque dependendo da maneira de usar as palavras, pode ser coisa prazeirosa, ou não?
    Na verdade como todo novo equipamento há necessidade de regulamentação.
    E não é só com relação ás câmeras, temos os celulares, as escutas telefônicas ,mas são assuntos para outra oportunidade.
    O curioso disto tudo é que se assistirmos hoje um filme do Sean Connery como 007 , os recursos que o James Bond usava estão a disposição de todos.

  4. Ao ouvinte internauta do comentário 3.,que bem colocou os dois exemplos do interno no SFC e do externo em Londres, controlado pela Polícia.
    Realmente o que precisamos e estabelecer regras para o uso de imagens públicas por particulares.
    Em todo caso é bom que o cidadão contemporâneo esteja prevenido que em qualquer lugar possa estar sendo monitorado.
    Já tivemos casos de gente sendo presa por ter sido flagrada em closes instantâneos em estádio de futebol, ou ter o casamento complicado.

  5. Carlos,
    Concordo com o comentário 3, acho que a necessidade das câmeras em SP é necessária para inibir o uso da violência em geral…claro que com regulamentação e fiscalização,mas também sei que só isso não seria suficiente, a segurança pública precisa melhorar…com relação ao Leão, vi e acompanhei o caso, ficou claro que os próprios funcionários do SFC estão envolvidos no ocorrido…mas a monitoração neste caso se mostrou novamente eficaz…acho que pelo simples fato da pessoa achar que poderá ser vista fazendo algo errado já diminuirá os índices referentes a segurança…claro que não viveremos “tranquilos”,nem Londres é assim…mas que inibe ações….inibe!!!!!!

  6. Fabio, o que não confere é exatamente o caso do Santos Futebol Clube, porque era de se esperar que tanto o ex segurança quanto os outros agressores soubessem da existencia das câmeras.
    Talvez contassem com a cumplicidade de algum funcionário. Mas tudo é suposição e inacreditável, mesmo porque a defesa negou a imagem. É coisa sem lógica.

  7. Ola Carlos
    Muitos nem imaginam que estão sendo filmados, vigiados
    Recentemente em uma pequena rua de um bairro de SP uma turminha estava se drogando, só que ninguem percebeu que tinham câmeras instaladas por um restaurante nesta rua.
    Os funcionarios deste restaurante Chamaram a policia e todos que estavam se drogando acabaram presos
    Isso é fazer besteira.
    Os que estavam se drogando.

  8. Morei 2 anos em Londres e sempre tive a sensação de maior segurança em função das câmeras espalhadas por toda a cidade. Obviamente o Reino Unido iniciou a instalação de câmeras em função dos problemas de terrorismo envolvendo o IRA. Claro que diversos crimes podem não ser resolvidos pela presença das câmeras (como reclama Dee Doocey), mas na era em que vivemos não podemos prescindir da tecnologia disponível por questões de privacidade, afinal as câmeras ficam em locais públicos e portanto deveríamos nos portar adequadamente nestes locais… Na minha opinião, o importante é regulamentar adequadamente a divulgação das imagens, para evitar abusos.

  9. Ao autor do comentário número 10.
    Agradeço sua contribuição pois a experiência como morador é importante e 2 anos é prazo suficiente para uma boa avaliação.
    Quanto a não prescindir do uso da tecnologia concordo plenamente.
    Seria o mesmo que não usarmos computador,celular,etc
    Como em tudo, o que não pode é haver excesso.
    O uso do celular também está precisando de normatização, pois há invasões de privacidade alheia em salas de espera e riscos ao volante.
    Se não foi intencional o anonimato, gostaria de saber seu nome e e-mail.Estamos com problema operacional e há que repetir nome e e-mail na rotina.

  10. Carlos,

    Apoio, muito, a instalação de câmeras pela cidade. Como ex-moradora de Londres posso dizer que câmeras fazem muita diferença na segurança e na prevenção a assaltos e outras más atitudes. E, essa sensação de invasão de privacidade é esquecida na primeira semana. Na verdade, já vivemos com muitas câmeras e nem nos lembramos: no elevador, no supermercado, no escritório e em muitos outros lugares que nem imaginamos.

    Atenciosamente,

    Sandra Hayashida

  11. Sandra,é muito interessante para o tema de hoje contarmos com a experiência de pessoas que já viveram em Londres.
    Como vimos ,quase todas as cidades que partem para o uso de câmeras nas ruas, tomam como base a cidade de Londres.Pelo pioneirismo e profundidade do sistema de monitoramento.
    A sensação de segurança que relata evidencia a questão que se coloca do custo-benefício.

    Visitei o teu site.É uma concorrente de peso. Parabéns.
    O http://www.coolstyle.com.br é uma loja de moda de primeira qualidade. Recomendo a todos uma visita.

  12. Num país em que o STJ descarta as gravações feitas em “grampos” autorizados pela própria Justiça, qual é a validade das imagens, não autorizadas, obtidas nas inúmeras câmeras espalhadas ?
    Qualquer tentativa de melhora, de progresso da nossa sociedade passa antes por uma reforma limpeza do nosso judiciário; com câmeras grampeadas!!!

  13. Ao autor do comentário de número 14.
    Alguns setores não tem acompanhado a evolução geral.
    Quem sabe com o desenvolvimento da economia venhamos a evoluir em áreas como esta.
    Ainda assim é melhor que gravemos as imagens.

    Acabamos de ver o PIB do último trimestre em relação a 2007 e crescemos 6%, graças a alguns setores como construção civil em função do aumento do crédito imobiliário. Há várias áreas que não tiveram comportamento similar.

  14. Gilberto Kassab tem levado a sério a questão da segurança em São Paulo. Câmeras de monitoramento já foram instaladas e estão funcionando no centro de São Paulo. Segundo a Secretaria de Estado de Segurança Pública, o índice de criminalidade caiu 15% nessas regiões. A redução chegou a 18% no início de 2007. Outras 55 câmeras já estão em fase final de instalação, inclusive na Ponte Estaiada. Ainda está sendo feita a integração de todos os sistemas de videomonitoramento, com o compartilhamento do uso de 3.500 já instaladas ou contratadas pela GCM, CET, SPTRANS, Secretaria de Educação, além de câmeras da Policia Militar. A Prefeitura utilizará, tbm, um sistema de fornecimento de imagens que será composto por até 12 mil câmeras, que já está em licitação. Serão monitorados espaços como: escolas, o centro expandido, as Marginais Pinheiros e Tietê, as entradas e saídas da cidade, o Parques como o Ibirapuera e do Carmo, as principais avenidas, túneis, prédios públicos e cemitérios.

  15. André,agradeço suas informações e acredito na inevitabilidade das câmeras. Gostaria que as entidades representativas dos moradores, sempre atuantes, se manifestassem.
    Tenho enviado e-mail para várias e solicitado que externem a posição.
    A Lucila do Movimento Defenda São Paulo está se dispondo a uma presença firme nestes assuntos relativos a cidade e aos moradores e ,me informou que ainda não fizeram reunião a respeito das câmeras.
    Fico feliz aguardando as futuras manifestações do MDSP.
    Quanto ao trânsito a posição do MDSP é muito realista, pois defendem a análise e restrição sobre o USO E OCUPAÇÃO DO SOLO.
    Acato totalmente, e apenas um exemplo, posso citar a AVENIDA MORUMBI reclassificada pelo novo Plano Diretor.
    Hoje os jornais informam que no Campus da USP no Butantã estão sendo instaladas mais de 80 câmeras.

  16. Acredito que as câmeras são muito importantes para o trabalho preventivo de segurança e também na ocorrência de crimes, quando é possivel conseguir informações sobre os meliantes, facilitando as investigações.

  17. Julia Rezende,a sua participação e opinião são muito importantes e pertinentes ao tema das câmeras de segurança.Como Presidente do CONSEG MORUMBI, tem uma responsabilidade grande no item segurança da região.Pelas caracteristícas do Morumbi,onde se evidencia os extremos, que segundo o Diretor da ONG MENINOS DO MORUMBI é ” uma ilha de prosperidade cercada de favelas por todos os lados” numa mescla positiva que está representada na própria banda, onde participam tanto moradores das mansões e das favelas.
    Além das mansões e favelas, os melhores hospitais e escolas da cidade , com o maior estádio de esportes ,se juntam num “bland” acentuadamente heterogêneo.
    É trabalho que não acaba nunca.
    Continue nos prestigiando com suas posições e sugestões.

  18. Junior, já viu o filme e gostou ou não ?
    Existe algo em comum mas não é a mesma proposta. Principalmente porque a maioria das opiniões são a favor desde que se avise que existe câmeras e que haja um controle e regras a respeito da divulgação.
    É uma das maneiras de equilibrar a vantagem da surpresa que sempre está do lado dos bandidos. Ou de quem, de alguma forma está provocando algum mal estar ou desequilibrio na ordem convencional.
    De qualquer maneira as câmeras são algo inevitável, tal a sua eficácia. É aceitar e regular.
    A propósito já estava sentindo falta de seu comentário, que sempre é bem vindo.

  19. Carlos, o filme é chato a acepção das escutas que sustenta a idéia de um caráter que deveria ser escondido, talvez por não trazer vantagens nenhuma nos casos explicitados, é precária ao não revelar a riqueza do conceito. Muito chato, o diário da minha irmã era mais legal.

    Engraçado que junto com as câmeras vem a falsa idéia de autoridade, encena-se certo ar de coragem. Só espero que os bandidos também sejam iguais aos dos europeus.

    _

  20. Junior, as câmeras realmente talvez tenham, como você colocou ,um certo ar de falsa autoridade.
    De qualquer maneira as utilidades podem variar.Por exemplo, o autor citado no texto, Paco Underhill, desenvolveu toda uma teoria de varejo através inicialmente das câmeras super 8. Escreveu dois livros de varejo, best sellers internacionais e desenvolve como resultante uma consultoria na área. É palestrante requisitado e demonstra facilmente a sua tese, pois exibe alguns trechos de suas gravações.Tipo, casal na loja e marido apressando para ir embora porque não há lugar para sentar. Foi êle quem descobriu a necessidade de fornecer as cestinhas nas farmácias e demais lojas, pois fica evidente na gravação que se o consumidor tem algo ocupando a mão ele não fica á vontade para pegar nas mercadorias.
    Paco registra em seu livro WHY WE BUY que a KODAK informou que no ano de 1992 o maior comprador individual de filme super 8 foi êle.

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