De Valentina dos Mil Encantos

Por Maria Lucia Solla

Olá,

Nome lindo, não é? Pois é assim que chamo o filhote de Shih Tzu que acabo de adotar. Acabo é modo de dizer. Já estamos dividindo alguns espaços e compartilhando outros, há dezessete dias. E tem sido um período intenso de descoberta, aprendizado, erro e acerto. Aos montes. Dos dois lados.

Às Valentinas humanas que se sentirem ofendidas pelo empréstimo do nome, peço que me perdoem, mas penso que deveriam se sentir envaidecidas. É um dos nomes mais fortes que conheço. Ele alia a força masculina (yang) à sedução feminina (yin). É assim que espero que ela seja. Completa. Equilibrada.

Hoje, minha pequena Valentina completa três meses de vida. Noventa e dois dias. É linda – corujice à parte. Tem o olho esquerdo ligeiramente de esguelha, observando o leste, enquanto o direito fica firme no sul. Com isso, ela consegue observar quase todas as coordenadas aqui de casa, por onde posso me movimentar e quem sabe desaparecer. Mesmo que eu pise macio, de meias ou descalça, tentando não chamar a atenção, ela percebe o movimento e se põe alerta. Difícil não pisar numa de suas patas ou no rabinho. Quando me dou conta de que ela não está ao alcance dos meus olhos, busco e… Cadê? Nada. Dou um passo e quase piso de cheio nela. E ela? Nem se abala. Corre pelo jardim, desvenda mistérios, cheira aqui, cheira ali, pega uma folha do chão, dá piruetas, corre e derrapa, e volta correndo para mim, para mostrar que vai tudo bem.

Antes que eu me esqueça de dizer; o apelido dela é Buda-Ninja.

Valentina não fala a minha língua, e nem eu a dela. Vamos aprendendo, aos poucos, o significado de gestos e movimentos. Gestos e movimentos têm cor, têm som. Isso eu vejo melhor, agora. E ainda faço reverência cada vez mais respeitosa à Comunicação. Se eu disser a ela, não faça isso, Valentina, que eu não gosto, e isso não é para você, ela acha que estou cantando para ela e fica toda satisfeita. Eu de dedo em riste e ela pulando para vir no meu colo. É capaz de repetir o que gerou a bronca, só para ouvir de novo a melodia.

Ninguém pensou em nada, não é? Não soou nenhum sininho…

Aprendi que um – que linda! -, acompanhado de um sorriso, a faz entender que o que fez foi bom. Um não, firme, com voz dura e o olhar no mesmo tom, resolve melhor do que um compêndio inteiro de psicologia canina. Sou nova nesse campo, mas entrei de cabeça. O que estou aprendendo, não está à venda, não! Portanto, a tudo que puder me trazer um sabor amargo na boca, NÃO, com uma baita careta. A tudo o que puder me trazer alegria, SIM, com um enorme e doce sorriso.

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Ouça este texto na voz da autora:

Esta gravação foi possível graças ao trabalho do Luiz e da Saiang, no Estúdio LP

Maria Lucia Solla é professora de inglês e terapeuta, escreveu o livro “De bem com a vida mesmo que doa”, publicado pela Libratrês, nos acompanha todo domingo aqui no blog e conversa com todos que deixarem mensagem para ela

6 comentários sobre “De Valentina dos Mil Encantos

  1. Maria Lucia,
    Seu texto é sempre uma delícia… e ouvir sobre Valentina quase me faz mudar de opinião sobre ter cachorros em apartamento… ainda bem que essa sensação passa logo!
    De qualquer modo, eu e o Luiz adoramos fazer esse trabalho com você – mais ele do que eu. Eu só faço gostar dos seus textos e sempre aprovar, afinal, suas idéias são sempre tão orientadoras pra nós. Sempre pensamos sobre elas!
    Obrigada pela lembrança!
    Beijão,
    Suiang e Luiz

  2. bonita manifestação de deleite Maria, eu por exemplo prefiro os felinos, que, com ou sem pedigree são brincalhões, sensuais, asseados e dóceis.

    Um abraço boa semana !
    _

  3. Júnior,
    O que você diz me faz pensar que eu também gosto de sensualidade, asseio, bom-humor, docilidade, ternura, inteligência, companheirismo, fidelidade, sinceridade, mas pedigree nunca foi garantia de qualidade, certo? Não é garantia entre cães e gatos, e muito menos entre humanos.
    Nunca é demais lembrar.
    Abraço, e obrigada pela visita ao meu texto.
    ml

  4. verdade Maria, no promíscuo reino dos vira-latas, a diferença é a regra. Além de mais espertos, resistentes e diversificados (no caso de gatos), eles também têm mais imaginação, talvez porque faça parte do seu DNA essa conjugação de virtudes vitais à sobrevivência em condições adversas.

    um abraço,
    _

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